O Touro E A Donzela

2 Capítulo 2 - Os olhos


Os olhos

Capítulo 2

- Me desculpe novamente pelas atitudes do senhor Fafnir. – A bela donzela Agda falava enquanto segui a com o cavaleiro, andando a sua frente os cabelos lisos e loiros dela voavam como se tivessem vida por causa do vento, e o cheiro deles misturado com o ar gelado de Asgard estava tomando a concentração de Aldebaran, que a seguia em direção a grandes escadas de pedras que davam para o Palácio de Hilda.

- Não se preocupe com isso, mas quem é você? Só sei seu nome graças ao guerreiro mal humorado na arena de treinos. – Ele disse tentando parar de respirar profundamente por causa do cheiro gostoso que estava vindo dos cabelos da donzela.

- Eu sou Agda, uma simples empregada do Palácio, ajudo as senhoritas Hilda e Freya, principalmente a senhorita Freya que é responsável pela organização do templo, a senhorita Hilda fica a maior parte do tempo fazendo suas obrigações para com o Deus Odin, assim o desastre das inundações não ocorrerá novamente. Por agora fui encarregada de lhe levar até a senhorita Freya e de lhe manter confortável em seus aposentos, o senhor é um importante hospede.

- Eu espero não lhe dar trabalho, mas que tal se só nos chamássemos de Agda e Aldebaran? Não gosto de ser chamado de senhor assim me sinto um velho – Ele fez uma carranca que tirou um pequeno sorriso do rosto de Agda quando a mesma se virou para olhá-lo, foi só um mínimo sorriso, mas o coração do cavaleiro acelerou, e ela apontou as portas do Palácio,

- Já chegamos. – Assim que entraram no belo Palácio, Freya estava lhes aguardando.

- Imagino que é o cavaleiro Aldebaran de touro, Atena nos informou de sua vinda, ficamos muito agradecidas, Hilda está em suas orações, mas vim lhe dar as boas vindas por nós duas. Eu sou Freya a irmã de Hilda. Por agora Agda irá lhe indicar seu quarto e lhe ajudar com o que precisar, na janta vamos conversar sobre o que lhe trouxe aqui cavaleiro.

- Certo, espero ser de alguma utilidade para vocês. – Aldebaran seguiu com Hilda até seu quarto, eles andaram por longos corredores com velas iluminando seus caminhos, dentro do Palácio a temperatura estava menos fria, mas ainda congelaria alguém que não esta acostumado, a bela Agda, abriu uma das portas no corredor.

- Este é seu quarto, o meu fica na porta ao lado. Gostaria de um banho? – Ela entrou no quarto que tinha uma bela lareira acessa, a cama era tão grande que realmente caberia Aldebaran tranquilamente com um belo dossel, os móveis eram da cor de tabaco, havia duas poltronas vermelhas em frente da lareira e um tapete felpudo que era tão grande quanto o carpete do quarto, a porta do lado da lareira provavelmente era o banheiro pensou o cavaleiro, e a janela do quarto estava fechada com cortinas grossas, nada se via dentro ou fora do quarto por elas. Agda tirou seu pesado casado, e o colocou no encosto da poltrona, usava um vestido longo branco por baixo, mas logo se percebia que o tecido era leve, os olhos do cavaleiro não desgrudavam daquela pele branca, parecia tão macia e perfeita, e as curvas do corpo magro que aquele vestido mostrava eram perfeitas a seu ver, ele até prendeu a respiração por uns instantes, e ela reparou que ele a olhava, pois ela estava vendo os olhos dele, as maças pálidas do rosto dela ficaram bem vermelhas. – Errr... Vou preparar seu banho. – E antes que ele sequer a respondesse já tinha entrado no banheiro e fechado a porta.

- No que estou pensando. – O cavaleiro murmurou para si mesmo deixando a caixa de sua armadura sobre a outra poltrona e sentando-se na cama retirou suas botas. Ele apreciaria um descanso agora, mas seus pensamentos ficavam lhe distraindo pensando na Agda e em sua pele. Por fim resolveu logo começar a saber o que lhe fez vir a Asgard. — Sabe o que está acontecendo por aqui? — Perguntou com a voz elevada para que Agda lhe escutasse apesar da porta fechada, e do barulho de uma banheira enchendo que tinha acabado de começar.

- Sei poucas coisas, andei ocupada com o trabalho e não tive tempo de ir até a aldeia próxima daqui, lá eles devem ter mais informações, se bem que a senhorita Freya já deve saber o que acontece, só escutei Fafnir resmungando sobre os antigos guerreiros por ai. – Ela disse abrindo a porta do banheiro, mas sua face ainda estava um pouco vermelha.

Ele não devia perguntar mas sua curiosidade estava maior sobre a donzela do que sobre sua própria missão. – Aquele guerreiro é seu pretendente? Parecia íntimo ao falar com você.

- Ele quer ser, pediu autorização a Hilda para ter uma família e perguntou se ela autorizaria minha união com ele, sabiamente a senhorita lhe disse que isso apenas seria autorizado se fosse de minha vontade também, mas com certeza não é. – Ela falou de maneira decisiva olhando nos olhos do cavaleiro. – Eu não gosto dos olhos dele, não sei porque Hilda o escolheu como um possível guerreiro Deus, mesmo ele sendo forte, eu não gosto, mas sou apenas uma empregada, não posso intervir nos desejos da escolhida por Odin.

- Entendo, também não gostei dos olhos dele, mas guerreiros tem que ter uma certa ferocidade mesmo, talvez seja isso. – Ele respondeu ainda encarando os belos olhos castanhos da jovem, ela tinha força em suas palavras mesmo com a aparência delicada, se ele a segurasse será que ela se quebraria? Esse foi um pensamento inusitado que veio na mente dele, o cavaleiro tirou os olhos dela, tinha que se concentrar em sua missão e não nela.

- Não é isso. Eu gosto dos seus olhos, não são como os dele. – Dizendo isso ela voltou ao banheiro, desligou a torneira, jogou sais de banho que emitiam um cheiro bom que chegava até o quarto, voltou para onde estava e pegou seu casaco para sair. – Volto na hora do jantar. – Ela saiu do quarto. E isso foi bom porque ela deixou no quarto um surpreso cavaleiro.

- Ela gosta dos meus olhos? – Ele tirou a camisa e as calças seguindo para o banheiro com um sorriso bobo no rosto, viu a banheira e deixou-se entrar na água quente e reconfortante. – Devo estar enlouquecendo, ela nem deve ter dito isso, ela é linda e eu... Bom... Sou um bruto brutamontes. – Depois de rir um pouco ele relaxou, adormecendo na banheira de água quente e delicioso aroma.