O Tempo Mudará
34 Capítulo 34 - "Outra Dimensão"
Notas iniciais
Hermione se aproximou de sua escrivaninha, pegou sua adaga, foi até sua cama e abriu a caixinha de veludo onde ficava o Colar da Fênix. Ela o pegou, se virou para a parede oposta a sua cama, cortou sua mão e deixou algumas gotas caírem nas gemas que continham as cobras dento delas, dizendo:
– “Sanguis meus, ego praecipio tibi, ut aperias”.
*”Com o meu sangue, eu ordeno: abra-se!”
Quando o sangue dela entrou em contato com gemas, elas começaram a brilhar como se tomassem vida e as cobras presas dentro das gemas saíram, como se fossem fantasmas, rastejaram pelo braço dela, em volta do corpo dela até alcançarem o chão. Deslizando, foram até a parede, subiram por ela e logo formaram um círculo enorme nela. Quando se solidificaram novamente, continuaram brilhando com uma cor branca.
Hermione ergueu uma mão na frente dela, em direção do círculo feito pelas cobras, com o colar com forma de fênix em sua mão e começou a recitar a última parte do ritual que Tom tinha lhe ensinado.
– “Sicut in venis sanguinem qui effusus est: virtus phoenix iubeo indica mihi, ubi media occulta mea ostende mihi”.
*”Como o sangue que corre em minhas veias, e com o poder da fênix, eu ordeno: revele-me seus segredos e mostre-me onde está a metade do meu espírito”.
A cada palavra dita, a fênix incrustada dentro do colar começou a brilhar com um tom verde incandescente. O colar levitou da mão de Hermione e foi parar na parede dentro do círculo formado pelas cobras, que agora estavam tão transparentes que pareciam vidro polido. Dentro do círculo o colar em forma de fênix começou a pulsar – cada batida parecia ser idêntica ao do coração de Hermione – a fênix dentro do colar parecia estar se expandindo. De repente o colar pareceu desaparecer: e a luz que ele emanava se expandiu, seu tamanho cresceu até que ficar exatamente do tamanho do círculo feito pelas cobras. Era como se as peças fossem feitas para serem encaixadas. Quando as extremidades da luz do colar tocaram com a das cobras uma luz vermelha incendiou o quarto, obrigando Hermione a fechar os olhos. Quando a luz desapareceu, a menina viu que no lugar do colar, havia um espaço negro como a noite. Do outro lado, no meio do círculo, havia a imagem de uma construção imponente e enorme. Só podia ser a Mansão. Fascinada, Hermione percebeu que as cobras entrelaçadas na parede faziam aquela visão parecer um quadro. Sorrindo, ela se aproximou e sentiu um cheiro diferente tomar seus sentidos. Ela ouviu um som como de ondas batendo em rocha bruta.

Ela estava impressionada. Não sabia como, mas Tom sempre a surpreendia. Ela sorriu novamente e se aproximou do círculo do Portal. Colocou a mão do outro lado e sentiu uma brisa passar sobre seus dedos. Respirando fundo, ela colocou o pé e logo passou para o outro lado.
Quando olhou, em frente a ela estava a Mansão Basiliski. E o cheiro, ela percebeu, era o de uma praia. Olhando para trás ela viu que o portal estava se fechando. As cobras das extremidades se condensaram até ficarem do formato de seu colar novamente. Quando se fechou totalmente, o colar dela caiu na grama do jardim da Mansão. Ela se aproximou, o pegou e viu as cobras dentro da gema novamente. Se levantando colocou o colar em seu pescoço e girou para ter uma visão completa das proximidades. Mesmo no escuro ar da noite, ela percebeu que estava em um penhasco magnífico. Mais abaixo o mar batia nas rochas com seu ruído característico e a areia se mostrava logo depois.
Hermione sabia que teria muito tempo para visitar tudo depois. Mas agora, ela precisava encontrar Tom. Se virando, ela começou a andar no chão polvilhado com cascalhos que direcionava até a porta da Mansão. Os jardins eram um contraste diferente, considerando que no final do cercado tinha um abismo profundo, a areia e mais adiante o mar. Ela andou até a porta e bateu nas dobradiças que tinham o formato de cobras, pois de acordo com Kalil os elfos estavam lá esperando por ela. Hermione esperou... Esperou... E esperou mais um pouco... Só que ninguém atendeu.
Ela bateu novamente e logo a porta se abriu totalmente. Hermione entrou e viu que parecia que estava no Hall da Mansão. A escuridão não a deixava ver muita coisa. Na frente dela vários elfos estavam parados, eram em torno de uns dez. E uma, que estava mais a frente deles, parecia ser uma espécie de líder. Devia ser Willa. Todos pareciam chocados demais para falar. Hermione levantou a varinha e fez a porta se fechar atrás de si. Eles ainda pareciam chocados e não se moviam. Hermione sorriu e resolveu começar a se apresentar para ver se reagiam. Ela olhou para Willa e disse:
– Você deve ser a elfa Willa, não é? — falou sorrindo. – Prazer, sou Hermione Sonserina Avadra.
Nada ainda. Nem mesmo uma reação. Hermione ficou olhando a elfa que parecia estar chocada demais para se quer piscar. Ficando preocupada e achando que ela estava entrando em um estado catatônico, disse:
– Willa, você está bem?
Parece que a pergunta fez efeito, pois a elfa piscou e disse:
– Minha senhora... Milady Hermione... É você mesma? Willa não está sonhando? – perguntou gaguejando ainda e encarando espantada.
– Sou sim. – a menina afirmou sorrindo. A coitada da elfa parecia desconcertada por vê-la — E você deve ser a elfa Willa, estou certa?
– Sim Milady. Sim está correta. – a elfa olhava deslumbrada para ela. De repente, parecendo ter se dado conta de algo, ela parou de falar e seu rosto pareceu ter sido tomado por horror.
– Oh, por Merlin que descuido. Que descuido de Willa, como Willa pode fazer isso com Milady? Willa não pode falar com ela aqui na frente do Hall. Entre Milady! – falou gesticulando para que Hermione entrasse para mais dentro de casa – Entre!
Hermione começou a andar na direção onde Willa estava apontando. Ela ouviu uns cochichos e percebeu Willa dando ordens aos outros elfos e logo eles desapareceram. Hermione seguiu por onde a elfa tinha indicado e logo se viu dentro do que se parecia ser a sala de estar. Na lareira em cima dela tinha o quadro de um homem. Ela se dirigiu até este quadro em cima da lareira e ficou encarando a imagem daquele homem. Mesmo no escuro ela percebeu que ele era belo, imponente, forte...

– É o Lorde.
Hermione se virou e viu Willa ao seu lado, também encarando o quadro.
– Voldemort? — perguntou surpresa, embora já imaginasse que fosse ele, afinal, Tom não manteria um quadro de um homem na sala se não fosse dele mesmo. O quadro gritava narcisismo puro.
– Sim, mandou fazer esse quadro um pouco antes de ir procurar o Senhor e a Senhora Avadra.
– Então, ele tinha essa aparência quando desapareceu.-falou olhando pro quadro
– Sim Milady. Ele tinha um porte poderoso, imponente, sua aura ocupava a sala quando entrava. Willa se atreve a dizer que muitos de seus Comensais não se aproximaram dele por causa de seus ideais, e sim por causa dessa aura que emanava de seu corpo.
Hermione olhou pra ela interessada e ao mesmo tempo supresa pelo que a elfa estava dizendo.
– O poder os atraia, milady; como uma mariposa se atrai pela luz. Mas assim como os atraia, os repelia. Eles nunca poderiam chegar muito perto, porque assim como as mariposas morrem com a proximidade da luz, aqueles que se aproximassem demais do Lorde se queimariam e morreriam também. Somente duas pessoas se atreveram a se aproximar o suficiente.
– Se refere aos meus pais? – Hermione perguntou e Willa acenou confirmando com a cabeça.
– Sim. O Senhor e a Senhora Avadra eram pessoas magníficas! Muito diferentes de todos que o Lorde trazia aqui. Eles eram muito parecidos com o Lorde e o Lorde mudou bastante quando eles passaram a freqüentar a Mansão. Meu senhor ficou mais relaxado talvez. O Lorde não era alguém que recebia muitas visitas a não ser as de seus Comensais e não podemos chamar estes de visitantes. Além do quê, não entravam na Mansão sem terem sido convocados. Mas o Senhor Howards e a Senhora Selene não se importavam com as ameaças do Lorde. Eles vinham sem serem chamados, muitas vezes passavam semanas aqui. Até que chegou uma hora em que o Lorde não reclamava mais. Na verdade, o meu senhor passou a perguntar deles quando não estavam aqui. Eles eram diferentes, não maltratava Willa e os outros elfos. Willa arrisca dizer que a Senhora Selene, sua mãe, era gentil com Willa e os outros.
A elfa estava enxugando seus olhos com suas roupas esfarrapadas. Seu nariz grande fez barulho quando ela o asoou. Hermione sorriu para descrição que a elfa estava fazendo de seus pais com Tom. Era bom saber mais sobre ele.
– A senhora tem o sorriso dela. Um sorriso que ilumina o ambiente. Quando a senhora sorriu para Willa e os outros elfos no Hall, Willa sabia que era a senhora, pois só uma pessoa sorria assim... Sua mãe. — Willa sorria ao descrever seus pais e sua relação com Tom, mas logo seu rosto foi tomado por uma sombra.
– Mas aí eles morreram e o Lorde se trancou dentro dele mesmo novamente. E Willa.... e Willa não conseguiu fazer nada para ajuda-lo. — disse amargurada começou a dar cabeçadas na parede e Hermione teve que segurá-la uns minutos, quando percebeu que ela se acalmou a soltou, Willa respirou fundo e continuo a falar. –Poucos sabiam que a filha de Selene tinha sobrevivido. Na verdade, ninguém sabia, exceto Willa e todos os elfos da Mansão, assim como Kalil e os elfos da Mansão Avadra, que era onde a Milady viveu desde que tinha nascido. Nós sabíamos, mas nunca revelaríamos, não enquanto o Lorde não o permitisse. Ele queria manter Milady em segurança, e nós fizemos como ele mandou.
– Você parece conhecer bem Voldemort, Willa. – Hermione falou indo se sentar no sofá. Willa ficou em pé na sua frente.
– Willa conhece Milady. Willa e a maioria dos outros elfos servem o Lorde a mais de 40 anos e sempre tivemos orgulho disso. Como Milady deve saber os elfos domésticos eram... Bom, alguns ainda são tratados como vermes por muitos de seus donos, mas por incrível que pareça, o Lorde das trevas não era assim. Não nos torturava, xingava ou ameaçava. Willa não entende isso até hoje. – ela falou balançando a cabeça. Hermione percebeu que embora apreciasse a atitude de Tom, a elfa, ainda depois de anos, continuava não a entendendo e ela percebeu que deveria lhe contar o porque
– Willa, Voldemort sabe que assim como o medo é eficaz para evitar que outros cometam erros, com medo de serem punidos; o respeito é muito mais forte. Pois os faz se dedicaram mais e até se sentirem bem consigo mesmos. Entende isso, Willa?
– Willa entende, Milady. — falou surpresa — Willa entende agora. É exatamente o que Willa sente quando cumpre as ordens do Lorde corretamente. Nós o respeitamos muito, pois não existe dono melhor do que ele. O Lorde sempre tinha sido assim, taciturno, tinha uma personalidade um pouco difícil, mas depois de tantos anos o servindo era como se soubéssemos o que desejava antes mesmo de ele pedir.
– É bom saber disso, Willa. – Hermione falou sorrindo – Mas me diga, como tem sido durante todos esses anos Willa? Vivendo isolados nesta dimensão... Espero que nada tenha lhes faltado.
– Não Milady. Nada nos faltou. Uma das coisas que o feitiço de transporte ativou foi isso: bastava desejarmos algo, ou se tivesse qualquer coisa faltando para nós a casa, que a Mansão nos proporcionava.
– Assim como a sala precisa em Hogwarts.
– Exatamente Milady. — respondeu a elfa sorrindo.
– Interessante. Tom nunca me falou que tinha feito esse feitiço. Isso só mostra o quanto ele se importava com vocês.
– O Lorde não deixaria passar uma coisa dessas, Milady, de seus planos. Ele sempre foi muito precavido. Analisa todas as possibilidades.
– Claro e uma dessas possibilidades que ele analisou foi a de não conseguir voltar quando foi matar o Harry.
– Sim. — respondeu melancólica a elfa — Treze anos atrás, na noite em que o Lorde iria matar os Potter, pouco antes dele ir visitar Milady, ele mandou que nos reuníssemos porque ia nos dar algumas ordens. Willa lembra como se fosse hoje. O Lorde disse o que iria fazer, que sairia em uma missão especial pessoalmente. Ele nos disse que voltaria, mas que talvez demorasse alguns anos. Ficamos preocupados claro, será que o Lorde não gostava mais de nossos serviços? E por isso ficaria tantos anos fora? Mas antes mesmo que pudéssemos perguntar ele retirou todas as nossas preocupações.Ele falou que não sabia se voltaria, e que não importava o que escutássemos nós sempre deveríamos acreditar nele.
“E foi o que nós fizemos. Quando o dia amanheceu, no mundo mágico não se falava de outra coisa. O Lorde das Trevas tinha caído, estava morto. Willa e os elfos ficamos desesperados. O que seria de Willa e os outros agora? Sem nosso mestre? Mas lembramos de suas palavras e sabíamos que não importava o que todos estivessem dizendo, o Lorde tinha prometido que voltaria, e ele nunca quebrava sua palavra”.
“Ele deixou instruções a Willa e aos outros do que deveríamos fazer nesse tempo que talvez ele ficasse fora. Qualquer um que não fosse ele ou sua Lady, ao entrar em sua Mansão, deveria ser morto. E se achássemos que não conseguiríamos conter quem quer fosse, deveríamos usar o último meio disponível... O tele transporte”.
“Assim com a Mansão Avadra residia em outra dimensão, e por isso nunca pode ser encontrada, o Lorde tinha dado um jeito de mandar a Mansão Basiliski para outra dimensão criada por ele”.
– E como ele tinha previsto, o pior aconteceu. -Hermione falou olhando para o quadro se virou para Willa e disse -Kalil me contou, essa parte
– Sim. Duas semanas depois que o Lorde tinha caído, vários Comensais tinham sido pegos e jogados em Askaban. O feitiço que protegia a localização da Mansão foi quebrado e assim, vários Aurores apareceram aqui e tentaram invadi-la. Willa lembra e treme só de pensar naquele dia com os Aurores quebrando cada proteção que o Lorde tinha erguido em volta da Mansão. Quando conseguiram entrar, Willa e os outros percebemos que não poderíamos dar conta de todos eles,pois fora os quetinham entrado dentro da Mansão ainda tinha vários do lado de fora e foi aí que não vimos saída: acionamos o feitiço.
“As portas e janelas se fecharam e a mansão inteira tremeu e quando tudo se acalmou elas se abriram novamente. Fomos até as janelas para ver se tinha dado certo, e percebemos que estávamos em um lugar totalmente diferente. Ao invés de um bosque que era onde a Mansão ficava, nós estávamos em um penhasco, com areia embaixo e o barulho do mar que podia ser ouvido mais ao longe. Fora da Massão, Willa podia ver o mar. Estávamos na dimensão que o Lorde tinha nos tinha dito e não poderíamos sair de lá até que o Lorde voltasse. E durante todos esses anos temos vivido aqui, sem conseguirmos nos comunicar com ninguém do outro lado. Estávamos esperando a volta do Lorde. Willa sabia que o Lorde iria voltar! Tínhamos certeza e isso aconteceu um mês atrás!”
– Como foi quando ele apareceu aqui? – Hermione perguntou curiosa.
– Foi impressionante! Uma surpresa. Não estávamos esperando visitas. Há anos não recebíamos ninguém... E de repente, um mês atrás a estrutura da Mansão tremeu e não só ela, toda a dimensão tremeu, como se fosse um terremoto. Willa e todos os outros ficamos com medo, mas muito preocupados de que alguém tivesse conseguido achar um jeito de entrar na dimensão do Lorde.
“Willa e todos os outros elfos saímos para fora e vimos no meio do jardim um buraco aparecendo. Um portal se formou e de dentro dele estava saindo alguém. Quase entramos em colapso ao imaginar que uma pessoa teria conseguido achar a localização e conseguido realmente ter acesso a essa dimensão. Mas estávamos preparados. Sabíamos de nossas ordens, deveríamos matar qualquer um que aparecesse aqui que não fosse o próprio Lorde ou Milady”.
“Ficamos esperando e de repente de dentro do portal saiu um ser estranho. Era um homem coberto com um manto negro. Estava descalço, seu rosto era ofídico, parecido com o de uma cobra...” – Willa parecia horrorizada com a imagem, logo olhou assustada para Hermione percebendo o que estivera falando de Tom.
– Oh Milady, perdão! Willa não deveria estar dizendo essas coisas do Lorde! – a elfa se ajelhou e começou a bater a cabeça no chão novamente. — Willa não deve! Willa não deve!
– Willa, já chega! — Hermione falou se levantando e se abaixando junto a Willa — Pare por favor, vai se machucar desse jeito.
Ela levantou a elfa e a sentou no sofá. Willa levantou a cabeça e algumas lágrimas saiam dos olhos dela.
– Willa não deveria estar dizendo essas coisas Milady.
– Eu sei. Realmente você não deveria, mas não é como se isso fosse uma mentira. E tenha calma. Você e os outros elfos ficaram muitos anos sem falar com ninguém. A situação é delicada, e por isso, é normal que ainda estejam um pouco abalados pelos acontecimentos. E isso acaba se refletindo um pouco no jeito de falarem. Mas não se martirize, tome um pouco mais de cuidado com o que fala, principalmente na frente de Tom. Esses anos em que ele ficou vivendo dentre de mim o deixou um pouco mais paciente, mas também intransigente; principalmente em relação a suas debilidades.
“Como você mesma disse para mim Willa, Voldemort é orgulhoso, imponente... Imagina como deve ter sido para ele viver dentro de mim, dependendo de mim para viver durante todos esses anos?”
– Imagino Milady que deve ter sido difícil.
–Sim foi. Ao longo do tempo ele acabou aceitando. Mas eu acredito que ele nunca tenha se conformado. Voldemort esperou, foi paciente, mas ele não gosta de lembrar de suas fraquezas... Principalmente em relação a sua aparência. Mas olha, não precisa se preocupar. Tom vai tomar uma poção e vai voltar a ter a aparência que tinha antes. Só tome cuidado com o que diz, tudo bem?”.
– Sim Milady. – a elfa secou mais os olhos e se levantou do sofá.
– Como... Como ele está, Willa? – Hermione perguntou, olhando para as escadas de mármore negro que levavam aos andares superiores da Mansão.
– Ainda trancado no quarto, Milady. Acredito que ainda esteja dormindo. Assim que o Lorde saiu do Portal, não o reconhecemos de imediato. – a elfa falou, abaixando a cabeça de vergonha ao lembrar do jeito que tinha descrito Tom. – Mas a varinha era inconfundível, assim como sua cobra Nagini. O Lorde nos deu ordens, nos explicou a situação rapidamente, contou o que tinha acontecido e que Milady o tinha trazido de volta. Disse que iria entrar em sono para poder se recuperar totalmente e que não deveria ser incomodado. Também nos avisou que qualquer meio de comunicação que antes era impossível agora estava liberado e que deveríamos entrar em contato com Kalil, sua babá que vivia entre trouxas, e contar que ele estava aqui. Tínhamos que manter a Milady informada de qualquer coisa e a esperarmos.
– Kalil lhes contou então tudo que aconteceu no mundo mágico em todos esses anos e o quê aconteceu com o Tom?
– Sim Milady. Todos estão avisados e informados.
– Muito bem. Isso me economiza bastante tempo. Agora, devo vê-lo. – Hermione falou se levantando. – Willa, agradeço por todos esses anos em que se manteve leal. Ao que você e os outros fizeram para proteger a Mansão.
– Não nos agradeça Milady. Por favor, nós é que devemos agradecer pela confiança que o Lorde depositou em nós.
– Sim, vou ir vê-lo. Pode me levar até seu quarto?
– Claro, é por aqui. – a elfa apontou para fora da porta que conduzia a sala de estar qual e começou a andar em direção a outro corredor ricamente decorado. Hermione a seguiu. Elas voltaram para o Hall e começaram a subir as escadas de mármore negro que levava ao segundo andar. Seguiram por um corredor até uma porta que parecia não ter fechadura. Ela tinha cobras entalhadas na madeira e não tinha maçaneta ou qualquer coisa que pudesse abri-la.
– Essa porta quando trancada só pode ser aberta por um ofidioglota, no caso, por Milady ou o próprio Lorde. Por isso não pudemos verificar se ele estava bem porque não podemos entrar.
– O tele porte de um elfo não pode?
– Não. Quando o Lorde tranca a porta protege todo o quarto de qualquer aparatação, mesmo a nossa.
– Muito bem. Pode ir Willa, eu vou entrar, não nos incomode até que a chamemos.
– Sim Milady. Com licença. — a elfa reverenciou Hermione, estalou os dedos e desapareceu.
Hermione olhou para a porta e respirou fundo. Finalmente tinha chegado a hora. Ela esfregou as mãos que estavam frias. Seu coração estava saindo pela boca de tanto que batia e seu estômago estava gelado. Ela tinha esperado tanto, tanto e agora estava com medo de abrir aquela porta. “Vamos lá, Hermione! Esse é um dos principais momentos da sua vida! Coragem!”, pensou determinada. Ela respirou fundo novamente e falou as palavras que abririam a porta na língua das cobras:
– “Sa ia ga shie tis” (Abra!).
Os olhos das cobras que eram feitos de esmeraldas se acenderam. As cobras começaram a movimentar seus corpos, que foram se retraindo para trás. Era como se elas estivessem protegendo com seus corpos a porta onde era o quarto de Tom. Elas criaram um vão e no meio delas se revelaram duas portas de madeira tão escura, que parecia quase negra. A porta possuía desenhos tão elaborados que Hermione não conseguiu identificá-los. Ela se aproximou e empurrou devagar, olhando para dentro. Tudo estava escuro. A menina afastou mais as portas e entrou no quarto. A luz do corredor iluminou um pouco o aposento, mas somente o suficiente para ela ver uma grande escrivaninha próxima, uma mesa com algumas velas e a ponta da cama. Hermione fechou a porta atrás dela, deixando o quarto totalmente escuro novamente.
Como tinha visto velas, estalou os dedos e todas se iluminaram. O que viu a deixou sem fala. O quarto de Tom era espetacular. Era dividido em quatro partes, pelo que ela podia ver. Uma revelava uma estante, onde havia tantos livros que a menina não conseguiu contá-los. Ao lado havia uma abertura, onde Hermione conseguiu enxergar roupas. Provavelmente devia ser o closet... E devia ser imenso! No outro lado ela conseguiu identificar mais claramente a escrivaninha. Estava mais para uma mesa gigante. Era de uma madeira escura, da mesma cor das portas do quarto. Era linda e continha vários papeis e livros. E, por fim, seus olhos pararam na parte mais importante do quarto... A cama. Ela era imensa, de uma cor escura e tinha uma cortina de um verde tão escuro que parecia veludo. Os lençóis eram de seda negra... Ao lado da cama, havia uma lareira com um fogo modesto que ajudava a iluminar o ambiente. Hermione se aproximou mais da cama... E seu coração parou.
Vazia... A cama estava vazia.
Olhando mais de perto, ela viu que a cama estava bagunçada, como se alguém tivesse dormido ali... Colocando a mão na cama ela sentiu que estava fria. Então já fazia algum tempo que Tom tinha se levantado. Mas onde ele estava? Hermione olhou ao redor e não pode ver muita coisa. As velas não iluminavam o suficiente. Começando a se desesperar, Hermione colocou a mão em seu colar. Onde estava Tom? O que tinha acontecido?
De repete, do lado direito dela, ela ouviu um barulho e uma porta se abriu. A luz de uma lâmpada do cômodo que tinha acabado de ser aberto iluminou o quarto e a ela, pela luz, pode ver a sombra de um homem. Hermione segurou sua respiração. Não teve coragem de se virar... Era ele, não era? Ela começou a respirar rapidamente... Sentia que tinha corrido uma maratona.
– Pequena Lady...
Disse aquela voz... Aquela que sempre esteve na cabeça dela... Só que agora estava diferente... Estava mais forte e viva. Embora fosse irônico pensar assim, a voz estava muito mais perto em seu coração do que antes... Embora Tom tivesse ficado todos aqueles anos dentro da cabeça dela.
Hermione ainda não tinha se virado. Ela tinha medo. Mais medo de quê? O que ela temia? Temia seu rosto, que de acordo com todos estava desfigurado.? Fechou os olhos. Não. Ela sabia que ele não ia ficar assim e que também era reversível, então... O quê? Medo daquele momento tão importante?
– Hermione, não vai se virar e me olhar? – falou aquela voz exigindo. Ele tinha se afastado... Como ela não tinha percebido? Claro que não ia perceber, ela estava com os olhos fechados, e mergulhada demais em seus próprios pensamentos. “Coragem Hermione!”, ela respirou fundo, se virou e olhou para ele. Seus olhos se arregalaram de espanto.
O que era aquilo?
Fale com o autor