O Tempo Irá Dizer
22 Feridas
Notas iniciais
Romance for Clara - André Rieu (instrumental)
http://br.youtube.com/watch?v=5WI-pgtiG0M
Magali havia se sentado num sofá juntamente com seu namorado. Quim havia saído mais cedo, pois havia prometido ao pai que voltaria mais cedo, deixando sua namorada um pouco triste. Quando observava Quim saindo, via rapidamente Mônica correndo para a saída com o rosto todo vermelho. Logo após, um garoto havia sentado ao seu lad, aparentemente cansado. Os dois conversaram, quando começava tocar uma música animada, a qual fazem os dois apostarem que o garoto não iria conseguir acompanhar a garota comilona. Os dois remexiam o corpo no mesmo ritmo, ela rebolava e ele rodopiava em torno de si. Sem querer, ele tropeça no próprio pé e cai em cima de Magali, a qual o segura firmemente, deixando-a vermelha. Logo depois, ele pede seu prêmio, o qual era um beijo na mão dela; Porém, os hormônios falavam mais alto e ele acaba roubando um selinho da comilona. Magali ficara completamente confusa, não sabia ao certo quem era essa pessoa. Depois de procura-lo sem êxito, ela foi embora para sua casa e de tanto pensar no assunto, ela adormecia.
Amanhecia no Limoeiro, era uma manhã nublada, acinzentada, com uma aparência triste. Cebola estava em sua cama. Suava frio e rebatia-se fortemente. Sonhava com a festa, ele visualizava momentos, os quais passavam como relance e logo saiam para dar entrada a outro.
[Flashbacks]
- O que foi, Mô? MACHUQUEI MUITO ELE? ASSOPLA NO PÉ DELE E VÊ SE SALA!
- COMO EU ENTENDI “ELADO”? EU VI COM OS MEUS “PLÓPLIOS” OLHOS!
- MAS NADA!! AGOLA SAI DE “PELTO” DE MIM, SENÃO NÃO AJO POR MIM!!
- Ah, Ce...esquece a Mô...
- Ta bom, Ce – dizia, dando selinho nele.
(Mas a Mônica vai ver, ela terá seu troco!).
(Eu? Machucar os sentimentos dela? Ora, e ela pensou antes de magoar os meus? Ah, fala sério!).
[Fim dos flashbacks]
Súbito. Cebola pulava de sua cama:
- PÁAARAAA!!!
Dona Cebola, ouvindo o grito, saía correndo em direção ao quarto do filho, abra a porta:
- Filho, que grito foi esse? Está tudo bem?
- Ta tudo bem, só foi um pesadelo! Agora deixa eu sozinho mãe, por favor!
- Tudo bem, filho! Já to saindo! Qualquer coisa é só me chamar! – respondia sua mãe, fechando a porta.
O garoto “troca-letras” ainda estava muito magoado, triste e desapontado. Sentia um vazio em seu coração, pois uma parte vital lhe fora arrancado de uma forma brutal e a sangue frio. A ferida estava aberta e ainda sangrava muito, causando-lhe uma hemorragia. Por que isso acontecia a ele? Por que justo agora?
Por mais que ele tentasse esquecer de tudo, pensar em outra coisa, tudo o fazia pensar de novo no mesmo assunto. Cebola precisava desabafar suas mágoas com alguém. Ele pegava o telefone e discava para Cascão. Tocava, tocava, tocava...
(Atende Cascão, atende...Ah! ta bom, não atende e deixa na caixa postal...)
Depois de mais de vinte tentativas frustradas, acabava desistindo e foi tomar um banho para tentar esfriar a cabeça.
Enquanto isso, dois quarteirões distante dali:
Mônica já estava acordada, seu rosto aparentava cansaço e seus olhos estavam vermelhos. Ela havia chorado a noite passada durante intermináveis horas. Ao mesmo tempo que seu coração palpitava dolorosamente, ele ardia em pura adrenalina, acelerava, invadia todo seu corpo, tomava conta dela: sua cólera era imensa. Queria que Denise e Reinaldo, principalmente, ficassem perdidos em um lugar distante, sofrendo suas agonias. Como Atlas, Mônica estava com o mundo em suas costas, porém, mesmo provida de força, o peso dele a massacrava.
Dona Luísa percebeu que sua filha não saía de seu quarto e já era a hora do almoço. Ela escancarava a porta do quarto da fila, deixando-a entreaberta:
- Filha, você não vai almoçar?
- Já estou...Snif! Indo. – Mônica soltava uma lágrima.
- Mônica – Luísa entrava e sentava na cama, ao lado da filha – está tudo bem? Você ta com uma carinha...
- Nada mãe, ta tudo bem... – respondia, desviando o olhar.
- Olha aqui pra mim – ela virava o rosto da filha- você pode confiar na mamãe, Mônica! Eu sou sua melhor amiga e sinto que você não está bem e que algo de ruim aconteceu com você!
- Ah mãe, você não entende...
- Amorzinho da mamãe, escuta! Eu já vivi mais de trinta anos. Além de ter experiência de sobra, eu já tive a sua idade! Estou aqui para te aconselhar e de dar aconchego, afinal, você é a pessoa que mais amo no mundo, você pode confiar em mim! Mas se você quiser que eu saia, não tem problema, eu vou entender!
- Não mãe...fica aqui comigo! – Mônica tinha um olhar carente, parecia um cachorrinho sem dono.
- Mãe, você já sentiu como se o mundo desabasse em todos o seu corpo e que seu coração fosse atingido em sua fonte de vitalidade? – perguntava, soltando algumas lágrimas, as quais fizeram Luísa a abraçar fortemente.
- Não na mesma intensidade, mas algo muito parecido! Eu sei como é! Mas o que aconteceu para você estar assim?
- Bom, a história é um pouco longa...
- Não tem problema, sou toda a ouvidos...
- É que eu e o Cê...bem, digamos que tivemos um “rolo”.
- O que rolou entre vocês?
- Bom, sábado passado ele tentou me beijar, mas eu me fiz de difícil naquele dia e no domingo, o que fez ele me procurar. Terça a gente esbarrou, começou a chover e rolou um clima entre nós e ele segurou na minha mão delicadamente. Na dia do trabalho aqui em casa, ele ficou a sós comigo, arranjou um jeito de eu chegar perto dele para me abraçar e pedir pra ficar comigo, e eu aceitei. Quinta ele pediu pra eu ir com ele na festa. E na festa ele me roubou um beijo, que foi o melhor da minha vida!!
- Nossa! Quantos acontecimentos, hein? Que fofura! E pensar que há nove anos, ele vivia atrás de você pra te irritar! Você tem que admitir, ele é um menino muito romântico e fofo! – Luísa soltava um sorriso.
- Realmente ele é um fofo, mas eu ainda estou muito triste e com uma dor imensa no coração!
- Ah, então deixa eu assoprar, assim sara essa dor!
Eram as últimas palavras que Mônica queria ouvir naquele momento. Elas a atingiram como espadas, que fincavam no coração, abrindo cada vez mais aquela ferida que doía tanto. Mônica caia em uma cachoeira de lágrimas sangrentas, rubras, negras, escuridão total.
- Eu falei algo errado, filha?
Mônica não respondia, abraçava a sua mãe com toda sua força. Ela explicava detalhadamente, entre suspiros, lágrimas e soluços, tudo o que ocorreu depois do beijo demorado de Cebola. Contava o plano, a ira de seu amigo e quando o mundo caía em seu corpo bruscamente.
Dona Luísa agora entendia toda a agonia que sua filha passava e retribuía o abraço dela na mesma intensidade, acariciando suas costas e seus cabelos.
- Fica calma, Mônica. Isso vai passar, ele vai perceber o erro que ele cometeu!
- Não mãe...não vai passar não...mesmo! Ele não quer sequer ouvir minha voz depois de tudo que viu!
- Só não irá passar se você continuar aqui, parada e chorando pelo que aconteceu. Eu sei que não está em condições de melhorar essa dor terrível, mas ela só será curada se você ir atrás da felicidade que tanto deseja ao lado do Cebolinha. Deverá mostrar e provar a ele o tanto que o ama e que você não seria capaz de fazer o que acha que você fez, além de provar que isso não passava de um plano ridículo da Denise para separar vocês dois.
- Eu sei mãe, mas aonde eu vou arranjar coragem para fazer tudo isso?
- Você prefere ficar envergonhada e chorando “à toa” ou rodar a baiana, ou melhor, a Denise?
- Claro que rodar a Denise, é o que mais quero, deixa-la tão mal para que nunca mais ela tente fazer algo contra mim e contra o Cê!
- Agora, antes de fazer qualquer coisa, deixe que ele — ela colocava a mão de Mônica no coração – te guie. Escute-o, pois ele sabe o que fazer, pois é ele que te levará para a felicidade!
Mônica dava outro abraço na mãe, dando um beijinho no seu rosto. Gostava de conversar com ela, pois sabe que ela dirá toda a verdade, mesmo que machuque profundamente. Sua mãe sabia como abrir os seus olhos, sabia como fazer ela continuar forte, lutando pelos seus objetivos, para que dessa maneira, pudesse estancar todas as feridas causadas no passado.
Fim do 22º capítulo.
Notas finais
Romance for Clara - André Rieu (instrumental)
http://br.youtube.com/watch?v=5WI-pgtiG0M Bom, essa conversa entre Luísa e Mônica eu utilizei por experiência própria, porque anos atrás eu me sintia as mesmas coisas que a Mônica, mais ou menos, e minha mãe dava esses conselhos para mim!! Sei não é da conta de você, mas achei importante falar isso.
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