O Teste da Deusa

4 Capítulo Três - O Acordo da Deusa


Notas iniciais
Oi oi oi Capítulo novo na área. Espero que gostem ^^ [ATUALIZADO 24/01/2017]

P.O.V. Narradora

Afrodite caminhava impaciente para frente e para trás. Sentia até seu último fio de cabelo que algo muito ruim estava para acontecer e ela nem era uma das divindades do oráculo, o que só podia significar algo muito ruim.

A deusa encarou seu reflexo em um dos milhares de espelhos em seu templo em uma caverna nas montanhas congeladas do norte tentando parecer mais apresentável. Naqueles últimos dias sua vida estava tão conturbada que ela resolveu sair para um retiro. Sem avisos, sem bilhetes, sem mensagens. Simplesmente saiu. O lugar era estranhamente calmo sem Ares correndo atrás de si o tempo todo. Era entediante.

Seu cabelo pulou em sua cabeça, deixando de ser loiro liso e passando a ser ruivo em cachos. Os humanos estavam mudando o padrão de beleza e ela não pode conter uma careta. Antes se parecia com Atena e agora com Ártemis. Quando se pareceria com ela mesma?

A sensação estranha voltou a se apoderar do corpo da deusa. Algo realmente iria acontecer, seus instintos não deixavam dúvidas.

Caminhou com seus saltos ecoando pelo chão do tempo, até sair do mesmo. Caminhou pela grama e passou pelas árvores até chegar ao lago. Era claro e calmo. Refletindo todo o teto da caverna.

A deusa precisou apenas encostar a ponta da unha dourada na água para ela tremeluzir e mostrar-lhe o mundo humano.

Ah, os doces humanos. Tão tranquilos, levando suas vidas insignificantes. Ser mortal era uma dádiva da qual ela fora privada.

Concentrou-se um pouco até achar a pessoa que procurava.

A garota da imagem caiu da cama e olhou para os lados, tonta. Depois correu até o despertador xingando e o desligou.

Foi a vez de a deusa dar uma risadinha. Ela estava bem, podia ficar mais calma. Então, deslocou a paisagem até o outro. Ele era importante. Hoje era um dia importante.

A imagem tremeluziu e ele apareceu.

Tudo pronto? Todo mundo já chegou?— Ele parecia aflito. Não era para menos. Pediria a garota mais difícil de todas em casamento.

— Percy! A gente já conferiu tudo mil vezes— Respondeu um garoto, não, não garoto, ele já era um homem de cabelos negros e pele pálida. – Calma cara. Vai dar tudo certo. Mas, falando nisso, acho que algumas pessoas não vão poder vir...

— O que?

— Espiando os mortais novamente irmã? – Uma voz puxou Afrodite de seus devaneios, fazendo-a trincar os dentes. Ela correu a mão sobre a água e a imagem sumiu.

— Não me chame de irmã.

A mulher sorriu friamente e deu alguns passos até chegar à deusa do amor.

— Não sabia que também era ruiva.

— E eu havia esquecido o quanto você é intrometida. O que faz aqui?

— Sempre apressada demais. Esse fogo todo do amor acaba com você.

— Não enrola.

Era palpável a tensão no ar. O amor e a vingança sempre foram aliados, sempre trabalharam lado a lado. Até que um incidente as fez se afastar.

— Eu preciso mover a balança.

— E o que eu tenho a ver com isso?

A nova deusa parou, olhou para o lago e depois de volta para Afrodite, que expandiu os olhos quando a compreensão chegou até si.

— Não! Não! Você não vai mexer com os meus favoritos! Eles têm a minha proteção e você sabe!

— Se acalme. Por isso estou aqui. Não posso fazer nada sem o seu consentimento.

— E você espera mesmo que eu dê o meu consentimento depois de tudo o que você fez? Isso é hipocrisia até pra você Nêmesis!

O ar ficou pesado dentro do cômodo.

— Os nomes tem poder irmã.

— E eu também. Não tenho medo de você. – Afrodite deu um passo à frente – Você devia saber mais do que ninguém do que eu sou capaz.

Nêmesis sorriu de lado.

— Eu sei bem. Assim como você sabe que com um estalar de dedos eu lhe prendo em uma dimensão impossível de fugir.

— Você não teria essa audácia.

Afrodite a encarava, raivosa. Apenas os tolos desafiam o amor. Ele é impulsivo, incontrolável e poderoso.

— Teria. Você sabe que sim.

— Tente. Estamos sob os meus domínios, você não tem forças aqui.

A deusa da vingança bufou, revirando os olhos.

— Deixe de ser teatral Afrodite. Você ainda guarda ressentimento?

— Você o matou!

— Mas ele partiu o coração da camponesa só porque a princesa lhe um oi! Aliás, não fui eu. Foi um leão das montanhas.

— Como se não tivesse dedo seu nisso!

— Ok! Ok! – Ela levantou as mãos em rendição. – Eu tive algo a ver com o leão confundir ele com comida, mas ele mereceu.

— Mas ele era tão lindo.

— Ele era um galinha, numa época que essa expressão ainda nem havia sido inventada.

— Quem liga? Todos os caras são. Começou com Zeus e virou essa bagunça.

A deusa pareceu ponderar por um segundo para então assentir.

— Tem razão. Mas ela fez uma prece em meu nome. Não pude ignorar.

— Não me importa! Você se meteu em meus domínios!

— E agora você está metida nos meus!

— Eles estão sob minha proteção.

— Pois abra mão.

— O que você espera fazer com eles? – Ela serrou os olhos, encostando os longos cílios. Nêmesis sorriu presunçosa. Estava a um passo de conseguir. A outra só precisava abaixar a guarda.

— Não é permanente. É um feitiço temporário.

— Quanto tempo?

— Dois meses.

— O que vai acontecer?

— Eles esquecerão de tudo.

— Tudo?

— Sim, tudo o que aconteceu nos últimos cinco anos e a história será reescrita.

— C-como assim?

— Você entenderá se me deixar fazer o meu trabalho. Se em dois meses a escolhida não cumprir o propósito a magia será desfeita e os dois voltarão.

— Existe alguma maneira de o feitiço ser quebrado?

— Existe. Mas não irei revelar.

— Eu irei descobrir. O amor descobre qualquer coisa.

Ela apenas bufou, revirando os olhos.

— Agora que você já pegou toda a ficha técnica, vai deixar ou não?

— Não. Nunca abriria mão dos meus favoritos.

— Nem para deixá-los provar que o seu amor é verdadeiro? Você sempre amou uma tragédia grega.

Afrodite pareceu balançar por um segundo.

— Eu sei.

— E então? É só mais uma entre centenas.

A deusa pensou. Ela sentia como se a última história de amor emocionante que ela presenciou fosse a de Romeu e Julieta, aqueles tolinhos. Nem sempre os romances entre descendentes de Poseidon e Atena foram aceitáveis, mas ela não esperava que eles fossem mesmo se matar. Francamente, Percy e Annabeth estavam em um tempo de paz longo demais.

— E-eu não...

— Não dificulte as coisas irmã. Você sabe que quer.

— Você está tornando tudo mais difícil, não eu. Apenas vá.

Nêmesis girou em seus calcanhares e analisou o lugar.

— Sempre gostei dessa caverna. Ela seria perfeita para tudo o que eu planejo. Perfeita para que eu vivesse.

— Mas ela é minha. – A deusa começou então um lento processo de troca. Logo seu cabelo era negro e mais longo do que gostaria. – Agora não me pareço com você.

— Que pena. – Ela girou suspirando. – Última chance.

— Eu não vou – ela chegou ainda mais perto – abrir mão deles. Já sofreram demais na mão dos deuses. Duas grandes profecias nas costas. Eles só querem paz.

— Sinto muito irmã. Eu tentei fazer isso da melhor forma possível, mas eles não nasceram para a paz. – Então Nêmesis se virou tirando um pó do bolso e o soprando em direção à deusa do amor, que apenas piscou, aturdida.

— O-o que você fez? – Silêncio. – O que você fez? – Dessa vez ela gritou.

— Presente de Hécate. Ela me devia um favor. – Falou rindo, enquanto se virava pronta para ir.

— Espere! O que isso faz?

— Isso, – ela se voltou para a deusa, sorrindo lentamente – te tira o poder sobre eles. Não estão mais abaixo das suas asas.

— O que? Não! Espere!

— O que mais você quer? Eu vou seguir com o meu plano. E você não pode fazer mais nada.

— Eu ainda posso evitar.

— Como? Ah, eu não mencionei, não foi?

— O que?

— Você não pode sair da caverna. É um presentinho. – Então um símbolo surgiu acima da cabeça de Afrodite. Um símbolo de prisão.

— Bastarda! Pare! – Gritou, levantando um braço. – Me olhe. – Sua voz inspirava confiança. Sorriu de lado enquanto via a ruiva virando a cabeça a contragosto em sua direção.

— O que você está fazendo?

— Nem a grande Nêmesis pode resistir ao meu poder de persuasão. Ao meu charme. Você dará uma chance a ela de perceber que existe algo errado. Uma chance para ela perceber que aquilo não é o mundo dela.

— Sim. Farei. – Disse ela, com os olhos fora de foco, mas voltou a se concentrar, raivosa.

— Agora diga: como se quebra o feitiço? Como posso fazer com que eles voltem?

— Nã-não direi.

— Diga.

— Não.

— Pense então.

Não deu outra, foi demais para a deusa evitar. Logo liberou a resposta.

— Simples assim? Achei que era um plano grandioso. – Falou, abaixando a mão e libertando a outra do encanto.

— E ele é. Você sabe a resposta. Mas eles não.

Então o lago tremeluziu. A captura a bandeira estava a todo vapor. Annabeth recebeu um corte na bochecha.

— Tenho que me apressar. Uma vingança para pôr em prática. Você sabe, ossos do oficio.

Então sorriu, se desfazendo em névoa.

Afrodite correu em direção ao lago, se ajoelhando ao lado do mesmo.

— Mantenha a calma, minha querida. Tudo dará certo. Você tem a minha benção.

Então a confusão começou. Um trovão retumbou nos céus. E tudo que a deusa pode fazer foi sentar e esperar.

Notas finais
Espero que tenham gostado!