O Tempo Irá Dizer
55 O elefante de pelúcia
Notas iniciais
Miiil desculpas pela demora... As minhas provas vieram com tudo e o computador ficou literalmente as moscas e nao deu tempo de eu digitar outro capítulo... Mas eu tomei vergonha na cara... Escrevi e postei o/
Música que acompanha o capítulo:
Bala de Prata - Fernando e Sorocaba
http://www.youtube.com/watch?v=PqI2QN7kAtY
Música que acompanha o capítulo:
Bala de Prata - Fernando e Sorocaba
http://www.youtube.com/watch?v=PqI2QN7kAtY
- A idéia é boa, Cê... – a voz saia de maneira falha, não sabia como esquivar de Cebola nesse momento – Mas, ah, sei lá, ir ao parquinho?- Ah, qual é, dentuça! – provocou – Ta com medo de te confundirem com um elefante de pelúcia, é?- COMO É QUE VOCÊ ME CHAMOU?- Além de gorducha e dentuça, é surda? Há! Essa é nova! – ouvia-se, ao fundo, a risada alta de Cascão.- É MELHOR VOCÊS DOIS PARAREM, NÃO GOSTO DESSE TIPO DE BRINCADEIRAS!!CriminosaNão posso olhar dentro do seu olhar,Bala de Prata acerta pra matar.Virei seu refém e não quero escapar.BandidaVocê atirou em minha direção,E acertou bem no meu coração.Minha vida ficou na palma de suas mãos.- E se eu não parar? – desafiou Cebola – O que vai fazer? Eu não tenho medo mais de você, Mônica. Pode vir quente, que eu estou fervendo!! – ele movimentava suas mãos, indicando para Mônica vir atacá-lo.- UI!! REBATE ESSA MÔNICA! VAI! NÃO DEIXA ISSO BARATO! – incentivou Magali, vibrando por dentro, seu conselho estava surtindo efeito.- Não Magali, não vou ficar gastando meu tempo com essas infantilidades! Aliás, vocês, meninos, são tão imaturos! – Mônica tentava se acalmar, Cebola sabia como a tirá-la do sério.- Quer dizer que nós, homens, somos frutas – supôs Caleb, rindo – Que fruta eu seria?Mônica, em um ato reflexo, mas não intencional, atingiu Caleb em cheio, desferindo-lhe um soco forte. O moreno sentiu o forte impacto, que atingiu seu queixo em cheio, causando-lhe um corte superficial. Ao notar todo o problema que havia causado, Mônica não sabia onde enfiar sua cara. Maldita brutalidade. Mas tem que ser uma brutamontes, não é Mônica, pensou nervosamente.- Caleb, mil perdões, na-não era a minha intenção te acertar...- Relaxa, Mônica! – tranqüilizou o moreno – Não doeu tanto! Além do mais, lembra que eu te falei que queria saber como era receber um soco seu! Esta aí a minha grande realização! E, realmente, estava certo do que eu pensava!! – disse, abrindo o sorriso- Mas que diabos você estava pensado? – perguntou Mônica, sem entender.- De que eu era forte o suficiente para suportar um soco seu! Sou muito forte!! – gabou-se, mostrando seus músculos do braço.- Exibido – Mônica socou seu ombro de leve.- Ah, só um pouquinho! HEHE – abruptamente, ele ficou sério – Eu não sei porque, mas eu estou com a impressão de que eu esqueci alguma coisa, que, aliás, é muito importante! – ele vasculhou os bolsos, procurando o celular – Gente, eu vou ter que dar uma saidinha rapidinho, não se preocupem comigo, eu encontro vocês mais tarde!- Ok! – disse Mônica, tocando o ombro de Caleb – Só não vai se perder,viu? Devo ter te deixado meio tonto – brincou, soltando uma risada.- HAHAHA! Pode deixar, eu encontro vocês mais tarde. – Ele se aproximou de Mônica, roçando seus lábios em sua testa – A gente se vê – falou, afastando-se do grupo.A dentuça sentia passar por sua espinha um arrepio intenso. Seria esse algum indício de que ela estava gostando do moreno de sorriso contagiante, ou seria uma paixão momentânea, algo nunca experimentado por ela? Isso não era tão importante agora, pois o seu ideal no momento era “acordar Cebola para a vida”, despertá-lo do sono da autoconfiança para entrar no mundo dos destemidos.- E então dentuça, ta com medo de te confundirem ainda, é? – Cebola disse em alto e bom som, obrigando Mônica a virar-se e fitá-lo.- E se eu tiver com medo? O que você faria, hum? – desafiou Mônica, cruzando os braços.Hoje cedo acordei mas sei láuma coisa diferente em mimO meu corpo arranhado, suado, uma história sem começo e fimEla entrou no meio da noite, tem a chave do meu coraçãode repente soltou seus cabelosme entreguei sem ter reação.- Magali, vamos para lá – chamou Cascão, puxando-a pelo braço – preciso conversar com você – sem perguntar se ela havia aceitado, foi levando-a para um local distante.- Hein – insistiu Mônica – o que você faria?- Ah, isso é simples! – afirmou o troca letras, rindo – Eu diria que você era meu animal de estimação e eu só estava passeando com você... Sabe, cuidar de elefantes é uma tarefa árdua hoje em dia!!- Olha aqui, Cebolinha... Você está brincando com fogo!! – disse a dentuça, apontando o indicador para o rosto do amigo.
- E? – incitou, aproximando-se de Mônica, fitando seus olhos.- Ah! Cebolinha!!! Por que você tem que implicar tanto comigo?- E porque você é tão estressada? Isso pode dar gastrite, sabia?- Foi você que começou e você sabe muito bem disso! – acusou, batendo a mão no ombro másculo de Cebola.- Começou a infantilidade... E depois fala que é uma adolescente, rá, vê se pode...- Mas que inferno, Cebolinha, algum mosquito da irritação te picou hoje?- Ataquei um enxame... – brincou, rindo – Mas, falando sério agora, vamos lá ao parquinho... Não tem nada de mais! Ah, e fique tranqüila, serei comportado! – jurou, fazendo figas.- Ah, ta bom! Já que você insiste tanto – ela começou a caminhar, Cebola a acompanhando logo atrás. – Mas o que a gente vai fazer, afinal?- Antes de tudo, eu farei uma aposta com você! E aí, topa?- Diga qual a aposta – pediu a dentuça, ajeitando mexas de seu cabelo.- Se eu conseguir o que estou planejando, você deve dançar um forró comigo, mas se eu não conseguir, bom, aí você escolhe o meu castigo!- Humm – refletiu Mônica – tudo bem, eu aceito! Mas, olhe aqui, se você se aproveitar da minha inexperiência na dança, você estará encrencado, mocinho...- Eu já disse que irei me comportar, não lembra?Não posso olhar dentro do seu olhar,Bala de Prata acerta pra matar.Virei seu refém e não quero escapar.BandidaVocê atirou em minha direção,E acertou bem no meu coração.Minha vida ficou na palma de suas mãos.Caminhando lado a lado, Cebola e Mônica conversavam alegremente, relembrando os bons e diversos momentos que haviam passado juntos. Risadas, brigas, desentendimentos, beijos. O troca letras tentava manter sua promessa, se comportando. Apesar de ter o imenso desejo de ficar abraçado a ela, manteve suas mãos nos bolsos. Chegando ao local desejado, uma barraca de tiro ao alvo, Cebola apontou à sua amiga, guiando-a até o brinquedo.- Tem certeza de que você quer brincar disso?- Ué, por que não? Ah, vá, Mônica, animação, poxa, estamos nos divertindo!!- Ok, ok, já que é assim...- É o seguinte – começou Cebola – eu tenho sete tiros... E eu tenho que acertar pelo menos quatro para conseguir aquele ursão. – disse apontando para o gigante bichinho de pelúcia — De acordo? – ele virou seu rosto, fitando Mônica pelo canto do olho.- Tubo bem, mas você vai querer tentar isso sozinho? Acho que você não vai conseguir...-Isso é o que vamos ver... – Cebola sorriu torto, pegando a arma com uma das mãos. — Vamos ao primeiro tiro.Colocando o revólver perto dos olhos, olhando atentamente para a mira, focalizando-se no alvo. Com o dedo indicador, puxava calmamente o gatilho, extremamente concentrado. Seu olhar se mantinha firme, imóvel. Ao apertar o gatilho por completo, o projétil disparava aceleradamente, em direção ao alvo. Pam! A bala de festim atingiu o objetivo.- Faltam três para conseguir o prêmio... – gabou-se o troca letras, sorrindo.Porém, sua alegria havia durado pouco. Quando atirou pela segunda e pela terceira vez, sua concentração havia falhado e errou os dois tiros.- Você quer alguma ajuda? – perguntou Mônica, aproximando-se do amigo, tocando a arma – Acho que posso te dar dicas de mira...Estou vivendo na cela da paixãoeu fui condenado pelo amorEla é perigo é abrigouma mistura de querer e dorEla é um pouco do fogo e do gelo, ela é sol é chuva de verãoO seu charme me fez prisioneiroinvadiu de vez meu coração.- Não, isso seria covardia – afirmou Cebola, retirando cuidadosamente as mãos de sua amiga – Se for para eu conquistar os meus sonhos, devo lutar sozinho. E pode ficar tranqüila, eu terei o bichinho nas mãos.Então era isso, pensou a dentuça, fitando Cebola. Ele estava realizando, mais uma vez, a tão pedida e desejada prova de amor. As palavras, há pouco tempo ditas, clarearam sua mente. Ele estava convicto e nada iria impedi-lo. Sua gentileza, seu cavalheirismo e suas provocações, que ao mesmo tempo irritavam e alegravam-na.Os outros dois tiros foram rápidos e certeiros, acertando o alvo furiosamente. O troca letras estampava em sua face um sorriso torto e cativante, fazendo Mônica sorrir junto, somente por fitá-lo. Ele movimentava graciosamente sua mão em direção à mão de Mônica. Ao sentir o calor das costas da mão da dentuça, ele apenas roçou seus dedos por ela, puxando-a para que pudesse entrelaçar-se a ela.- Pronta para dançar, dentuça?- Pronta. Mas vá com calma, temos muito tempo para dançar! – falou Mônica, sorrindo.Cebola nada disse, apenas colocou sua mão na arma, concentrando-se para conseguir o tiro perfeito, uma bala de prata que acertaria a chance de ouro. Seus olhos brilharam, mantendo-os imóveis. Porém o destino, o cruel destino quis que as emoções não se cessassem tão rapidamente. O tiro saiu pela culatra, triscando levemente o canto do alvo, para desespero de Cebola. Agora era acertar ou perder Mônica, pelo menos por essa noite, mas que podia ser para uma vida inteira.Não posso olhar dentro do seu olhar,Bala de Prata acerta pra matar.Virei seu refém e não quero escapar.BandidaVocê atirou em minha direção,E acertou bem no meu coração.Minha vida ficou na palma de suas mãos.Ele fechava os olhos, encostando suas mãos sobre o balcão da barraca. Em sua mente, fazia com que as lembranças, motivos para ele estar ali, invadirem sem dó e piedade por seu corpo. Os olhares, as conversas, as palavras sinceras, as brincadeiras engraçadas e infantis, os beijos, carícias e... A prova de amor. É isso. Pegue aquela arma, mire aquela bala de prata e acerte-a dentro do coração de sua amada.Sua testa respingava, tensa. A arma era colocada mais uma vez em suas mãos, e ela se mexia na posição adequada, somente esperando o aperto do gatilho. Decidiu olhar sua mira apenas uma vez. Seus olhos fecharam-se e sua respiração era irregular. O gatilho era puxado aos poucos. Tudo dependia dele, só dele. Pam! O disparo havia sido feito. O projétil disparava pelo, buscando uma barreira para atingir. O alvo era marcado mais uma vez, para alegria de Cebola.- Meus parabéns, meu rapaz – disse o homem da barraca – E então, qual o prêmio que deseja escolher?- Eu não vou escolher, vou deixar a Mônica escolher por mim. – ele pegou a mão de sua amiga e a conduziu para perto da barraca.- O que vai querer então, mocinha? – perguntou o homem, fitando Mônica.- Hummm – pensou a dentuça – eu quero aquele elefante rosa com um coração na barriguinha – apontou para o centro da barraca, onde se encontrava o prêmio.- Bom, esse elefante equivale a três tiros. Bom, você ainda pode ter outro prêmio. – o homem pegou o bichinho de Mônica, ao mesmo tempo que procurava os prêmios equivalentes a um tiro. – Ah, mas que pena, eu só tenho um prêmio de 1 tiro disponível... E é esse beijo de pelúcia. Não tem problema, não é?- Não – disse Mônica, corando – Pode ser. Afinal, o beijo é lindo! – Mônica pegou os dois prêmios e se despediu do homem. – Vamos Cebolinha, ainda tenho que te pagar a minha aposta – disse, caminhando para fora do parquinho, indo em direção ao palco.- Quer que eu leve o seu filhote e o beijo? – brincou Cebola, tocando nas pelúcias.- Não precisa, CÊ! Eu os guardo na bolsa!! – disse a dentuça, fitando o amigo.Ao chegarem um local não muito apertado na multidão, Cebola virou-se para fitar Mônica, sorrindo. Aproximou-se de maneira calma e cautelosa, tanto para não assustá-la, tanto para ser o mais cavalheiro possível. Envolveu a cintura da dentuça com sua mão esquerda, roçando os dedos com delicadeza, apartando-a contra em corpo. Com a mão direita, entrelaçava sua mão na dela, em perfeita harmonia.- Não se preocupe, é só acompanhar meus passos. Serei cauteloso, não quero quebrar o meu pé – falou Cebola, sorrindo.- Olha aqui Cebolinha... – Mônica fora calada com o dedo indicador de Cebola.- Quem diria hein, achou seu filhote desaparecido e ainda ganhou um beijo de brinde — ele riu, voltando a entrelaçar sua mão na dela, dançando calmamente.- É, por essa eu não esperava... – Mônica acompanhou o riso de Cebola, tentando girar de forma correta ao dançar.Os passos dos dois eram lentos, tanto para aproveitarem o momento quanto para não pisarem no pé um do outro.- Mônica – sussurrou o troca letras, fitando os olhos da dentuça.- O que foi, Ce?
- Bom, eu acho que eu preciso te dizer certas coisas – começou, tentando organizar as palavras – primeiro de tudo, eu não desisti de você e dessa vez não vou deixar você escapar das minhas mãos como eu havia feito antes. Devia ter dito para você o que sinto há muito tempo.- Como assim, CE?- Pode ficar quieta e me ouvir, por favor? Não é fácil falar uma coisa dessas quando alguém fica te interrompendo, ok? Todo esse tempo eu tinha um ódio inimaginável por você. Claro que isso foi na infância e nessa época, meninos e meninas vivem disputando quem é o melhor de todos. Mas, o tempo passa e o ódio vai se transformando em uma amizade sincera, verdadeira e começa, aos poucos ultrapassar as barreiras da amizade. Como eu posso te dizer, você não é mais... Uma amiga para mim Mônica.- CE, o que você quer dizer com isso?- Mônica eu amo você e não vou deixar que nada, nada desse mundo vai mudar esse sentimento. Olha pra mim – disse Cebola, puxando o rosto de Mônica para perto de seu rosto – eu já tentei provar pra você que te amo. Ta, foi meio estranho e tudo o mais, eu deixei passar. Mas... Eu não sei como eu vou conseguir provar pra você... Acho que só com as palavras e – Cebola retirou sua mão da cintura da dentuça, ajoelhando-se diante dela – Mônica...- Sim, Cebolina?- Você me daria a honra de amar e ter um namorado que nunca deixará de ser seu melhor amigo?- Como é? – disse Mônica, arregalando os olhos.- GRAÇAS A DEUS ACHEI VOCÊS DOIS – disse Caleb, andando em direção a Mônica e Cebola, interrompendo o clima. – Opa, eu atrapalhei em alguma coisa?“Não, não, você só estragou o MEU pedido de namoro, só isso Caleb” pensou Cebola, com o olhar fulminante no moreno.- Nossa desculpa, gente. Mas eu tava desesperado procurando vocês. Hã, Cebola, posso roubar a Mônica por uns minutinhos? Eu preciso falar com ela.- Ta, de boa – disse Cebola de maneira monótona, levantando-se.O moreno aproximou-se da dentuça, entrelaçando sua mão na dela. Levou-a para um local mais afastado, para poder conversar tranquilamente com sua mais nova amiga.- E aí, curtindo a festa, Você-já-sabe-o-meu-nome?- Estou, e você, guarda-costas?- HEHE, estou sim. Adoro festas do peão.- O moreno roçava sua mão no rosto da dentuça – Mônica, lembra que eu te falei que eu sempre serei sincero com você?- Lembro sim. Mas por que você ta falando isso pra mim?- Porque eu não estou agüentando mais – disse, aproximando-se do rosto de Mônica – Você veio como terremoto e eu não ficarei satisfeito enquanto eu não sentir o gosto do seu beijo – antes que Mônica pudesse resistir, Caleb colava seus lábios no dela, roubando-lhe um beijo.Fim do 55º capítulo.
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