O Sumiço de Denise

31 Visita ao Homem Sombra


Notas iniciais
Agência de Modelos!!!

-Não, Não e não!!!!

Magali- Vamos Cebolinha, assim a gente se atrasa...

Cebola – Já disse que não!!!! – O garoto defendeu-se de dentro do clubinho. Teve que se trocar lá, que desculpa daria a mãe se saísse usando as roupas da Magali?! Agora vestido a coragem lhe faltou. Não colocaria os pés lá fora de jeito maneira!

Com o carro estacionado na frente do clubinho Franja esperava o desenrolar da discussão com a porta aberta. Marina já tinha se acomodado no banco de trás do carro. De vez em quando o olhar da desenhista se encontrava com o do loirinho devido ao retrovisor. Logo desviavam os olhos para outro lugar. Do lado de fora, Cascão, encostado no carro não tirava os olhos de Magali que fez questão de lhe virar a cara. Mônica calada também só observava a cena de braços cruzados.

Magali – Por favor Cebolinha... Pela Denise...

Cebola – Não!!! Nem gosto tanto assim da Denise pra pagar esse mico...

Magali (A Mônica) – Vou matar esse garoto!!! Isso é hora de pipocar? Matar ele e quem teve a idéia desse plano estúpido...

Cascão – Eu ouvi tá?!!! Por que você não monta um plano melhor?!

Magali (Irritada)– Cala boca que eu não to falando com você!!!

Cascão – Acabou de falar... E eu não tenho culpa se o Cebola pipocou ok?

A comilona levanta os olhos aborrecida, Mônica percebe que esta na hora de agir.

Mônica –Eu vou falar com ele...

Franja – Não é melhor eu ou o Cascão falar, Mônica?

Mônica (Calmíssima) – Não Franja... Falta em vocês sensibilidade feminina... Vou usar com o Ce e logo ele ta dentro desse carro... Com licença. – Caminha tranqüila para dentro do clube. – E aê vai por vontade própria ou vou ter que buscar o sansão em casa pra você criar coragem?!!!! – Berrou a dentuça com toda sua força. Como uma bala disparada por um revolver Cebola disparou para dentro do carro. Nem se lembrou do salto plataforma da sandália de Magali. A blusa rosa bebe e a calça jeans cintura baixa de lycra que lhe deixavam de barriguinha de fora também eram da comilona. Os brincos e a bolsinha pertenciam a Marina. A longa peruca loira era de dona Luiza, mãe de Mônica e caiu muito bem no troca letras, Mônica foi responsável pelas unhas rosa clarinha.Já a maquiagem as meninas preferiram algo mais leve tipo base, lápis de olho e gloss, enquanto os garotos gargalhavam de sua cara Cebola se acomodou ao lado de Marina.

Marina – Cebola, tem um cabelo enorme no seu olho, fecha pra eu tirar...

Cebola – Mas eu não to sentindo nada...

Marina (Ordenando)– Fecha o olho!!! Agora!!! – Sem pestanejar o garoto obedeceu, Marina retirou o curvex da bolsa e apertou em seus cílios.

Cebola – Aííiííiíííííiííííííííííí!!!! – Com a mão no olho. – Sua monstla!!!!!!!

Marina – Desculpa Cebola, mas você não iria deixar se soubesse...

Cebola – Claro que não!!!

Marina – Deixa eu fazer no outro pra ficar igual... Agora não vai doer mais porque você já ta acostumado...

Cebola – Não mesmo?

Marina – Você não confia em mim?! –Cebola fecha o outro olho. Novamente o curvex da tortura.

Cebola – Aííííííííííííííííííííí !!!! Além de monstla é metilosa...

Marina – Deixa de ser fresco garoto... –Assopra seu olho.-Quando casar passa... Vamos embora!!!

Franja parte com o carro. Cascão e Magali não vão. Observem o carro se afastar. Ele vai tentar falar com ela, mas antes disso a garota arruma um jeito de se afastar logo. -Prontos? – Mônica pergunta a Cebola e Marina. Franja esta com o carro parado em frente a uma casa que parece ser espaçosa. É onde funciona a agência de modelos.

Marina – Prontíssima!!!

Cebola – Que velgonha... Que velgonha...

Marina pega firme no braço do garoto, abre a porta do carro e os dois saem. Mônica os observa. Cebola tropeça no salto e apóia-se em Marina que o ajuda a caminhar.

Mônica- Você acha que isso dá certo, Franja?!

Franja – Eu confio no Cebola... –Meio sem graça — E na Marina também...

Marina e “Florzinha” esperam por Diego na recepção da agência. A jovem secretaria do homem sombra já cuidou de anunciar a presença da garotas.

Cebola (Cochicha preocupado) — Isso nunca vai da celto...

Marina – Já ta dando... A secretária nem reparou!!!

Cebola – Mas e se notarem?

Marina – É só você manter a calma que nada de errado... Levanta vai até o banheiro, respira fundo e fica tranqüilo...

Cebola – Ta celto... – A secretária. – Onde...- O “onde” saiu muito grosso para uma menina, pigarreou para disfarçar e afeminou mais a voz. – Onde fica o banheilo? Digo banheiro...

Secretaria – Ali...

Cebola – Obligado... Não... Obligada... Obrigada... –A secretária o encara pela primeira vez, confusa. Marina o salva.

Marina – Vai logo Flor... Não atrapalha o trabalho da moça...- Cebola vai em direção aos banheiros, abre a porta do masculino e da de cara com um homem fazendo xixi no mictório. O homem fica sem entender e Cebola percebe a mancada e fecha a porta correndo. A secretaria continua tão sem entender como antes.

Cebola – Enganei-me de pol- porta... hahaha... – Entra no banheiro feminino.

Marina – Aí a florzinha é um amor de menina, mas distraída eu só ela...

Secretária (Sorrindo) – É percebi...

Depois de alguns minutos no banheiro Cebola finalmente sai e senta ao lado de Marina. Ela observa o zíper da calça do garoto aberto.

Marina (Tom baixo)– Fecha isso aí Cebolinha!!!

Cebola (Cochichando) – Eu não consigo!!!

Marina — Porque não consegue?!

Cebola – Eu tenho mesmo que explicar? – Marina logo entende o problema do garoto, mas não tem jeito. Fecha o seu zíper assim mesmo.- Aíííííííííííí, desse jeito você faz paçoca de mim garota!!!

Marina – Ou era isso ou usava uma saia e depilava as pernas...

Cebola – Torturadora!!!

Marina – Fracote!!! Falei que aquela saiinha jeans minha ficou melhor que essa calça...

Toca o telefone e a secretária atende.

-Ah sim... – Coloca a mão no bucal do fone. – Podem entrar garotas...

Marina – Vamos...- Cebolinha nervoso quase cai. – Seja o que Deus quiser... – Deseja a menina. Vão até a sala que foi direcionada. Diego abre a porta e um grande sorriso ao ver Marina.

Diego – Que bom que você veio gatinha...

Marina – Trouxe uma amiga...

Diego (A Cebolinha) – Qual seu nome?

Cebolinha – É ãh Flor... – Moacir que acompanhava o homem sombra na boate na noite que conheceu Marina estava presente na sala, assim como Ivan. Moacir aproximou-se de Cebola e beijou-lhe a mão.

Moacir – Flor... Não teria melhor nome para você menina... – Cebola fica sem reação. – Encantado... Moacir...

Marina (Divertida) – Ah com certeza... A Flor é mesmo uma flor de pessoa, né amiga?! – Cebolinha fecha a cara irritado com a paquera de Moacir. Diego olha Cebolinha por uns instantes.

Diego – Você não me é estranha garota... Não te conheço de algum lugar?

Marina fica apreensiva pelo troca letras, mas ele se sai bem...

- Creio que não... Nunca freqüentei agências de modelo... – Olha em volta. – Que bela agência a sua hein... Parabéns!!!

Diego – Estamos começando agora, mas temos tudo para se tornar um grande sucesso... Por isso quero investir em meninas feito a Marina para chegar logo ao topo... – Olha a desenhista encantado.- Ela não é linda?!

Cebola – Belíssima...

Ivan – Com ela logo estamos nas alturas

Marina (Bem a vontade) – Obrigada meninos!!!- Completa encarando Cebola.- E menina!!!

Diego- Eu queria conversar mais com você sobre o mundo da moda aquele dia na danceteria, mas você passou mal e um garoto não sei da onde e me tomou você!!!

Marina – Aí... Eu precisava falar com você sobre aquele garoto... É meu ex namorado... – Fica cabisbaixa. – Ele é um... estúpido... Não entende que a gente não tem mais nada!!! Não pode me ver com outro que estraga tudo...

Cebola- Ele fez minha amiga sofrer muito e ela merece ser feliz... – Pega na mão da garota. – Vai dar tudo certo amiga...

Marina – Aí obrigada amiga...

Cebola –De nada querida...

Diego –Ele que não venha se meter comigo de novo... Quebro a cara dele...

Ivan (Puxa saco) – E pode contar com a gente...

Diego – Bom... Já que não falamos aquela noite que tão começarmos a falar sobre você ser modelo hein Marina?!

Moacir – E quem sabe até a sua amiga né?! Altura e rosto bonito ela tem. – Cebola faz uma nova carranca ao comentário do interessado Moacir e abre um sorriso amarelo gema.

Marina – Eu amei a idéia, sempre foi meu sonho trabalhar com moda... Mas sonhar é uma coisa e levar jeito é outra né?

Diego – Podemos ver isso agora!!!

Marina – Agora?

Diego – E por que não?! Temos fotografo, estúdio tudo a disposição. Esta decidido!!! – Pega o telefone e pede que preparem o estúdio que será usado por Marina. Enquanto aguardam o chamado Ivan passa uma rodada de café a todos.

Há alguns dias dona Lili observava que o comportamento da filha não era mais o mesmo. Magali parecia ser tomada por uma distração sem tamanho. Nas refeições a menina que era tão falante, vivia agora com o olhar perdido em algum canto. Trancava-se dentro do quarto e dormia a tarde inteira ou então procurava refugio nos pelos brancos de Mingau, Aveia e os filhotinhos do casal. Alisava os gatos horas a fio, pensativa, arriscaria dizer até entristecida. Comentou com o esposo sobre as discretas mudanças que vinha notando na adolescente. Seria aquilo alguma inicio de crise de idade?! Magali nunca deu trabalho depois de te crescido. Pelo contrário, amadureceu rápido, passou a se alimentar melhor, boas notas, sempre procurou se abrir com a mãe. Uma filha que muitos pais queriam ter. Seu Paulinho não tinha visto essas alterações que Dona Lili lhe falava, mas achava normal Magali demonstrar-se alterada. Uma dde suas amiguinhas tinha desaparecido, talvez sido seqüestrada. Talvez seja preocupação, sofrimento. Dona Lili concordou com o marido na hora que ele podia estar certo, por outro lado sentia que havia mais coisa que a comilona estava guardando. A dúvida já lhe atormentava. Quando a garota chegou no meio da tarde e não quis saber da torta de morangos light que tinha acabado de fazer e foi em direção ao quarto não lhe restou mais dúvida. Magali passava por problemas sérios.

Como saber o que incomodava tanto a garota? Por meio das amigas? Mônica, Marina, Denise, Dorinha, Cascuda ou qualquer uma das meninas que cresceram juntas de Magali eram ideais para obter alguma resposta e todas se davam bem com ela, as meninas consideravam ela e Luiza as mães mais flexíveis, por isso as mais chegadas das garotas. Mas não sentia-se bem em procurar uma amiguinha de Magali sorrateiramente e perguntar se sabiam de algo. Que outra maneira poderia descobrir o que andava amolando sua menina?!

Fitou a mesa e seus olhos fixaram na torta de morangos. Uma idéia nascia em sua mente junto com o sorriso. Já sabia o que fazer. Pegou o telefone sem fio e discou um número.

Lili – Oi!!!- Tempo. –Sou eu tia Lili, queria falar com você... – Tempo. – Acabei de fazer aquela torta de morangos que você adora, não quer vir provar um pedacinho?! Ta bom Tchau!!!

Mal desligou o aparelho e seu convidado que adorava a torta de morangos apertava a campainha estridente. Atende a porta. Mais rápido que um raio, Dudu, primo de Magali, três anos mais novo que ela cumprimenta sua tia com um beijo e corre para a cozinha. O garotinho que não podia ver um prato de comida em sua frente que saia correndo transformou em um pré adolescente que devorava tudo que fosse comível. A fome da menina de amarelo se manifestava em Dudu a ponto de ser comparado com a própria, já que como a prima tinha um apetite devastador embora não engordasse nada.

Dudu- Não podia ter me chamado em melhor hora tia... Estava faminto...- Disse tomando seu lugar a mesa enquanto a dona da casa corta um generoso pedaço da torta.

Lili (Rindo) – Você não nega que é primo da Magali mesmo... – Coloca o prato com a torta em sua frente e o observa comer com gosto.

Dudu- Bom que eu cheguei antes dela ver essa maravilha... Senão nem ia sobrar...

Lili – É o que você pensa... Acredita que eu ofereci e ela nem aí... Entrou pro quarto e não passou os olhos pela torta...

Dudu- Uma bocó!!! Melhor que sobra mais!!!

Lili – To é preocupada com ela!!! Ficar sem comer, trancada no quarto... Não é a minha filha... – Brincando.- Vai ver abduziram...

Dudu – Isso tudo é frescura... Deve ta chocha assim por causa da briga com a Cascuda...

Lili – Briga com a Cascuda?

Dudu – A tia... Não soube que elas se pegaram no tapa lá no colégio?!

Lili (espantada) – No tapa?! Dudu você vai me contar essa história direitinho!!!

Dudu – Se a tia me servir mais um pedaço de torta... – Sem nem pestanejar Lili cortou mais um bom pedaço e serviu o garoto que contava tudo sobre a briga. O que, como, onde, quem, quando e principalmente o “por que” do rompimento de Magali e Cascuda. Estudando na mesma escola que Magali não foi difícil pescar os detalhes do acontecimento.

Marina já estava cansada de tantas poses em frentes as câmeras, mas quanto mais tempo consumia de Diego, Moacir e Ivan era melhor para Cebolinha executar o plano concebido por Cascão. Infiltrar-se ao máximo dentro da Agência de modelos. Aproveitou a falha do Homem Sombra de deixar o computador aberto e copiou todas as informações salvas com um pen-driver. Fuçou armários, papeladas em cima da mesa, gavetas. Nada de importante. Tinha que ser rápido. Afinal a Florzinha tinha ido apenas retocar a maquiagem. Ia sair da sala quando avistou uma maleta de couro sobre a mesa. Abriu. Viu uma carta pessoal. Fechada. Olhou o remetente. A carta veio de paris e dentro parecia conter algo mais do envelope que papel. Sem pensar duas vezes enfiou a carta na bolsa, saiu da sala e foi direto para o estúdio onde encontrou Marina vestindo sua blusa.

Marina (Cochichando) – Eles me fizeram tirar fotos de lingerie...

Cebola (Surpreso) – E você tilou?!

Marina – A gente tem que fazer de tudo pra eles acreditarem que não desconfiamos de nada... É assim que as coisas funcionam...- Cebola encarava admirado da coragem da desenhista que continuava seu relato. — Conversei com duas meninas menores de idade que estão sendo agenciadas aqui... O esquema parece que é que nem o Franja falou das mulheres traficadas... Conseguiu alguma coisa?

Cebola – Não sei, mas vamos sair logo daqui antes que eu já to nelvoso!!!

Marina (Zoando)– Pelcebi!!! – séria. – Vem vamos embora!!!

Marina e “Florzinha” dão até logo a Diego e seus amigos e as duas meninas que Marina falará a Cebola e vão embora da agência. Cebola aliviado. Além do medo ir embora podia finalmente arrancar-lhe aquelas roupas. Ao chegarem no carro logo são questionado por Mônica e Franja sedentos pro novidades. Marina e cebola no entanto preferiram fazer suspense e abrir a boca só com a presença do sexteto completo.

Notas finais
Obrigada pelos comentários e continuem acompanhando!!!