O Tempo Mudará
4 Capítulo 4 - "Dor"
Notas iniciais
Tom, ao escutar o nome, deu um pequeno sorriso.
— Hermione Slytherin Avadra... Aquela que oculta. – ele disse, refletindo sobre o significado do nome de Hermione — É um lindo nome Selene.
— Feliz aniversário. — Selene disse sorrindo. Ela quase riu, achando graça da cara de Tom ao olhar para ela.
Estendendo Hermione para ele, ela disse:
— Milha filha é meu presente para você.
Tom olhava chocado para ela. Ainda não tinha se movido ou falado alguma coisa.
— O que foi? Achou que eu tinha esquecido?
— Achei. — adimitiu Tom — Depois de tudo que você passou hoje, não achei que lembraria.
— Tom, eu nunca esqueceria o dia do aniversário do meu melhor amigo. Além do mais, como poderia sendo que hoje é ano novo e é o dia que minha filha nasceu? Impossível esquecer isso.
Quando ia continuar falando sentiu uma dor terrível e sangue sair por entre suas pernas.
— Ah meu Merlin! Tom pega minha filha! – disse Selene com a voz cheia de dor e estendendo Hermione para Tom.
De primeira, Voldemort ficou sem reação com a mudança de atitude de Selene, mas ao ver seu rosto contorcido pela dor não demorou um segundo para reagir e pegou Hermione nos seus braços. Ele se afastou da cama para deixar que a medi-bruxa se aproximasse de Selene. Ele viu o sangue nos lençóis da cama aumentar e Kalil recitar os feitiços para o sangue estancar... Mas parecia que não estava adiantando. O sangue não parava.
— O que está acontecendo? — exigiu — Kalil, me diga logo, sua inútil!
Kalil se encolheu de medo, não sabia o que estava acontecendo. Feitiço nenhum funcionava. Ela estava desesperada, o sangue não parava de sair.
— N...Não sei M...Mi...Milorde — gaguejou de medo — Feitiço nenhum estanca o sangue!
—Com assim? — perguntou com raiva – Você não era uma das melhores medi-bruxas?
— Não grita com ela Tom... –falou Selene com dificuldade — Não é culpa dela... Está acontecendo o que deveria acontecer.
— Como assim? O que está acontecendo Selene? Se explique agora! — Tom olhou para ela, com raiva e angústia.
Acima da dor Selene deu uma espécie de riso, mesmo num momento como aquele, Tom deixava de exigir as coisas.
— Tom, feitiço nenhum vai funcionar porque deve ser assim. Eu entrei nesse quarto sabendo que iria morrer.
— Do que está falando Selene? — ele perguntou confuso.
Selene sabia que ele estava confuso, via isso e se sentia mal por saber que ofuscaria toda a felicidade do nascimento de Hermione com o que iria contar. Olhou para Kalil e pediu que ela saísse. Ninguém deveria saber o que ia acontecer naquele quarto. E o que ela ia contar, somente ela e Howard sabiam.
Esperou que Kalil saísse do quarto e podia observar que a medi-bruxa estava aliviada por sair e garantir sua vida.
— Tom, você sabe que eu e o Howard somos gêmeos. Mas, gêmeos que carregam o sangue Avadra são diferentes. Suas almas se conectam, ficam ligadas quando estão na barriga da mãe e essa ligação se mantém mesmo depois de nascerem. Eu e o Howard temos essa ligação.
— O que é essa ligação, Selene?
— Sentíamos tudo o que o outro sentia. Além de ver, também senti tudo que Howard sentiu quando foi morto. — Selene parou por um momento. Falar sobre a morte de seu marido era muito difícil, mesmo sabendo que logo estaria com ele. Ela tomou fôlego e continuou – Nossas almas estão ligadas. Isso significa dizer que se ele morre, eu também morro e vice versa.
Voldemort balançou a cabeça confuso. Ele não gostava disso. O que Selene estava contando era uma novidade. Voldemort nunca tinha ouvido nada sobre isso. Mas se o que Selene dizia era verdade, porque ela ainda estava viva?
— Selene, isso não faz sentido. Se o que você está dizendo é verdade. — disse em tom de desconfiança — Porque você ainda está viva? Howard morreu há três meses.
— Eu sei. Realmente, você está certo. Eu deveria ter morrido naquele dia, mas eu estava grávida. A Hermione evitou que isso acontecesse. – ela sorriu — O poder dela manteve o meu corpo vivo até a hora em que ela nascesse. E Howard ainda não foi embora, porque a minha alma ainda está aqui, no plano dos vivos. A alma dele também está aqui por causa da nossa ligação.
— Ainda aqui?
— Sim. Mas agora, Hermione já nasceu e o poder dela que mantinha meu corpo aqui começou a sair. Meu corpo começou a morrer para que minha alma possa ir embora com o Howard.
— Porque não me contou isso antes?- Tom exigiu frio.
— Não vi necessidade. E de nada ia adiantar. – Selene falou, fechando os olhos e respirando pesadamente.
Tom suspirou irritado. “De nada ia adiantar? Ela realmente...", balançou a cabeça, com raiva.
— E agora?
— Agora eu vou morrer. — Selene falou simplesmente — Mas, antes temos que fazer a ligação.
— Do que está falando?
— Sabe muito bem do que estou falando. — ela disse nervosa — Você, eu e Howard já tínhamos conversado sobre isso. Nós combinamos que quando a Hermione nascesse o feitiço de Conjunção dos Espíritos seria feito e ele representaria o noivado de vocês.
— Eu nunca entendi porque você e Howard exigiram justamente esse feitiço. Ele normalmente serve para evitar que a pessoa que possua a ligação com a outra não morra se a outra estiver viva. Mas eu já possuo as...
— Voldemort! – Selene ançou um olhar com raiva — Você não tem que saber o porquê, só saiba que isso é necessário. Mais tarde, irá nos agradecer.
— Por acaso isso é mais uma daquelas frases oriundas das suas visões? — falou sinicamente.
— Exatamente. — Selene disse com uma expressão cansada. Sua pele estava ficando cada vez mais pálida, ela estava morrendo. — Vamos começar logo. Usarei o resto dos meus poderes para fazer ele com você.
Ajeitou-se na cama e sentou com muito esforço, o sangue que estava saindo já tinha diminuído, mas ela estava tão pálida quanto um fantasma.
— Coloque a Hermione aqui do meu lado Tom. – ela falou, apontando o local na cama. Tom se aproximou e colocou Hermione lá. Seus olhinhos olharam para ele e, por um momento, ele pensou ter visto compreensão naqueles olhos tão jovens, como se a menininha soubesse que algo grande aconteceria ali. Tom balançou a cabeça. Isso era impossível! Não fazia nem meia hora que ela tinha nascido.
Selene pegou sua varinha que estava em cima do criado mudo e lançou um “Abaffiato” no quarto e se preparou para recitar o feitiço.
O feitiço de Conjunção dos Espíritos deveria ser feito pelas duas pessoas que teriam seus espíritos ligados, um apontaria a varinha para o outro e recitariam o feitiço ao mesmo tempo. Durante a realização dele, seus espíritos se conectariam, o que faria com que um sentisse o que o outro sente, e morresse se o outro morresse. Com menores de idade, o que era o caso, o responsável pela criança, ou seja, os pais (que no caso seria Selene) é quem recitariam o feitiço, apontando a varinha para Tom e Hermione ao mesmo tempo, alternando entre eles para que a magia rodeasse os dois.
— Está pronta? — Voldemort perguntou para ela.
— Sim. – Selene respondeu e levantou o braço embora mal conseguisse mantê-lo levantado. Suas energias estavam acabando, seu tempo estava acabando – Vamos começar?
"Com as nossas vidas nos unimos, com os nossos espíritos nos unimos, com as nossas varinhas nos unimos. O que é meu, será teu. A minha vida será tua, o meu saber será teu, meu coração será teu e minhas dores serão tuas. Viveremos unidos, amaremos unidos e morreremos unidos. Com este feitiço, nos reivindicamos."
Enquanto falavam o poder dentro do quarto que já era alto, agora era extremo. Toda a mansão tremia. Kalil que estava na sala de estar sentiu o poder e temeu o que podia estar acontecendo no quarto de sua senhora. Os elfos estavam apavorados, corriam de um lado ao outro da mansão arrumando tudo que saía do lugar. Alguns móveis levitavam, outros se distorciam, se desintegravam. Tudo literalmente tremeu, até os alicerces. Por um momento, se Kalil não soubesse que a mansão era protegida por magias antigas da Família Avadra pensaria que o teto cairia na sua cabeça.
Na mansão os únicos que não eram afetados e estavam alheios ao que acontecia eram as pessoas dentro do quarto da Senhora da Casa. Por um momento, Selene abriu os olhos e viu o estrago no quarto, mas principalmente viu que o poder de Hermione e Tom tinha tomado forma corpórea. Ele era parecido com um patrono, só que muito mais vivo, beirando o real. O de Tom era uma cascavel preta e o da Hermione era uma fênix verde.
As duas se chocavam, a cobra flutuava e a fênix voava. Até que a fênix e a cascavel se encararam e começaram a se enrodilhar. Durante um instante, tudo ficou calmo, depois a casa pareceu que ia explodir. Os dois animais se fundiram: as cores preto e verde se misturaram, se espalharam pelo quarto e desapareceram diante dos olhos de Selene. Foi uma explosão de cores incrível!
Selene estava paralisada pelo que tinha visto. Ela nunca presenciou uma Conjunção de Espíritos e talvez o de Hermione e Tom tenha parecido lindo porque era dos dois. Ela sorriu e olhou para Tom e Hermione que tinham os olhos fechados. Sabia que tinha feito a coisa certa, sabia que tinha deixado sua filha nas melhores mãos possíveis. Suspirando, ela fechou os olhos e deitou. Estava tão exausta! Mas ao mesmo tempo estava em paz. E fênix e a cobra foram uma bela cena para se ver antes de partir.
Quando começaram a recitar o feitiço e a repetí-lo, Hermione, por ser um recém nascido, não podia interpretar o que sentia. Mas a menina choramingou de dor quando seu poder tomou forma corpórea e passo a se chocar com o de Tom; e se sentiu satisfeita quando finalmente as duas formas se fundiram.
Tom sentiu seu poder se manifestando, mas não conseguia abrir os olhos, tamanha energia envolvida no feitiço. Ele sentiu uma dor quando suas energias assumiram forma corpórea e se enfrentaram e quando elas finalmente se fundiram ele se sentiu pleno, vivo! A paz que o dominou era tão forte, mas ao mesmo tempo um sentimento tão estranho para ele, que por instantes ele ficou imóvel. Mas aceitou o presente que Selene tinha lhe dado de bom grado.
Estava tão extasiado com esses sentimentos que só abriu os olhos quando escutou a voz de Selene falando para ele:
— Tom ela vai ser muito importante para você, acredite. Se algo acontecer com você, a proteja Tom. Ela é a chave pra tudo!
Ele não entendeu o que ela quis dizer e o porquê de estar dizendo aquilo agora. Quando abri os olhos Selene estava deitada, com os olhos fechados e uma expressão serena. A chamou uma vez, duas, e a tocou delicadamente... E somente então percebeu como a pele dela estava fria.
Tom a balançou com mais força. Não queria acreditar! Ele a chamou de novo mesmo sabendo que não ia adiantar.
Por fim, olhou fixamente para Hermione e a tomou nos braços. Selene não ia responder nunca mais. Suspirando, deixou o quarto e entregou a bebê para Kalil.
— Cuide dela.
Voltando aos aposentos de Selene, Tom fechou os olhos dela, pegou uma toalha de renda branca e a depositou sobre o corpo de sua última amiga viva.
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