O Tempo Mudará
32 Capítulo 32 - "O Cálice de Fogo" - Parte 11
Notas iniciais
“O Cálice de Fogo – Parte 11”
Harry não acreditava que isso estava acontecendo. Aquilo realmente não poderia ser verdade. Ele só queria ter uma vida normal... Bom, tão normal quanto um bruxo estudante pode ter. Mas não foi isso que destinaram para ele. Não! Não foi mesmo. Todo ano ele tinha que sobreviver a algum perigo; e depois de tudo ele achou que esse ano ia ser melhor. Doces sonhos, pensou amargurado.
Aí veio o Torneio... Ele ter sido escolhido, as provas, o perigo, e a Terceira Prova em especial com um labirinto que mudava de forma e de bônus Vitor Krum atacando Fleur e Diggory como se estivesse, descontrolado, hipnotizado, sei lá! E quando Harry achou que tudo tinha acabado; quando finalmente ele e Cedrico encostaram as mãos na Taça como Campeões, ele se viu em outro lugar... E percebeu com horror que a Taça era uma Chave de portal e que a prova tinha acabado da pior maneira possível. Ele percebeu onde estavam, olhou nos olhos de Cedrico que estavam olhando fascinado a Taça e silenciosamente Harry percebeu que preferia mil vezes voltar ao labirinto de horrores de antes.
Harry, estupefato, percebeu que foi parar ali: no Cemitério que vinha atormentando seus sonhos desde antes do ano letivo começar. E o pior não foi isso, mas sim os acontecimentos seguintes. com Cedrico morto a menos de oito metros de distância dele e mais adiante jazia a Taça Tribuxo reluzindo em meio à névoa do cemitério.
Apesar da beleza da Taça, Harry só conseguia pensar em uma coisa: Cedrico Diggory estava morto! Morto pelo Voldemort! E ele não pode fazer nada a não ser olhar... Enquanto Rabicho acertava Cedrico com a Maldição da Morte.
Rabicho carregava alguma coisa embrulhada em alguns panos em seus braços. O pano se mexia, o que significava que o que estava dentro daqueles panos estava vivo.Harry sentia sua cicatriz queimar de dor... E, de repente, concluiu que não queria ver o que estava naquelas roupas... Não queria que o pano fosse aberto...
Tentou pegar sua varinha, mas não podia; ela estava caída perto dos pés de Cedrico. Tinha caído quando Rabicho usou um feitiço para prendê-lo. E ele ainda estava preso, sendo segurado pela foice da estátua de um Ceifador de uma das lápides. Harry tentava se soltar quando ouviu um ruído aos seus pés. Baixou os olhos e viu uma cobra gigantesca deslizando pelo capim, circulando em torno da lápide em que ele estava preso.
Oh meu Merlin! É a Nagini! Harry retesou o corpo automaticamente embora Nagini estivesse relativamente longe dele. O menino olhou para frente e viu um caldeirão de pedra perto do túmulo em que estava preso. Era maior do que qualquer outro caldeirão que Harry já tivesse usado; sua circunferência era suficientemente grande para caber um adulto sentado. Continha alguma coisa que parecia água e fervia nas chamas que queimavam debaixo do caldeirão.
O líquido no caldeirão parecia estar esquentando bem rápido. Sua superfície começou não somente a borbulhar, mas também a atirar para o alto faíscas incandescentes, como se estivesse em chamas. O vapor se adensou e borrou a silhueta de Rabicho que se aproximava dele.
– Faça agora! – disse uma voz fria e horripilante de dentro dos panos que Rabicho segurava.
Rabicho abriu o fardo de vestes que segurava, revelando o que havia nele, e Harry quase deixou escapar um grito. Era como se Rabicho tivesse virado uma pedra e deixado à mostra algo feio, pegajoso e cego – mas pior, cem vezes pior. A coisa que Rabicho andara carregando tinha a forma de uma criança humana encolhida, só que Harry nunca vira nada que se parecesse menos com uma criança. Era pelada, de aparência escamosa, de uma cor preta avermelhada e crua. Os braços e pernas eram finos e fracos e o rosto – nenhuma criança viva jamais tivera um rosto daqueles – era plano e lembrava o de uma cobra, com olhos vermelhos e brilhantes.
Por um instante Harry viu o rosto plano e maligno iluminar-se com as faíscas que dançavam na superfície da poção. Então Rabicho a jogou dentro do caldeirão, ouviu-se um gemido, e a coisa afundou. Harry escutou aquele corpinho frágil bater no fundo do caldeirão com um baque suave.
"Tomara que se afogue", pensou o garoto, a cicatriz doendo mais do que era possível suportar, "por favor... Tomara que se afogue...", mas no fundo no fundo, ele sabia que não teria toda essa sorte, afinal, Rabicho não tentaria afogar seu mestre, não importa o quanto louco e desprezível ele fosse.
Rabicho estava falando. Sua voz tremia, ele parecia assustadíssimo, e acredite, ele não estava sozinho. Harry não sabia ainda como não tinha sujado suas calças desde que toda aquela loucura tinha começado. Ele não sabia o que estava acontecendo, mas seus instintos lhe diziam que não era nada bom. Ele viu Rabicho erguer a varinha, fechar os olhos e falar para a noite.
– Osso do pai, tirado sem consentimento!
A superfície do túmulo aos pés de Harry rachou. O menino observou horrorizado um osso se erguer no ar de dentro do túmulo perante a ordem de Rabicho, e cair suavemente no caldeirão.A superfície diamantífera da água se dividiu e chiou; disparou faíscas para todo o lado e ficou um azul vívido e peçonhento. Rabicho choramingou ao começar a dizer as próximas palavras.
– Carne... Do servo... Dada de bom grado.
Ele esticou a mão direita à frente, a mão em que faltava um dedo. Segurou o punhal com firmeza na mão esquerda e ergueu-o. Harry percebeu o que Rabicho ia fazer um segundo antes de acontecer. Ele fechou os olhos com toda força que pôde, mas não conseguiu bloquear o grito que cortou a noite, e que o atravessou como se ele tivesse sido apunhalado também. Ouviu o ruído nauseante de alguma coisa tombar dentro do caldeirão. Abrindo os olhos Harry viu: era a mão dele! Harry não suportou olhar... Mas a poção ficou vermelho vivo e sua claridade atravessou suas pálpebras fechadas... Rabicho ofegava e gemia de agonia. Ele começou a se aproximar de Harry e o menino temia o que viria a seguir.
– S-sangue do inimigo... Tirado à força!
Harry nada pôde fazer nada para impedir isso, estava muito preso... Procurando ver mais embaixo, lutando inutilmente contra a estátua que o prendia, ele viu o punhal de prata reluzente tremer na mão que restava de Rabicho. Sentiu a ponta da arma furar o início de seu braço direito, no local onde por ironia ficava a Marca Negra dos Comensais. Sentiu o sangue fluir pela manga de suas vestes rasgadas.
Rabicho cambaleou de volta ao caldeirão com o sangue do menino nas mãos. Despejou tudo ali dentro citando mais algumas palavras:
– O Lorde das Trevas renascerá!
“Por favor, me diz que eu não escutei isso!”, pensava Harry desesperado. O líquido no caldeirão ficou instantaneamente branco ofuscante. Concluída a tarefa, Rabicho se afastou segurando a mão sangrando, seu rosto contorcido de dor. O caldeirão foi cozinhando, disparando faíscas em todas as direções, um branco tão branco que transformava todo o resto num negrume aveludado.
Nada aconteceu.
E então, de repente, as faíscas que subiam do caldeirão se extinguiram, uma nuvem de vapor branco se ergueu, repolhuda e densa, uma massa disforme que palpitava como se fosse um coração flutuante. Aquela coisa começou a se movimentar como se algo dentro dela quisesse sair ou tomar forma. Para o horror de Harry, da massa começou a surgir braços e pernas, um corpo de um homem. Uma névoa negra se formou e se tornou vestes negras que cobriram o corpo como uma capa.
Com um grito estrangulado de terror Harry viu a silhueta escura de um homem, alto e esquelético, delineado pelas vestes negras. O homem magro pousou no chão, pois até a hora em que se desenvolvia estava flutuando em cima do caldeirão, se endireitou e virou para Harry, o olhar fixo nele... E o garoto mirou aquele rosto que assombrava seus pesadelos havia três anos. Mais branco do que um crânio, com olhos grandes e vermelhos, um nariz chato como o das cobras e fendas no lugar das narinas...
Lord Voldemort havia voltado.
oOoOoOoOoOoOoOo
(3º pessoa)
Do momento em que o feitiço começou até o momento em que Voldemort surgiu, todos os Comensais sentiram a Marca arder como nunca tinha ardido nesses treze anos desde que o Lorde tinha sumido. Ela se mexia como se tentasse sair da pele dos Comensais e voltar até seu mestre... O que só aumentava a necessidade que os Comensais tinham de ir até o Lorde.
Hermione não tinha a Marca, mas tinha uma coisa muito mais forte que a ligava a Tom: a Conjunção dos Espíritos. O que fazia com que ela tivesse sentido o momento em que ele tinha voltado. Ela sabia que sentiria dor, só que quando o processo começou, a tortura foi quase insuportável. Com um esforço quase sobre humano ela procurou segurar o grito de dor.
Em seu pescoço, o Medalhão de Salazar Sonserina, transfigurado para um colar simples, pulsava em um vermelho vivo! Mas mesmo com essa mudança, sua existência como uma Horcrux não mudou. O colar continuava, mesmo transformado em algo simples, guardando dentro de si um pedaço da alma de Tom. A peça queimava em seu pescoço, mas sem machucá-la, pois ele sentia que ela carregava um pedaço do espírito de Tom dentro de si... As duas metades se reconheciam. Hermione queria largar tudo e ir até seu noivo... Dentro de si, sua alma gritava e gritava por isso! Mas ela não podia. Ela não podia ir! Lágrimas de frustração desceram por seu rosto, mas Hermione acalentou seu coração, sabendo que logo ela veria Tom inteiro na sua frente.
Em Askaban, Rodhfus, Rabastan, Belatriz Lestrange e vários outros Comensais sentiram suas Marcas incharem, crescerem e clamarem por seu mestre. Com isso, souberam que o Lorde tinha voltado. “Finalmente!”, eles se regozijaram. Sempre tinham acreditado e esperado por isso. A vontade que tinham era de ir até ele, mas sabiam que não podiam. Em Askaban, tudo o que entrava não podia sair. Mas eles entendiam que não precisavam se desesperar ou se preocupar, porque o Lorde logo viria até eles e os libertaria! Eles gritavam e davam gargalhadas enlouquecidas, esperando ansiosos pelo seu mestre.
Em Hogwarts, Severo, Jr. e Karkaroff sentiram suas Marcas arderem e a cobra se mexer descontroladamente. Sabiam que o Lorde tinha voltado, podiam sentir a presença dele em suas mentes como se um espaço que por treze anos tinha ficado vazio agora voltasse a ser ocupado.
Karkaroff tremia dos pés a cabeça. Seu único pensamento era fugir. Precisava fugir antes que o Lorde o encontrasse e o matasse por sua traição. Jr. tremia também, mas de empolgação! Se pudesse, estaria pulando! Mas não podia, pois precisava manter a postura de professor. No entanto, logo comemoraria e um barril de cerveja amanteigada seria pouco para sua alegria! Severo também estava feliz embora não aparentasse. Ele procurava manter sua fachada de frieza e distanciamento. Para ele, a pior coisa era ficar ali, com todos os outros professores e alunos, esperando o grande ganhador do Torneio Tribruxo. Era entediante. Via a empolgação de todos à espera do ganhador e pensou que eles mal sabiam o que tinha acabado de acontecer e que logo não seria o ganhador que apareceria por meio da Taça e sim o corpo sem vida do Potter.
Em todo o mundo Bruxo, a maioria sangue puro, os Comensais sentiam suas Marcas arderem e a presença do Lorde em suas mentes. Na casa dos Malfoy, dos Nott, dos Zabini, dos Crablle e dos Goyle, os membros de suas famílias sentiam suas Marcas. Nos Comensais, vários sentimentos conflituosos de felicidade a empolgação e medo surgiram. O medo vinha daqueles que serviam o Lorde obrigados, ou dos que traíram seus segredos depois que ele caiu. O temor vinha de grande parte deles por não saber o que aconteceria agora. Mas, mesmo com todos esses sentimentos, somente um pensamento perpetuava na mente de todos eles: o Lorde tinha voltado!
oOoOoOoOoOoOoOo
Voldemort olhava para Harry.
"Meu maior inimigo", pensou sarcástico.
Patético. Uma criança, um gato assustado. Voldemort ainda se perguntava como podia ter sido derrotado por esse moleque. Sabia, é claro, como tinha sido, mas isso não evitava que se questionasse: como ele, o Grande Voldemort, podia ter sido tão idiota?! Por causa desse fedelho ficou sem corpo durante treze longos anos e pior, tinha deixado Hermione sozinha todo esse tempo. Bom, não totalmente sozinha, mas o fato de ter ficado em sua mente não contava. Ele queria tocá-la. Olhar para ela com seus olhos e não com os de uma criatura insignificante.
Desviando o olhar do Potter, e guardando seus sentimentos em um lugar escondido em seu coração, ele começou a examinar o próprio corpo. Suas mãos eram como aranhas grandes e pálidas. Seus longos dedos brancos acariciaram o próprio peito, os braços, o rosto, os olhos vermelhos cujas pupilas eram fendas, como as de um gato. Seus olhos eram os que mais brilhavam na escuridão. Voldemort ergueu as mãos e flexionou os dedos com uma expressão arrebatada e exultante. Ele sabia que estava estranho e meio grotesco até demais em comparação ao seu corpo antigo, de treze anos atrás, mas sabia que uma poção podia resolver o problema. Seria até bem divertido colocar medo nas pessoas com aquela aparência, e ele sempre poderia alternar entre as duas.
Saindo de seus pensamentos, Voldemort escutou Rabicho chorar e tremer de dor. O insignificante continuava sangrando pela mão que tinha perdido. Voldemort não deu a menor atenção a ele. Enfiando um dos dedos anormalmente longos em um bolso fundo, retirou sua varinha, acariciando-a gentilmente. Finalmente podia segurar sua varinha novamente! Ele sentia a onda de poder o dominando, voltando para seu corpo. Mas ainda assim, sabia que não estava com sua força total. Ser trazido de volta requereu muita energia dele... Ele estava cansado, mas ainda tinha força suficiente para matar o garoto.
Voldemort voltou seus olhos vermelhos para Harry mais uma vez e soltou uma gargalhada. Aquela sua risada aguda, fria e sem alegria. Olhar para o fedelho ali, todo encolhido sob a lápide de seu pai trouxa era extremamente gratificante. Andando, ele se aproximou de Rabicho, que estava com as vestes manchadas de sangue e com um pano enrolado no toco do braço e disse indolentemente:
– Estique o braço.
– Ah, meu amo... Obrigado, meu amo...
Rabicho esticou o toco sangrento, mas Voldemort deu uma gargalhada.
– O outro braço, Rabicho.
– Meu amo, por favor... Por favor...
Voldemort se curvou e puxou o braço esquerdo de Rabicho; empurrou a manga das vestes do servo acima do cotovelo e começou a examiná-la demoradamente, sem dar atenção ao choro descontrolado de servo encolhido.
– Reapareceu. — comentou ele, baixinho -, todos deverão ter notado... E agora, veremos... Agora saberemos... Quais são os leais.
Voldemort comprimiu a Marca no braço do servo com seu longo indicador branco. Com sua visão periférica, viu Harry colocar a mão no local da testa com cara de dor. “Pobrezinho... Não se preocupe Harry, logo esse sofrimento vai acabar”, Voldemort pensou sorrindo. Ele afastou o dedo da Marca de Rabicho e viu ela ficar muito preta. Com uma expressão de cruel satisfação no rosto, se endireitou, atirou a cabeça para trás e começou a examinar o escuro cemitério.
– Quantos terão suficiente coragem para voltar quando sentirem isso? — sussurrou ele, fixando seus olhos vermelhos e brilhantes nas estrelas. — E quantos serão bastante tolos para ficar longe de mim?
Ele começou a andar de um lado para outro diante de Harry e Rabicho, seus olhos percorrendo o cemitério todo o tempo vendo onde muitos de seus ancestrais descansavam. Seus ancestrais trouxas. Só de pensar nisso, a raiva lhe consumia. O sangue podre de seu pai estava marcado em todos os lugares. Sempre pensou em colocar fogo em todo aquele lugar. Talvez agora isso fosse possível.
Para cima e para baixo ele andava, olhando para os lados, voltando a observar as lápides. Nagini acompanhava seus movimentos. Ele a chamou e logo ela se envolveu em suas pernas e subiu até alcançar sua mão. Pensativamente, Voldemort começou a passar a mão na cabeça da cobra.
– Sentiu saudades Nagini?– perguntou na mente dela. Desde que eles tinham matado Bertha Jonkis um ano atrás, quando Hermione a tinha enganado e seqüestrado, eles a mataram e com a morte dela, ele faz mais uma Horcrux: sua cobra Nagini. Tinha sido uma sugestão de Hermione, que inclusive tinha feito Nagini comer a Bertha para que pudesse estar forte na hora de torná-la uma Horcrux. Voldemort tinha transferido parte da sua alma para a cobra, que residia com Hermione. Desde então ele podia se comunicar mentalmente com Nagini.
– Que bom que está de volta mestre. Sempre acreditei que Milady conseguiria lhe trazer de volta.
– Sim, sempre acreditei nela. Você a viu nascer Nagini. Esteve conosco todo esse tempo. Sabe o que passamos para estar aqui hoje. Ela cresceu bastante, não é?
– Cresceu Milorde, e se tornou uma bela e poderosa garota. Tenho certeza que está ansiosa para poder vê-lo de novo.
– Eu também estou. Quero poder tocá-la, e desta vez com as minhas próprias mãos. Sei que ela já deve ter sentido que voltei, sinto ela me procurar com a mente, mas não posso responder ainda. Se o fizer tenho certeza que largarei tudo e irei atrás dela. — disse a ela revelando seus desejos mais profundos a asua velha amiga Naguini
– Isso não é aconselhável, senhor.
– Não, pelo menos não agora. Eu tenho coisas ainda para fazer...
O ar se encheu repentinamente com o rumor de capas esvoaçantes. Entre os túmulos, atrás da lápide, em cada espaço escuro, havia bruxos aparatando... Todos usavam capuzes e máscaras. E um por um, eles se adiantaram... Lentamente, cautelosamente, como se mal conseguissem acreditar no que viam.
Voldemort ficou parado em silêncio, esperando-os. Os Comensais da Morte, principalmente os do Círculo Interno, formaram um círculo silencioso em torno do túmulo de Tom Riddle, Harry, Voldemort e o monte de vestes que soluçava e sacudia, que era Rabicho. Deixaram espaços vazios no círculo, como se esperassem mais gente. Voldemort, porém, sabia que ninguém mais viria, afinal, muitos dos que ele tinha chamado estavam em Askaban e ele logo iria libertá-los.
O resto dos Comensais ficou próximo também, mas mais afastados, já que não faziam parte do Círculo. Voldemort observou, olhando os rostos encapuzados ao seu redor e, embora não houvesse vento, um rumorejo pareceu percorrer o Círculo, como se perpassasse por ele um arrepio.
– Bem vindos, meus amigos! Meus Comensais da Morte! — disse Voldemort com uma voz aparentemente feliz de vê-los novamente. — Treze anos... Treze anos se passaram desde que nos encontramos pela última vez. Contudo, vocês atendem ao meu chamado como se fosse ontem... Confesso que estou... – a felicidade fingida em seu rosto, sumiu. — ... Decepcionado. – ele voltou a retomar sua expressão ameaçadora e farejou, dilatando as narinas em forma de fenda.
– Sinto cheiro de culpa. — disse ele. — Há um fedor de culpa no ar. — Um segundo surto de arrepios percorreu o circulo — Nenhum de vocês me procurou. Isso é um desapontamento para mim... Sinto-me desapontado.
Um dos bruxos se atirou subitamente à frente, rompendo o círculo. Tremendo da cabeça aos pés, prostrou-se aos pés de Voldemort.
– Meu amo! — exclamou. — Meu amo, me perdoe! Nos perdoe a todos!
Voldemort começou a rir. “Ridículos! Como são ridículos! Podem ter tentado me ignorar durante todos esse anos, mas ainda morrem de medo de mim”. Erguendo a varinha, disse:
– Crucio!
O Comensal da Morte torturado se estatelou no chão, arfando.
– Levante-se, Avery. — disse Voldemort baixinho. — Ponha-se de pé. Você está me pedindo perdão? Eu não perdôo. Eu não esqueço. Treze longos anos... Quero um pagamento por esses treze anos antes de perdoar-lhes. Rabicho aqui já pagou parte da dívida, não foi, Rabicho?
Ele baixou os olhos para o bruxo mutilado, que continuava a soluçar.
–Eu voltei, Milorde. — Rabicho tentou argumentar.
– Você voltou por medo, não por lealdade, — falou com um ar ameaçador fazendo Rabicho se encolher mais ainda. — Por medo dos seus antigos amigos. Você merece sentir dor, Rabicho. Você sabe disso, não sabe?
– Sei, meu amo. — gemeu Rabicho -, por favor, meu amo... Por favor...
– Contudo, você me ajudou a recuperar meu corpo. — disse Voldemort friamente, observando aquele rato soluçar no chão. — Mesmo inútil e traiçoeiro como é, você me ajudou... E Lorde Voldemort recompensa quem o ajuda...
Voldemort tornou a erguer a varinha e girou-a no ar. Um fio que parecia feito de prata liquefeita prolongou-se da varinha e pairou no ar. Momentaneamente informe, o fio se agitou e em seguida se transformou na réplica brilhante de uma mão humana, clara como o luar, que saiu voando e foi se prender ao pulso sangrento de Rabicho.
Os soluços do bruxo pararam abruptamente e com a respiração rascante e falha, ele levantou a cabeça e fitou, incrédulo, a mão prateada que Voldemort tinha acabado de lhe dar, agora ligada sem costura ao seu braço, como se ele estivesse usando uma luva luminosa. O bruxo flexionou os dedos reluzentes, depois, trêmulo, apanhou um graveto no chão e pulverizou-o.
– Milorde. — sussurrou ele, se ajoelhando e beijando as barras das vestes de Voldemort enquanto continuava falando. — Meu amo... É linda... Muito obrigado... Muito obrigado...
– Que a sua lealdade jamais volte a vacilar Rabicho. — disse Voldemort, puxando sua capa. “Que ser desprezível! Somente fiz isso, porque cumpro minhas promessas”.
– Não, Milorde... Nunca, Milorde...
Rabicho se levantou e tomou posição no círculo, sem tirar os olhos da mão nova e poderosa, seu rosto lavado de lágrimas. Voldemort se aproximou então do homem à direita de Rabicho.
– E você... Lucio... — murmurou ele, se detendo diante do bruxo, arrancando a máscara dele.
– Milorde, se tivesse havido algum sinal do senhor, algum rumor sobre seu paradeiro, eu teria ido imediatamente para o seu lado, nada teria me detido... — ouviu-se na mesma hora a voz de Lúcio Malfoy saindo por baixo do capuz.
– Ouve muito mais do que sinais meu ardiloso amigo e bem mais do que rumores. Contudo, você tentou alguma coisa no segundo ano com o item que tinha deixado aos seus cuidados, não foi? Causou um belo problema naquele ano. — comentou displicentemente Voldemort, e o Sr. Malfoy parou abruptamente de falar e o olhou surpreso. — É, sei de tudo que aconteceu, Lúcio... Você não me desapontou totalmente... Mas espero serviços mais leais no futuro.
– Naturalmente, Milorde, naturalmente... O senhor é misericordioso, obrigado...
Voldemort continuou a andar e parou, reparando no espaço — suficientemente grande para duas pessoas — que separava Malfoy do comensal seguinte.
– Os Lestrange deveriam estar aqui. — disse Voldemort baixinho. — Mas estão enterrados vivos em Azkaban. Foram fiéis. Preferiram ir para Azkaban a renunciar a mim... Quando Azkaban for aberta, os Lestrange receberão honras que ultrapassarão todos os seus sonhos. Os Dementadores saberão que eu voltei e se unirão a nós... São nossos aliados naturais... Chamaremos de volta os gigantes banidos... Todos os meus servos devotados me serão devolvidos em um exército único de criaturas que todos temem!
Ele continuou sua caminhada. Passou por alguns Comensais em silêncio, mas parou diante de outros para lhes falar.
– O mesmo se aplica a você, Nott. — disse Voldemort baixinho, ao passar pelo vulto curvado à sombra do Sr. Goyle.
– Milorde, eu me prostrei diante do senhor, sou o seu mais fiel...
– Basta! — disse Voldemort.
Voldemort caminhou por entre o circulo, mas não sem observar os outros Comensais que estavam fora dele. Olhava e via as pessoas que faltava.
– E aqui temos seis Comensais da Morte ausentes... Três mortos a meu serviço. Um demasiado covarde para voltar... Ele me pagará. Se bem que vou deixar isso para o Jr. Ele fará um ótimo serviço se livrando do Karkaroff. Outro que eu acredito ter me deixado para sempre... Este será morto, é claro... – Voldemort estava dizendo isso para Severo Snape, que todos pensavam ter ido para o lado de Dumbledore. — E um último que continua sendo meu mais fiel servo, e que já reingressou ao meu serviço: Jr.
Os Comensais da Morte se agitaram, e se entreolhavam por trás das máscaras. Voldemort voltou a andar e foi até o corpo de Cedrico, colocou os pés no rosto dele e o virou em sua direção para que pudesse vê-lo.
– Que pena, um garoto tão bonito. — disse ironicamente com um tom falso de lamento.
– Não toque nele! — Harry gritou.
– Oh Harry... — Voldemort se virou para ele fingindo surpresa. Todos os Comensais se viraram para onde Harry estava. — Quase esqueci que estava aí... — se aproximou de Harry e lhe sussurrou ao ouvido — ...diante dos ossos de meu pai. – disse baixinho, afinal não queria falar isso em voz alta já que poucos sabiam de sua verdadeira origem. Ele se afastou, satisfeito por ver Harry estremecer.
– Engraçado como uma reunião entre amigos nos faz esquecer de coisas surpérfluas, não é? Mas é claro que não estou falando sobre você Harry, afinal você é meu convidado. Meu convidado de honra!Eu faria as apresentações, mas sei que você é tão famoso quanto eu. — falou com uma falsa alegria
– O garoto que sobreviveu! — disse com desprezo — Impressionante como as mentiras alimentaram sua lenda, não é Harry? Devo revelar o que aconteceu naquela noite a treze anos, em Godrics Holows? Devo lhes contar como perdi meus poderes? — perguntou se virando aos seus Comensais, que aparentavam estar ansiosos pela resposta, embora temiam responder a pergunta de seu Lorde.
Olhando para eles, Voldemort disse:
– Sim, devo!
– Foi... o amor. — disse debochado — Quando a adorável Lilian Potter sacrificou-se por seu amado filho, ela criou uma proteção máxima. Eu não pude tocá-lo. – ele balançou a cabeça, confuso, se lembrando daquele dia — Era... Vechi Magic... Magia Antiga. Uma coisa que eu deveria ter previsto.
Um silêncio perturbador recaiu no cemitério. Voldemort ergueu a cabeça, olhou malignamente para Harry e falou:
– Mas agora as coisas mudaram.
Voldemort se aproximou rapidamente de Harry e levantou um dedo longo e esbranquiçado. Harry retesou o corpo.
– Eu...posso...tocá-lo! — sibilou e encostou o dedo na testa de Harry e viu ele se contorcer de dor, gritando como se sua cabeça estivesse a ponto de explodir. E era exatamente isso que ele queria. Voldemort riu de mansinho na orelha do garoto, depois afastou o dedo de Harry respirava com dificuldade.
– Impressionante o quê umas gostas de sangue podem fazer, não é Harry? – Voldemort perguntou ironicamente. Ele viu Harry olhar para ele e tendo uma ideia se afastou.
– Pegue a sua varinha Potter. – com um aceno de sua varinha a foice da estátua se abaixou, libertando Harry que caiu na grama aos pés da lápide onde estava preso.
–Vamos, de pé! De pé! — mandou com raiva apontando a varinha para Harry. Todos os Comensais se afastaram, sabendo o que iria acontecer. Harry correu até sua varinha, a pegou e apontou para Voldemort com ela.
– Acredito que você tenha aprendido a duelar na escola? — perguntou Voldemort suavemente, seus olhos vermelhos brilhando no escuro. — Primeiro fazemos uma reverência – ele se inclinou ligeiramente, mas manteve o rosto de cobra erguido para Harry que continuava na mesma posição aparentando confusão.
– Vamos Harry, Dumbledore não gostaria que você esquecesse das boas maneiras. — disse debochado.
Os Comensais da Morte deram novas gargalhadas. A boca sem lábios de Voldemort riu. Harry não se curvou.
– Eu disse, reverencie-se. — repetiu Voldemort, erguendo a varinha com raiva e dizendo – Imperio!.
A força do feitiço forçou Harry a se curvar como se uma mão enorme e invisível o empurrasse impiedosamente para frente, e os Comensais da Morte riram com mais gosto que nunca.
– Muito bem — disse Voldemort suavemente, e quando ele baixou a varinha a pressão que empurrava Harry se aliviou também. — Agora você me enfrenta, como homem... De costas retas e orgulhoso. Do mesmo modo que seu pai morreu... Agora... Crucius!
O corpo de Harry se sacudia coberto de espasmos, seu rosto com dor e de seus lábios só saiam gritos. Ah como Voldemort adorava esses gritos! Ele tinha certeza que sua Lady adoraria escutá-los também. Ele via seus Comensais rindo com a cena.
Voldemort ergueu a varinha para atacar novamente, mas Harry se atirou para um lado no chão, rolando para trás da lápide de mármore do pai de Voldemort e a ouviu rachar quando o feitiço errou o alvo. O fedelho fugiu?
– Não vire as costas para mim Harry Potter! — gritou com raiva para o fedelho que continuava escondido — Quero olhar em seus olhos quando matar você! Quero ver a luz deixar os seus olhos!
Não demorou alguns instantes e Harry saiu aparentando valentia. “É agora que eu mato esse moleque! E todos os meus problemas vão acabar! Finalmente vou ter meu reino de volta!”
– Como queira. — Harry disse com raiva e apontou a varinha para Voldemort, gritando — Expeliarmus!
– Avada Kedavra! – Voldemort rugiu.
Um jorro de luz verde saiu da varinha de Voldemort na mesma hora em que um jorro de luz vermelha disparou da de Harry — e os dois se encontraram no ar — e de repente, a varinha de Voldemort começou a vibrar como se uma descarga elétrica estivesse entrando por ela, sua mão estava presa à varinha, ele não teria podido soltá-la se quisesse — e um fino feixe de luz agora ligava as duas varinhas, nem vermelha nem verde, mas um dourado intenso e rico -, e Voldemort, acompanhando o feixe com o olhar espantado, viu que os dedos de Harry também agarravam uma varinha que sacudia e vibrava.
As varinhas continuavam ligadas por aquele fio de luz dourada e tremeluzente. Só que em um instante, o fio dourado que ligava Harry e Voldemort se fragmentou: embora as varinhas continuassem ligadas, mil outros fios brotaram e formaram um arco sobre os dois, e foram se entrecruzando a toda volta, até encerrá-los em uma teia dourada como uma redoma, uma gaiola de luz, para além da qual os Comensais da Morte rondavam como chacais, seus gritos estranhamente abafados...
– Não façam nada! — gritou Voldemort para os Comensais da Morte, e arregalou os olhos para o que estava acontecendo. Ele tentou romper a ligação de sua varinha que continuava estranhamente agarrada à varinha de Harry; o garoto apertou a varinha com mais força, com as duas mãos, e o fio dourado continuou inteiro.
– Não se metam... Eu acabo com ele! — gritou Voldemort para os Comensais da Morte.
Então um som belo e sobrenatural encheu o ar... Vinha de cada fio de luz da teia que vibrava em torno de Harry e Voldemort.
Sua varinha começou a vibrar mais violentamente do que antes... E agora o fio de luz entre ele e Harry mudou também... Era como se grandes contas de luz estivessem deslizando para frente e para trás no fio que ligava as varinhas — Voldemort sentiu a sua estremecer com força, quando as contas de luz começaram a deslizar lenta e continuamente em sua direção... Agora o movimento do feixe de luz ia dele para Harry, e ele sentiu a varinha vibrar de indignação...
Quando a conta de luz mais à frente se aproximou da ponta da varinha de Harry, a madeira em seus dedos esquentou de tal forma que ele receou que ela fosse romper em chamas. Uma das contas de luz estremecia a centímetros da ponta da varinha de Voldemort. Ele não entendia o que estava fazendo aquilo, e não sabia o que aconteceria.
Na mesma hora, a varinha de Voldemort começou a emitir gritos ressonantes de dor... Depois... Os olhos vermelhos do bruxo se arregalaram de choque. Uma mão, densa e fumegante voou da ponta da varinha e desapareceu... O fantasma da mão que ele fizera para Rabicho... Mais gritos de dor... E então algo muito maior começou a brotar da ponta da varinha de Voldemort, algo imenso e acinzentado, algo que parecia ser feito da mais sólida e densa fumaça... Era uma cabeça, depois um peito e os braços... O tronco de Cedrico Diggory.
Mas o que era aquilo? Ele não tinha mandado Rabicho matar o garoto? E ele tinha caído morto. Como ele estava ali? Seria um fantasma? Mas o corpo estava muito sólido. O que estava acontecendo ali?
Viu o fantasma falar alguma coisa para Potter que pareceu entender. Seja lá o que estivesse acontecendo não era nada bom. E Voldemort precisava deter aquilo! Só que por mais que tentasse não conseguia soltar a varinha. Ouvia seus Comensais expressarem alguns sons de medo. Bando de medrosos!
Novos gritos de dor vinham de sua varinha... Então mais uma coisa surgiu em sua ponta... A sombra densa de uma segunda cabeça, rapidamente seguida de braços e tronco... Um velho que Voldemort tinha matado a alguns meses atrás tentava agora sair da ponta da varinha do mesmo modo que Cedrico o fizera... E seu fantasma, ou sua sombra, ou o que fosse, caiu ao lado do de Cedrico, examinou Harry e Voldemort, a teia dourada e as varinhas que se tocavam, levemente surpreso, apoiando-se em uma bengala...
– Então ele era um bruxo de verdade? — perguntou o velho, com os olhos em Voldemort. — Me matou, esse aí... Enfrenta ele, moleque!
Esse aí? Quem esse velho pensava que era? Adoraria poder matá-lo de novo! Mas antes que pudesse expressar alguma coisa, outra cabeça vinha surgindo... E esta, grisalha como uma estátua de fumaça, era de uma mulher... Voldemort sabia quem era, e infelizmente também sabia que o que fosse que estivesse acontecendo estava atraindo as últimas pessoas que ele tinha matado. E ela... Ela com certeza, assim como o outro, não poderiam ficar de fora.
A sombra esfumaçada de uma mulher jovem de cabelos longos caiu no chão, se endireitou e olhou para o garoto... Era ela... Lillian Potter! O garoto parecia prestes a desmaiar pelo choque de vê-la. Ela pareceu dizer alguma coisa a ele, mas Voldemort não conseguia ouvir.
E o outro veio também... Primeiro a cabeça, depois o corpo... Alto, os cabelos rebeldes como os do garoto, a sombra esfumaçada de Tiago Potter brotou da ponta da varinha de Voldemort, caiu ao chão e se levantou como havia feito sua mulher. Ele se aproximou de Harry e também disse algo. Seja o que fosse o garoto pareceu entender porque confirmou com a cabeça. Droga, algo ia acontecer... Ele precisava deter essa merda!
De repente, como se não estivesse parado, o garoto puxou a varinha e rompeu a ligação. Antes que ele pudesse fazer alguma coisa, todos os quatro fantasmas vieram para cima dele. Voldemort fechou os olhos por causa da luz que eles emanavam e sentiu eles atravessarem seu corpo. Estavam tentando impedi-lo. Com raiva, Voldemort balançou os braços os afastando para que pudesse ver onde estava o Potter. Viu o menino correr em direção ao corpo de Cedrico. Só que a Taça estava longe e ele não ia conseguir alcançá-la. Ele iria matar o garoto antes!
Correu para tentar acertá-lo antes que o fedelho pegasse a Taça, mas o garoto, pela primeira vez, pareceu usar o cérebro:
– Accio! — Harry gritou, apontando a varinha em direção a Taça que voou em sua direção. Ele a agarrou e tanto ele como Cedrico, começaram a desaparecer.
– NÃOOO!!! – Voldemort gritou em fúria por aquilo que estava acontecendo. Ele tentou chegar a tempo, mas quando se aproximou, Harry, Cedrico e a Taça tinham desaparecido.
Potter tinha escapado novamente.
oOoOoOoOoOoOoOo
Severo não acreditava que o garoto estava vivo. Estava chocado com isso. O Lorde não tinha conseguido matá-lo? O garoto chorava agarrado ao corpo do Diggory e falava em alto e bom som que o Lorde tinha voltado.
Eram gritos de desespero para tudo quando era lado, "Ele está morto!" "Ele está morto!" "Cedrico Diggory! Morto!". Todo o lugar era um caos. Severo procurou sua Lady e viu ela tentando atravessar a multidão para chegar a alguém e quando viu quem era soube que os eventos futuros iam dar em merda. Jr. estava afastando Harry da multidão e levando ele embora.
– Severo, faça alguma coisa!– ordenou sua Lady em seus pensamentos.
– Milady? – ele respondeu para saber se tinha entendido direito.
– O Jr! Ele arrastou o Potter para longe. Tenho certeza que ele vai fazer alguma besteira!
– Milady, não consegue entrar em contato com ele?
– Não! Agora que o Voldemort voltou a ligação minha com vocês pela Marca está muito mais fraca e vai ficar assim até que ele se recupere totalmente. O Jr estava obstinado, com alguma ideia fixa na cabeça, quando levou o Harry e inconscientemente está me recusando e não me deixando entrar com o meu feitiço do nome. Isso não ajuda a ligação que já está fraca.
– O que acha que ele vai fazer Milady?– perguntou Severo preocupado.
– Não sei, mas não vai ser nada bom.
– Severo. — chamou Dumbledore se aproximando dele — Você viu o Harry?
– Não professor, ele não estava com o senhor? – Snape tentou prolongar o inevitável.
– Ele estava, mas de repente desapareceu. – o velho professor falou parecendo apreensivo como Severo nunca tinha visto.
– Eu vi professor. — disse Minerva se aproximando deles, bastante pálida. — Alastor o levou.
– Alastor o levou? — perguntou o velho alarmado — Como assim?
– Acredito que para a Ala Hospitalar professor. O Potter estava bem machucado. – Severo tentou indicar um lugar totalmente diferente de onde Jr. realmente devia ter levado o garoto.
– Não, Alastor não faria isso. – Dumbledore balançou a cabeça em negação. — Com uma situação assim Alastor nunca afastaria Harry de mim.
– O que você quer dizer, Alvo? — Mineva perguntou parecendo confusa.
– Aquele homem não é Alastor Moddy!
“Droga! Aquele imbecil do Jr., o que ele está pensando? Quer colocar tudo a perder?”, pensou Snape desesperado.
– Como assim Dumbledore? – ele perguntou para ganhar tempo, apesar de já saber a resposta.
– Ele não é o Alastor! — repetiu o velho, como se uma lâmpada tivesse se acendido em sua cabeça.
– Severo, Minerva, venham comigo. Severo vá até a sua sala de poções e pegue a Veritaserum. Vamos! Rápido!
Dumbledore saiu apressado para alguém da idade dele. “Droga, olha só o que aquele imbecil fez!”, Severo correu em direção a uma das passagens secretas de Hogwarts que dava perto de sua sala de poções, e encurtava muito mais o caminho do que se fosse pelos corredores. E agora, o que ele ia fazer? Com a poção da verdade Jr. iria entregar todos os planos deles se a tomasse. Toda a verdade por trás de sua Lady.
– Milady, o que eu faço?– forçou sua mente para entrar em contato com ela.
– O que está acontecendo Severo?– perguntou a Lady — Vi você saindo apressado seguindo Dumbledore. Descobriu onde Jr. levou o Harry?
– Sim Milady, mas o pior foi que Dumbledore descobriu que este Alastor não é o verdadeiro. — falou saindo da passagem e seguindo reto até sua sala — E ele pediu que eu buscasse a poção Veritaserum.
– Mas que droga! Eu sabia que se ele fosse arrastar o Harry para longe ia dar merda. O verdadeiro Alastor nunca faria isso!
– Então o que eu faço?– perguntou desesperado abrindo a porta de sua sala — Não posso levar a poção da verdade para que Dumbledore dê ao Jr., se não ele vai revelar tudo.
– Óbvio que não. Você está com a poção que te dei?
– Estou sim. – Severo falou pegando uma caixa da prateleira e a abrindo.
– Criei essa poção para alguma eventualidade desse tipo, para quando algum Comensal fosse pego. Misture essa poção com uma gota da Veritaserum. Quando Dumbledore pedir para você dar a poção da verdade ao Jr. você dá essa.
– O que ela faz Milady?– perguntou Snape fazendo o que sua Lady tinha pedido, embora não estivesse entendendo nada.
– Ela se chama Oblivion. Ela modifica certas memórias da pessoa e a nova memória será a realidade que ela irá acreditar, como acontece com o feitiço Obliviate. Só que a poção Oblivion é bem mais eficiente, porque ela não deixará um espaço vago na mente da pessoa que a tomar, como o Obliviate faz, mas sim substitui esse buraco por uma outra memória.
“Se a pessoa for obrigada a tomar a poção Veritaserum ou ter sua memória tirada para interrogatório, ela vai dizer aquilo que a memória modificada mostra como real. Misturando a minha poção com essa gota do Veritaserum que você colocou vai fazer com que Jr. diga a verdade por efeito da poção, mas por causa da minha dirá as coisas que a memória dele acredita serem verdade. Essa mudança tirará qualquer vestígio das coisas que ele fez por ordem minha ou qualquer atuação sua”.
– Isso é reversível?– perguntou Snape curioso, fechando a porta e correndo em direção a sala de Jr.
– É sim, existe uma palavra, como uma palavra chave, que irá trazer as memórias reais de volta e só eu conheço essa palavra. Qualquer pessoa pode dizê-la, mas para isso funcionar eu preciso contar qual é a palavra. Dê a ele. Não falhe! Se algo der errado, estaremos perdidos. – a menina falou apreensiva.
Severo sentiu ela se afastando e a conexão caindo. Ele virou a esquina e encontrou Minerva e Dumbledore que vinham do corredor a esquerda dele. Como tinham ido pelo caminho normal chegaram junto com ele.
– Severo, está com a poção? — Dumbledore perguntou.
– Estou sim. – ele levantou a mão com a poção de sua Lady modificada.
– Então, vamos rápido! — falou o velho, já saindo correndo novamente.
Severo e Minerva o seguiam. Assim que chegaram a porta da sala de Moody ouviram a voz dele falando com o que parecia ser o Potter. Dumbledore colocou a mão na porta.
– Imagine só como ele irá me recompensar quando eu silenciar para sempre o grande Harry Potter! – eles escutaram Jr. falar totalmente transtornado. E essa parece que foi a deixa para tudo explodir.
Dumbledore empurrou a porta e Severo fechou os olhos.
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