O Teste da Deusa

11 Capítulo Dez – Encaro o Passado


Notas iniciais
Oi pessoas! Passei aqui para deixar mais um pedacinho da mente da Annie pra vocês, aproveitem! [ATUALIZAÇÃO 01/02/2017]

— Tudo bem. – Nico exclamou, batendo as mãos. – Acho que pegamos tudo.

Haviam três pequenas malas acomodadas no porta-malas de um carro antigo que eu não saberia identificar o modelo nem se quisesse.

— Ei Nico, você não faz uma coisa estranha com as sombras? Do tipo, está em um lugar e alguns minutos depois está em outro?

Ele curvou o canto da boca em uma careta pensativa.

— Eu consigo viajar nas sombras, mas acho que a situação não é tão desesperadora assim para que a gente tenha que chegar lá instantaneamente. Além de que, temos o carro aqui. Não vai ter problema demorarmos um pouco mais.

Assenti calmamente. Eu entendia as intenções de Nico e apreciava a bondade dele. Mas eram quase três mil milhas. Íamos levar uns bons três dias de carro, se fossemos rápidos. Afinal, era atravessar um país de que estávamos falando. Quando sugeri irmos de avião ele me olhou como se eu tivesse enlouquecido. Talvez eu tenha esquecido o pequeno detalhe que: ele é filho de Hades, o que leva ele a posição de sobrinho-menos-favorito de Zeus.

Mais cedo eu havia me despedido de Jason e Piper – que agora moravam em Nova Roma, porque cansaram da vida de missões e monstros, queriam estudar e formar uma família, apesar de Jason ainda precisar cumprir certas obrigações como pontifex—, e também de Hazel e Frank. Eles disseram que sentiriam minha falta e eu prometi que voltaria em breve. Espero que possa cumprir minhas promessas.

Pensei em ir até Octavian, mas tive a impressão de que ele não falaria comigo.

Quando fechei a porta do carro e respirei fundo esperando Nico voltar percebi que passaria cerca de três dias apenas com ele. Em um carro.

Não que isso tenha sido muito desesperador, afinal, para que eu namorasse quase cinco anos com um cara ele tinha que ser, no mínimo, agradável. Mas acontece que não importa o quanto eu lembre... algo não parece certo. Mas também já estou chegando a um ponto em que acho que isso se deve ao que Octavian e Poseidon falaram. E as vezes me pergunto se não é essa a brincadeira dos deuses. Me confundir.

Eles não seriam cruéis a esse ponto, seriam?

Nico sentou ao meu lado fechando a porta e respirou fundo.

— Sobre ontem... sei que você deve ter medo de mim Annie. – Ele encarava a estrada a nossa frente sem dar partida no carro. – Honestamente, quem não teria medo do filho de Hades? – A careta dele ao dizer aquilo me partia o coração, e percebi que os seus dedos apertavam o volante. – Quando... Quando você me beijou, em uma das nossas missões, eu achei que pudesse morrer Annabeth. Morrer. Mas não porque era perigoso. Não porque tinham monstros atrás de nós. Achei que pudesse morrer porque nunca senti alguém gostar de mim depois... depois que virei semideus. E você podia ter escolhido qualquer cara. Qualquer um. Mas você me escolheu. E é difícil, depois de tantos anos... você fez com que todos vissem que eu era melhor do que pareço. E é complicado ter que lidar com isso. Com não ter você. – Eu não sabia em que momento havia parado de respirar, mas eu só queria ouvir o que ele tinha a dizer. – Eu não queria que você me temesse. Mas, olhe para mim, quem não temeria? Eu sou quase um morto vivo. Mas eu juro, juro pra você. Não tem porque ter medo de mim. Eu sei que posso fazer coisas horríveis e eu as faço as vezes, mas eu nunca faria nada disso com você. Nunca.

Ele engoliu em seco e continuou sem ligar o carro, apenas esperando. O carro ficava estacionado fora da entrada do acampamento, de modo que estávamos apenas nós dois por ali.

Senti que precisava dizer alguma coisa e vê-lo daquele jeito partia meu coração em um milhão de pedaços que eu queria desesperadamente juntar.

— Nico. – Murmurei suavemente, colocando meus dedos sobre sua mão. – Eu não tenho medo de você. Acredito em você. Sei que você nunca me faria mal. Só... Só preciso de um tempo pra me recuperar. Ter a minha memória de voltar. A minha vida de volta, entende?

Ele assentia triste.

— Eu entendo você. Me desculpe.

Sorri passando um braço por seus ombros e lhe dando um beijo no rosto.

— Está tudo bem. Nada para se desculpar. Agora... podemos ir?

Ele sorriu levemente dando partida no carro, indo para cada vez mais perto de Long Island. Tentei manter em minha mente o que Poseidon disse, que ele nunca me faria mal. Senti a adaga pesando em minha cintura.

Isso era o que eu ia descobrir.

***

Abri o mapa do país e o analisei calmamente enquanto Nico dirigia na interestadual. Dizer que estávamos longe era um eufemismo.

— Acho que nós podemos fazer umas duas paradas ao longo do dia, e aí encontramos um lugar para dormir. A primeira parada é no almoço e uma no fim da tarde. Quando estiver perto das dez... Paramos para dormir, dessa forma acho que depois de amanhã, ao anoitecer, vamos chegar lá. Tudo bem?

Nico sorriu de lado e acelerou um pouco enquanto ultrapassava alguém.

— Esse é sempre o plano Annabeth. Duas paradas por viagem. Um lugar para dormir. Não chamar atenção. Não usar telefone em viagens. Armas sempre por perto. – Ele negou rindo – Já fizemos tantas missões seguindo esse plano que ninguém nem precisa falar mais nada.

— Ah. – Encarei o mapa surpresa.

Eu não sabia que era tão organizada. Claro que eu era a filha de Atena e claro que eu era a estrategista. Mas não achei que fosse assim o tempo todo.

— Então quer dizer que eu estou sempre no controle da situação?

Ele me encarou reprimindo uma risada.

— Quase sempre. Se lembra de alguma missão? Vamos lá, qual foi a sua primeira missão?

Franzi a boca tentando lembrar e apesar da minha cabeça já não doer como antes, me senti incomodada.

— Acho... acho que eu já estava no acampamento há um bom tempo quando sai na primeira missão.

Ele assentiu.

— Você tinha uns doze anos. E a missão não foi sua, você saiu de acompanhante.

Forcei um pouco mais a minha mente até lembrar. E eu lembrei. Cada pequeno detalhe.

— Foi com Percy. E... Grover. – Arregalei os olhos, em surpresa. – Oh, Grover. Como sinto falta dele.

— Vocês não se veem há um bom tempo. Acho que depois da história com o Jackson ele não conseguiu aceitar bem, sabe, vocês tentarem se matar decidiu não tomar partido.

Me mexi, desconfortável. Não tenho tanta certeza quanto a isso ainda.

— E a minha segunda missão?

Ele tirou uma das mãos do volante e coçou a cabeça.

— Não foi exatamente uma missão. Você...

— Eu fugi, não foi? Eu e Percy. Salvar Grover.

Nico assentiu novamente.

— Estou começando a achar que você se lembra de tudo com muita clareza antes que eu aparecesse na sua vida.

— Antes que você...

— Você sabe. Fui sua terceira missão. Eu e Bianca. Você, Percy e Thalia.

Aquilo despertou algo na minha mente. Alguma coisa pareceu se quebrar lá dentro.

Thalia. Thalia minha amiga Thalia. Percy e eu segurando o céu. E Bianca... Pobre Bianca.

— O que aconteceu com Thalia?

Ela entrara na caçada até onde eu podia me lembrar. Mas... tudo ficava nebuloso depois daí.

A dor de cabeça já era tão constante que eu praticamente não a sentia.

— Ela é a Tenente das caçadoras de Ártemis. A melhor que já existiu, se quer saber. Ela é incansável, sabe? Implacável. Ninguém consegue segurar aquela garota.

Encarei o rosto de Nico e ele parecia empolgado.

— Vocês são amigos?

Parecia estranho, mas senti uma pontada de ciúmes dentro de mim.

— Claro que somos. Assim como vocês também são.

Pisquei assentindo e me lembrei mais dessa missão.

O rosto desesperado de Percy ao me ver cair do penhasco. Ele praticamente atravessou o país para me salvar. Como nós acabamos nos odiando? Como eu acabei me apaixonando por Nico? Não que parecesse impossível... Mas o que eu ainda não consegui lembrar?

— Ah, olhe. – Ele apontou para um restaurante à beira da estrada. – Acho que podemos almoçar ali, o que acha?

Assenti sabendo que aquela viagem me daria mais dores de cabeça do que qualquer outra que já fiz.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Vou lá responder os reviews dessas minhas leitoras amadas s2