O Touro E A Donzela

8 Capítulo 8 - Ao resgate da donzela


Ao resgate da donzela

Capítulo 8

Muito machucado e sofrendo com a perda de sangue o cavaleiro seguiu rumo às trevas da trilha que Holda havia lhe apontado como o lugar onde Agda estava, mesmo andando às vezes sentia-se perdendo a consciência, apenas seu cosmo permanecia lhe dando forças para seguir, e não muito longe lá estava ela próxima a uma grande rocha de aspecto ameaçador, Agda lhe esperava. Estava amarrada pendurada pelos punhos, sem roupas no frio de Asgard, os pedaços de pano que antes era seu vestido estavam estirados no chão, ela estava imóvel, com a cabeça baixa, obviamente desacordada, e os cabelos loiros cobrindo seus pequenos seios.

- Agda! Agda! Acorde! – Aldebaran sacudia o corpo gelado de Agda, por um instante pensou tê-la perdido, mas ela emitiu um gemido que ele não sabia se era frio ou dor, os pulsos dela estavam machucados, ele podia ver as marcas brutais que as cordas estavam fazendo, com sua força ele rompeu as cordas que a mantinham pendurada, mesmo assim ela ainda não abria os olhos, procurou ao redor algo para lhe esquentar, havia apenas uns objetos que para ele eram artigos de feitiçaria e um punhal próximo a eles com o que parecia ser uma ave morta, um sacrifício, havia também um caderno aberto, deveria ser um livro de feitiçarias supôs o cavaleiro. De repente ele começou a sentir, uma força descomunal vindo em sua direção e aquela força o suspendeu mantendo seus braços levantados na mesma posição que Agda estava, só que suas amarras não eram físicas como as de Agda e sim um grande poder que mesmo com toda a força dele não conseguia superar.

Uma figura com um grande capuz saiu por detrás da rocha, foi chegando devagar até o cavaleiro, aproximou-se tanto que ele conseguia ver seu sorriso, mas não seus olhos cobertos, logo a figura baixou o capuz e o cavaleiro a reconheceu.

- Holda? Você morreu! Morreu de frente dos meus olhos! – Ele estava atordoado, começou a pensar que estava alucinando por falta de sangue, que sua mente estava a lhe pregar peças.

- Morri? – ela gargalhou. – Ora cavaleiro, não devia confiar tanto em seus sentidos quando eu estou por perto, você é responsável pelo meu atraso, meu senhor não ficará satisfeito, mas sabe... Eu até gostei de você, faz meu tipo, poderia até servir como meu brinquedinho... Mas ai você chamou o nome dela, chamou o nome dela enquanto eu estava em sua cama, sobre seu corpo! Quão idiota você é? – O sorriso dela transformou-se em uma carranca feia, gritava com o cavaleiro, estava tão transtornada quanto Fafnir. – E não satisfeito com isso ousou tocar no meu puro sacrifício!

- Eu não toquei naquele bicho morto. – Ele referia-se ao animal, mas logo notou pelo olhar da bruxa que era outro sacrifício o que ela mencionava. – Agda? Ela era seu sacrifício?

- Sim, meu Deus e senhor é muito exigente, gosta de virgens, e como ela não mais é, vai morrer aqui, no frio da terra que tanto ama, vou dar a carne dela para os animais, pensou que podiam me enganar? O cheiro dela me diz tudo! Ela foi usada! O corpo dela foi usado! E agora você vai morrer como desculpas para meu amado senhor, assim ele me perdoará! – Ela colocou as mãos sobre a cabeça como se estivesse atormentada, olhos loucos, mas pouco tempo depois recuperou a compostura e as unhas dela foram crescendo, ficaram do tamanho de adagas afiadas. – Bye bye cavaleiro de Atena.

Quando estava pronta para acertá-lo Agda agarrou-se ao pescoço da bruxa, jogando o peso do corpo magro sobre as costas de Holda, que surpresa perdeu o equilíbrio caindo ao chão, momentaneamente Aldebaran foi liberto, Agda voou contra a rocha com um só movimento da mão de Holda machucando suas costas, mas a adrenalina era mais forte que a dor, ela agarrou o punhal que estava próximo de onde foi jogada, o cavaleiro foi com sua velocidade da luz até Holda que levantava-se e preparou seu punho, quando esmurrou o seu punho bateu contra um bloqueio, era um forte campo de força, mas a enorme força do cavaleiro o fez trincar e quebrar, nesse tempo a bruxa já havia o aprisionado, com seu poder ela o fez cair ao chão como se a gravidade tivesse ficado muito mais potente onde o cavaleiro estava, mas lá estava Agda atrás da bruxa segurando o punhal, com o campo de força destruído, ela cravou o afiado punhal nas costas de Holda, a bruxa a fez voar novamente contra a rocha, mas com menos força agora, com uma dor absurda e gritando ela tentava em vão alcançar a o punhal para sair das suas costas, mas o cavaleiro foi mais rápido e dessa vez a golpeou no estômago, ela morreu no mesmo instante assim como o guerreiro Fafnir.

- Você está bem? – Ele perguntava a Agda, que se levantava com dificuldades, tremendo com o frio e prestes a voltar a desmaiar, ele também não estava no melhor dos estados, tirou o capuz longo de Holda e cobriu o gelado corpo de Agda com o mesmo. – Vamos voltar. – O cavaleiro a pegou nos braços, e mesmo o corpo magro da loira parecia pesar uma tonelada para ele que já não tinha mais forças, o mais rápido que pôde ele voltou para o Palácio onde Hilda que estava à espera deles com Freya e mais alguns guerreiros, parecia que ela estava lhes falando sobre o que ocorria, colocando Agda no chão o cavaleiro de ouro tombou e caiu desacordado nas escadas de pedras frias do palácio.