O Teste da Deusa

27 Capítulo Vinte e Seis – Pego uma carona


Notas iniciais
O capítulo não é muito longo, mas eu tenho um aviso bem importante no final! Espero que gostem, estou finalmente com tempo para terminar de responder os reviews dos dois capítulos, tá quase ♥ [ATUALIZADO 01/02/2017]

Me sentei novamente no chão, tentando acalmar minha cabeça confusa. Meus pensamentos anteriores haviam sido demais para que eu aguentasse de pé.

Certo. Certo.

Se Afrodite disse a verdade, eu poderia ser capaz de enxergar através dos véus entre realidades. Era assim que os deuses se sentiam? Vendo todas as probabilidades aleatórias de vida, todo o tempo?

— Annie... – Nico tentou se aproximar, o olhar preocupado. – Você está bem? – Assenti fracamente enquanto minha cabeça processava as informações mais rápido do que eu achava possível. – Ela está meio... aérea desde que voltou da visita com Afrodite.

Thalia se aproximou também, sentando a minha frente.

Agora que eu já havia visto-a mais velha, mais bonita e mais forte, era impossível não me sentir intimidada. Mas a minha frente havia apenas os perigosos olhos azuis da jovem caçadora.

— Quer me dizer o que está havendo? Talvez eu possa ajudar.

Pensei um pouco a respeito. Afrodite havia me dito para não confiar em todos, mas também disse que ajuda viria. Talvez a ajuda fosse Thalia.

Nico sentou ao lado dela, seus joelhos quase se tocando.

Me perguntei se queria a ajuda das caçadoras. Se queria a ajuda de Thalia. Se queria ela tão próxima a Nico.

— Sou sua amiga Annie. Não tenha medo.

Respirei fundo soltando o ar.

— Dezoito dias atrás eu acordei em Nova Roma completamente sem memória. – Eu ainda não preciso falar sobre meus sonhos com ninguém. – Aos poucos, me lembrei de Nico, mas lembrar de qualquer outra coisa é praticamente impossível. Desculpe se não pareço animada o suficiente por ver você, eu sei que devia estar saltitante, mas eu praticamente não me lembro de nada. Tenho flashes cada vez mais... vagos. – Isso era verdade. Ou uma meia verdade. – Eu recebi algumas memórias de outras pessoas, mas várias sumiram, não sei explicar. Toda a minha... Vida ligada ao meu lado divino sumiu da minha cabeça. Recebi uma missão, dizendo que era vital que eu recuperasse a memória para o bem-estar de todos e o equilíbrio das coisas, seja lá o que isso significa. Mas aconteceram vários imprevistos e eu não tenho certeza de como fazer isso. Afrodite disse que eu deveria me habituar à essa rotina, até lembrar de tudo. Mas algumas pessoas não querem que eu lembre, e eu estou sob risco de morte, por isso Nico está comigo. Achei que Afrodite me daria todas as respostas, mas ela só me encheu de dúvidas. – Outra meia verdade.

Thalia ouvia tudo atenciosamente, concordando vez por outra.

— Não é só por isso que estou com você Annie. – Nico trouxe uma mão para perto de mim, acariciando meu joelho. – Eu nunca te abandonaria.

Engoli em seco e assenti. Thalia desviou os olhos e pigarreou.

— Os deuses costumam fazer isso, jogar com nossas emoções. Sinto muito Annabeth. Talvez nós possamos escoltar vocês até o acampamento já que sua missão é tão vital. Tenho certeza que Lady Ártemis não se importaria. Mas não podemos partir ainda, minhas caçadoras estão atrás de uma criatura muito poderosa e nem sua missão poderia nos fazer...

— Thalia, sinto discordar, mas essa missão é mais importante que a caça de vocês.

A morena a minha frente arregalou os olhos e se curvou num reverencia. A nova voz veio de algum lugar atrás de mim, mas não ousei me virar.

— Senhora.

Encarei Nico enquanto a escuridão se intensificava à sua volta, os dedos fechados em punho.

Aos poucos a dona da voz se aproximou de Thalia e eu soube quem era antes que aparecesse.

— Annabeth, minha jovem. Quanto tempo.

Ártemis estava exatamente como eu me lembrava vagamente. Aparentava não ter mais que doze anos e tinha cabelos de um vermelho que nunca vi.

— Não o suficiente, suponho.

Lancei um olhar apressado para Nico, o repreendendo. Não acho que Ártemis seja tão benevolente quanto Afrodite.

— O filho de Hades, que surpresa. Não uma surpresa agradável, devo dizer. – A deusa o olhou como se só agora notasse sua presença. – Minhas caçadoras não ficam à vontade com um da sua espécie por perto.

— Um filho de Hades? – Ele debochou.

Thalia agiu mais rápida que eu, levantando a mão em um pedido para que Nico parasse.

— Um homem Di Ângelo. Ou você esqueceu do que carrega entre as pernas?

Ele abriu a boca para responder, mas Thalia o fuzilou com tanta força que pensei por um segundo que ela fosse fritá-lo.

— Então! – Exclamei antes que alguém saísse morto daquela conversa. – À que devemos a... a honra de ter você conosco, Lady Ártemis?

A deusa bufou revirando os olhos e sentou ao lado de Thalia.

— Você mocinha, tem causado um rebuliço no Olimpo! Tudo culpa daquela desmiolada...

— Quem? – Foi Nico quem perguntou. Lancei um olhar desesperado à deusa esperando que ela entendesse meu pedido desesperado de silêncio. Ainda não estou pronta para aceitar que Rachel pode ser a “vilã”.

— Por isso eu estou aqui. Vocês dois podem nos dar licença?

Thalia nem ao menos piscou antes de levantar e sair com Nico à suas costas falando sobre algo entre as pernas deles.

— Lady Ártemis, eu acho que preciso ir com eles ouvir a conversa.

A deusa me encarou firmemente, me mandando ficar onde estava.

— Você tem que entender que eu gosto mais de muitas coisas nessa realidade. – Ela lançou um olhar significativo em direção à Thalia. – Ela foi minha melhor tenente.

— Por que está falando no passado? Thalia é sua tenente agora. – Ela continua a encarar Thalia ao longe. – Você não pode estar falando sério. Também acredita nessa loucura da Afrodite?

— Não é uma loucura. Por que você acha que minhas caçadoras estão aqui? Elas vieram porque eu sabia que você viria atrás de Afrodite.

— Mas... Vocês disseram que ela estava desaparecida.

— Não queremos que ela perceba que alguns de nós estão tentando lhe ajudar.

— Ela? Você está falando da....

— Não. Não diga. Nomes têm poder. Já esqueceu? – Ela torceu a cara como se fosse falar algo que não quisesse. – Acontece que se queremos que isso dê certo, minhas caçadoras precisam ir para o acampamento com você. Vocês precisam começar a agir imediatamente, ela vai usar tudo o que puder para atrapalhar vocês. Ela precisa de algo importante. Alguém.

— Para que?

— Não posso revelar, apenas que você precisa se apressar.

Enfiei a cabeça entre as pernas e resmunguei, cansada.

Cansada de ser uma peça de xadrez de deusas. Cansada de ser jogada de um lado para o outro, tentando sobreviver. Tão, tão cansada.

— Estamos há dias do acampamento, não temos como ir rápido.

A temperatura pareceu subir, e Ártemis revirou os olhos.

— É por isso que o insuportável do meu irmão está aqui.

Olhei para trás e um garoto loiro tirava os óculos de sol, enquanto reluzia em dourado.

— Alguém chamou um táxi?

Eu não conseguia lembrar quem havia dito isso, mas só uma frase rondava minha mente: Apolo é quente.

Todas as caçadoras voltaram à atenção para nós, enquanto Nico voltava para o meu lado, junto com Thalia. Estava tão concentrada na nossa conversa que não notei que o sol estava nascendo.

— Eu podia jurar que o Alasca era um território que os deuses não têm poderes, mas quem liga para as regras, não é mesmo? – Nico bufou ao meu lado.

— Agradeça à Beauty Queen trevoso. – Apolo murmurou e encarou nós dois, depois se virou para Ártemis. – Dá pra acreditar nesse cara irmãzinha? Prefiro bem mais a realidade em que ele é meu genro, apesar de eu não saber o que meu raio de sol viu nele.

— Não me chame de irmãzinha. – Ártemis revirou os olhos e cruzou os braços.

Nico me encarou sem entender e eu arregalei os olhos. Com quantas pessoas preciso me preocupar que Nico possa ter se envolvido ao longo das realidades?

— Basicamente, esse território foi enfeitiçado por Afrodite há muito tempo – Explicou Thalia. – Por isso os poderes deles funcionam.

— Preste bem atenção: se eu souber que você está de gracinha com as minhas caçadoras outras vez, juro que vou cortar todas as cordas da sua arpa favorita e jogar todos os seus haicais no tártaro.

— Ninguém vai se importar se você jogar os haicais dele fora! – Gritou uma das caçadoras de algum lugar.

Apolo parecia ofendido.

— Você não faria isso!

— Experimente!

— Lady... – Thalia interrompeu a discussão entre eles. – Entendi mal ou nós vamos à algum lugar com Apolo?

— Vocês vão ao acampamento minhas caçadoras. Há muito tempo vocês não têm um descanso, férias seriam ideais agora.

Nico me encarou como se achasse aquilo tudo muito estranho, mas não sustentei seu olhar.

— Nós podemos ir andando Milady, por favor, não precisamos ir com ele! – Uma das caçadoras murmurou, sendo apoiada por outras.

Apolo bateu palmas e um ônibus exageradamente dourado surgiu.

— Assim você me ofende Betty! Eu já até mandei buscar nosso transporte. Todas a bordo!

Um resmungo coletivo foi ouvido entre as caçadoras que entraram em fila no ônibus, ocupando seus lugares.

Thalia parecia muito nervosa, mas Nico sorriu para ela e carregou nossas mochilas para dentro.

Apolo entrou logo em seguida, e eu fui a última. Quando as portas estavam para se fechar, Ártemis me chamou novamente.

— Annabeth, provavelmente Afrodite não lhe disse isso, mas caso você não consiga mudar as realidades, você vai morrer.

E com isso as portas se fecharam.

***

Eu vou morrer?

Como assim?

— Garotas, silêncio, pelo amor de Deus, como falam! Thalia, por favor, tente não arrancar os encostos das poltronas, é de couro de dragão, você sabe como isso é raro? Nico, você pode por favor acalmar seus nervos? Minha irmã já está longe, não precisa lançar essa aura trevosa por aqui também. Deuses, quem disse que ser babá é fácil? Lacey, você não pode dirigir ainda, tem só treze anos! Não! Não toque nisso... Droga, Amanda, se você apertar esse botão vai fritar a cidade lá em baixo, Tatiane...

Apolo continuava falando sem parar, mas eu não conseguia focar em nada.

Por que eu posso morrer? O que eu ainda não sei?

— Annie... O que houve? O que Ártemis te disse? – Nico sussurrou, me assustando.

Encarei seus olhos negros e pensei nas coisas que viram em minha cabeça, envolvendo ele e Thalia. Será que os deuses estão tão errados assim ou sou eu que não quero aceitar?

— Ela apenas me desejou boa sorte na viagem.

— Santas vacas vermelhas, chegamos.

Thalia soltou o ar que estava preso em seu peito e o ônibus deu um solavanco, me fazendo pular e bater a cabeça, uma camada espessa de fumaça surgiu do lado de fora.

Apolo pigarreou.

— Eu avisei para colocarem os cintos de segurança. Mais um pouso delicado chegando. Agradeço por voarem nas linhas aéreas do Sol, mas preciso seguir com os horários. Façam uma boa estadia.

Logo, o ônibus sumiu e estávamos afundando nas águas de Long Island. Provavelmente eu iria ser esperta o suficiente para me afogar com o susto, caso o mar não tivesse milagrosamente sumido.

— Mas o que...

Mal tive tempo de concluir minha pergunta e um par de braços me apertou, tirando meu ar.

— Eu achei que você estivesse morta! – Percy me afastou e me abraçou novamente. – Ainda bem que vocês estão de volta. – Percy continuou me segurando até eu pigarrear como sinal de que aquilo não estava certo. Ele se afastou um pouco e mexeu no cabelo, encarando os pés. Ele parecia confuso com a própria reação. – Alguém voltou para o acampamento.

— Quem? – Dessa vez, Thalia que se manifestou, enquanto espremia os fios curtos do cabelo e a água pingava.

Percy me encarava como se soubesse o que eu escondia, mas olhou para Thalia ao responder.

— Luke.

Notas finais
Gente é com muita, muita tristeza que eu to falando isso. Juro que tentei adiar essa decisão e tal, mas se faz necessária. Não, não vou excluir TdD, nem vou abandonar, longe disso! Mas acontece que eu estou doente. Pois é. Não é uma pneumonia que eu possa tratar com uns dias de antibióticos, ou algo que uma vacina resolva. É depressão. Não queria fazer esse desabafo e tal, principalmente porque tenho medo que achem que estou me vitimizando, mas por conta das circunstâncias eu não consigo mais escrever. Eu não consigo saber que vocês estão contando com um capítulo e eu não posso dar pra vocês simplesmente porque não consigo ter forças pra escrever. Alguns dias me sinto bem o bastante pra escrever alguns contos, mas para aqueles que já viram, sabe como estão sombrios. Eu preciso fazer meu tratamento de forma correta pra voltar e continuar a encher vocês de amor. Por favor, não pensem que estou desistindo. Juro pra vocês que assim que eu me sentir melhor, vou voltar. Eu estou com todas as ideias escritas, todas. Não falta nada pra TdD, só o meu ânimo. Então estou anunciando oficialmente meu hiatus. Talvez eu consiga postar alguns capítulos ao longo dos dias, caso eu consiga me animar e tal, fiquem ligados. Obrigada àqueles leitores que já vieram falar comigo, seja por review ou MP, me dando forças. Vocês são ótimos. Prometo voltar por vocês, logo, logo. Um grande beijo. Amo vocês até a lua e de volta!