O Sumiço de Denise
1 O homem sombra
Notas iniciais
Sentados no meio fio em frente a casa dos Cebolas estavam reunidos Mônica, Cascão, Denise, Magali e Cebola. Falavam sobre um trabalho de escola. Floquinho estava perto da roda escutando a conversa da turma enquanto corria o fim de tarde no bairro do Limoeiro.
Mônica – Acho que sábado estava bom da gente se reunir pra montar o trabalho pra não ficar muito em cima da hora...
Cascão- Mas na sexta tem a festa do Titi... Todo mundo vai ta meio de ressaca...
Mônica- Mas a gente tem que entregar o trabalho na quarta feira... – Argumentou, era a mais responsável do grupo em questão de datas. – Durante a semana a gente tem que estudar pras provas...
Cascão (Assustado) Tem prova semana que vem?!
Magali – Provas, plural fofo...- Respondeu carinhosa.- Só se a gente montar o trabalho sábado á tarde...
Cascão- Por mim tudo belê...
Cebola- No clubinho? – O antigo clubinho dos meninos não funcionava mais há muito tempo, mas Cebola como o ultimo presidente possuía a chave do velho galpão localizado no campinho de futebol onde os garotos se reuniam. Usava para guardar sua bicicleta e também como um quarto de estudos.
Mônica- No clubinho.
Magali- Ta pode ser.
Cascão- Fechado e você Denise?
Denise (aérea lendo uma mensagem no cel) – Colei junto... Gentem... cês tão sabendo?
Magali (Interessada)- Que?
Mônica- Conta mulher...
Denise– O Titi não vai chamar a Ana pra festa dele...
Mônica (surpresa)- Que buchicho...
Cascão – Mas vocês hein?! Só sabem falar da vida dos outros...
Magali — Deixa de ser empata Cascão- Pra Denise.- Quem é tua fonte?
Cebola – Ah mas isso era óbvio né gente... O cara deve pegar geral na festa, vai chamar ex pra ficar regulando? Claro que não!
Magali – Ele te disse que vai pegar geral... Homem não presta mesmo...
Cascão (Defendendo) – Ah Maga não é assim e...-É interrompido por um ronco de motor bem possante. Uma Ferrari vermelha desfila sobre os olhos dos cinco jovens. O motorista estaciona quase na esquina e entra no sobrado mais escuro da rua. Os muros e um portão gigantesco na entrada da um tom de imponente e fantasmagórico ao local. É uma construção desocupada há anos, todos no Limoeiro sabem. Desce do automóvel um homem magro que daria para ser pai de um dos cinco. Cabelos pretos e lisos caem sobre seus olhos e nuca, a roupa toda preta contrariando a pele branca do recém chegado que abre o portão e some no quintal da casa, desaparecendo das vistas da turma deixando um rastro cheio de mistério. Ninguém nunca viu aquele homem no bairro. Uma ventania forte quebra o silêncio com um sopro intimidante. Magali se encolhe de frio.
Magali- Que coisa estranha... O que foi aquilo?
Cascão (Em choque)- Sei lá o homem morcego...
Denise – Depois eu que falo da vida dos outros...
Cascão – Você viu a cara do cara... Todo esquisito... Nem parecia humano...
Cebola – É parecia mais uma sombra... O homem sombra...
Denise – Ah achei bonitinho ele...
Cascão – Também você se apaixona por um cara diferente cada semana. Terça feira foi um hippe, hoje é o homem sombra e amanhã?! Só o Xaveco mesmo pra cair na suas...
Denise – Ah Quer saber? Vou pra casa... Tenho mais o que fazer do que ficar olhando pra sua cara suja Cascão...
Cascão – Ah vai dar boas vindas para o Homem Sombra?
Denise – Não é da sua conta queridinho... Tchau pra vocês... Amanhã a gente se vê, beijinhos. –Vai embora pra sua casa, não sem antes dar uma olhada na casa do homem sombra. Os quatro fazem o mesmo ritual, vão pra casa, mas antes dão uma espiada na construção da esquina.
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