O Touro E A Donzela
9 Capítulo 9 - Seguindo seus caminhos
Seguindo seus caminhos
Capítulo 9
Ao despertar o cavaleiro não identificou de imediato onde estava, seu pescoço e perna quase não estavam mais doendo com ataduras bem seguras envolta deles, estava deitado em uma confortável cama quente, havia uma agulha espetada em seu pulso passando o soro que estava erguido em uma haste ao lado da cama e foi lembrando-se de tudo que aconteceu, com as imagens voltando a sua mente já lembrava que o lugar em que estava era o quarto no Palácio Guaruhara onde havia ficado hospedado, olhando ao seu lado estava Agda com um belo vestido branco longo como era de seu costume e uma manta felpuda vermelha cobrindo seus ombros e braços, apesar de estar sentada em uma cadeira ao lado da cama em que estava o cavaleiro, ela tinha a cabeça repousada na cama, estava dormindo, para Aldebaraban aquela não era exatamente uma posição confortável para se estar a descansar, mas não quis acordá-la, ela tinha umas manchas roxas logo abaixo dos olhos mostrando que não havia descansado o bastante ultimamente, seus pulsos ainda estavam marcados com um forte tom roxo misturado com verde mostrando que o machucado estava lentamente se curando, em suas pequenas mãos havia um caderno de capa marrom que lhe era familiar, era o mesmo que havia visto ao lado da ave sacrificada, no lugar onde Holda pretendia sacrificar a bela mulher a sua frente, o caderno de feitiços ao menos foi o que pensou, ele tirou o caderno com cuidado das mãos dela e o folheou, e para sua surpresa aquilo não tinha nada haver com feitiçaria, ao menos não na maior parte de seu conteúdo, aquele caderno era o diário íntimo de Holda, ele escolheu uma página a esmo praticamente no meio do caderno e leu.
“Querido diário ultimamente não tenho me sentido eu mesma, desde que a imagem daquele homem que já havia mencionado aqui começou a invadir meus sonhos, tenho tido um sentimento de desconforto sempre que chego perto de Hilda, uma inveja que nunca pensei sentir, mesmo com todos os meus poderes ocultos herdados da primeira Holda a bruxa das bruxas, eu nunca tive vontade de assumir uma posição com tantos sacrifícios como a que Hilda tem, mas agora parece que algo mudou dentro de mim. Queria que Bertha estivesse aqui para me aconselhar, mas minha irmã se foi de Asgard há tanto tempo e raramente sei seu paradeiro. Espero que a grande Holda que caminha ao lado de nosso Deus Odin me ajude.”
Aldebaran estava chocado, então alguém usou Holda e talvez até mesmo Fafnir para tentar machucar Hilda, isso precisava ser conversado tanto com Hilda como com a Deusa Atena, ele buscou as páginas tentando encontrar algumas pistas sobre o misterioso homem que havia visitado Holda em seus sonhos e algumas páginas antes estava sua resposta.
“Diário hoje eu tive o sonho mais estranho, parecia muito real, estava próxima a um lago que fica perto da floresta e havia uma lontra nas suas margens, me aproximei e o animal se transformou diante dos meus olhos em um belo homem de cabelos brancos e seus olhos eram cinzentos, tão bonito quanto um Deus e com uma aura estranha, mas muito forte, eu lhe perguntei quem era e ele me respondeu que era quem quisesse ser, eu achei sua resposta engraçada, eu o disse que isso era um poder que apenas o Deus Loki teria e ele riu comigo, ele perguntou se eu estava satisfeita com minha vida de serva, aquilo foi estranho, tentou-me, mas eu não cedi, estava satisfeita em servi a Hilda, o mundo precisa dela, ele não pareceu gostar de minha resposta e disse que voltaria a me visitar, com o tempo talvez eu mudasse de ideia, sorrindo logo depois ele disse mansamente que Deuses não gostam de serem contrariados, me acordei de um pulo com aquilo, mas todos sabem que os Deuses aprisionaram Loki e que uma serpente esta encarregada de lhe fazer sofrer por suas ações, então não pode ter sido ele, mas confesso que me senti bem atraída por aquele homem de meus sonhos, se Bertha me ouvisse dizer isso ela riria, e falaria que eu sempre me atraio pelo perigo”.
Agora o cavaleiro procurou mais informações no diário de Holda, mas não tinha muita coisa a mais, ela tinha parado de escrever desde a época que os guerreiros começaram a se sentir estranhos e desconfiados com relação às ordens de Hilda, e isso era bem estranho já que Holda ainda estava andando com o diário mesmo sem escrever mais nada nele, continuando a folear o caderno uma foto caiu sobre Aldebaran, eram duas Holdas crianças completamente iguais até em suas roupas infantis, e Agda estava segurando a mão de uma delas e sorrindo com o mais belo e inocente sorriso.
- Holda, Bertha e eu quando crianças. Elas são gêmeas, eu sempre fui muito apegada a Bertha. – Agda havia acordado e viu a foto nas mãos de Aldebaran. – Que bom que voltou do seu longo sono.
- O que houve com essa Bertha? – O cavaleiro estava um pouco curioso sobre o passado que Agda teve com as duas garotas.
- Ela foi embora, disse que não aguentava mais Asgard, precisava de aventuras novas, sempre foi impulsiva, alegre, apesar de que quando foi embora já não estava com sua alegria de sempre, parecia um pouco perdida, as duas sempre tiveram uma ligação especial, eu tinha um pouco de inveja disso, de como se conectavam só através de um olhar, mas Bertha me tratava como uma irmã mais nova, Holda não gostava muito de dividir a atenção da irmã, mas me suportava para evitar brigas. – A loira lembrava-se de seu passado com um pouco de nostalgia e com um triste olhar no rosto. – Se ela tivesse por aqui talvez conseguisse evitar o fim de Holda e de Fafnir, ela sempre foi especial.
- Se ela estivesse aqui talvez não nos conheceríamos, Agda, o passado não pode ser mudado, fizemos o que estava ao nosso alcance, nosso dever é proteger essa terra e ela já era um caso perdido, provavelmente nem reconheceria a irmã se a visse naquele estado de transtorno. Bem... Quanto tempo dormi?
- Três dias. Sente-se melhor? Havia perdido muito sangue, quase morreu por isso. – Ela levantou-se da cadeira e pôs a pequena mão sobre a testa do cavaleiro, medindo sua temperatura.
- Estou muito melhor agora. – Ele puxou a loira sobre si e a beijou lentamente, colocando a mão sobre a nuca dela, e estreitando o beijo molhado, acariciando a língua dela com a sua, os lábios dela eram tomados de forma possessiva e quente, e foi parando aos poucos para falar. – Agora estou melhor ainda, venha descansar comigo, parece que não dormiu durante os três dias. – Ela não recusou, apenas deitou-se com ele, acomodando-se com cuidado para não tocar seus machucados, e deixou-se finalmente descansar com o cavaleiro passando a mão sobre seus cabelos, até voltar a adormecer.
Acordaram algumas horas depois com uma plateia lhes assistindo, no quarto estava Hilda, Freya, um médico e duas enfermeiras olhando-os atônitos, o médico foi o primeiro a se mover verificando a temperatura de Aldebaran que permaneceu em silencio, Agda estava mais vermelha que tomate com a cabeça baixa esperando uma repreensão de Hilda que não veio.
- Ele não está mais com febre, e não está mais anêmico, sua saúde já está de volta ao normal. – Com essas palavras as enfermeiras tiraram o soro do cavaleiro, e elas e o médico retiraram-se do quarto.
- Ainda bem que acordou Aldebaran, Atena ficaria muito triste se o perdêssemos e eu já devo muito a ela, já estou inteirada do assunto, conversei muito com Agda durante esses dias e ainda vamos precisar confirmar o motivo e a pessoa encarregada por essa tragédia, apesar das minhas suspeitas, não podemos acusar um Deus sem ter absoluta certeza, ou entraríamos em uma briga perdida. – O clima no quarto estava tenso. – Depois que Holda... Se foi, os guerreiros voltaram ao normal, parece que estavam sobre algum tipo de encantamento, ela sempre teve dons incríveis. – A tristeza estava os olhos de todos dentro do aposento e era desconfortável falar sobre isso. – Agora você deve voltar para Atena, não sabemos se apenas eu era o alvo, ou se pode envolver o Santuário, já atualizei Atena e ela lhe aguarda. Agda, venha comigo, temos algo para conversar. – Hilda saiu do quarto e Agda foi lhe seguindo, antes de sair completamente à governanta de Asgard olhou para o cavaleiro. – Aldebaran, você tem minha eterna gratidão. – E saiu do quarto deixando apenas Freya e Aldebaran no aposento.
- Parece que você e Agda tem algo especial juntos. – Freya falou com um sorriso no rosto, estava um pouco curiosa sobre a situação. – É sério?
- Na verdade... Eu não sei. – Ele levantou-se da cama, sabia que agora teria que voltar ao Santuário, a Deusa era sua prioridade e a situação poderia ficar perigosa a qualquer momento. – Nós dois temos prioridades, e são diferentes, eu tenho Atena, ela tem Hilda. Talvez em um futuro... Se permitirem. – Ele estava um pouco frustrado com a situação.
- Nunca se sabe... Hilda é uma caixa de surpresas. – Dizendo isso Freya deixou o cavaleiro se preparar para voltar ao Santuário, para sua casa.
Aldebaran não voltou a ver Agda até o dia seguinte de manhã, ele já estava pronto para ir embora à frente do Palácio onde tinha um carro próprio para neve a espera dele, assim ele não precisaria cansar-se para voltar ao Santuário, ninguém queria que seus ferimentos voltassem a abrir, ela estava com seu casaco comprido e bem agasalhada e aproximou-se dele com um discreto sorriso, ele sentia-se um tanto abatido, não sabia quando poderia vê-la novamente e não tiveram tempo de conversar.
- Oi. Bom dia. – Ela falou um tanto tímida para ele.
- Bom dia. – Ele respondeu dando um sorriso um tanto forçado para ela. – Acho que não poderemos nos ver durante algum tempo...
- Porque acha isso? – Ela tinha um tom brincalhão que ele nunca tinha visto, havia muitas coisas que ainda não sabiam um sobre o outro, ele queria descobrir tudo sobre a loira, mas não havia mais tempo, não por enquanto pelo menos.
- Não sabemos o que está por vir, terei que ficar junto a Atena. – Ele segurou as mãos delicadas da loira e baixou-se para beijá-las. – Vou sentir sua falta.
- Imagino que não terá tempo o bastante para isso cavaleiro. – Isso dizia Hilda já se aproximando dos dois. – Agda irá para o Santuário com você e servirá a Atena como minha representante por lá, também estará incumbida de me atualizar diariamente, será meu contato direto, já comuniquei a Saori, está tudo resolvido, o cavaleiro estava espantado, muito surpreso, até Hilda deu uma risada com isso. – Bem... Não deixem o carro esperando. – Todos se despediram e Aldebaran seguiu com Agda para o carro.
- Então, como fica nossa situação? – Ele conseguiu falar ainda digerindo a nova informação enquanto caminhava.
- Acho que do mesmo jeito que esta, temos nossas prioridades. – Falou ainda com uma expressão de contentamento na face.
- Sim, nós temos. – Ele discretamente segurou a mão da loira que abriu um sorriso e ambos entraram no carro.
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