O Tempo Mudará
18 Capítulo 18 - “O Retorno do Morto”
Notas iniciais
Hermione estava apoiada na mesa observando Bertha que estava amarrada numa cadeira e desmaiada. Depois de eles terem invadido a sua mente e quebrado o bloqueio que Bartho tinha colocado na mente dela, ela desmaiou de tanta dor. Seria sorte se quando acordar ainda estivesse sã. E Hermione queria que ela estivesse. Estava na hora de acabar com aquele teatro! Já tinham conseguido tudo o que precisavam dela... Bertha não era mais útil.
–Ela está acordando – falou Tom em sua mente.
Hermione ouviu Bertha gemendo e esperou que ela abrisse os olhos. Ela estava horrível, pelo menos mais do que o normal.
–Her... – falou com dificuldade – Herm... Hermione...
Bertha gemeu novamente, piscou e abriu os olhos com certa dificuldade. Devia estar com dor ainda. Pobrezinha! – Hermione pensou – Mentira! Ha, ha!
–Ei, como você está se sentindo? – Hermione perguntou docemente.
–Estranha. – Bertha respondeu com a voz totalmente rouca – Com uma dor terrível...
Hermione viu Bertha tentar levantar a mão para passar em sua cabeça quando percebeu que não conseguia pois estava amarrada. A pobre mulher começou a olhar confusa para as cordas.
–O que é isso? – ela se mexeu tentando se soltar, mas não conseguiu nada. Com satisfação Hermione viu a pobre mulher olhar em sua direção – Porque estou amarrada?
Hermione pensava se respondia gentilmente ou se agia friamente. Questões... Questões... Por fim, suspirou. Como era difícil ser má! – pensou maldosamente.
–Porque você está amarrada? – Perguntou espantada – Porque será? – Hermione colocou o dedo na bochecha fazendo cara de dúvida – Ah, será que é... Porque eu quero... ?
Hermione viu Bertha olhar para ela com uma cara de completa confusão. Ela olhava para Hermione como se tivesse visto crescer na menina duas orelhas de elfo gigantes.
–Hermione, se foi por causa do que aconteceu... Não se preocupe! Mesmo, eu estou melhor. Na verdade, eu não sei porque passei tão mal mas... Eu estou melhor. Pode me soltar.
Agora era a vez de Hermione olhar para a mulher como ela fosse louca. Pobre mulher, pensou, Ah, se eu tivesse sentimentos bons poderia até ficar triste por ela...
...
Ok, eu sei........ não poderia ... não! Ha ha!
–Bertha, querida, me desculpe mas eu não vou te soltar.
–Hermione, para de brincadeira. Me solta vai?! – a mulher olhava para Hermione com um misto de medo e esperança. Pena que Hermione não se deixava levar por esses sentimentos inúteis.
–Sabe Bertha – a menina disse decidida – A brincadeira acabou.
–Brincadeira?
–Sim! Foi muito divertido sabe, toda essa ceninha de amizade... – Hermione balançou a mão em desdém, seu rosto se tornando sério – Mas já deu!
–Do que você está falando? – Bertha falava descontroladamente – Me solte imediatamente!
–Imediatamente é uma palavra que não usam comigo – se inclinou pra perto dela – Eu uso com elas – Hermione acrescentou perigosamente.
Hermione se afastou da mesa e ficou rondando Bertha. O que ela deveria fazer? O olhar de confusão e medo de Bertha era realmente gratificante.
–Acabe com isso logo, pequena Lady – Tom disse impaciente.
–Ah Tom, mas está tão divertido! – Internamente Hermione quase dava gritinhos – Essa é a minha primeira sessão tortura. Deixe-me aproveitar!
–Tenho certeza que sim. – falou sarcasticamente – Mas lidar com essa mulher já deu pra mim.
Ela cruzou os braços. Tom conseguia ser tão chato às vezes...
–Estraga prazeres! – falou irritada.
–Não quero estragar sua diversão, pequena Lady, mas temos coisas a resolver e uma delas é procurar Crounch Jr.
–Vamos é? – perguntou, mas já sabendo a resposta. Ela estava pensando que ele era a peça que faltava na primeira parte do castelo de cartas.
–Claro que vamos! E você já deve saber disso. Conte tudo, se divirta com a cara chocada dela e a mate! Temos mais o que fazer, pelo amor deMerlim! – Tom estava quase surtando.
–Sim mestre. – Hermione disse rindo.
–Sabe Bertha, tudo isso – a menina apontou para a casa – É mentira. Viagem de férias... Meu pai... Você ter desmaiado... Tudo é mentira!
Bertha empalicedeu.
–Do que está falando? – a voz dela tremia.
–Olha, eu vou tentar ser o mais sucinta possível para os seus poucos neurônios conseguirem entender. Ok? Vamos lá. Você não desmaiou – Hermione falava articulando exageradamente, como se tivesse falando com uma doente mental – Um dos meus capangas te sequestrou e te trouxe pra cá para que eu conseguisse a sua confiança e assim pudesse ter todas as informações sobre o Torneio Tribruxo. Entendeu?
–Só falta você bater palminhas agora – Tom disse cínico.
A boca de Bertha não podia estar mais aberta:
–Por quê? Eu não entendo! Porque você faria isso?
–Porque eu precisava saber os testes que aconteceriam no Torneio. Porque durante o torneio Harry Potter vai morrer!
–Harry Potter? – Bertha engasgou – Mas você não é amiga dele? Porque você quer matá-lo?
–Porque eu o odeio! – a voz de Hermione tremia de raiva – Porque por causa dele eu tenho que mentir sobre a minha verdadeira identidade! Porque por causa dele meu noivo está MORTO!!! – Hermione foi tomada pelo ódio e ela sabia que seu rosto deveria transparecer esse ódio porque Bertha tinha se encolhido na cadeira.
Bertha estava tão chocada, que não conseguia nem falar direito.
–Noivo? Verdadeira identidade? Eu não estou entendendo nada! Meu Deus!
Hermione viu que Betha estava chocada e resolveu chocá-la ainda mais.
–Eu sou Hermione Slytherin Avadra, herdeira de uma das famílias mais puras e poderosas do mundo mágico! – Hermione disse com orgulho. Bertha despencou na cadeira, seus membros ficaram moles e inertes. Hermione gostou de ver o medo nos olhos dela ao saber quem ela era. Mas a jovem bruxa não tinha acabado ainda, se ela achava que estava chocada agora não sabia ainda o que estava por vir. – E... sou a noiva de Lorde Voldemort!
Bertha se inutilizou ainda mais. Hermione viu que suas costas estavam encostadas no encosto da cadeira como se ele pudesse trazer alguma salvação. Suas mãos estavam completamente brancas e seguravam o assento da cadeira tão forte, que Hermione achou que pudesse até deixar marcas. Pobre mulher, estava totalmente a mercê do medo agora.
–A-A-Aquele que não deve ser nomeado... ? – engasgou – Você está dizendo que é n-noiva dele?
–Exatamente! – Hermione sorriu para ela.
–Mas como... ? Ele... ele... está morto!
–Olha é uma longa história – suspirou – E não estou com saco para contar ela pra você agora. Só saiba que ele não morreu.
Hermione se inclinou para perto dela novamente. Ela disse baixinho.
–Ele vive dentro de mim! – sussurou em seu ouvido – Nesse exato momento ele está me dizendo para matá-la.
–Não, não, por favor! – a mulher balançava a cabeça freneticamente com os olhos cheios de pavor – Por favor... Por favor, não me mate! – lágrimas brotavam de seus olhos.
–E porque eu deveria não fazer isso? – perguntou confusa – Se deixar você viver, você pode contar para todos o que aconteceu aqui. É claro que eu poderia apagar a sua memória, mas há sempre o risco de que você a recupere...
Cruelmente Hermione disse:
–E eu não vou arriscar. Voldemort e eu nunca arriscamos. Nós lutamos para ganhar. Nos garantimos sempre!
Então, a menina teve uma ideia. Chamou Rabicho:
–Rabicho!
Hermione pode ver um rato saindo de trás do armário e se transformando em humano.
–Sim, minha Senhora?
–Mande um patrono pra Kalil. – disse sem deixar de olhar pra Bertha – Diga para ela trazer Nagini pra cá. Agora!
–Sim, minha Senhora! – Rabicho falou, rapidamente saindo pra fora da cozinha.
Hermione foi até a mesa. Podia sentir os olhos de Bertha a seguindo. Coitada, a mulher estava apavorada. E quando Naguini chegasse aqui seria bem pior. Sorriu, pegou a varinha de Bertha que estava em cima da mesa e passou a brincar com ela. Mataria Bertha com sua própria varinha, assim ninguém ligaria ela a morte de Bertha quando descobrissem, isso claro se descobrissem já que ela se livraria do corpo.
Uma batida soou na porta e Hermione se virou para olhar. Podia sentir Kalil do outro lado.
–Entre! – falou olhando para a porta.
A porta se abriu e por ela passaram Kalil, Rabicho e Naguini que estava rastejando no chão.
–Demorou. – falou rispidamente para Kalil.
–Perdão Milady – a medi bruxa se curvou em desculpas – Mas Rabicho demorou um pouco para explicar o que estava acontecendo.
–Ele não tinha que explicar nada, era somente trazê-la aqui.
Hermione estava irritada. A incompetência do Rabicho a espantava! Se abaixou para pegar Naguini quando viu ela se aproximar:
–Oi Nagini – disse em ofidioglogia.
Viu a surpresa de Bertha pelo canto do olho ao ver ela falando em ofidioglogia com a cobra. Humph, Hermione pensou, ela enlouqueceria então se entendesse o que eu estou dizendo. Nagini se enrolou em seu corpo e colocou a sua cabeça na mão de Hermione.
–Oi minha Lady. Se divertindo? – sibilou.
–Muito! – sorriu – Como você e Sylvie estão?
–Eu estou muito bem Milady. E Sylvie ficou um pouco irritado porque Milady chamou apenas a mim.
–Ela vai ficar ainda mais irritada quando você contar porque eu te chamei – riu pensando nisso.
–Tenho certeza que com um pouco de mimo ela irá esquecer. Mas Milady porque me chamou?
–Está vendo aquela mulher ali? – apontou para Bertha – Amarrada na cadeira?
Bertha se encolheu quando Naguini olhou pra ela.
–Sim – a cobra respondeu simplesmente.
–Eu vou matá-la. Depois ela é toda sua.
–Sério? – perguntou.
–Sim. Você precisa ficar forte. Vamos ficar aqui mais algum tempo até você digeri-la e depois temos algo muito importante pra você fazer. Você deve estar forte pra isso.
–O que é Milady?
–Depois eu te conto, tá? – Hermione acariciou a cabeça de Nagini.
–Tudo bem – sibilou.
Hermione adorava Nagini! Ela era tão obediente e tão cruel como ela e Tom. Sorrindo satisfeita com a conversa que teve com Nagini ela se virou para Bertha. Iria acabar logo com isso. Afinal Nagini estava esperando a refeição dela.
–Saiba que brincar com você foi divertido e cheguei até a ficar um pouco triste pela sua história – fez uma cara de tristeza logo se transformando em risada – Não! Não fiquei não!
–Hermione, por favor não faça isso! – Bertha se remexeu na cadeira quase a derrubando – Eu juro eu não vou contar pra ninguém! Não vou contar...
Hermione apontou a varinha pra ela.
–Adeus Bertha. – falou monotonamente.
–Não... por favor! – gritou em pavor – Hermione, por favor...
–Avada Kedavra! – gritou.
A luz verde saiu da varinha e se dirigiu diretamente para o coração de Bertha. Sua cabeça caiu pra trás. Hermione se aproximou do corpo, pegou o rosto de Bertha para olhar. Estava morta, tinha os olhos abertos vidrados de terror... Soltou o rosto de Bertha para trás como se tocar naquilo fosse repugnante e disse:
–Morta! Naguini... ? Boa janta!
A cobra se aproximou e banqueteou-se.
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Severo agradeceu pela súbita brisa que entrou pela sua janela. Estando na última semana de Julho o calor estava no seu auge. Parecia até que tinha um maçarico aceso debaixo dele! Ele se surpreendia por ainda não ter virado uma poça de água no meio da sala de sua casa.
O calor era infernal! Estava procurando que nem um louco um livro que tivesse algum feitiço para fazer esse calor diminuir. Se ele achasse alguma coisa que transformasse sua casa em um cubo de gelo ele agradeceria de bom grado, mesmo que suas bolas congelassem. Riu com esse pensamento. Muitos achavam que por ele usar somente roupas pretas ele não sentia calor. O que era um absurdo. Ele era humano, pelo amor de Merlin!
Quando a brisa soprou por toda a sala, Severo encostou sua cabeça na poltrona e suspirou. Logo as aulas iam recomeçar. Dumbledore tinha pedido a ele que selecionasse nomes e entregasse a ele uma lista com os nomes dos possíveis professores de Defesa Contra as Artes das Trevas desse ano. Ele fazia isso todos os anos desde que tinha entrado em Hogwarts para ser professor de Poções. E isso já estava cansando. Toda vez que ele fazia essa lista xingava o Lorde por ter amaldiçoado o cargo de DCAT para que ninguém ficasse nele mais de um ano.
Quando estava pensando em pegar um copo de água, sentiu uma queimação no braço esquerdo. Já sabia que dor era aquela. Olhou para o braço e viu a marca se sobressaindo em sua pele, como se estivesse em alto relevo, e se mechendo como uma cobra viva. O Lorde o estava chamando!
Precisava se arrumar se fosse encontrar o Lorde. Quer dizer, não especificamente o Lorde, mas a sua "noiva". Ele ainda estava surpreso, chocado na verdade. Nem sabia se estava surpreso sobre o fato de Granger ser noiva do Lorde, ou pelo fato de ele simplesmente ter uma noiva. Como isso tinha acontecido? Era uma questão de importância Severo saber.
Seu quarto tinha um estilo antigo com alguns elementos modernos e Trouxas, como uma televisão ou um rádio. Ele odiava os Trouxas, mas sabia que as vezes eles criavam coisas que prestavam. De um modo geral era um quarto confortável, pelo menos para ele. Severo foi até o armário e pegou uma roupa. Iria tomar um banho, se vestir e só então ia ver a Granger.
Uma hora depois Severo aparatou numa rua que, a seu ver, devia ser um bairro Trouxa. Ele deduziu isso pelo fato de que os objetos não estavam voando ao redor da casa; o que era uma característica bem proveniente em um bairro Trouxa. Ele não sabia o que o Lorde e a Granger queriam com ele ali, mas... Dirigiu-se a uma casa onde podia sentir a presença do Lorde o chamando. Parou na frente da porta e ergueu a mão para bater, quando ela de repente se abriu. Uma mulher estava na porta olhando pra ele, Severo a reconheceu assim que a viu... a última vez que a tinha visto tinha sido no dia que Draco tinha nascido, afinal ela foi a parteira
–Você..
–Eu mesma- interrompeu a mulher — E sei o que o senhor está fazendo aqui. Minha Lady está esperando o senhor.
Ela se afastou da porta para que Severo pudesse entrar. Dentro da casa ele pode ver que toda a estrutura era irremediavelmente Trouxa. Não tinha quase nada bruxo. O Lorde deveria estar se revirando por viver em uma casa tão... Trouxa.
–Por aqui, por favor. – disse a senhora apontando para a escada que levava ao andar de superior. Ela passou na minha frente e me fez segui-la. Eu não sabia quem era essa mulher e até agora ela mesma não me disse quem era. O senso de cortesia dela era menos um na escala de um a dez. Preferindo segui-la, Severo subiu a escada; No andar superior as escadas se abriam em um corredor que levava a três quartos. Um deles devia ser da Granger. Seguindo a mulher até uma das portas, ela parou abruptamente e disse:
–Ela o está esperando. Mas bata antes de entrar. – disse se afastando em direção as escadas por onde eles tinham subido.
Olhando para a porta, Severo respirou fundo e tomou coragem para entrar literalmente no ninho da cobra.
Colocou a mão na maçaneta e a virou. Pode ouvir o click da porta se abrindo. Dentro do quarto, Hermione estava sentada em uma poltrona acariciando uma cobra que devia ter pelo menos uns dois metros de cumprimento. Ela estava enrolada aos seus pés, em volta da poltrona e até na mão Hermione, onde a cobra descansava a cabeça.
Na frente dela tinha mais uma poltrona onde Severo pode ver outra cobra muito maior que a que estava no colo de Hermione. Essa deveria ter pelo menos três metros, se não mais! Engolindo em seco, Severo pode perceber que a cobra na poltrona era a Naguini, a cobra de estimação do Lorde. Bom, de estimação nem tanto, afinal Severo se lembrava bem das atrocidades que Voldemort mandava a cobra fazer. E ele lembrava muito bem. Houve vezes até que Naguini era tratada melhor que todos os Comensais juntos. O estranho era que até ela estava aqui... O que quer que o Lorde tenha aprontado todos esses anos, ele deixou as coisas bem arrumados antes de desaparecer.
–Vai ficar parado ai até quando Severo? – Hermione perguntou um pouco impaciente.
Severo se sobressaltou. Estava tão absorto observando os “belos” animais que nem tinha percebido que tinha ficado parado olhando para eles. Mas era melhor assim, Um movimento em falso podia fazê-lo receber um crucio. Era melhor só falar quando ela permitisse.
–Não minha Senhora. É que eu não sabia se podia falar – disse submisso.
Hermione ergueu uma sobrancelha.
–Nem tente Severo. Tom acabou de me dizer que você não tem nem uma gota de submissão. Respeito sim, mas submissão, nunca.
Severo ficou surpreso com suas palavras.
–Venha. Sente-se. – ela apontou para a poltrona na frente dela. Mas... espera! Granger não estava falando pra ele sentar encima da Naguini, né? – Sa ia rines shira gasan.
Ele não sabia o que ela tinha falado, mas devia ser alguma coisa para Naguini sair, porque logo que falou Naguini saiu da poltrona e rastejou até a cama se enrolando em cima das cobertas. Severo andou até a poltrona e se sentou. Ambos ficaram um tempo em silêncio enquanto Hermione acariciava a cobra no seu colo.
Ela parecia tão despreocupada, quase como se não estivesse pensando em nada. Mas, pelo o que ele sabia, agora mesmo ela poderia estar tendo uma conversa com o Lorde. Ele não fazia a mínima ideia de como isso funcionava. Se alguém contasse a ele com toda certeza ele não acreditaria. Porém, teve a experiência em primeira mão quando os dois invadiram a mente dele com aquela maldita história do Black! Ele pode sentir a conexão profunda dos dois quase como se fossem um. Naqueles poucos minutos em que eles conversaram com ele em sua mente, Severo realmente se assustou com a forma como eles estavam ligados.
–Pode perguntar o que quer saber Severo. – Hermione falou levantando a cabeça e o olhando nos olhos.
–Não sei do que está falando, minha Senhora – ele respondeu calmamente.
–Não tente dar uma de bobo Severo, ambos sabemos que você pode ser qualquer coisa; menos isso.
Severo estremeceu da cabeça aos pés quando ouviu sobre a terceira pessoa. Ele sabia bem quem era a terceira pessoa desse "ambos" daquela frase. Sua Senhora estava se referindo ao Lorde vivente em seu interior.
–Minha Senhora, honestamente eu tenho muitas perguntas. – deu de ombros – Mas não sei se você poderá respondê-las.
–Responderei o que puder – ela parecia satisfeita com sua franqueza. Na verdade, Hermione parecia satisfeita com ele quase o tempo todo. Severo ficou mais calmo e solto com isso. Pensando na pergunta mais importante em sua mente, ele perguntou:
–Tudo bem. Como o Lorde está vivo?
–Próxima – riu.
–Quem é você? – ele sabia que ela não iria responder a primeira pergunta. Mas não estava em sua natureza desistir sem tentar.
–Vai ser um pouco impactante Severo. Está realmente preparado para saber? – percebendo minha hesitação, ela sorriu e prosseguiu – Eu sou Hermione Slytherin Avadra.
Severo não acreditou. Não era possível que ela...
–Mas isso não é minimamente...
–... Possível? – ela deu uma risada – Sei que você conhecia Selene e Howard Avadra, eram amigos, certo?
Não podendo fazer outra coisa por causa do choque, ele assentiu.
–Eles eram meus pais.
Severo quase engasgou. Claro, que ele se lembrava de ver Selene grávida, embora entre os Comensais haviam aqueles que invejavam os irmãos Avadra e sua proximidade com o Lorde, eles também sabiam que os Avadra não eram alguém com quem pudessem mexer a não ser que se quisesse ter uma morte lenta e dolorosa.
Poucos sabiam da gravidez de Selene. Ele se lembrava que até a barriga não ter aparecido ela participava das missões. Logo depois, quanto mais a barriga aumentava menos Selene aparecia. Ou seja, ninguém ficou sabendo da gravidez dela, somente o circulo interno dos Comensais, aqueles servos em que Voldemort mais confiava. Depois que Dumbledore matou Howard, Selene não saia mais da Mansão Avadra, onde ninguém sabia onde era só o Lorde. Ele comunicou a todos os Comensais que ela tinha morrido de desgosto pela morte do marido. Para nós do círculo interno, ele disse que ela morreu no parto e o bebê também. Se o que Hermione disse era verdade, então o Lorde tinha mentido.
–Então o Lorde mentiu? – ele perguntou secamente.
–Era preciso. Ele não podia me colocar em perigo. Para todos os efeitos, meus pais tinham fechado meu noivado com Tom quando minha mãe ainda estava me esperando.
–Então ninguém sabe da sua existência? – Severo perguntou ceticamente.
–Kalil sabe. A velha que abriu a porta pra você, e pelo que Voldemort me contou você a conhece ou não a reconheceu ?
– A conheço sim, milady,- confirmou com a cabeça — Ela era uma das maiores medibruxas do St. Mungs, especializada na área de nascimentos, ela que fez o parto de Draco Malfoy, o filho de... Lucius e Narcissa Malfoy, eles que indicaram ela para a sua mãe.
– Eu sei, Kalil me contou essa história, Narcisa Malfoy a indicou para a minha mãe e ela que fez o parto,e apos a morte da minha mãe no meu nascimento, Kalil passou a ser minha baba , afinal alem dos elfos da Mansão Avadra e Basiliski, somente ela e o próprio Tom sabiam da minha existência. Ela meio que me criou, arranjou essa família Trouxa para mim e colocou lembranças minhas na mente deles. Voldemort exigiu que se algo acontece com ele, ela deveria me esconder e naquele momento não existia lugar mais seguro do que o Mundo Trouxa para mim. Você não acha?
–Provavelmente sim. Logo que o Lorde desapareceu a caça aos Comensais foi muito forte, mesmo que você estivesse na Mansão Avadra, acredito que ainda era perigoso, Dumbledor estudava todos e quaisquer meios para descobrir como chegar a Mansão dos Avadra. — Se lembrando daqueles dias de quando ele espionava Dumbledor a mando do Lorde — Acho que o Lorde tomou a decisão certa quando deu essas ordens.
–Fico feliz em ouvir isso Severo!
–Lorde? – Snape se assustou.
–Sou eu Severo. Posso manter contato com você já que você é um dos meus Comensais. No momento e desde que eu tentei matar o Potter eu vivo dentro da Hermione. O que faz com que ela tenha uma ligação direta com os meus Comensais. Por isso que ela conseguiu falar com você aquele dia.
–Isso explica algumas coisas. Entendo que Milorde não queira me contar como o senhor conseguiu se salvar, nem como consegue habitar dentro de Milady. Manter isso em segredo acredito que seja imprescindível.
–E é Severo. Me agrada que tenha entendido tão rápido. Sempre foi o meu Comensal mais leal e inteligente.
–Mas Lorde, ainda tenho uma dúvida – pensou um pouco – Duas na verdade.
–Fale – Voldemort o incentivou.
–Lorde, naquela noite o que aconteceu? Como Potter se salvou?
–Acho que posso explicar isso melhor – Hermione se intrometeu delicadamente. Tom se calou, intrigado pelo comentário dela. – Durante todos esses anos procuro a razão de isso ter acontecido, o que fez com que a Maldição da Morte não funcionasse.
Severo inclinou seu corpo para a frente na poltrona. Sabia que o que estava prestes a escutar era importante.
–Olhando os livros mais antigos do qual tive acesso, descobri um feitiço muito antigo que se originou na minha família. Não sei como Lilian Potter teve acesso a esse livro, mas ela teve. Dentro dele tinha um feitiço de proteção, esse feitiço só seria ativado se a pessoa que o lançou na outra se sacrificasse, morresse por essa pessoa. Ele funciona a partir do sangue do Potter e o feitiço só será desativado quando o moleque completar a maioridade mágica, ou seja, dezessete anos. Enquanto isso, Voldemort não poderá tocar nele, pois, se tocar, morre.
–Sim, entendi – a compreensão tomou o olhar de Severo.
–Severo, te chamamos aqui porque sabíamos que você estava com dúvidas. E embora não possamos esclarecer tudo, acredito que dissemos o suficiente para você entender a situação. – Hermione respirou fundo – O ponto é... Estamos planejando algumas coisas para esse ano e precisamos da sua colaboração.
–Qualquer coisa Milady – respondeu prontamente, sem nem piscar.
–Como você sabe o cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas foi amaldiçoado por Tom. O professor só pode ficar no cargo pelo período de um ano – ele assentiu – Você ao longo dos anos foi incumbido de fazer uma lista que iria conter os nome de vários possíveis professores e Dumbledore os escolhes por meio dessa lista. Eu preciso dos nomes desses professores. Quero colocar um de nossos Comensais disfarçado por meio da poção polissuco no lugar desse professor.
–Eu estava fazendo ela quando o Lorde me chamou. Já tinha posto alguns nomes, mas não todos. Esse ano escolhi alguns mais pesados já que vai acontecer o Torneio Tribruxo em Hogwarts.
Vendo que os seus Lordes não estavam nem um pouco surpresos com a notícia do Torneio Tribruxo que era confidencial, Snape entendeu.
–Vocês já sabiam. – deduziu.
–Já, já sabíamos. E é exatamente por isso, por causa do Torneio, que vamos modificar essa lista.
Severo não entendia o objetivo de seus Senhores com o Torneio, isso não deveria ser coisa boa. Pelo menos não para a maioria.
–Nos diga alguns nomes Severo. Qualquer um que você lembrar.
Lembrando dos nomes que tinha escrito no pergaminho, Severo começo a citá-los. Em todos os nomes Hermione parecia refletir um pouco em subconsciente, então ela abanava mão e o mandava prosseguir. Até que ele chegou no último nome:
–Bom, e por fim, eu pensei no... Alastor Moody.
Rapidamente Hermione gritou:
–Espera! – ela quase pulou da cadeira – Volta... Quem?
–Alastor Moody. Ele é um Auror. Está pedindo aposentadoria porque quer aproveitar o que resta de seu corpo. – respondeu maldosamente – Se é que você me entende?
– Sim. Sim eu entendo – ela concordou – Ele é a pessoa perfeita pra isso – ela disse quase sussurrando consigo mesma.
Então Hermione riu.
–Perfeito Severo! É simplesmente perfeito! Você como sempre superou as expectativas. Está decidido! Indique Moody como novo professor de Defesa Contras as Artes das Trevas. Ele é o escolhido. Mas o melhor vai ser a pessoa que vai substituir Alastor. Você vai adorar,não é ?! – Hermione disse maliciosamente olhando para a porta.
–Adorar? – Snape não entendeu e duvidou se era com ele que ela estava falando.
Severo se virou para onde sua Lady olhava. Ele tinha se surpreendido ao escutar a voz que vinha de onde ela olhava. Parado na frente da porta estava um homem, um homem que ele achou que nunca mais fosse ver...
–Se for o que estou pensando– a pessoa disse cruelmente fazendo um gesto de passar a língua nos lábios –... vou... adorar!
Severo nunca esqueceria aquele homem parado na porta. Ou aquele gesto. Ele odiava aquele gesto! Odiava aquele homem todos os dias ao longo dos anos que o conhecia.
Como ele tinha sobrevivido?!...
Continua .........................
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