O Toque De Um Grimm
1 Capítulo I
O Toque de um Grimm
Capítulo I
O som dos passos sobre o asfalto é alto e ecoa pela rua pouco movimentada. Dedos longos, pálidos e finos, afastam alguns fios negros do rosto jovem, expondo os olhos azuis para a fraca luz da tarde nublada. A jovem continua a andar, virando a esquina e entrando em uma rua deserta. Alguns minutos se passam até que o som de mais passos passa a acompanhar o som da caminhada da jovem.
Ela olha para trás, não vendo ninguém, mas pressentindo a presença daqueles que a seguem desde Berlim. Os passos sobre o asfalto continuam, agora mais rápidos, o som mais alto, misturando-se ao som dos passos que se aproximam. Logo, uma sombra surge ao lado da jovem, que desvia, afastando-se a tempo de evitar ser atingida pela lâmina do alfanje.
Outro ceifador surge atrás da jovem, que não é rápida o bastante e acaba ferida no braço direito. Um terceiro usa o cabo do alfanje para imobilizar a jovem, encostando a arma no pescoço fino. Com as duas mãos, a jovem segura o cabo e inclina o pescoço para trás com força, atingindo a face do ceifador e fazendo-o soltar a arma.
Em posse do alfanje, a jovem se defende com mais facilidade, conseguindo cortar o peito do segundo ceifador, que volta a tentar atacá-la. Quando este, ferido, se afasta, o primeiro se aproxima, acabando tendo o pescoço cortado pela lâmina do alfanje. Distraída com os dois ceifadores, a jovem não percebe que o terceiro pegou a arma do companheiro morto e, quando ela finalmente nota, não consegue evitar que a lâmina do alfanje afunde em seu ombro. O ceifador puxa a arma de volta, rasgando ainda mais a pele da jovem.
Aproveitando a situação, o segundo ceifador também ataca, cortando a cintura da jovem e fazendo-a cair. Ambos ceifadores se aproximam prontos para cortar a cabeça da jovem, que não desiste e continua a se defender. Quando o segundo ceifador abaixa o alfanje, a jovem se defende com o próprio alfanje e chuta o peito ferido, afastando-o e conseguindo se levantar. De pé, em um rápido movimento, a jovem afunda a ponta da lâmina no pescoço do ceifador e então se vira para o terceiro e único que restou.
O ceifador ataca e a jovem se abaixa, usando o alfanje para atingi-lo nas pernas e derrubá-lo. Uma vez caído, a jovem aproveita a vantagem e corta o pescoço do ceifador. Livre dos inimigos, a jovem respira fundo e olha ao redor, não encontrando ninguém na rua, mas, por segurança, sai correndo, seguindo o caminho que começara, o alfanje ainda firme em uma das mãos.
xGrimmx
Concentrado, Monroe conserta um belo relógio de corda. Totalmente absorto no trabalho, o blutbad quase pula da cadeira ao ouvir batidas na porta da casa. Suspirando, o relojoeiro se levanta e caminha até a entrada, uma expressão de exasperação em sua face. Mas essa expressão cede lugar a uma de pura surpresa assim que Monroe abre a porta, deparando-se com uma jovem de cabelos longos e olhos azuis, cansada e ferida.
– So... Soraya? – o blutbad pergunta tocando o rosto sujo da jovem – O que aconteceu? – nesse momento, Monroe nota o alfanje na mão de Soraya e uma sombra de entendimento aparece em sua face – Ceifadores?
A jovem apenas assente e dá um passo a frente, perdendo o equilíbrio e caindo nos braços de Monroe. O blutbad envolve o corpo magro com os braços e logo percebe o quanto a jovem está ferida. A camisa negra que Soraya usa está molhada com o sangue que escapa dos profundos ferimentos e mancha a mão de Monroe, que deixa escapar um baixo rosnar ao ver o líquido vermelho em seus dedos.
– Eu vou levá-la a um hospital. – o relojoeiro diz e faz menção de se levantar, mas é impedido pelas mãos de Soraya, que envolvem seus braços.
– Não. – a jovem diz em um tom de voz baixo e fraco – Só me deixe ficar aqui. Eu vou ficar bem. Só preciso... Descansar... – a última palavra quase não é ouvida pelo blutbad, já que é dita um segundo antes da jovem perder a consciência.
Respirando fundo, Monroe se levanta e fecha a porta, voltando a se agachar para pegar o corpo de Soraya e depositar confortavelmente no sofá. O blutbad, então, pega o celular e, ao mesmo tempo em que procura por um número em particular, pega o necessário para cuidar dos ferimentos de Soraya.
Assim que Monroe se ajoelha ao lado de Soraya e começa a examinar o corte no ombro da jovem, uma voz familiar atende a chamada.
– Monroe?
– Hey, Nick! – o blutbad responde – Eu preciso da sua ajuda.
– Claro. – o detetive diz – O que houve?
– Eu tenho uma Grimm inconsciente e ferida no sofá da minha sala.
– O quê?! – a voz de Nick expressa toda surpresa que o policial sente – Uma Grimm?!
– Exatamente. Você pode vir aqui?
– Sim. Chego aí em alguns minutos.
– Ok. – o blutbad diz e desliga o celular, voltando a atenção completamente para a jovem desmaiada no sofá.
Com cuidado, Monroe tira o alfanje da mão de Soraya, colocando a arma em cima da mesa. Em seguida, o blutbad retira a camiseta preta que a jovem usa, expondo os ferimentos, os traços de sangue manchando a pele pálida. Outro baixo rosnar escapa por entre os lábios do blutbad ao analisar a profundidade dos cortes e a quantidade de sangue perdido. Blutbaden são criaturas que odeiam ver seus filhotes feridos. E, para Monroe, Soraya sempre vai ser um filhote. Grimm ou não.
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