Cebola- Eu...

-Cebolinha!!!- Uma voz vinda da multidão gritou. Separa seu corpo de Mônica bruscamente, fica de costas para a dentuça, tentando localizar a pessoa, a voz não era estranha... Parecia de alguém que não via há muito tempo... Outra música toca. Uma bem antiga do Skank.

-Cebolinha- A voz novamente grita!

Cebola- Quantas vezes eu tenho que dizer que é Cebola!!!

Aqui nesse mundinho fechado ela é incrível

Com seu vestidinho preto indefectível

Eu detesto o jeito dela, mas pensando bem

Ela fecha com meus sonhos como ninguém, uh

Beat it laun, daun daun Beat it laun, daun daun Beat it laun, daun daun

A dona da voz finalmente é localizada. Cebola abre um sorriso. Realmente não tinha se enganado. A mulher loira, com o cabelo preso num rabo de cavalo, usando um vestido preto bem sexy, sem ser vulgar lhe abre um sorriso. Ele corresponde. Aquela garota lembra tantos momentos de sua infância.

Conhece a ti mesmo que eu me conheço bem

Sou um qualquer vulgar, bem, às vezes me esqueço

E finjo que não finjo, ao ignorar eu sei

Que ela me domina no primeiro olhar, uh

Beat it laun, daun daun

Beat it loom, dap´n daun

A primeira vez que desejou ter alguém de verdade. Dez anos se passaram e ela continuava a mesma. Só que mais linda! Só tem olhos pra ela que também não tira os olhos dele.

Eu quero te provar

Sem medo e sem amor

Quero te provar

Eu quero te provar

Cozida à vapor

Quero te provar

Cebola- Oi Xabéu!!!

Xabéu (Olha de cima abaixo)- Realmente... Não é mais Cebolinha... Cresceu em garoto... –Ele fica vermelho, ela da um beijinho em seu rosto.- E aí?! Como ta? Tudo bem...

Cebola- Melhor agola...

Mônica que tinha sido deixada de lado resolve se meter.

Mônica- Oi Xabéu... E de mim você lembra?

Xabéu- Claro Môniquinha... Ficou uma gata hein?! Nossa me sentindo uma dinossaura perto de vocês...

Cebola (Simpático)- Imagina ta linda...Maior gatona...

Xabéu...- Você que ficou um gatinho hein?!

Cebola- Mas você voltou quando do Rio? E a banda?

Xabéu tinha saído de casa para estudar no Rio de Janeiro há uns dez anos atrás. Lá fez faculdade de letras, mas nunca trabalhou no campo. Ganhava dinheiro através da banda de rock que tinha formado com mais dois amigos, além de tocar baixo era a vocalista dos Astecas, nome da banda. Já faziam algum sucesso no Rio e andavam fazendo shows. O primeiro cd da banda já estava gravando, pronto para lançar, era só marcar data.

Xabéu- Cheguei hoje... Presente meu de aniversário pro Titi... Tocar na festa dele... A gente combinou por MSN...

Cebola- Ah depois me passa...- Ficou papeando com Xabéu um pouco sobre as novidades. “Que raiva” pensava Mônica. Essa aguada tinha que aparecer justo quando a gente ia se entender... Quer saber... Vou pegar uma bebida... Não quero ficar de empata pra esses dois. Saiu sem ser percebida. No bar encontrou com Jeremias, uniformizado como motorista.

Mônica- Oi Jê!!! Por que veio de uniforme?

Jeremias- A patroazinha que mandou... Menina enjoada essa Carmem... Me trata feito empregado mesmo, nem parece que fomos criados juntos...

Mônica- Aí... Nem sei como você agüenta...

Jeremias- Pô mais é bom o dinheiro que o pai dela paga... Tão bom pegar numa grana que você sabe que é sua sabe Mônica...

Mônica- É... Deve ser legal... E o cursinho?

Jeremias- Ta legal... Faltam só seis meses... E você como ta?

Mônica (Meio desanimada)- Ah bem...

Jeremias- Bem mesmo?

Mônica- Dando pra levar...

Jeremias ia lhe perguntar alguma coisa, mas é interrompido pela voz de Carmem lhe chamando. Queria que ele segurasse seu casaco. “Deus me livre trabalhar pra Carmem um dia...” pensou Mônica. Pegou dois refris. Foi pro canto onde estava com cebola e xabéu, Não encontrou nenhum dos dois. Procurou por algum conhecido, depois de um tempo achou Nimbus e Do Contra.

Mônica- Oi, você viu o Cebola Nimbus?

Nimbus- Foi embora...

Mônica – (Espantada) Saiu? Sozinho?

Do Contra- Com uma loira... – Nimbus repreende do contra com o olhar.

Nimbus – Você ta bem Mônica?

Mônica (aérea)- Eu ótima... –Sem pensar entrega os refris nas mãos de Do Contra.- Pra vocês...- Sai andando sem rumo...

“Aííííí!!!! Como você é idiota Mônica!!! Deixar os dois sozinhos ele nem pensou duas vezes em sair com ela...” . -Tocava a música N do Nando Reis.- “Que raiva de ter agido como uma idiota!!! Que raiva de ter dado aquele beijo bobo na frente de todo mundo!!!” –Entrou no banheiro. Molhou o rosto e os braços. Precisava tanto de Magali. Cadê ela naquele momento?! Olhou-se no espelho. Tudo parecia tão claro. Ela se comportando feito uma garotinha e ele querendo uma mulher de verdade. Imaginou os dois juntos, aos beijos, ou quem sabe indo mais além...”Fechou os olhos. Estava precisando urgentemente de sua casa. De sua cama. Permaneceu de olhos fechados por um tempo pensando no que fazer quando ouviu o barulho da porta do banheiro bater e depois do reservado. Alguém dentro daquele cubículo botava toda bebida pra fora. Viu Jeremias na porta.

Mônica- O que aconteceu?

Jeremias- A Carmem...- Fez sinal de que bebeu demais.

Mônica- Aí que chato... Ouviram um barulho de algo caindo dentro do reservado. Mônica forçou a porta. A garota estava quase desmaiada. Jeremias ignorou a plaquinha escrito “Damas” e entrou pra ajudar Mônica na tarefa de levar Carmem até a pia e lavar o rosto e a boca. Estava praticamente desmaiada, mas reconheceu Mônica. Jeremias pegou a garota no colo.

Jeremias- Melhor ir pra casa... Acabou minha festa...

Mônica- Me leva também Jê...

Ele concorda. Sai carregando Carminha pelos fundos, colocam a garota no banco de trás e entram no carro.

Magali esta sentada no ônibus ao lado de uma mulher com uma criança no colo que não parava de chorar com uma mamadeira nas mãos. Para combinar a mulher também não para de reclamar e praguejar a pobre da menina que estava em seu colo. “Saco viu!!! Ninguém merece!!!” Pensava a comilona. Cascão estava em pé mais ao fundo. Seus olhos não saiam de cima da amiga. Nos lábios do sujinho surgia um tímido sorriso sarcástico. “Ainda bem que falta pouco pra chegar... Mais dez minutos dentro desse ônibus ela me mataria...” olha pela janela... Não conhece muito aqueles lados da cidade... Melhor perguntar ao cobrador...” atravessa o corredor.

Cascão- Oi, poderia me da uma informação?

Cobrador- O que?

De seu banco ela observa o garoto. “Depois que começou a tomar banho até que ele ficou bonitinho... Pena que é grosso! Machista!!! De taxí a gente chegava bem mais rápido... Ideia mais idiota essa que mulher não pode rachar conta se todo mundo pensar assim...” Seu pensamento é interrompido pelo bebê ao seu lado que joga a mamadeira no chão pintando a calça preta de Magali com um líquido branco, provavelmente leite Os olhares todos para a comilona. Silêncio total.

Magali (Tentando limpar) – Minha calça...

Ao avistar a garota tentando se limpar e espalhando mais a mancha o sujinho não agüenta, solta um sonora gargalhada jogando a cabeça pra trás!!! Magali o fuzila e levanta decidida. Puxa a cordinha.

Magali- Para motorista que eu vou descer agora!!!!!- Cascão a encara.

Cascão- Ei... Calma... -O motorista para e abre a porta do ônibus, Magali desce, Cascão vai atrás... Ela com a calça manchada de leite segue na frente a passos largos sendo alcançada por ele na esquina seguinte. Ele agarra novamente seu braço com firmeza.

Cascão- Deu a louca em você?! Era pra gente descer só daqui a três pontos...

Magali- Eu vou voltar pra casa...!!!- Se debate, ele continua firme... grita- Dá pra me largar por favor...- Afrouxa um pouco a mão.

Cascão- Que aconteceu?

Magali- Que aconteceu e você ainda pergunta... Olha a minha calça!!! Falei pra gente pegar um taxí...

Cascão- Taxí pra que se você não descesse do ônibus feito uma louca a gente já estaria lá... Mas não... A patricinha tem que dar oi showzinho básico por causa do leitinho derramado...

Magali- Você sabe quanto custou essa calça?

Cascão- O dinheiro que você economizou no taxí...- Tempo- E também nem é pra tanto...- tira um lenço de pano do bolso. Se ajoelha em frente a ela. Joga o lenço em cima da mancha e apertar pra tirar todo o excesso. – Acho que isso resolve...

Magali –Deixa que eu faço...- Por puro instinto ela vai por a mão em cima da mancha e acaba botando sua mão em cima da dele. Os dois se encaram envergonhados. Ele retira a mão devagar... Mas continuando se encarando.

Cascão- Acho que já saiu...

Magali (Ainda encarando)- Que?

Cascão- A mancha...

Magali- Ah...- Olha pra baixo.- Acho que ainda não... Só lavando...

Cascão- No escuro ninguém vai reparar... –Ele se levanta...- Vamo indo?

Magali- Falta muito?!- Começam a caminhar...

Cascão- Umas quatro ou cinco quadras...

Magali- Quatro ou cinco quadras?! De salto?! Aí a gente podia pegar um taxí...

Cascão- Taxí?! Ah gasta o dinheiro numa coisa mais útil garota...

Magali – Grosso...- E voltam para o inicio de toda discussão...

Ao fundo música Fidelity- Regina Spektor

Notas finais
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