– Me solta! – eu disse tentando me soltar.

– Calma! Não vou fazer nada! – ele disse me soltando.

– Quem me garante? – eu disse assustada.

– É sério Patrícia, não vou fazer nada!

– Paty, meu nome é Paty!

– Porque não gosta que te chamem pelo nome? Acha que sua mãe escolheu mal? – ele perguntou rude.

– Não fala da minha mãe! – eu disse fitando ele com os olhos.

– Se não tem nada de mais, porque não posso falar dela?

– Porque você não é e nunca vai ser metade do que ela já foi um dia. – eu disse irritada.

– Duvido! – ele disse grosseiramente

– CALA A BOCA! SE EU PUDESSE ESTARIA COM ELA AGORA! E NÃO COM VOCÊ! – eu disse gritando.

– Então porque não fica? – ele perguntou de uma forma tão estúpida, que não tive escolha.

– PORQUE ELA MORREU! – eu disse gritando e chorando, passando por ele pela porta e correndo para fora da escola, aonde Jude me esperava no carro.

Jude ficou me olhando enquanto entrei no carro, chorando e abaixava a cabeça encostando os cotovelos nos joelhos e apoiando as mãos no rosto.

– O que houve Paty? – ele perguntou realmente preocupado.

– O DRAKE, AQUELE IDIOTA! – disse levantando a cabeça.

– O que houve? – ele perguntou de novo.

– Ele-falou-da-minha-mãe,-não-me-segurei,-eu-falei-que-preferia-estar-com-ela-do-que-com-ele-naquele-momento,-e-ele-perguntou-tão-estúpido-porque-não-ficava-que-acabei-dizendo-que-ela-morreu. – falei tão rápido que no momento todas as palavras pareciam ser juntas.

Jude me abraçou tão carinhosamente que a primeira coisa que me veio a cabeça foi retribuir o abraço e chorar, chorar até não ter mais motivo para isso.

Jude me levou para casa, e ficou comigo uns 15 minutos até me acalmar.

– Tem certeza que esta melhor? – ele perguntou preocupado

– Tenho, pode ir pra casa, obrigada! – disse enxugando as lagrimas e abracei-o.

Ele se despediu e entrou no UNO, indo para casa.

Tomei um banho, vesti um blusão do Bruno, que ele me dera de presente no aniversário de três meses, porque eu adorava aquela blusa. Eu mais usava por ser confortável do que por ser dele. E fui dormir, estava frio, por isso botei uma meia que eu tinha que vinha logo abaixo do joelho, e me cobri com um edredom que a Lou costumava usar, branco cheio de florzinha.

Mas acabei acordando mais ou menos uma hora depois, com o barulho da porta da frente se abrindo.

Droga eu deixei destrancada.

Peguei meu abajur na cômoda de estudos, e fiquei atrás da porta, qualquer coisa, e eu bateria com ele na pessoa. Olhei pelo canto da porta e vi que tinha alguém na sala, lá embaixo, então eu decidi descer pra ver quem era e o que queria. Ao descer a luz falhou, mas logo depois acendeu de novo. Procurei na cozinha e não tinha ninguém, então decidi ir para a sala, com o abajur na altura do ombro, escutei alguém ou alguma coisa. Mas foi mais rápido do que eu.

Eu senti alguém me segurando pela cintura e por reação me virei para bater na pessoa, quando eu vi, Drake. Minha vontade de bater nele virou-se ainda maior, mas ele era rápido e segurou o abajur e o colocou encima da mesa de cabeceira da sala.

– Drake... O que você esta fazendo aqui? – perguntei num tom de ignorância.

– Queria pedir desculpas pelo que eu falei no vestiário, eu não sabia. Sinto muito. – ele disse

– Não quero suas desculpas!

– Paty, por favor, eu te imploro, pra você me desculpar! – ele disse se ajoelhando na minha frente.

– Ah não, não mesmo. Levanta daí vai! – eu disse sem graça.

– Só se você prometer que vai me perdoar. – ele disse rindo

– Ta bom Drake, eu te perdôo. – eu disse segurando ele pelo braço, obrigando ele a se levantar.

– Já que você me perdoa, eu tenho uma coisa pra você. – ele disse tirando de uma sacola enorme, um cachorro de pelúcia e me entregando.

– Que lindo! – eu disse segurando o cachorro e abraçando ele no caso o cachorro.

Coloquei o cachorro na poltrona da sala. Drake riu. Quando me toquei que estava somente com a blusa, meia e calcinha.

– Parece que vai ser rotina te ver de calcinha né. – ele disse rindo.

– Ai meu Deus, fica ai, eu já volto! – eu disse correndo pela escada.

Chegando ao quarto fechei a porta, e encostei-me a ela. Escutei ele subindo na escada e então ele bateu no quarto.

– Paty, estava pensando, se você gostaria de jantar comigo hoje? – ele perguntou.

– Por que eu aceitaria? – perguntei.

– Porque eu sou um cara legal poxa. – ele riu.

– Ok, pode ser. – uma parte de mim queria, a outra, consciente dizia que não, mas eu não ia deixar de conhecer gente nova por isso.

– Espero você lá embaixo.

Assim que o escutei descendo, fui para o armário. Como estava frio coloquei uma calça jeans escura, blusa de manga comprida branca e um cachecol que Vick me dera no aniversário de 15 anos, era rosa claro e branco. Coloquei uma sapatilha rosa que também ganhara da Vick e soltei o cabelo ondulado com apenas uma presilha que prendia um lado da minha franja grande para trás do cabelo. Passei uma base cor de pele, blush quase invisível de se ver, uma sombra neutra e um gloss. Não era fã de maquiagem, só o natural do natural. Então depois de uns minutos, desci e Drake me esperava na descida da escada, de calça jeans escura, blusa preta de manga, dobrada ao cotovelo e tênis All Star vermelho. Abaixei um pouco a cabeça, pra disfarçar a vergonha. E desci.

– Você esta linda flor. – ele disse.

– Obrigada. – disse sem graça.

Ele esticou a mão.

– Vamos? – ele perguntou.

Ele segurou minha mão e eu concordei com a cabeça. No exato momento senti a sensação de formigamento e calor.