O Teste da Deusa

13 Capítulo Doze – Vermelho cor de sangue


Notas iniciais
OI OI GENTE E AI? Capítulo novo pra dar uma emoção na vida. Então, eu to com um abuso dessa capa, porque a Rachel não parece a Rachel. Eu gosto mais do Percy dos Dreamcasts e é isso ai. Aprovetem ♥ [ATUALIZADO 01/02/2017]

— Certo. Você dirige então.

Quando eu finalmente consegui colocar Nico no carro minha situação não podia ser pior. Talvez, se eu tivesse jogado a minha blusa em um balde com sangue ela tivesse ficado menos manchada. Mas não. O sangue de Nico estava mais do que impregnado em mim.

Sentei no banco do motorista e por um momento não soube o que fazer. Aliás, eu ainda não sei o que fazer.

— Eu estou... Eu estou bem, mesmo. Pode deixar que eu dirijo.

— Nico você está com cinco rasgos nas costas, todos eles com pelo menos dois dedos de espessura e eu estou ensopada com o seu sangue. Bem é a última coisa que você está. A gente não tem nada que faça uma cura mágica ou sei lá?

Eu estava apavorada. Minha voz soava duas oitavas acima do normal e a expressão cada vez mais distante de Nico me dizia que eu não tinha muito tempo.

Ele ficou em silêncio por um segundo e então sua expressão clareou. Eu dirigia a toda velocidade, extrapolando todos os limites. Não pararia para dormir dessa vez, precisava chegar ao acampamento o mais rápido possível, talvez assim consigamos chegar pela manhã.

Eu estava ficando um pouco enjoada por olhar para as minhas mãos e vê-las vermelhas. Mas não era hora para isso. Eu preciso manter a calma.

— Nós temos... Sabe, sabe aquele pacotinho que eu te dei? Que tinha um pedaço de algo parecido com um bolo? Bem macio? – Assenti enquanto via os olhos dele revirarem. – Aquilo é Ambrosia. Você ainda está com ele?

Engoli em seco.

— Só aquilo pode te ajudar?

Ele assentiu meio apreensivo.

— Por quê?

— Bom, – Enfiei a mão no bolso do meu casaco tirando o pequeno embrulho – Eu comi quase tudo.

— O que? Annabeth, você podia ter morrido!

— E agora quem pode morrer é você! Você não me disse nada Nico!

— Eu achei que você se lembrasse.

— Mas eu não lembro, tá bem? – Lhe entreguei o pacote. – Eu não consigo lembrar de quase nada. Come isso aí, você vai melhorar. E eu vou te levar ao acampamento. Eu sabia que devíamos ter ido pelas sombras.

— Annie... Nós não tínhamos como saber.

— Mas nós podíamos ter evitado se tivéssemos nos prevenido.

Ele comeu o pequeno quadradinho que eu tinha deixado ali e sua expressão aliviou um pouco.

— Isso não vai me curar. Mas... vai parar o sangramento, pelo menos.

— Tem certeza?

Nico assentiu.

— Eu não vou morrer. Pelo menos, não hoje.

Mesmo ouvindo aquilo da boca dele, não me senti nem um pouco mais tranquila.

***

Eu já estava em um estado de desespero absoluto. Nico realmente estava certo: a Ambrosia havia conseguido estancar o sangramento, mas antes de isso acontecer ele perdeu muito sangue. Em uma quantidade realmente absurda. Agora eu só lutava para continuar acordada e mantê-lo acordado comigo.

— Nico, ei – Sacudi de leve um de seus ombros – continue acordado, por favor. Não durma. Não feche os olhos.

Ele sorriu, cansado. Tentou manter-se acordado o caminho todo, e agora que o sol nascia, pude ver que estava próxima ao acampamento. Nico estava mais pálido que o normal e mal conseguia manter os olhos abertos e por mais de uma vez eu tive medo que ele morresse ali mesmo, por pura estupidez da minha parte.

Eu não reagi. Eu podia ter matado a empousa. Já fiz isso antes pelo que me lembro. Porque eu não consegui agora? O que era diferente? Eu tinha um instinto de sobrevivência, não tinha? Porque ele não funcionou? Além de estar sem memória eu fiquei com defeito?

Se Nico morresse, eu nunca me perdoaria.

Senti sua mão no meu braço.

— Ei, calma. Não precisa fazer essa cara de preocupada – Tentei suavizar a minha expressão – eu não vou morrer. A não ser, é claro, que você mate nós dois dirigindo desse jeito, santo Hades, Annabeth, olha a estrada, a árvore, por Atena, desvia!

— Nico! Eu sei o que eu estou fazendo. Você tem que ficar calmo.

— Só vou ficar calmo porque sei que o acampamento fica depois daquela curva, senão eu entraria em desespero.

Contrariando todo o meu nervosismo dei uma risada. Alta e clara. Nico deu um sorrisinho como se estivesse de missão cumprida, mas meus olhos já estavam cheios de lágrimas.

— Eu já estou em desespero. Você podia estar morto. Por favor, não durma, não feche os olhos. Eu não sei o que vou fazer sem você. Você parece ser a única pessoa certa no meio desse turbilhão.

Nico ficou me fitando em silêncio e depois me pediu para parar o carro. Conseguimos chegar. Conseguimos. O pinheiro estava bem na minha frente.

E foi aí que tudo deu errado. Nico fechou os olhos. Comecei a sacudi-lo e a gritar seu nome, mas ele não me respondia.

Desci o mais rápido que pude e comecei a gritar por Argos. Nico havia dito mais cedo que ele poderia me ajudar, apesar de eu não saber de quem se tratava.

Eu mal chamara seu nome e um homem coberto de olhos da cabeça aos pés me encarou atentamente.

— Oi? Você é Argos? – Ele assentiu calmamente, me olhando de modo estranho (com todos os olhos) – Olhe, talvez a gente já se conheça, mas eu realmente não lembro. Nico está muito ferido e eu não consigo levá-lo para dentro sozinha. Me ajude. Leve-o, por favor. Ele está no carro.

O homem – ou seja lá o que ele for – não pensou muito e correu até onde o automóvel estava. Em seus braços, Nico parecia ter o peso de uma pena e logo o vi correr colina a baixo. E eu? Bom, corri logo atrás.

Para alguém com olhos até sob os pés, Argos conseguia correr bem. Quando terminei de descer a colina, dei de cara em uma enorme casa. Azul.

Vasculhei minha mente. Casa Grande. Bom, o nome combina com ela.

— Olá? Alguém? Quíron? Por favor? Me ajude!

De dentro da casa, saiu um centauro. Enorme. Ele sorria até olhar para mim.

— Annabeth o que aconteceu? De quem é esse sangue? Você está bem?

Assenti agitada. Eu não conseguia ficar parada e era como se meu coração fosse saltar pela boca.

— Quem não está é Nico.

— Nico? O que está acontecendo?

— Nós... nós estávamos tentando chegar aqui, eu precisava falar com você. Ele achou que vir pelas sombras não era necessário, e aí... aí nós entramos em uma lanchonete. Nós fomos atacados. Atacados Quíron. Quatro empousai nos cercaram, Nico lutou contra elas sozinho, eu não consegui ajudá-lo. Eu não consigo fazer mais nada. Eu não lembro de nada. Não sei de nada. Bom, depois que ele lutou, eu vi que ele havia se ferido. Eu acho que ele vai morrer Quíron, por favor, me ajude. Não deixe que ele morra. Eu não posso...

— Annanbeth, mantenha a calma. Respire e me explique o que está acontecendo direito. Você não consegue lembrar?

— É. Eu... – Minha cabeça começou a doer como antes. Mais forte que o normal.

— Annabeth, faz quanto tempo que você não dorme?

— Eu não sei... eu só... tinha que trazê-lo. Não podia deixar Nico. Ele... ele é a única coisa que tenho agora.

Me apoiei em um dos guarda-corpos da varanda.

— Annabeth, querida, está tudo bem? A única coisa que tem? – A mão dele fazia pressão sob meu ombro, enquanto ele me encarava apreensivo.

— Não, quer dizer, sim. Para onde Argos levou Nico? Eu preciso vê-lo.

— Para a enfermaria, provavelmente. – Ele apontou na direção para onde Argos seguiu e me endireitei, respirando pesadamente.

— Eu preciso ir até ele.

Minha visão estava turva e eu me sentia enjoada.

— Acho que não é uma boa ideia Annabeth, melhor sentar.

Me afastei de seu braço e comecei a andar em direção à onde estava Nico.

— Preciso dele. Ele não pode morrer. Preciso... Ele se sacrificou por mim. – Tropecei em minhas pernas, caindo no chão. – Não posso deixá-lo... morrer.

E tudo ficou escuro.

Notas finais
É isso aí, beijão amores! Eu sei que ficou curtinho, mas é que ainda tenho que me adaptar a voltar escrever grande.