O Tempo Irá Dizer

29 Primeiros Passos


Cascão, após refletir durante alguns instantes, decide finalmente falar: — Cebola, pensa aqui comigo, certo? — Ta, ta, que seja! — Bom, primeiro de tudo: antes da Denise te apontar “aquela cena” ela te disse coisas ruins sobre a Mônica, tipo falando que ela estava escondendo algo de você, não foi? — Sim, falou... — Então...ela tava começando preparar armadilha! — Qual armadilha? — A que você caiu e ainda está preso. Bom, depois que ela disse tudo isso pra você, mesmo não percebendo, isso o deixou alerta... Por esse motivo, ela deve ter se juntado ao Reinaldo para que ele fizesse o trabalho “mais sujo”. Aí, foi muito simples: ela só aparentou estar impressionada com o que via e apontou para você. — Continue... — Bom, como ela já havia “colocado lenha na fogueira” quando conversou com você, aí ela nem precisou fazer mais nada depois de apontar. Ela só assistiu o show! Além do mais, como você disse, ela falou com você bêbado, dizia tudo de ruim sobre a Mô, mostrando a você o que ela havia feito. Cara, isso daí ta na cara que é armação... Antes de terminar a frase, Cebola o interrompia: — Não viaja, Cascão!!! Não viaja!! Primeiro de tudo, mesmo que ela não tivesse falado nada, eu iria ficar bravo da mesma forma, fique você sabendo. E o que a Denise me disse no outro dia só confirmaram o que eu viu, ué!! Eu estou com ela justamente porque ela não mentiu para mim e também por pura vingança!! — Quem ta viajando é você, Cebola! Presta atenção...você acha que ela ficaria nervosa se o seu ficante quisesse leva-la para casa: é claro que não! E pode ter certeza que ela ta escondendo algo de você, e uma coisa muito séria!! — Ah MEU DEUS, Cascão!! Nada a ver!! — É, eu te disse. Não adianta dar murro em ponta de faca. Eu já falei tudo que precisava! Falo pro ce e bom “namoro”... (Tolo, eu não sou tão burro a ponto de não perceber nada. A Denise não fez nada, e se fez eu saberia..oras bolas!) (Mas ele pode estar falando a verdade...). (Não está e ponto final!! PINDALOLAS!!) Cebola caminhava furiosamente pela saída da escola, Cascão havia cutucado em sua ferida aberta, causando-lhe uma dor imensurável. Apesar de não acreditar em que Cascão lhe disse, a desconfiança já havia sido plantada. Não ao acaso, ele ligava para o celular de Denise, a qual demorou um pouco para atender: — Alô! Ah, oi meu fofinho, tudo bom? — O Dê, tudo! Onde você está? — To chegando em casa – ouvia-se um riso ao fundo – Pára, vai! — Quem ta aí com você? — É a Carmem, ela ta falando pra eu te dizer que você é lindo! – risada ao fundo – Pára, já disse! Que coisa!! Que chato!! — Brigado!! Tem mais alguém? — É claro que não...fofo, eu vou desligar. Beijos! Após o término da ligação, Cebola estranhara a reação de Denise quando ele lhe perguntou pela segunda vez quem estava ali junto a ela, mas nada que o deixasse muito desconfiado. Ele só ficara alerta, pois aquela semente plantada pelo seu amigo começara a brotar. Será que era a Carmem mesmo? Ou era outra pessoa? Quem era essa pessoa? Quem? Não poderia saber ao certo... Somente se investigasse mais a fundo. Ele iria fazer isso?Sim. Mas quando? Logo. Enquanto isso, na casa da Mônica: Ela continuava chorando, soluçando muito. Tudo que ocorrera na escola ia e vinha em sua mente, deixando sua ferida cada vez mais aberta, estraçalhada, rasgada aos pedaços. Sentia um enorme vazio em seu peito. Estava deitada de bruços, apoiando o travesseiro em sua cabeça e a seu lado encontrava-se o celular. De repente ele toca, assustando a dentuça. Ela abria o aparelho e notara que era Magali no outro lado da linha. Decidiu atender, enxugava as lágrimas com a costa de sua mão e atendia: — Oi Magali! Diga! — Menina, você deve estar péssima...eu to pasmada aqui! Eu não acreditei quando vi! — AAAHH – chorava Mônica – aquela Denise me paga...ric! O que me deixa mais triste é que ele acha que ela está certa. — É...Ah, antes que eu me esqueça, eu tenho que te falar outra coisa... — O que? — Na verdade são duas!! A primeira é que eu finalmente descobri quem era o garoto!! — Sério?? Quem é, quem é, me conta!!! — Nossa, calma! É o Cascão, dá pra acreditar? — Claro que sim!! Agora que se sabe, se jooga...porque você disse que tava gostando desse garoto-mistério. — isso até saber quem era... — Sei... — Caham...deixa eu te falar a outra coisa! — Ta, fala! – respondia Mônica, um pouco irritada — Bom, o Cas me ligou... — EEEE LAIAAAAA... — Posso continuar? – perguntava Magali um pouco corada — Pode... — Então ele me ligou e avisou para mim que ele teve uma conversa com o Cebola... — Mas o que tem de importante? Os dois são melhores amigos mesmo... — PRESTA ATENÇÃO! QUE COISA – retrucava Magali, nervosa – ele falou para ele que é tudo armação e talz... — Mas não vai adiantar, se não adiantou comigo... — ÔÔ Mônica, acorda!! Ele é amigo dele, é um pouco diferente. E pode ter certeza que o Ce ficou um pouco desconfiado, nem que for um pouco. — Mas como você tem tanta certeza? — Amiga, entenda uma coisa...eu já assisti muito filme na vida e tem vários que mostram a sua situação e do Ce. E quando o melhor amigo fala algo disso, a desconfiança nasce, cresce e acabam se reconciliando. — Mas é a vida real, não um filme! — Ah, Mô, seja otimista, vá!! Eu vim dizer isso porque eu tenho certeza que você tinha desistido do plano. Eu vou dizer, não desista, sério! Converse com a Denise, depois me entrega a fita que o resto eu faço!! — Noosa, é mesmo – respondia Mônica, voltando à realidade – Magali, eu já disse que você é MAAARA? Menina, eu vou fazer isso e é agora. — Já, já disse e repito que sou Magali. Isso, vai lá, to torcendo agora, pegando o pompom! KKK! — KKKKK! Tchau amiga! — Tchau. – respondia Magali, encerrando a ligação. Mônica levanta da cama, enxuga mais uma vez sua lágrima com as costas das mãos, pegava seu celular e o colocava num dos bolsos de sua calça, trocava a roupa, pois ainda estava de uniforme. Colocava uma bata roxa, penteava seu cabelo channel e saia de casa, caminhando em direção a pracinha, em uma parte que ficava perto de uma pequena boutique, onde Denise costumava passar todos os dias. Chegando lá, encontrava Denise em pé ao lado de um garoto e estava se despedindo dele. Mônica se aproximava dos dois, ouvindo a conversa: — Tchau, Denise, a gente se vê. — Ta, tchau fofo. — Você vai arranjar um jeito de me ver amanhã? — Ta, eu acho um jeito. Agora tchau! — Nossa, precisa ser tão rude. — Tchau- respondia Denise, dando um beijo no rosto do garoto. – Satisfeito agora? — Não, cadê meu selinho. — Ta, ta. – irritada, ela dava um selinho e o garoto que desaparecia de vista. Mônica aproximara-se de Denise e a cutucava: — AI QUE SUSTO, assim eu vou ter um infarto!!! Ai, a louca!! Que você quer criatura de Deus?? — Denise, precisamos conversar... Nesse instante, Mônica pegava seu celular com uma das mãos. Antes de sair de casa ela havia deixado o gravador de seu celular preparado. Ela apenas apertava o play e permanecia em silêncio. A conversa que iria ter com Denise era crucial para a tão sonhada reconciliação com Cebola. Fim do 29º capítulo