O Tempo Mudará
23 Capítulo 23 - “O Cálice de Fogo” – Parte 2
Notas iniciais
Pras que leram o capitulo anterior e não deixaram reviews estão me decepcionando isso tira a motivação de continuar escrevendo
Hermione xingou em silêncio, ela não podia perder Harry de vista. Ela, Harry e Rony saíram correndo no meio da multidão, mas por um azar do destino, acabaram se separando... Ela tinha gritado o nome do Harry enquanto eram levados pela multidão. Quem visse pensaria que ela gritava de desespero, mas na verdade era um grito de raiva. Porque Harry não podia se afastar e acabar morto por um Comensal... Ele não podia morrer... Pelo menos não agora. Chamando Rony para ir mais rápido, Hermione e ele correram e se esconderam entre algumas pedras e árvores, torcendo para que o senhor Weasley os encontrasse.
O tempo demorou uma eternidade para passar. Hermione estava preocupada com o plano. Ficou feliz quando sentiu a aproximação dos Comensais, mas agora eles dependiam da ajuda de Jr. Não me desaponte Jr, Hermione pensou ferozmente.
–O que vamos fazer, Mione? Cadê o Harry? – Rony estava desesperado.
–Acalme-se. Vamos achá-lo. Mas temos que esperar a poeira baixar. As pessoas ainda estão correndo e se atropelando.
–Vão acabar é atropelando o Harry – Rony disse quase chorando.
Hermione se conteve para não jogar uma maldição nele. Que moleque mais medroso!
Após um bom tempo, Hermione e Rony saíram do seu esconderijo entre as pedras. Olhando em volta, a menina viu a boca de Rony se abrir com horror. Tudo em volta estava completamente destruído. As cabanas estavam queimadas, a terra revirada e vários corpos estavam jogados no chão.
Hermione rastreou o local, torcendo para que nenhum Comensal tivesse sido pego, mas ela não sentiu o perigo chegar para nenhum deles. Escondendo o rosto, ela sorriu. O ataque havia saído melhor do que a encomenda. Ela teve que se conter para não dar um pulo no ar.
Andando com Rony, eles procuraram o Harry.
–HARRY! – Rony gritava para todos os lados.
–R...Rony?
Escutando uma voz fraca, Rony e Hermione correram naquela direção e encontraram Harry se levantando do chão.
–O que houve? – Hermione perguntou – Você acabou sendo levando pra longe de nós. Ficamos te procurando, mas tinha muita gente Harry.
–Eu sei. Acabei esbarrando em alguém e caindo. Sinto muito.
–Está tudo bem amigo. Pelo menos te achamos – Rony disse feliz.
De repente, eles escutaram um grito a distância.
–O que foi isso? – Rony perguntou sobressaltado.
Vários outros gritos se juntaram ao primeiro. Se entreolhando, os três amigos saíram correndo na direção do som. Várias pessoas caídas no chão começaram a apontar para cima e praguejar maldições.
Outras jogavam terra sobre a cabeça, tentando se esconder na terra.
–Mas o que diab... – Harry parou de falar no meio da frase quando olhou para o céu.
Rony estava estupefato fazendo a mesma coisa. Os dois amigos não viram o sorriso brilhante que apareceu no rosto de Hermione quando ela olhou para o céu negro da noite. Era um sorriso de triunfo. Uma grande caveira negra estava flutuando nos céus. Era um crânio colossal composto de estrelas de esmeralda, e que tinha uma cobra saindo de sua boca como uma língua gigante.
–Ai! – Harry passou a mão na cabeça, com uma cara de dor – Mas o que é isso?
–Estupore! – Gritaram várias vozes ao mesmo tempo. Feitiços surgiram por todos os lados em direção a eles. Hermione, Harry e Rony se abaixaram para se proteger.
–Parem é o meu filho! – gritou o Sr. Wealey correndo na direção deles. – Parem!
–Quem conjurou isso? – falou um homem alto, apontando a varinha e vindo na direção dos meninos com um olhar acusatório, acompanhado por vários homens que pela roupa podia-se perceber serem do Ministério. Eles olhavam para cima, horrorizados.
–Crouch – O senhor Weasley disse – Não pode estar pensando que...
–Me diga quem fez! E não negue, eles estão na cena do crime – o homem continuo acusando, apontando a varinha para eles.
–Crouch são criancas... – o senhor Weasley tentou defendê-los de novo. Crouch nem ligou e usou a varinha pra afastar o cabelo do Harry pra ver a sua cicatriz.
Então ele era o famoso Bartho Crouch! Hermione pensou, vendo que Jr não se parecia com ele. Ficou preocupada ao pensar em Jr, esperava que ele já tivesse ido embora.
–Crime? – Harry perguntou confuso se afastando de Crouch – Que crime?
Todos olharam pra cima, como se isso respondesse a pergunta dele. Harry colocou a mão na cicatriz novamente. Qual o problema desse garoto? Hermione se perguntou irritada, olhando pra cara de dor do Harry.
–É a Marca Negra – a voz de Bartho Crouch disse.
–Marca Negra? – Harry continuava confuso.
–É a marca negra Harry – Hermione respondeu – A marca dele! – Sua voz demonstrava medo, mas por dentro estava se regozijando. Ver finalmente a marca do Tom no céu era um sonho pra ela! Logo, logo a marca estaria no céu constantemente e com ela a morte e a dor.
–A marca que Você-Sabe-Quem deixava nos lugares em que ele passava causando destruição. – o Sr.Wealey explicou sombrio.
Harry ficou branco. Ele olhou com desespero para Hermione.
–Aquelas pessoas encapuzadas – falou Harry tremendo – Estão com ele? São servos dele?
–Comensais da morte – respondeu o Sr. Weasley sombriamente.
–Quem será que fez isso? – ele perguntou tremendo.
–É o que nós iremos descobrir – Crouch garantiu, olhando para o céu.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOo
Hermione deixou seus “amigos” na Toca e disse que precisava voltar para casa, pois seus pais estavam voltando de uma viagem e ela queria ficar um pouco com eles. Só faltavam dois dias para as aulas começarem. Na verdade, Hermione odiava chamar aqueles Trouxas idiotas de “pais”, mas fazer o quê, não é?... Nem tudo é perfeito.
Chegando na casa Trouxa, Hermione cumprimentou os pais e rapidamente os colocou sob efeito da Maldição Imperius. Controlando a mente e o corpo deles, mandou que os dois ficassem em casa e não notassem sua presença. Feito isso, saiu rapidamente e, usando a rede de flu, foi parar na casa do Tom.
Chegando lá, encontrou Kalil a sua espera. Olhando para a serva, disse:
–Kalil, vejo que me esperou conforme o combinado.
–Senhora, é meu dever.
–Sim. É mesmo – Hermione disse, passando por ela sem nenhuma falsa modéstia. – Como está Tom?
–Está do mesmo estado Milady.
–Ok. Não preciso mais dos seus serviços por hoje. Estarei no quarto do Tom.
Subindo a escada em espiral da casa dos Riddle, Hermione se dirigiu para o quarto em que sabia que Tom estaria. Entrando no aposento, ela sorriu quando o viu.
–Tom!
–Minha Lady... – a voz de Tom ficou menos fria – Vejo que está contente.
–Claro que estou! – Hermione disse se aproximando e se ajoelhando ao chão da poltrona em que Tom estava – Primeiro, estou ao seu lado nesse momento. E segundo, o nosso plano deu certo!
Hermione estava com um sorriso gigante. Nada no mundo iria diminuir seu bom humor.
–Sim. Parece que finalmente os nossos servos resolveram utilizar 2% do cérebro que eles “não tem” de forma correta.
–Há, há, há. – Hermione riu – Pelo menos dessa vez, eles não foram inúteis.
–Mas, mesmo assim, ainda tenho minhas restrições – Tom disse de forma pensativa – Jr terá que ter sucesso em Hogwats. Dependemos do sucesso dele.
–Eu sei. Quanto a isso Tom, não se preocupe. Eu dei poção polissuco suficiente para ele. Claro que, futuramente ele deverá fazer mais, mas, por enquanto, estamos bem servidos. Rabicho deverá ficar aqui juntamente com Kalil. Eu já orientei os dois a cuidar de você enquanto o nosso plano não termina. Jr ficará em Hogwarts e já disse a ele tudo o que ele deverá fazer. Se algo sair dos trilhos, estarei atenta na Escola para cuidar de tudo.
–Espero que Jr não atrapalhe tudo. É bom mesmo que ele faça conforme o ordenado – a voz de Tom ficou consideravelmente fria – Ou ele sentirá a minha ira.
–E a minha também – Hermione completou.
–Mas, mudando de assunto, me diga como foi o ataque dos meus Comensais?
–Ah, Tom! Eles foram incríveis. Fiquei achando que talvez alguns não comparecessem, mas a carta que mandei deve ter deixado todos assustados de medo.
–E é para eles terem medo mesmo – Tom disse satisfeito. – E a Marca Negra?
–Essa foi a melhor parte – Hermione disse se levantando e passando a andar pelo quarto – Tom, você devia ter visto a cara das pessoas! Os bruxos do Ministério quase surtaram. Principalmente... Bartho Crouch.
–Ele é um infeliz maldito. Mas a hora dele vai chegar. A justiça de Voldemort nunca falha! – Tom disse resoluto.
–Bem Tom, faltam apenas dois dias agora para as aulas começarem. Eu tenho que voltar para a casa dos meus “pais” e... Resolver alguma coisa com o idiota ruivo e o franzino cego – Hermione disse se referindo ao Rony e Harry.
–Eu sei. Espero que tudo dê certo. Estarei no final do Torneio juntamente com Rabicho. Ele desempenhará um papel importante também.
–Será? Tenho minhas dúvidas – Hermione disse com nojo – Não sei se ele sairá correndo na hora determinada.
–Ele não sairá! – Tom disse, fazendo os olhos da criatura humana ficarem vermelho-sangue – Ou eu mesmo despedaçarei cada parte do corpo dele!
Hermione sentiu a fúria de Tom. Se Rabicho não tivesse coragem o suficiente para fazer o combinado... Ai, ai, ai. Hermione não queria estar por perto para ver. Porque a vingança de Tom causaria repulsa até nela mesma.
–Tom você está se sentindo bem? – Hermione perguntou preocupada — Ou quer voltar para o meu corpo?
–Não eu estou bem. O sangue da Nagini está fazendo efeito, eu conseguirei aguentar até a hora determinada.
–Se você precisar de mim a qualquer hora... – disse ela se abaixando e passando a mão no rosto dele — Sabe onde me encontrar.
–Sempre.
Ela sorriu pra ele ,era difícil se separar dele,afinal por tanto tempo ,nunca tinham ficado separados por um largo período, e esse seria de um ano.Claro que ela o veria nas férias mas era bem diferente tê-lo dentro dela como foi por quase 14 anos.
Mas ela precisava fazer isso.Era por ele.Por eles.
Suspirando, procurou se recompor e mostrar sua feição fria novamente
–Kalil!!! – Hermione chamou.
–Sim, minha senhora – a serva fez uma mesura para ela e para Tom.
–Estou saindo agora. Quero que continue cuidando de Tom. Com o máximo de cuidado... Ouviu?
–Sim senhora. – a serva respondeu baixinho – Devo alimentá-lo através de Nagini. A senhora me explicou anteriormente.
–Exatamente! Se tudo der certo esse ano, não precisaremos mais disso.
A serva olhou para Hermione sem entender, mas é claro que a menina não iria explicar para ela. Se abaixando novamente na poltrona de Tom, Hermione se despediu.
–Até mais, meu senhor. Estarei sempre em contato.
–Boa sorte pequena Lady– Tom disse serenamente – E faça-me orgulhoso.
OoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoOoO
Hermione estava dividindo uma cabine com Harry e Rony como sempre. A conversa estava voltada para a Final de Quadribol que todos tinham visto, até que Harry mudou o assunto completamente.
–Sabem, naquele dia que acordei na Toca assustado?
–No dia da Final do Jogo? – Rony disse com um sorriso.
Hermione revirou os olhos. A anta ruiva só sabia falar disso.
–Sim. – Harry continuou – Então, eu tive um pesadelo com Voldemort.
Hermione ficou completamente alerta. Um pesadelo com Tom?
–Como foi esse sonho Harry?
–Sonho nada Mione – Rony disse pálido – É pesadelo mesmo!
–Bem... Eu não estava com meu corpo... Parecia como se eu estivesse flutuando em outra realidade. Eu vi o Voldemort conversando com o Rabicho em uma sala escura. O que é totalmente estranho, porque ele não tem um corpo.
Hermione prestava atenção em casa palavra que Harry dizia. Seus instintos afloraram e ela teve um mau pressentimento.
–Então, ele falou alguma coisa sobre conseguir me ter, mas eu não consegui entender para quê, especificamente. Ele disse algo sobre um servo em Hogwarts ajudá-lo...
Hermione quase deu um pulo da cadeira. Por Merlin, será que esse idiota descobriu o nosso plano? Mas como Tom não percebeu isso? Harry estava espionando dentro de sua cabeça... Pela descrição que esse moleque está fazendo da sala escura, essa é a única explicação plausível. Mas se Harry consegue ver dentro da cabeça de Tom... O que faremos agora? Preciso falar com Tom imediatamente! Mas que droga!
–Eu não consegui entender o sonho todo – Harry terminou por fim – Mas de uma coisa eu tenho certeza: tem um servo em Hogwarts que vai ajudar Voldemort. E ele quer alguma coisa comigo.
–Tem certeza que não foi uma alucinação? – Rony tentou.
–Claro que não! – Hermione disse impaciente – Nenhuma alucinação pode ser tão real como o sonho que Harry descreveu.
–Pesadelo Mione... Pesadelo! – Rony frizou.
Hermione por pouco não sentou um livro na cabeça dele.
–Olha Harry – a menina disse – Quando chegarmos em Hogwarts, você deve falar com o Velh... quer dizer, com o Professor Dumbledore. Ele é o único que vai ser capaz de te ajudar.
–Não Mione, tenho medo de não ser nada e acabar preocupando o Professor à toa.
–Não esquenta Harry – Rony disse – O Professor Dumbledore entende as coisas muito melhor que qualquer bruxo. É só trazer um problema que ele pesquisa e resolve.
Pesquisa... Hermione pensou... Esse é o meu maior medo. Se o Velho entender ao pé da letra o sonho do Potter, então ele associará que tem algum seguidor de Voldemort dentro de Hogwarts. Eu não posso deixar que ele perceba! Trabalhamos muito duro para chegar até aqui... As coisas não podem dar errado exatamente AGORA!! Mas que droga! Como é que esse moleque franzino imbecil conseguiu visualizar dentro da mente de Tom?... Eu sei que ele tem a droga da cicatriz, mas...
Hermione de repente estancou na cabine que ocupavam. Se os dois meninos e ela não estivessem sentados, eles teriam estranhado a atitude da garota. Mas os idiotas estavam tão preocupados com banalidades que não repararam.
Espere aí... Espere aí! O Harry tem a cicatriz... E ela foi feita depois que Tom o atacou naquela noite, a mais de 13 anos. Será que... Será que essa cicatriz tem alguma ligação com a mente do Tom? Por Merlin! Como não pensei nessa possibilidade? Droga, agora tenho que chegar a Hogwarts rapidamente e conversar com Severo. Preciso que ele avise Tom. E tenho que falar com Jr também. Ah, mas que coisa! Justo essa agora. As coisas podem realmente piorar?
–O trem já está quase parando... Vamos pegar nossas coisas. – Harry disse levantando.
–Já? – Hermione estranhou. Será que gastei tanto tempo assim pensando?
–Vamos logo! – Rony disse entusiasmado – Esse ano promete ser muito bom!
Hermione sorriu com esse comentário.
Ah Rony... você não faz nem ideia!
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Hermione estava preocupada . Ela estava olhando para a grande mesa retangular que abrigava os professores de Hogwarts. Crouch estava lá sentado com os professores, mas Jr não se encontrava entre eles. Apreensão invadiu seu corpo. Espero que a poção polissuco tenha dado certo. Ela não sabia que Crouch estaria aqui hoje. Esperava que Jr não colocasse as coisas a perder logo de cara, pois se fizesse isso, o mataria.
Dentro da Escola, as coisas estavam em polvorosa. Chovia muito do lado de fora. Vários alunos novos do primeiro ano olhavam embasbacados para todos os cantos. Rony e Harry só pensavam em comer, é claro.
Hermione reparou que Harry olhava muito para o lado da mesa dos professores em que se encontrava o professor Snape que estava conversando com Minerva. Hermione não pode deixar de sorrir. Parece que o idiota do Potter acha que o servo de Voldemort infiltrado em Hogwarts, é Snape. Mas como ele era burro! Quer dizer, não tanto, já que Severo realmente era um servo de Tom. Mas não do jeito que o menino estava pensando. Bom, pelo menos essa é uma preocupação a menos. Eu não precisarei inventar uma história diferente para convencer Harry sobre o “suposto” servo de Tom.
Depois que todos estavam quase acabando de comer, Dumbledore se levantou e foi para o púlpito. Hermione revirou os olhos... Lá vem aí mais um discurso de um novo ano e blá, blá, blá.
A chuva ainda batucava com força nas janelas altas e escuras. Mais uma trovoada sacudiu as vidraças e o céu tempestuoso relampejou, iluminando os pratos de ouro quando os restos do primeiro prato desapareceram e foram substituídos instantaneamente por sobremesas.
–Torta de caramelo, Mione! — exclamou Rony, abanando intencionalmente o cheiro da sobremesa para os lados da amiga. — Pudim de groselhas, olha! Bolo de chocolate recheado!
Mas Hermione lhe lançou um olhar tão parecido com o que a Professora Minerva costumava dar que o garoto desistiu.
–Então! – exclamou Dumbledore, sorrindo para todos. — Agora que já comemos e molhamos também a garganta, preciso mais uma vez pedir sua atenção, para alguns avisos. Como sempre, eu gostaria de lembrar a todos que a floresta que faz parte da nossa propriedade é proibida a todos os alunos. E o povoado de Hogsmeade é proibido àqueles que ainda não chegaram à terceira série. Tenho ainda o doloroso dever de informar que este ano não realizaremos a Copa de Quadribol entre as casas.
–Quê?! — exclamou Harry. Ele olhou para Fred e Jorge, seus companheiros no time de Quadribol. Eles xingaram Dumbledore em silêncio, aparentemente espantados demais para falar. Hermione era a única que não demonstrava surpresa.
Dumbledore continuou:
–Isto se deve a um evento que começará em outubro e irá prosseguir durante todo o ano letivo, mobilizando muita energia e muito tempo dos professores, mas eu tenho certeza de que vocês irão apreciá-lo imensamente. Tenho o grande prazer de anunciar que este ano em Hogwarts...
Mas neste momento, ouviu-se uma trovoada ensurdecedora e as portas do Salão Principal se escancararam. Finalmente! Hermione pensou. Um meio sorriso curvou seus lábios. Aí está Jr, disfarçado de Olho-Tonto Moody!
Apareceu um homem parado à porta, apoiado em um longo cajado e coberto por uma capa de viagem preta. Todas as cabeças no Salão Principal se viraram para o estranho. Ele baixou o capuz, sacudiu uma longa juba de cabelos grisalhos ainda escuros e começou a caminhar em direção à mesa dos professores.
Um ruído metálico e abafado ecoava pelo salão a cada passo que ele dava. Quando alcançou a ponta da mesa, virou à direita e mancou pesadamente até Dumbledore. Hermione prendeu a respiração. Um relâmpago cruzou o céu.
O relâmpago revelou nitidamente as feições do homem e seu rosto era diferente de qualquer outro que alguém já vira. Parecia ter sido talhado em madeira exposta ao tempo, por alguém que tinha uma vaguíssima ideia do aspecto que um rosto humano deveria ter, e não fora muito habilidoso com o formão. Cada centímetro da pele do estranho parecia ter cicatrizes. A boca lembrava um rasgo diagonal e faltava um bom pedaço do nariz. Mas eram os seus olhos que o tornavam assustador.
Um deles era miúdo, escuro e penetrante. O outro era grande, redondo como uma moeda e azul-elétrico vivo. O olho azul se movia continuamente sem piscar, e revirava para cima, para baixo, e de um lado para o outro, independentemente do olho normal – depois virava de trás para diante, apontando para o interior da cabeça do homem, de modo que só o que as pessoas viam era o branco da córnea.
O estranho chegou-se a Dumbledore. Estendeu a mão direita, que era tão cheia de cicatrizes quanto o rosto, e o diretor a apertou. Com alguma dificuldade, Hermione conseguiu ouvir o que falavam:
–Esse teto idiota – Moody falou apontando para o teto. Dumbledore deu uma risada. Isso ai Jr! Hermione pensou satisfeita. Haja como se nada estivesse mudado. Você é Alastor Moody!
A conversa continuou, mas Hermione não conseguiu escutar mais. Dumbledore parecia estar fazendo perguntas ao Jr, que abanava negativamente a cabeça, sem sorrir, e respondia em voz baixa. Dumbledore assentiu com a cabeça e indicou a ele o lugar vazio à sua direita. O estranho se sentou, sacudiu a juba grisalha para afastá-la do rosto, puxou um prato de salsichas para si, levou-o ao que restara do nariz e cheirou-o.
Tirou então uma faquinha do bolso, espetou a salsicha e começou a comer. Seu olho normal fixava as salsichas, mas o olho azul continuava a dar voltas na órbita registrando o salão e os estudantes.
–Gostaria de apresentar o nosso novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas – disse Dumbledore, animado, em meio ao silêncio. – Prof. Moody.
Era normal os novos membros do corpo docente, serem recebidos com aplausos, mas nem os colegas nem os estudantes bateram palmas, exceto Dumbledore e Hagrid. Os dois juntaram as mãos e bateram palmas, mas o som ecoou tristemente no silêncio e eles bem depressa pararam. Todos pareciam demasiado hipnotizados pela aparência grotesca de Moody para ter qualquer reação exceto encarar o homem.
–Moody? — murmurou Rony para Harry. – Olho-Tonto Moody?
–O auror? — disse Harry baixo, em tom de assombro.
–Auror? – Hermione perguntou fingindo que não sabia, mas ela sabia muito bem,seres que eram pedra no sapato de qualquer bruxo das trevas
–Caçadores de bruxos das trevas – Rony respondeu – Askaban está quase cheia graças a ele. Dizem que está totalmente doido hoje em dia.
–Que aconteceu com ele? – cochichou Hermione, interpretando o seu papel perfeitamente. – Que aconteceu com a cara dele?
–Não sei — cochichou Rony em resposta, mirando Moody, fascinado.
Moody parecia totalmente indiferente à recepção quase fria que tivera. Ignorando a jarra de suco de abóbora à sua frente, ele tornou a enfiar a mão no interior da capa, puxou um frasco de bolso e bebeu um longo gole. Quando levantou o braço para beber, sua capa se elevou alguns centímetros do chão e Harry viu, por baixo da mesa, um bom pedaço de uma perna de pau, que terminava em um pé com garras.
– O que ele está bebendo? – Dimas perguntou.
–Não sei – Harry comentou olhando pro Jr – Mas suco de abóbora não deve ser.
Dumbledore pigarreou outra vez:
–Como eu ia dizendo – recomeçou ele, sorrindo para o mar de alunos à sua frente, todos ainda mirando Olho-Tonto Moody, paralisados – Teremos a honra de sediar um evento muito excitante nos próximos meses, um evento que não é realizado há um século. Tenho o enorme prazer de informar que, este ano, realizaremos um Torneio Tribruxo em Hogwarts.
–O senhor está BRINCANDO! – exclamou em voz alta Fred Weasley.
A tensão que invadira o salão desde a chegada de Moody repentinamente se desfez. Quase todos riram e Dumbledore deu risadinhas de prazer.
–Não estou brincando, Sr. Weasley – disse ele – Embora, agora que o senhor menciona, ouvi uma excelente piada durante o verão sobre um trasgo, uma bruxa má e um lobisomem que entram num bar...
A Professora Minerva pigarreou alto.
–Hum... Mas talvez não seja hora... Não... Onde é mesmo que eu estava? Ah, sim, no Torneio Tribruxo... O Torneio Tribruxo foi criado há uns setecentos anos, como uma competição amistosa entre as três maiores escolas europeias de bruxaria – Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang. Um campeão foi eleito para representar cada escola e os três campeões competiram em três tarefas mágicas. As escolas se revezaram para sediar o torneio a cada cinco anos, e todos concordaram que era uma excelente maneira de estabelecer laços entre os jovens bruxos e bruxas de diferentes nacionalidades – até que a taxa de mortalidade se tornou tão alta que o torneio foi interrompido.
–Durante séculos houve várias tentativas de reiniciar o torneio – continuou Dumbledore – Nenhuma das quais foi bem-sucedida. No entanto, os nossos Departamentos de Cooperação Internacional em Magia e de Jogos e Esportes Mágicos decidiram que já era hora de fazer uma nova tentativa. Trabalhamos muito durante o verão para garantir que, desta vez, nenhum campeão seja exposto a um perigo mortal. Sendo assim, os diretores de Beauxbatons e Durmstrang chegarão com a lista final dos competidores de suas escolas em outubro e a seleção dos três campeões será realizada no Dia das Bruxas. Um julgamento imparcial decidirá que alunos terão mérito para disputar a Taça Tribruxo, a glória de sua escola e o prêmio individual de mil galeões!
O salão quase explodiu com essas últimas palavras. Mas Hermione prestava atenção apenas em Moody. Teve um momento em que ele olhou para ela. Jr percebeu que ela estava olhando pra ele e indicou com os olhos o pai dele sentado a algumas cadeiras de distância. Ele voltou a olhar para ela, e ela viu que seus olhos estavam suplicantes. Ele queria matar o pai e pedia a permissão dela pra isso. Mas, infelizmente, aquele ainda não era o momento. Hermione meneou a cabeça levemente negando. Jr deve ter entendido, pois abaixou a cabeça e voltou a concentrar sua atenção nas salsichas em seu prato.
Severo também olhou para ela quando Moody entrou. Hermione olhou incisivamente para ele e indicou com os olhos Jr e o Crouch. Silenciosamente, pediu para ele ficar de olho nos dois e evitar que Jr fizesse alguma besteira. Severo pareceu ter entendido, pois balançou a cabeça rapidamente. Hermione sorriu internamente, pois significava que Jr estava desempenhando o seu papel como Moody muito bem, e que enquanto não se descontrolasse e matasse o pai durante a noite ele estaria convencendo a todos.
Dumbledore ainda continuou:
–Ansiosos como eu sei que estarão para ganhar a Taça para Hogwarts – disse ele – Os diretores das escolas participantes, bem como o Ministério da Magia, concordaram em impor este ano uma restrição à idade dos contendores. Por isso vou passar a palavra ao organizador do Torneio, Bartho Crouch.
Todos olharam para o homem que naquele momento estava se elevando para passar o recado. Ele parou na frente do tablado que Dumbledore usava e começou a falar:
–Pensando no melhor e na segurança dos competidores o Ministério da Magia decidiu que somente os alunos que forem maiores, isto é, tiverem mais de dezessete anos, terão permissão de apresentar seus nomes à seleção. Isto...
Crounch parou de falar, pois várias pessoas haviam protestado indignadas ao ouvir suas palavras, e os gêmeos Weasley, de repente, pareciam furiosos.
–Isso é um absurdo! – eles reclamavam – Um absurdo!
–SILÊNCIO! – Dumbledore gritou, sua voz retumbou por todo o salão. Todos se calarão e o salão caiu num silêncio profundo, como se a alguns instantes não tivesse acontecido o maior alvoroço. Satisfeito, Dumbledore indicou com a mão para que Crouch continuasse.
–Isso, é uma medida que julgamos necessária, pois as tarefas do torneio continuarão a ser difíceis e perigosas, por mais precauções que tomemos, e é muito pouco provável que os alunos abaixo da sexta e sétima séries sejam capazes de dar conta delas.
Ele encerrou se afastando e voltou a sentar na sua cadeira. Dumbledore tomou a palavra novamente:
–As delegações de Beauxbatons e de Durmstrang chegarão em outubro e permanecerão conosco a maior parte deste ano letivo. Sei que estenderão as suas boas maneiras aos nossos visitantes estrangeiros enquanto estiverem conosco, e que darão o seu generoso apoio ao campeão de Hogwarts quando ele for escolhido. E agora já está ficando tarde e sei como é importante estarem acordados e descansados para começar as aulas amanhã de manhã. Hora de dormir! Vamos andando!”.
Hermione sorriu largamente. As coisas estavam caminhando de maneira correta e segura. Ela não podia esperar que chegasse logo outubro. Muitas coisas estavam em jogo, mas ela sabia que dessa vez, eles conseguiriam. Tom voltaria a ter um corpo e Potter estaria morto.
–Bem, então vamos – Harry se levantou e chamou os amigos.
–O que acha desse torneio? Será que esse ano será bom? – Rony estava vidrado pela chance de conseguir ganhar os mil galeões.
–Não se preocupe Rony – Hermione disse sorridente – Às vezes o que a gente quer, chega mais rápido do que a gente imagina.
E o que ela queria, ia chegar em grande estilo. A menina olhou rapidamente para Severo e Moody, e caminhou saltitante para seu quarto.
Continua...
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Notas finais
Hermione cada vez mais animada.
Proximo capítulo:
1)Aula do Jr
2)Chegada das escolas e
3)A primeira prova
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