O Touro E A Donzela
4 Capítulo 4 - A conspiração dos Guerreiros
A conspiração dos Guerreiros
Capítulo 4
Na noite fria os dois saíram, o cavaleiro e a jovem seguiram para a vila de Asgard mais próxima ao Palácio Guaruhara, chegaram ao bar, um lugar modesto, mas com bastante movimento dentro pelo que se via nas janelas de vidro fechadas, várias mesas com cavaleiros, e aldeões, também tinha uma música alta tocando e alguns dançavam animadamente ao som daquele ritmo frenético, os dois entraram no ambiente quente, além da movimentação de pessoas o lugar contava com um sistema de aquecimento, e Agda ficara muito agradecida por isso, o clima fora estava extremamente frio. Seguindo até uma mesa alguns olhares voltaram-se para Aldebaran que se destacava pela altura, mas a maioria quando via que Agda estava com o forasteiro, já deixava para lá, as vezes ela servia como uma espécie de guia para convidados de Hilda, então não era exatamente uma novidade, apesar dela raramente vir a noite no local que as vezes era freqüentado por umas mulheres da vida que mantinham cavaleiros e aldeões ocupados. Eles sentam em uma mesa.
- Fique aqui, vou conseguir algo para bebermos e perguntar as novidades para o dono do bar, ele era amigo dos meus pais, uma pessoa de confiança. – Agda falou deixando o casaco sobre a mesa e seguindo para um balcão entulhado de pessoas gritando por suas bebidas.
Aldebaran estava sentado de maneira confortável na cadeira, já sentindo um cosmo hostil aproximar-se, ficou quieto, já sabia quem era o dono desse forte cosmo, uma mão pegou uma cadeira e sentou-se na mesa, outra cadeira também foi puxada e um rapaz jovem que Aldebaran nunca havia visto se sentou nela.
- Olá cavaleiro de ouro, este é um amigo meu Hati. Sabe, eu e ele ficamos um tanto preocupados com a forma que eu lhe tratei antes, não foi cavalheiresco da minha parte, e visto que esta andando com minha futura noiva acho que devemos conversar mais civilizadamente, eu me chamo Fafnir, fui escolhido como Guerreiro Deus por Hilda. – A voz de Fafnir tinha um tom irônico e seu sorriso era provocador, o jovem ao seu lado não dizia nada, apenas encarava o cavaleiro, seu cosmo estava sossegado como se tentasse esconde-lo, ele tinha grandes olhos verdes e cabelos rebeldes brancos como a neve, era muito mais novo que Fafnir, devia ter seus 15 anos, e carregava consigo uma expressão impassível na face. – Soube que você foi o cavaleiro de ouro que perdeu para o Guerreiro Deus Shido. Como foi isso?
- Desagradável, eu não tinha percebido o irmão dele Bado a tempo e ele era forte. – Aldebaran não se importava em comentar sobre o assunto, a cada batalha algo novo foi aprendido e o tinha deixado mais forte, só não gostou do comentário dele sobre Agda ser sua futura noiva.
- Mas o que o trouxe até Asgard cavaleiro? – Parecia ter uma legítima curiosidade nos olhos dourados perigosos de Fafnir. – Imagino que não veio apenas passear com a minha futura mulher.
- Eu vim para fortalecer os laços de paz entre o Santuário e Asgard. Não sabia que Agda havia lhe aceitado como pretendente. – Aldebaran estava com um sorriso no rosto, sabia que Fafnir não estava nos planos de Agda, seja eles quais forem.
- Por enquanto não, mas sabe como são mulheres, quando eu ganhar a safira de Odin e for escolhido como o Guerreiro Deus mais forte, as coisas mudarão, uma mulher como Agda não fica muito tempo sozinha, ela não tem pais é uma órfã num país de gelo, alguém colocará juízo naquela bela cabecinha. Não tardará para que ela seja minha, só questão de um pouco mais de tempo. – Ele estava bem satisfeito consigo mesmo. – Por isso cavaleiro peço que entenda e não tenha idéias erradas sobre ela, afinal ela já tem dono. – Parece que ele já havia notado a maneira que os olhos de Aldebaran exultavam quando Agda estava junto com ele.
- Eu nunca pensaria eu fazer nada para prejudicar Agda. – Agora os olhos de Aldebaran é que se estreitaram de maneira perigosa, e os dois guerreiros pareciam alerta para um possível ataque que não veio.
- Ok, agora não mais iremos lhe atrapalhar, com sua licença. – Os dois levantaram e seguiram para fora do bar no mesmo momento que Agda aproximava-se da mesa com duas canecas cheias de cerveja escura.
Ela entregou uma caneca para Aldebaran e sentou com a sua mais próxima a ele. – Parece que quem anda agitando os outros guerreiros é o Fafnir, o dono do bar diz que às vezes eles se reúnem em algum lugar da floresta e falam sobre a desonra que caiu sobre os guerreiros Deuses que perderam para jovens cavaleiros de bronze do Santuário, que isto aconteceu por fraqueza de Hilda, mas não imagino o que ele ganharia incitando os guerreiros contra a senhora de Asgard, ela é a escolhida por Odin, não há nada que ele possa fazer contra isso. – Ela falava baixo enquanto bebia sua cerveja.
- Também não sei, mas vamos achar um modo de descobrir. – O cavaleiro ficou pensativo bebericando a cerveja, olhando para a jovem de modo discreto, ela realmente era bonita, ele queria enfiar o rosto em seus cabelos perfumados, acariciar aquela pele perfeita. – Soube que você é órfã que nem eu.
- Sou, meus pais faleceram logo após as batalhas dos cavaleiros, fiquei sozinha no mundo. Desolada. Mas Hilda e Freya me ajudaram, me deram trabalho, um lugar seguro e bonito para morar, nunca vou me esquecer da bondade delas, trabalharei minha vida inteira para compensá-las, agora tenho um motivo para continuar a viver. – A jovem parecia distraída enquanto falava, Aldebaran não resistiu e colocou uma mecha de cabelo dourado atrás da orelha da jovem, que ficou levemente corada encarando o restante da cerveja, mas não falou nada. Eles terminaram de beber e saíram do bar.
Estavam andando na floresta gelada quando escutaram vozes e uma delas era a de Fafnir, parecia estar voltando de algum lugar com alguém, Aldebaran escondeu o cosmo e apertou-se contra uma grossa árvore com Agda também encolhida contra ele, os dois não fizeram barulho, o tom da conversa de Fafnir parecia muito suspeito, falava baixo.
- Veja Hati, com a bruxa do nosso lado nós vamos prosperar você viu como ela era forte, nós vamos ser os mais fortes guerreiros já vistos, ela disse que está perto de encontrar uma maneira para se tornar a escolhida de Odin, ela está perto disso, Hilda não terá chances. – Fafnir parecia empolgado enquanto falava com seu tom baixo.
- Eu imagino que sim, mas quem é a bruxa afinal? Só você a conhece, para nós ela sempre aparece com aquele capuz escondendo seu rosto. E como ela vai conseguir aumentar nossos poderes e ficar no lugar de Hilda? – Hati tinha um tom de preocupação na voz, e eles passaram muito próximos a árvore que servia de esconderijo de Aldebaran e de Agda, prenderam as respirações e ficaram com os corpos bem colados, imóveis, olhando nos olhos um do outro com preocupação, ela parecia aterrorizada com as palavras que escutou de Fafnir, os braços de Aldebaran estavam ao redor do corpo dela, segurando-a, tentando deixá-la mais calma, e a única cosa que ela queria era gritar com aqueles dois guerreiros, lhes acusar de traição, cuspir na face deles, estava enojada com o que acabara de ouvir. Por um segundo Hati parou, olhou ao redor, mas ouvindo apenas o vento gelado de Asgard passando por entre as árvores ele seguiu caminho ao lado de Fafnir. Só depois de um tempo Aldebaran e Agda saíram de trás da árvore e tomaram seu caminho sem ousar abrir a pouca para que ninguém escutasse o que eles tinham para dizer.
Eles voltaram ao Palácio e foram diretamente para o quarto de Aldebaran que havia uma lareira reabastecida com galhos de árvores que ardiam nas chamas.
- Como eles puderam? Trair Hilda dessa forma, se não fosse por ela, todos na Terra estariam mortos engolidos por enchentes absurdas, nada restaria na Terra, e é assim que eles agradecem? Ela vive para isso, ela não faz mais nada da vida! – Agda estava obviamente furiosa, até descontrolada, seu tom de vozes às vezes aumentava com a indignação, o que deixava o cavaleiro preocupado que alguém a escutasse, ele segurou suas mãos para que ficasse parada e o escutasse.
- Fale baixo, ninguém pode saber disso. Nós ainda temos que saber quem é a bruxa que pode tentar matar Hilda, isso agora é uma questão de paz na Terra, não sabemos o que ela pretende. – Ele dizia baixo e os olhos de Agda ficavam molhados, era óbvio o quanto se sentia impotente e revoltada sobre tudo aquilo.
- Como faremos isso? Como descobriremos? Eles são tão cruéis, como podem? Eles é que estão desonrando os antigos guerreiros. Hilda foi tão boa para mim, para todos. – As lágrimas desceram, e o cavaleiro a abraçou, não era muito forte com choro de mulher, principalmente com alguém tão delicada.
- Shhhh... Não chore, vai ficar tudo bem, estou aqui para isso, vou dar um jeito, nós vamos dar um jeito. – Ele passava os dedos sobre a face dela, limpando as lágrimas. – Vou pensar em algo... Temos que fazer Fafnir falar, talvez se eu o derrotar em uma luta ele nos diga.
- Não, isso seria perigoso, ele é muito forte... E se acontecer algo com você, não conseguirei fazer nada, como poderei impedir isso? – Ela tinha preocupação na voz, mas algo tinha acabado de passar pela mente dela. – Eu já sei... Tirarei as respostas de Fafnir, eu mesma farei isso. Ele pode ser abrir para mim, se eu fingir que não estou satisfeita com Hilda, que estou cansada dela, ele vai confiar em mim, Ele me quer como mulher, vai ceder. – Aquela idéia não foi algo que agradou Aldebaran.
- Isso sim é perigoso, você não pode fazer isso. – Ele queria impedi-la, uma aflição se formou nos seus pensamentos, algo forte, não queria que ela fosse, aquilo era muito perigoso, ela não tinha a força de uma guerreira, e os olhos de Fafnir eram perigosos, ele nunca deveria aproximar-se dela, em um impulso Aldebaran se baixou e beijou os lábios molhados de lágrimas de Agda, foi um beijo simples e quente, não chegaram nem a encostar as línguas, mas aquilo atingiu os dois como uma forte corrente elétrica. – Não quero que faça isso. – Ele falou com os lábios ainda encostados nos dela. Apesar de surpresa ela não o afastou, na verdade havia até gostado, e muito, mas aquela era a única forma de conseguirem extrair a verdade de Fafnir sem despertar suspeitas.
- Eu tomarei cuidado... O chamarei aqui nas escadarias do Palácio, não me perdoarei se algo acontecer a Hilda, por favor, entenda. – Ela afastou-se poucos centímetros do cavaleiro e lhe olhou com aqueles belos olhos castanhos de forma suplicante.
Ele ficou confuso, não queria que ela ficasse próxima do guerreiro, mas realmente era a maneira mais rápida de conseguir informações e dessa forma a bruxa seria pega de surpresa – Certo, mas não sairá da escadaria, e eu ficarei olhando vocês o tempo todo. – Antes que ela pudesse falar ele continuou. – E sem discussões sobre isso. – Ela balançou a cabeça em concordância e ficaram se encarando por alguns segundos, tão próximos que os corações deles batiam em velocidade surpreendente.
- Eu devo ir... – Falando isso a face dela estava já corada novamente e tomou distância do cavaleiro. Ele queria pedir para ela ficar, mas não podia, tinha uma missão que lhe foi dada, e perderia o controle se ela continuasse tão próxima, ficou olhando até que ela saísse do quarto e fechasse a porta.
- Eu sou um idiota, não posso me apaixonar, ela serve a Hilda e eu a Atena, elas são nossas prioridades. – Ele tirou as roupas, vestiu-se com uma calça de pijama que alguma serva havia deixado numa cômoda junto com outras vestimentas para ele que não havia trazido nenhuma roupa extra. Estando pronto para dormir ele deitou-se na cama de lençóis macios, amanhã seria mais um longo dia.
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