O Teceiro Recomeço
2 A Primeira Aparição.
Notas iniciais
Kaya POV's
— Sem chance de você mandar essa coisa pra professora! — Hailee praticamente gritou no telefone.
— Por que? eu expliquei tudo direitinho, tá até bem escrito! — Supliquei ao telefone.
— Porque a proposta de trabalho era fazer uma redação de mil palavras explicando como aconteceu os Dois Primeiros Recomeços da Humanidade do ponto de vista da ciência, e não fazer uma redação de oitocentas e setenta e cinco palavras sobre o porquê que aconteceu os recomeços. E você não tinha nada que dizer se era vampiro, lobisomem ou anjo! Você já colocou o nome científico, não precisa fazer mais nada e aliás, você sabe como a sta. Sylvyas é, se ela pediu uma coisa no trabalho, você precisa fazer aquilo, e eu tenho certeza de que ela não pediu opinião pessoal. — Respondeu Hailee.
— Tá, três coisas: Primeiro, como é que você sabe que tem 875 palavras?! — Falei
— Eu contei, oras.
— Contou coisa nenhuma. Segunda coisa: Desde quando você fala palavras como "proposta de trabalho" e terceira coisa: Eu achei que ia ficar legal colocar minha opinião, um diferencial no meu trabalho. — Eu disse, irritada.
— Argh. Vou ter que te explicar de novo isso? Nem todo mundo quer saber a sua opinião, Kaya! — Falou irritada Hailee e continuou tagarelando sobre seguir regras e ficar na sua e etc. etc. etc.....
Enfim, não escutei nem metade do que Hailee disse depois. Ei, não me julgue. Ela é um máximo ou quase um máximo na maioria das vezes.....Mas quando começa a falar sobre política e coisas da escola eu não aguento. E nem é porque eu não sou chegada em política, é simplesmente porque quando ela começa, não para mais, e não escuta mais ninguém, só fica tagarelando até que sua garganta fique seca, o que pode demorar um pouco.
Hailee Steinfield é minha amiga desde dois anos antes, quando comecei a trabalhar no Starbucks da minha cidade. No começo, eu achei ela um pouco paranoica, por causa do negocio da política e tal...Mas na época eu já tinha um amigo paranoico então já estava acostumada, e como ela era a única pessoa que era legal comigo no trabalho na época (por eu ser a novata e tal...) eu comecei a sair com ela. E agora ela é minha melhor amiga mulher. O tio dela trabalha na prefeitura da cidade, e é por isso que ela é ligada em política.
Eu tinha colocado "Stockholm Syndrome" do One Direction, uma música considerada retrô na atualidade pra tocar no meu Ipod, quando percebi que Hailee finalmente tinha parado de falar.
— E aí? Já acabou o discurso? Porque eu não me lembro de ter pagado pra assistir nenhuma palestra não, viu?!
— Fica quieta, Kaya.
— Eu tô falando sério, não quero discurso político de sobremesa do jantar não.
— Fica quieta só por um segundo. — Hailee parecia alarmada.
— Hailee? — Notei a preocupação em minha própria voz.
Contei vinte segundos antes dela me responder:
— Acho que tem alguém aqui.
— Aqui onde? Na pizzaria? Mas ela não está aberta ao público hoje? -
Os pais de Hailee são trabalhadores fiéis da pizzaria Domino's na zona comercial da cidade e por isso ganharam um desconto do dono no aluguel do apartamento duplex que tem em cima da pizzaria, o que a faz a única pessoa que eu conheço que mora na zona comercial.
— Não, aqui eu digo aqui em cima, no apartamento. Eu...Eu acho que vi um relance da... da pessoa..... — Ela respondeu.
— Então liga pra central de segurança, oras!
— É que... não era bem uma pessoa....
— Um animal?
— Pa-parecia um-um co-corpo ambulante....
Por essa eu não esperava.
— Hail, isso não existe. — Hail era o apelido que a mãe dela a chamava sempre que não estava brava. Eu quase nunca a chamava de Hail. Só quando queria reconforta-la.
— Eu sei! Eu sei que isso não existe! Eu vou descer para a pizzaria, ajudar na cozinha, a servir mesas qualquer coisa! Não vou ficar aqui em cima sozinha... Jack está lá embaixo ajudando também. — Disse Hailee, citando o irmão mais velho. Parecia desamparada.
— Hail....
— Eu te mando WhatAspp quando eu subir de volta com meus pais, ok?
Suspirei. Não havia nada que eu pudesse fazer. — Ok.
— Tchau — E desligou. Nem esperou eu dizer tchau, o que me deixou me perguntando se o tal "corpo ambulante" ainda estaria dentro de sua casa.
Para afastar a preocupação, coloquei uma playlist para tocar no meu Ipod e adormeci ao som de Taylor Swift, outra música retrô.
Acordei novamente à 01:00 da manhã, com a seguinte mensagem de Hailee no celular:
"Hey... Tenho certeza de que devo ter alucinado na história do "corpo ambulante". Foi mal ter surtado.
Estou bem, indo dormir agora, toda a família já está no apê. Bjsss e boa noite."
Revirei os olhos ao ler a última frase. Ela SEMPRE colocava três "S" na abreviação de beijos.
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