O Tempo Dirá
36 Socorro, estamos morrendo!
Notas iniciais
Capítulo 36 — Socorro, estamos morrendo!
Duas espadas se colidiram.
Ambas de Slade, uma na mão do próprio e a outra na posse de Dick que lhe foi dada antes da batalha verdadeiramente começar.
Dick apoiou-se em seu pé esquerdo enquanto tentava sustentar o peso da katana em seus braços machucados.
Slade criou um vácuo entre ambas lâminas investido pela esquerda na altura das costelas do rapaz prodígio; ele desviou com dificuldades rebatendo-a.
Claramente o Exterminador era forte, bem mais do que muitos vilões com os quais Dick lutara; habilidoso e trapaceiro. Para o mascarado não existia a vitória limpa e nem honrosa, o simples fato de se vencer a luta bastava-lhe.
Dick percebeu isso quando recebeu uma avalanche de escombros causada por um chute do Exterminador.
Tudo ao redor deles era perigoso e usável para ambos:
Uma rasteira, um ferro pontiagudo, uma vala mortal, tudo poderia ser usado contra e a favor de Dick, se o rapaz não fosse criado para usufruir da ética.
Apesar disso, as espadas somente se colidiam, sem efeito ou coisas magníficas que geralmente são descritas em lutas. Um desvio, um golpe baixo, uma investida; todas as coisas comuns em uma luta.
Dava para se perceber visivelmente ambos experientes na arte da esgrima, mas a desvantagem de Dick foi claramente vista pelos tropeções e vertigens que ele sentia durante os rápidos movimentos para fugir da lâmina de Wilson.
Talvez Slade estivesse levando aquilo como uma brincadeira de criança, pois todos já sabiam de quem seria a vitória daquela luta, por menos óbvia que fosse.
Rachel saiu de perto do portal de seu pai avançando com afinco em direção à Tara a lançando contra o prédio a vários metros atrás de si. A colisão foi forte, mas uma grande muralha de lama amorteceu o baque — só não o suficiente para evitar uma contusão em sua perna esquerda.
Sem tempo de reagir, outro soco veio de encontro consigo, este vindo da enraivecida Koryand'r.
Por um triz.
Milímetros para a esquerda e Tara teria perdido seu ombro direito estraçalhado pela força incomensurável da tamaraniana. A loira começou a entrar em desespero.
Sem perder a pose, desapareceu dentro do muro de lama surgindo pelo chão mais a frente das duas garotas, mas novamente esqueceu dos outros titãs, errando uma terceira vez.
Rajadas rosas acertaram-na em cheio arrancando filetes de sangue de seus braços e pernas. Tara soltou um grito em desespero virando-se para Lucky que sorria maldosa.
— Sua...
Um baque em seu ombro a fez girar brusco em 360º graus caindo ao chão. Outro grito de dor.
Wally parou ao lado de Jinx estalando os dedos irritado.
— Parece que a princesa está na pior. — comentou ele com uma imensa ironia na voz.
Koryand'r pousou à sua frente, quase em cima de seu corpo machucado, coberto de sangue e lama. Rachel rumou ao lado de Garfield quase desmaiado pela anemia forte.
— Gar, tudo bem? — perguntou ela preocupada segurando em seu ombro. Ele riu:
— Estou sim, meu anjo. — respondeu ele.
Rachel negou com a cabeça:
— Não me chame assim, não na forma que estou agora. — comentou entristecida desviando o olhar.
Garfield riu: — Não seja idiota, Rae.
— Tara! — chamou Kory olhando-a de cima: — Que tal parar com isso? Se parar de nos atacar paramos de atacar você também. — afirmou a garota ainda em tom autoritário.
— Tsc! — exclamou Tara levantando-se: — Vocês não entendem nada. Nada!
— Não? Engraçado, pensei que fosse você que não entendia o que está se passando aqui, e o que irá acontecer quando você soltar a besta no planeta. — ralhou Lucky.
— Slade me ajudou a controlar meus poderes. Devo tudo o que sou a ele. — explicou Tara: — Foi por isso que me mudei para a Inglaterra, para treinar com ele que se estava por lá fazendo pesquisas.
— Ou seja, você saiu do país para treinar com um estranho? — zombou Garfield escorado em Rachel: — Não sei para onde foi toda a sua esperteza, Tara.
— Gar, você não entende. — cuspiu a loira.
— Não. O cara verde não entende nada sobre poderes descontrolados. — bradou ele.
Tara se calou.
— Anda... — insistiu Kory: — Faça a coisa certa. — ela esticou-lhe a mão esperançosa. Tara a encarou por um momento, e firmemente recusou seu pedido.
— Desculpe! — com uma face dolorosa, Tara conseguiu afastar todos do seu arredor com algo semelhante a um tornado inteiramente feito de pedregulhos e escombros dos prédios ruídos.
Todos se afastaram. Rachel estava com Garfield praticamente desmaiado em seu ombro tentando achar o ponto mais seguro daquele lugar, ou pelo menos saber para onde o Victor e a Karen haviam ido.
Rachel suspirou sentindo seu interior entrar em uma guerra entre suas emoções boas e a diferenciada no tom vermelho sangue; sua mente estava em guerra e torcia para que a Conhecimento conseguisse vencê-la, caso contrário perderia os sentidos permanentemente.
Três horas!
Somente mais três horas e estaria livre da maldição!
Isso claro se o Exterminador não tivesse entrado naquele jogo mortal de xadrez, onde ambos rei e rainha iriam perecer...
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O apartamento de Victor estava um caos.
A sala não mais existia, tendo nela uma imensa cratera no lugar de sua sacada; os móveis destruídos e com marcas escuras de queimado estavam espalhados pelo que ainda restava de uma cozinha. Por sorte, seu quarto estava a salvo graças as paredes de aço reforçado que Victor construiu para casos similares a terremotos e furacões — o que veio a calhar em uma invasão alienígena.
Ele estava sentado ao lado de Karen na cama com vários conectores plugados em suas costas o ligando a um carregador no canto do cômodo. A garota estava calada com o olhar perdido pela janela enegrecida pelo fogo que mal sabiam de onde viera.
Victor se concentrava em manter os olhos abertos, a parte ruim de ser metade robô é a falta de energia causada em seu sistema, o deixando mais vulnerável a desmaios no final de sua carga.
— Está em quantos por cento, Karen? — perguntou com a voz arrastada pelo cansaço.
Ela levou seu olhar até o monitor que marcava 15% em vermelho vibrante. Suspirou decepcionada:
— 15. — respondeu seca.
Victor aquiesceu:
— Você sabe que pode voltar para lá. Não precisa ficar presa nesse quarto comigo. — comentou olhando-a de canto: — Não vou morrer, e você sabe disso.
Karen permaneceu quieta por alguns minutos sem reagir a nada. Victor respeitou o silêncio dela tentando pensar em algo diferente do que acontecia do lado de fora.
Um tempo depois ela se levantou e saiu do quarto.
O Stone soltou um grave suspiro esparramando-se na cama. Permitiu-se fechar os olhos e absorver o máximo de energia antes de voltar pro campo de batalha, vulgo Avenida Principal de Gotham.
A cama mexeu a seu lado e Karen sentou-se com um copo d'água que sabe-se lá onde encontrou. Victor sorriu nada surpreso.
— Pensei que uma vez na vida te convenceria a fazer o certo. — comentou o rapaz sem abrir os olhos.
— Diz isso como se me conhecesse a anos — comentou: — Se não cuidar de você quem vai garantir que não saia desse quarto sem estar bem?
— Touché. — exclamou Victor sem emoção: — São os meus meninos que estão lá...
Karen riu: — Fala como se fossem seus filhos.
— Digamos que eu sinto mais um sentimento de irmão mais velho do que de um pai, mas mesmo assim me preocupo com todos. — explicou calmamente: — ouvi todos seus problemas, consolei suas mágoas, sequei lágrimas, concertei mobílias quebradas pelo Logan, tudo com grande prazer. — continuou ele abrindo os olhos: — Não estar lá é como me sentir um traidor.
— Sabe que não é verdade. — repreendeu Karen.
— Eu sei? — ele riu consigo mesmo — Não sei mais o que é verdade ou mentira. Nos últimos tempos não tem havido diferença entre as duas. — cuspiu: — Ainda sim, cada um de nós tem a sua verdade, e a minha consiste em morrer pelo que acredito e, nesse momento, não consigo me ver longe daquele campo como um cachorrinho com o rabo entre as pernas.
Karen soltou uma longa e extensa bufada:
— Entendo o que quer dizer, mas ainda sim não há total sentido. — falou Karen estranhamente calma.
— Eu sei que não! Se houvesse sentido não estaria aqui me lamentando agora.
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Céu totalmente negro com pontos vermelhos os quais lembravam muito estrelas; estradas de pedra; vala com uma queda infinita. Animais peçonhentos vagando por entre as pedras e plantas dispersas no imenso e basicamente infinito local.
Em outras palavras, um mundo mergulhado do caos.
Ao longe uma voz eclodia por todos os cantos. Melodiosa e semelhante a uma garota alegre a cantar músicas trovadoras.
— Vermelho sangue, vermelho tinto, quantos vermelhos consigo pintar? — cantarolava tal garota sentada em cima de uma árvore totalmente de galhos queimados.
Caso fosse uma cantiga, seria de Maldizer, com certeza.
Em seu pescoço, uma grossa capa vermelha estava manchada de negro por toda sua extensão, semelhante a respingos de tinta negra e fumegante.
Em sua mão uma linda flor rosa estava sendo despetalada com calma em meio aquela música estranha e assombrosa...
— Eu vejo rubro, eu vejo negro, quantos corpos consigo empilhar? — mais uma frase e outra pétala indo ao chão juntando-se a um amontoado de pétalas anormalmente gigante ao pé da árvore onde estava.
Na base da pilha, uma mancha estranha queimava a grama amarelada ao redor da garota radiante na árvore.
— Um belo dom, uma linda maldição, quantos pecados meu pai consegue montar? — outra frase e outra pétala.
Uma rajada de vento soprou forte das montanhas desnudas e sem brilho. Sacudiu a capa da garota junto a pilha de pétalas que voou para longe revelando o corpo moribundo de uma garota jovem. Idêntica à em cima da árvore, possuía uma capa rosa cintilante, rasgada em duas partes.
Seus olhos estavam sem brilho, e seus cabelos manchados com seu próprio sangue.
A de vermelho sorriu retirando o capuz de seu rosto revelando quatro orbes avermelhadas em sua face e um sorriso macabro e aterrorizante.
— Eu gosto de vermelho, e odeio cor de rosa, será que agora eu apago a mais corajosa?
Recolocou o capuz e desapareceu do campo antes florido e partiu para uma área de cor roxa, seu próximo alvo de destruição em massa.
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Rachel sentiu uma dor agonizante em seu peito. Como se algo houve sido retirado de dentro e si. Doía como nunca, e sequer sentia machucado ou outro tipo de ferimento; era interno, era quase insuportável.
Curvou o corpo para frente gemendo baixo com Garfield em seu ombro. O rapaz a encarou de canto, ma manteve-se calado, não sabia pelo que ela tinha de passar para se manter naquela forma.
Se ao menos ele soubesse que seu lado amaldiçoado estava matando pouco a pouco seus sentimentos, emoções e conhecimentos.
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Dick pulou por cima de Slade caindo apoiado em sua mão esquerda ao chão, jogou seu corpo para trás ficando agachado. Encarou bem o homem a sua frente... Ex militar, uma antiga arma de guerra do exército Americano que dera errado.
Ironicamente falando, à sua frente se tinha algo semelhante a um Capitão América versão laranja e preto; mudado para se tornar um soldado modelo, mas que rebelou-se em um Ianque traiçoeiro e fétido.
O que mais intrigava o rapaz era não poder enxergar seu rosto e prever movimentos. Parecia estar lutando contra um robô, sem emoções além das programadas.
Dick inspirou fundo tentando tirar energias que não mais existiam em seu corpo exaurido. Levantou-se novamente apontando a katana à Slade. O homem sorriu por detrás da máscara, apertou os olhos avançando com brusquidão sua katana sobre a outra.
A colisão foi forte fazendo o rapaz sentir um estalo na junta de seu antebraço, empurrou sua lâmina contra a do mascarado tentando criar um espaço entre ambas.
Agachou rapidamente na intenção de dar uma rasteira no homem, mas sem sucesso algum. Recebeu uma joelhada em seu pomo de Adão o fazendo largar de vez a katana. Cuspiu sangue tossindo forte pelo engasgo com o líquido quente que se alojava em sua boca.
Uma rajada de vento passou pelos dois levantando poeira ao redor deles. Redemoinhos de terra se formaram na superfície, pequenos e inofensivos. Entretanto, o que realmente preocupava era o tornado criado com destroços atrás deles ultrapassando um prédio comum de quinze andares.
Não se era possível ver, mas Slade sabia que Tara estava lá dentro comandando o desastre e talvez, no pior dos casos, sem controle, mas isso era o de menos.
Dick encarou transtornado voltando seu olhar para Slade que continuava em pé, sem sequer prestar atenção no fenômeno nada natural perto deles.
— Não me diga que está com medo, pequeno Robin? — zombou o homem cínico.
Dick bufou:
— Não estou com medo, afinal de contas um tornado não vai me impedir de dar um chute na sua bunda. — cuspiu perdendo totalmente a linha.
— Hm, palavras fortes. — exclamou sem surpresa alguma: — Porém, como vai fazer isso? — perguntou aproximando-se dois passos de Robin: — Pense comigo, como vai impedir a mim, a Tara e inclusive a Trigon. Admita, Robin, está em desvantagem, e irá perder.
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Rachel se sentia nauseada.
Sua mente latejava forte, e sussurros em desespero eram ouvidos em sua mente nublada pela transformação. Nada pensava, nada via. Sua mente estava totalmente desligada de Nunca mais, contudo ela sabia que algo lá dentro estava acontecendo, e provavelmente nada de bom sairia daquilo.
Uma fisgada em sua nuca a fez gritar de dor tombando ao chão derrubando o corpo de Garfield inconsciente. Fechou os olhos tentando controlar a dor lasciva que latejava como nunca.
Doía sem tamanho. Nem mesmo o vento ou resto de destroços colidindo em seu corpo a fez se concentrar em algo que não fosse dor.
"Por Azar, o que está havendo?", pensou desesperada. Tentou fazer uma rápida conexão com Conhecimento, mas a sua personalidade de nada respondeu. Estava temerosa, onde estão elas?
— Rae!! — chamou Kory pousando a seu lado. Apoiou uma das mãos em seu ombro que tremia demasiadamente: — Rachel, o que houv-
Em rápidos segundos a mão da empata sufocava a tamaraniana. Rachel a segurava pela jugular, pressionando sua garganta. Kory assustou-se com o gesto prendendo o pulso de Rachel em sua mão esquerda.
— Rae...
A garota estava possessa. A consequência de se usar os poderes de seu pai é a grande chance de perder o controle, o que estava acontecendo naquele exato momento.
Nada se via nela a não ser os olhos avermelhados brilhando em êxtase.
"Droga", grunhiu Kory segurando firme no braço da amiga.
— Desculpe Rae!
Com sua outra mão apertou forte seu braço, seguido de um barulho horrendo de algo se partindo em dois. Um grito saiu de Rachel — grave e monstruoso —, os olhos vermelhos ardiam em fúria, enquanto Kory se culpava encarando a parte branca rasgando sua carne para fora.
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— Um mundo cheio de desespero, como eu faço para criar? — cantarolava uma das emoções de Rachel tingida de vermelho sangue: — Eu tenho poderes super incríveis, mas por onde devo começar?
Um rastro de sangue seguia a garota que puxava um curpo por um capuz roxo ensanguentado.
Bom senso estava morta.
— Conheço pessoas de todos os lugares, mas qual devo governar? Gosto de guerras, e de destruição, mas por que a aventureira eu quero matar? — a música continuava, sem sentido e totalmente macabra.
— Ei, Bom senso? — chamou a menina: — O que aconteceria se eu matasse a Conhecimento?
Não houve resposta, afinal de contas não havia como!
— Não vai responder? Não seja tímida, não vou te morder, hihihi~ — riu brincalhona retornando a cantoria enfadonha.
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Rachel agonizava-se de dor. Segurava firme seu braço deixando lágrimas escorrerem por seu rosto limpando com as pequenas gotas seu braço pálido e ensanguentado.
Kory pegou Garfield passando o braço dele por seu pescoço servindo como apoio ao rapaz desacordado. Segurou Rachel pela cintura e levantou voo saindo daquele campo minado.
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O prédio estalava pela força do vento que colidia em sua ferragens. Parte do teto da estrutura estava ruída pela batalha ocorrida minutos atrás, paredes derrubadas e outras apoiadas em várias estantes imensas dispostas por todo o local; provavelmente aquilo fora uma biblioteca.
No canto esquerdo, livre de vento, chuva ou desabamento, um corpo estava deitado com vários panos lhe cobrindo e uma almofada sob sua cabeça.
Acima dele um cano d'água gotejava ritmadamente caindo em seu rosto. Não demorou muito a abrir os olhos azuis encarando o cano pendurado a dois metros de si.
Seu corpo latejava, principalmente sem braço direito já inexistente. Tentou se levantar sentindo uma fisgada em sua coluna. Mordeu o lábio voltando a posição inicial.
Virou a cabeça para o lado tentando ver o estado de seu braço, esperando uma cena horrenda de algo em decomposição ou inflamado, surpreendeu-se ao ver somente um curativo bem feito de um pano branco com algumas manchas de sangue nela.
Havia sido tratado e até aquele momento não tinha se dado conta que não estava mais em campo de batalha. Respirou fundo voltando a encarar o teto recebendo mais uma gota em sua testa.
— quarenta segundos... — murmurou o rapaz inspirando fundo pelo cansaço.
Virou-se para o lado facilitando o ato de ficar sentado, apenas. Gemeu todo o processo até finalmente sentar-se ao chão encostando na parede úmida e fria da biblioteca.
— O que aconteceu? — perguntou-se tentando resgatar algo em sua memória afetada pela Anemia forte da perda se sangue.
Lembrou de importantes detalhes como as naves gordanianas, a explosão, a amputação de seu braço, a briga com os seres titânicos, os gritos de Kory e Koma e em seguida a escuridão.
Aparentou ter ouvido Kory chamá-lo em algum momento, talvez tenha sido ela a cuidar de si depois do desmaio pré coma.
Inspirou fundo mais uma vez tentando controlar o pulmão que parecia pesado e perfurado; talvez estivesse.
— Preciso voltar, agora. — comentou Ryan num murmúrio: — Sinto algo ruim no ar.
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O grito de Tara assombrou toda a rua como um urro de um animal em agonia. Seu corpo parecia se destruir, braços e pernas quebrando-se em vários pedados menores como se seu corpo fosse feito das pedras as quais estava controlando.
Do lado de fora do tornado, Jinx e Wally tentavam perfurar a barreira de vento que envolvia a garota, enquanto Kory tratava dos dois feridos protegidos atrás de um ônibus inacreditavelmente intacto.
Rachel chorava de dor encostada em uma das pedras. Seu braço estava bifurcado com mais de um osso rasgando sua pele. Kory se sentia mal, muito mal por ter feito aquilo, mas foi necessário.
Gar estava em seu colo ofegante. Sua cor sempre tão avivada estava agora pálida, morta e isso preocupava a Tamaraniana em demasia.
Rachel murmurava consigo mesma em agonia. Bom senso estava morta e agora não teria mais controle sobre suas ações. Se for atacar, matará; se for bloquear, machucará; se irritar-se, destruirá.
— Estou morrendo.... — sussurrou para si mesma num lamento desesperado. Kory acabou ouvindo:
— Como assim? — perguntou descrente.
— Elas estão morrendo... — reformulou sua frase: — Minhas emoções e personalidades estão ruindo pouco a pouco. Estou morrendo por dentro.
— Não entendo. — comentou Kory. Realmente não havia como entender, não eram todas as pessoas que enxergavam suas emoções e personalidades como pessoas e seres vivos.
— Estão perdendo. Minha maldição está tomando posse de minha mente, vou perder e meu pai será liberto.
— Não estou te compreendendo, Rae. — afirmou desesperada. Agachou-se com certa distância da empata: — É uma guerra mental?
Rachel meneou a cabeça:
— Isso... Ele está ganhando. — disse por fim: — Perdi.
— Não desista agora, temos tempo de— Rachel a interrompeu.
— Três horas é tempo demais para me manter lúcida. — falou: — Minha mente está ruindo. Chutando alto tenho mais trinta minutos.
Kory ficou calada. Afinal de contas não havia o que se fazer a respeito. Entretanto, uma solução apareceu na mente de ambas na mesma hora; uma se arrependeu dolorosamente pelo pensamento, a outra viu aquilo como uma luz no final do túnel.
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A katana estava penetrada na terra dura e seca da antiga Avenida Principal de Gotham. Dick estava ao chão...
Derrotado.
Slade mantinha-se de pé com sangue pingando da lâmina em sua mão. O braço esquerdo de Dick sangrava pelo corte profundo na altura de seu ombro.
Ainda que não fosse seu braço usual é difícil utilizar de apenas um numa briga que é necessária a trapaça.
Travou a mandíbula em puro ódio. O que estava fazendo no chão? Por que estava tremendo? Do que tinha medo?
Medo.
Essa talvez fosse a melhor definição para o que sentia. Seu corpo tremia como um relógio; Seus olhos ardiam pelas lágrimas que queriam irrompe-los pela dor latejante em seu braço, sua garganta doía pela joelhada e se encontrava seca pela poeira que circulava entre eles.
O que fazer?
"O que o Batman faria?", perguntou-se o rapaz.
Quanto tempo não se perguntava isso. Desde que entrara pros titãs, pensar em Batman como modelo a ser seguido não passava mais por sua cabeça — talvez nem na de Bárbara. Entretanto, naquele momento ele pensou em seu tutor e em como resolveria a situação.
Primeiramente não ficaria rendido no chão. Talvez essa fosse a primeira coisa. A segunda era óbvia:
Lutar até quando souber que sua derrota é iminente!
Era nisso que estava se segurando. Ignorando a dor, pegou em seu cinto Batrangs lançando até Slade que as desviou com a própria lâmina, mas que deu tempo do rapaz pegar novamente a espada e desferir um golpe em sua armadura, mais necessariamente em sua perna esquerda.
O homem inclinou-se para o lado lançando a katana contra o rosto do rapaz. Desviou, mas um risco se formou em seu nariz escorrendo um fino filete de sangue.
— Parece que voltou a ativa, Robin. — comentou Slade.
— Não morrerei aqui, nunca!
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Kory não acreditava naquele pensamento imundo. Era terrível demais para se fazer, mesmo já tendo matado inúmeras pessoas em sua vida, tirar a de Rachel estava fora de cogitação.
Um dor passou por seu coração. Aquilo era cruel demais, aquele momento era cruel pois era a única escolha lógica e claro que a garota concordaria, afinal de contas o bom senso não mais habitava seu interior.
Rachel inspirou fundo como se pudesse ler os pensamentos de Kory:
— Me mate!
— NÃO! — bradou a tamaraniana convicta voltando-se para Garfield ainda desmaiado em um pré-coma.
— Koryand'r. — repreendeu a garota: — Por favor, é o único jeito de salvar a todos, pelo menos tirando do caminho o inimigo mais complicado de se vencer. Por favor!
— Nunca. Não posso fazer uma coisa dessas. — Entrou em prantos com lágrimas pingando no rosto do rapaz metamorfo: — Você não fez nada de errado, nunca matou ninguém, nunca brigou, xingou ou fez coisas das quais se arrependeria. Por que eu mataria alguém assim?
— Uma vida por milhares. — rebateu séria. Kory fungou: — O que é a minha vida em relação a todas as outras?
Kory resfolegou:
— O Gar nunca me perdoaria. — murmurou: — Eu nunca me perdoaria.
— Eu sim. — disse Rae: — Eu lhe agradeceria.
Ambas se olharam profundamente nos olhos. Kory a compreendia. Parecia que não, mas compreendia mais do que a própria empata poderia entender.
Matar ou morrer, é a regra da vida. Numa guerra ou você morre ou vive, e naquele momento ela estava matando para viver e salvar; matando por um pedido egoísta de um ser humano egoísta.
Fechou os olhos indo até Rachel. A empata levantou-se ficando cara a cara com sua futura assassina.
Kory levantou a mão deixando lágrimas descerem por seu rosto. Desferiu-lhe um tapa forte o bastante para desnortear a Azarathiana.
— Você é egoísta Rae, igual todo humano nessa Terra. — falou Kory como se a Rae pudesse ouvir: — Não conseguem entender o que causam nas pessoas quando resolver fazer atos simplórios e suicidas. Não quero seu agradecimento. Quero que viva.
Agora gritando, Kory bradou:
— Quero que todos voltemos para casa juntos, entendeu!!!???
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Tara terminou com o seu acesso de raiva com a mais pura destruição. Ainda que tenha conseguido controlar novamente seu poderes, o estrago que deixou foi gigantesco.
Pousou ao chão cautelosa encarando Rachel e Garfield desmaiados no chão. Garfield estava pálido, e isso ela podia ver bem: ele iria morrer, e a culpa seria em parte dela.
Queria chorar, mas não conseguia e nem deveria. Não tinha esse direito de chorar por um erro seu, e somente seu. Tara inspirou engolindo as lágrimas e voltando-se para o casal que a enfrentava cara a cara.
— Já terminou, princesa? — cuspiu Lucky esbaforida.
— Já... — respondeu a contra gosto, realmente merecia aquele escárnio.
— Então vamos terminar com isso de uma vez. — Jinx usou de seus poderes para destruir os canos d'água no subsolo da rua. Uma parte aberta do chão lhe possibilitou ver a passagem de água da cidade, mas precisamente o esgoto.
Tara soltou um gritinho agudo pela surpresa sendo ensopada pela água suja.
— E agora, vão fazer o que? — zombou a loira irritada, com frio e nojo.
— Te eletrocutar.
Não teve tempo de ser virar a tempo de ver a pessoa, mas conseguiu ver bem um dispositivo lançado na água causando curto na garota que gritou de dor.
Arqueou as costas para trás em desespero. Revirou os olhos perdendo a consciência desabando ao chão molhado.
— Victor! — chamou Wally correndo até ele: — Está melhor?
— 30% — respondeu o moreno: — Mas aguento mais uma rodada. — emendou sorridente.
— Quantos volts isso tinha? — perguntou Karen a seu lado.
— Somente o suficiente para desacordar por pouco tempo. Logo ela acorda. Melhor amarrá-la. — propôs Victor recebendo acenos em confirmação.
— Vá até a Kory, temos dois feridos graves — disse Lucky ao ciborgue que disparou junto de Karen até os três.
— Ruvinha! — chamou à Kory que se virou. O rosto duro da garota assustou inicialmente o moreno: — o que aconteceu?
— Garfield está em pré-coma por causa da Anemia. — comentou com a voz estranha: — Não acorda de jeito nenhum. Já a Rae esta assim por mim causa. Ela perdeu o controle.
Respondendo de forma dolorosa, a garota suspirou agachando-se novamente ao lado de Rae visualizando seu braço quebrado em dois.
— Vou ver o estado do verdinho. É mais preocupante, já que a Rae se cura sozinha. — disse Cyborg. As duas aquiesceram.
Victor abriu os olhos de Garfield para dar uma rápida examinada, com certeza era anemia, e das perigosas. Grunhiu preocupado pressionando seu dedo na veia jugular do rapaz para sentir a pulsação.
Fraca demais e diminuindo.
Victor arregalou os olhos:
— ELE ESTÁ MORRENDO!
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O céu negro com rachaduras grossas como vidro, manchas vermelhas gotejantes no céu queimavam por onde caiam. Uma chuva ácida, e totalmente mortal. A mente da Rae estava uma bagunça tremenda.
Entre as diversas dimensões dentro dela, a maldição caminhava saltitante até a próxima porta de entrada para outro sentimento ou personalidade. Sorrindo de forma assombrosa, a garota rodopiava no lugar instigada a conseguir vencer aquela guerra interior.
Parou os pulos por um momento fitando a figura à sua frente. Capa marrom, olhos firmes e um óculos de armação fina e quadrada.
— Conhecimento, estava te procurando. — chamou a maldição cantarolando.
— Daqui você não passa, besta. — cuspiu a garota serena: — Causou estragos demais na Rachel, não deixarei que prossiga.
A de vermelho riu alto:
— Posso te matar agora? — perguntou hilária.
— Tente, mas nem que eu deixe a dona desse corpo em coma, você não vai tomá-lo. Trigon não irá tomá-lo. — ralhou Conhecimento apertando o passo.
A maldição comprimiu os olhos:
— Quem é você?
— Que pergunta sem lógica é essa? — indagou sem paciência.
— É a Conhecimento, mas de outra pessoa. — comentou a mesma tombando a cabeça e esboçando um sorriso: — Seria...
Antes de terminar sua frase recebeu um chute em sua costela direita. Uma capa verde esvoaçou ao lado de ambas lançando o corpo da amaldiçoada longe.
— Uoou! Isso foi incrível, baby! — bradou a aventureira extasiada.
— Vamos terminar com isso, Coragem. — falou Conhecimento.
— Pode deixar, líder!
Maldição levantou-se ardendo em fúria. Lançou-lhe alguns raios ardentes bem desviados por Coragem e Conhecimento.
A mais brava correu pela esquerda saltando na intenção de acertar a lateral da intrusa que desviou com facilidade, Conhecimento veio pela frente com rajadas negras lançando Maldição novamente para trás.
A aventureira sorriu como se estivesse extasiada com a emoção da luta; talvez estivesse mesmo.
A garota levantou-se novamente em puro ódio. Labaredas de fogo a rodearam cortando o chão em valas profundas e sem fim do negro céu daquele lugar; Conhecimento grunhiu tentando se afastar da luta a qual ela não possuía habilidades para vencer.
Coragem avançou com sessões de socos e chutes, esquerda e direita, cima e baixo. Contudo, fora lançada longe tendo sua capa dilacerada pelas chamas inapagáveis.
— O que faremos agora? — perguntou Coragem preocupada.
— Tentar controlá-la o tanto que conseguirmos, mas por hora tenho de me comunicar com a Rae. — explicou Conhecimento recebendo um aceno de compreensão da garota ao lado.
— Vai!
Assim ambas se separaram, Coragem frente à Maldição, e Conhecimento até um local para conectar-se com Rachel. Não poderia deixar Maldição ganhar e — para isso —, Garfield não poderia morrer.
Sentou-se em uma rocha alta fechando os olhos. Inspirou fundo fazendo conexão com a empata desacordada entro de sua mente turbulenta.
Em poucos segundos, a garota apareceu à frente da Conhecimento totalmente confusa.
— O que...?
— Não temos tempo, Rachel. — bradou a garota: — Preciso que você acorde agora, entende? — o desespero em sua voz era evidente o que causou pânico na própria empata.
— Como assim? O que está acontecendo aqui dentro? Por que não falou comigo antes? — soltou várias perguntas, mas nenhuma delas foi respondida diretamente.
— Estamos em guerra, e você não pode perder mais nenhuma de nós, Rachel! — comentou: — Preciso que acorde e impeça seu lado sombrio de tomar o controle.
Rachel não estava entendendo nada. Que guerra? Que controle? Por Azar, ela não sabia.
— Rachel! — chamou sua atenção.
— Entendi! — repeliu voltando a realidade: — Mas o que eu preciso fazer? O que posso fazer?
— Salvar a vida daquele que lhe é mais importante. — respondeu enfim alguma de suas perguntas.
A empata gelou:
— Salvar a vida....? — arregalando os olhos, Rachel sentiu sua respiração pesar: — Garfield está?
— Ainda não, mas se você não acordar agora, ele estará!
— Mas como eu faço isso? Como curo uma ferida causada pela Anemia? — pediu desesperada: — Conhecimento, por favor!
— Dê parte de sua vida a ele. — respondeu direta.
— Como? — indagou incrédula.
— Se você der-lhe parte de sua vitalidade ele sobreviverá. Será um sopro de vida à ele, e a anemia sumirá sem necessitar de tratamento algum, mas claro isso causará em você um imenso cansaço e a possibilidade de perder sua mente permanentemente para a Maldição. — explicou Conhecimento: — Está preparada para isso?
Rachel ficou calada. Ela tinha a resposta na ponta de sua língua, não havia necessidade alguma de pensar a respeito, mas ainda sim ela não poderia perder a consciência, não agora.
— Não posso perder para Trigon, Conhecimento. — disse convicta.
— Mas consegue perder um amor sem enlouquecer? — rebateu séria calando a empata.
— Salve-o, eu me viro aqui dentro. — confirmou.
— Como fará isso sozinha?
Conhecimento riu:
— Nunca duvide de Azar! — O tom de voz mudou para algo mais grave, incrivelmente suave e nostálgico à Rachel.
A empata embasbacou-se. A garota lhe deu uma piscadela e a retirou de Nunca mais.
E, infelizmente, aquela seria a ultima vez que ambas se veriam. Isso era o fim de Nunca mais.
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Rachel acordou em um solavanco sentido a fisgada em seu braço forte e latejante. Mordeu o lábio tentando evitar um grito de dor.
Suspirou pesado soltando o ar de seu pulmão tentando achar a lucidez necessária para curar o braço estranhamente quebrado. Engraçado, não se lembrava de ter fraturado ele na luta.
O braço voltou para o lugar com uma luz branca envolvendo a ferida suja de poeira.
A empata pulou no lugar pelo susto que sentiu ao ouvir o grito de Karen. Os demoniosinhos estavam cercando-os por todos os lados. Eles não haviam sumido?
Levantou-se rapidamente e parou ao lado de Kory que chorava em desespero com Victor tentando reanimar Garfield.
Infelizmente Rachel chegou tarde.
O Logan estava morto.
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Por um momento, Rachel sentiu o mundo parar. Silencioso e lento, pintado de preto e branco; totalmente desolador.
Caiu sobre seus joelhos ao lado do corpo do rapaz desacordado com o rosto perturbado, como se houvesse morrido sentindo dor; o que era o caso.
— Rae? — chamou Kory a percebendo ali somente naquele momento. Rachel a ignorou colocando sua mão no peitoral descoberto de Garfield.
Ele estava frio demais para ter morrido recentemente. Talvez a febre o tenha matado. Rachel se permitiu chorar naquele momento desolada em puro desespero. Por mais que soubesse que poderia salvá-lo ainda, não conseguia raciocinar rápido, nada funcionava em sua mente.
Conhecimento tinha razão, se ele morresse, ela morreria junto, e isso pesaria não só para sua condenada alma, mas para a de sete bilhões de pessoas.
Pigarreou tentando achar o foco em meio a vista embaçada.
Fechou os olhos tentando fazer aquilo que lhe fora indicado por Conhecimento, recitou internamente o encantamento ensinado por Azar com força e desejo.
Precisava dele vivo, ele tinha de viver.
No final das contas, depois de dois minutos de encantamento e um cansaço infindável, Garfield tossiu engasgado.
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Azar sorriu pela empata fechando totalmente a conexão entre ela e Nunca mais. Seria muito perigoso se Rachel entrasse novamente em sua mente no risco de ser morta por si mesma.
Desceu da grande rocha assumindo formas masculinas e caminhou calmamente em direção a briga catastrófica mais a frente daquele estreito caminho de pedra.
Coragem estava perdendo, cheia de hematomas por seu corpo acinzentado e miúdo. Azar pronunciou palavras encantadas que selou Maldição em um cubo de energia espiritual.
Seu poder astral ainda existente em Rachel era fraco, mas talvez aguentasse tempo suficiente para ela retomar suas forças perdidas durante a cura.
Mesmo falecido, Azar sempre esteve olhando pela empata guiando seus passos como sempre fez quando mais nova; e Nunca mais talvez tenha sido a melhor forma de ajudar a garota.
— Coragem — chamou o ancião. A garota o encarou um pouco surpresa, mas logo mais aproximou-se: — Chame as outras, vamos tentar conter ao máximo a Maldição para Rachel poder usufruir de todo seu poder. Ela necessitará disso.
— Ok!
Com a ordem dada, Coragem desapareceu da vista daquele senhor.
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Garfield arqueou o corpo para frente tossindo engasgado pelo repentino retorno do ar em seus pulmões. Mesmo tendo recebido uma segunda chance, o cansaço residida em seu corpo como uma âncora imensa.
Rachel estava apoiada e seu peitoral exaurida, tanto pelo feitiço quanto pelo choro abafado.
— Ra-rae? — gaguejou o rapaz ainda engasgado. Ela mirou-o com um sorriso que talvez nem Garfield tivesse presenciado.
— Idiota! — bradou a menina desfalecida em lágrimas grossas. Garfield afagou seu cabelo preocupado.
— O que aconteceu? — perguntou.
— Você morreu, Garfield. — respondeu Victor um pouco fanhoso, até mesmo o homem de lata teve seu coração quebrado naqueles minutos: — Por uns dois minutos, mas morreu. — explicou: — A Rachel te salvou da morte.
Kory sorria abobadamente apertando de leve na perna do rapaz como no intuito de passar energias positivas para ele.
— Eu... morri? — foi um choque tremendo para o rapaz que agora entendia o desespero da namorada em cima de si.
— Desculpe. — desculpou-se Rachel desolada: — Desculpe.
— Pelo que, Anjo?
—Por tudo. — explicou ela: — Só tenho causado mal a você. Sinto muito, desculpe... — resfolegou ela em meio ao soluço que apareceu em sua garganta seca.
Garfield sentou-se abraçando-a forte.
— Pare com isso, por favor. — implorou ele: — Não consigo te ver chorar. Não se desculpe, não existe pelo que se desculpar e você sabe disso, meu anjo.
Rachel aconchegou-se em seu abraço controlando o choro.
Kory se levantou visualizando a situação caótica em que se encontravam: cercados por demônios, tinha algo melhor que isso?
— Melhor irmos para algum lugar mais alto, assim os impedirá de nos seguir. — propôs a tamaraniana.
Todos aquiesceram. Rachel ajudou Garfield a se levantar. Segurou-o pelo braço servindo de apoio ao corpo maior e mais pesado do Logan.
Voaram até a sacada de um prédio ainda inteiro. A sacada estava aberta por uma cratera que englobava mais seis andares. Kid segurava Lucky no colo quando subiu correndo até o prédio.
— Está faltando alguém, não está? — perguntou o rapaz fazendo uma rápida contagem dos heróis.
Kory quase engasgou-se ao presenciar a luta que ainda ocorria no chão:
— Por X'Hal! — exclamou desesperada Kory: — DICK!
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Pernas rápidas e ágeis corriam por cima dos prédios desertos. Pequeno e ligeiro, Damian pulava de um vão para o outro apressadamente segurando em mãos uma katana embainhada.
O capuz vermelho de seu casaco estava tapando seu rosto rosado pelo frio, enquanto calculava a melhor rota até a Avenida principal.
Havia tentado vários caminhos, mas todos impossíveis de se passar, até mesmo para o jovem Wayne. Sempre que colidia com uma parede xingava aos sete ventos palavras de baixo calão, muitas vezes inteligíveis.
Desta vez resolveu ir pelo telhado. Demoraria mais devido ao imenso esforço que tinha de fazer, e das habilidades de Parkour que tinha de usufruir bem.
Sabia que Bruce estava bem atrás de si, pois a algum tempo sentia um olhar gélido em sua nuca.
Se parasse para esperar o pai com certeza receberia uns bons sermões e tentariam tirá-lo da jogada, e fora exatamente por isso que abandonou Tim e Jason na caverna — não que fizesse diferença para ele.
Bárbara apressou o passo tentando aproximar-se do rapazinho sendo seguida instintivamente por Bruce.
— Piralho! — gritou Babs sendo ignorada por Damian: — Que moleque mais atrevido.
— Deixe-o. — disse Batman: — Por mais que não o queira nessa luta, as coisas estão cada vez mais sérias. Talvez precisemos das habilidades dele no final das contas. — a proposta não desceu bem para o homem morcego, e Babs sabia bem de quais habilidades o mais velho falava.
E por isso ela torcia para ele não ter a necessidade de usá-la.
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Dick virou meia lua desferindo um chute no peitoral do Wilson. O homem cambaleou para trás apoiando-se em seus pés firmes.
Correu até ele usando das habilidades físicas para conseguir causar algum dano no garoto prodígio. Richard desviava com dificuldades, o seu braço não facilitava o processo de esquiva, muito menos na investida.
Por mais que não quisesse admitir, estava perdendo para Slade e se as coisas continuassem do jeito que estão talvez perdesse mais que uma luta desigual.
Ofegou avançando novamente contra Slade. Por hora era somente isso que conseguiria fazer contra o homem: investir.
O Exterminador soltou uma gargalhada presa desde o começo da guerra. Dick assustou-se elevando os ombros rígidos.
— Muito interessante. — disse o homem: — Obrigada por essa experiência, contou muito para mim.
Do que ele estava falando?
— Calado! — bradou Dick sem sequer tentar entender o que ele balbuciava.
Slade riu ainda mais avançando com mais força e rapidez. O garoto se perdeu nos movimentos do homem tentando ao máximo se afastar dele.
Ele ouviu o som de algo pousando à seu lado, e por instinto o Grayson olhou para o local de onde veio o barulho. Assim que o fez arrependeu-se pelo resto de sua vida.
Sentiu seus ossos se mexerem, seu sangue gelar pelo pânico e sua coluna curvar-se pra frente. Depois disso, a única coisa que viu foi o sangue escorrendo pela lâmina de Slade perfurando seu estômago.
— RICHAARD! — gritou desesperada Kory voando até onde os dois estavam.
Damian estava parado em choque a frente dos dois, a seu lado Batman e Batgirl dispunham da mesma visão.
O famoso Robin, prodígio do Batman com uma katana transpassando seu corpo fatigado.
Slade retirou-a com brusquidão fazendo Dick cair de joelhos ao chão, sem reação adversa que não fosse a surpresa e a dor contorcendo seu rosto alvo.
Cuspiu sangue dolorosamente despencando seu corpo ao chão de uma vez.
— Com isso, o líder perece. — comentou o Exterminador fitando Batman que se encontrava transtornado, mas para quem conhecia a figura conseguia sentir a aura envolta daquele homem.
Talvez ódio fosse pouco para descrever o que sentia naquele instante. Iria matá-lo, Ôh se ia.
Slade deu dois passos para frente da família morcego, entretanto fora segurado pelo tornozelo por Dick que sorriu dolorido.
— Nos vemos no inferno. — sussurrou o rapaz retirando de seu cinto um gatilho de uma bomba armada que explodiu criando uma vala gigantesca ao pé dos dois.
E assim ambos caíram em direção àquele buraco sem fim; sem chances de sobrevivência.
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