O Sultão
41 D.N.A
Notas iniciais
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Capítulo 40
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Bella
Jasper viajou para levar a ajuda clandestina a Maniza, mas discutir com Edward não vai mudar nada.
O abracei e pelos próximos dias todos estivemos preocupados com meu cunhado. Também fizemos o exame de DNA de Husam e para distrair Alice da sua preocupação com Jasper a levei para passear.
─ É tudo muito bonito. ─ murmurou.
Sorri.
Estávamos caminhando uma do lado da outra pelas ruas principais, mas para as pessoas não reconhecerem a gente colocamos um hijab cobrindo o rosto e escolhemos conversar em italiano.
─ É muita mulher junta.
Olhei pela vitrine da joalheria que ela estava olhando.
─ Elas estão ajudando a noiva a escolher o dote dela e os dois homens atrás delas é o noivo e pai do noivo que vão pagar tudo. ─ respondi.
Caminhamos.
Nossos seguranças acompanharam a gente, mas eles estão acostumados a se esconderem das pessoas.
─ Não acompanhamos essa tradição. ─ murmurou.
Ri.
─ Seu guarda-roupa cheio de joias te desmente.
Alice piscou.
─ Achei que eram joias do sultanato.
─ Pela lei quando o marido morre a herança dele é divida por igual entre seus filhos e a esposa ou esposas, mas no divórcio a mulher só leva as joias dela e o dote que ganhou.
Me olhou.
─ O divórcio não é muito aceito na cultura de vocês, mas têm casais árabes-mulçumanos da realeza que se divorciaram. E se Edward e você...?
─ Casais que não se amavam ou não se respeitavam, mas a gente se ama e se respeita.
─ Nem sempre o amor e respeito são suficientes.
─ A gente também se ouve e tenta se compreender.
─ Só que você não ouviu, nem confiou no seu marido quando o encontrou com Lady Hana.
Parei e virei para ela.
─ Sentimentos fortes às vezes mostram o pior das pessoas. Eu estava com raiva, enciumada e com medo, mas não desconfiei dele, só não gostei de ver outra mulher colada no meu marido. Ninguém gosta e se ele estivesse no meu lugar não acho que ia reagir muito diferente.
Minha amiga colocou seu braço no meu.
─ Me leva para ver o mirante. ─ sorri de novo.
─ Tá bom. ─ respondi e juntas atravessamos a rua.
Nela vimos dois amigos se encontrando numa cafeteria. Eles beijaram o rosto um do outro e a reação dela foi muito engraçada.
─ Estou chocada! A homossexualidade não é aceita e casais heterossexuais não podem estar abraçados na rua, mas tudo bem dois homens trocarem beijos no rosto e se abraçarem numa boa. ─ sacudiu os ombros. ─ Acho que nunca vou compreender a cabeça de vocês.
Ri.
─ Religião e cultura caminham juntas nos países árabes-mulçumanos. Não tem pecado, nem é estranho para as pessoas dois amigos ou duas amigas, mostrarem carinho pelo outro, mas para muitos é diferente nas escolhas sexuais diferentes ou nos casais héteros. Você vai se acostumar.
─ Dois pesos e duas medidas nunca vão funcionar para mim.
─ Nem para mim, mas a gente se acostuma a engolir a maioria deles.
Chegamos ao mirante.
A paisagem do mar e das montanhas é linda.
Alice a olhou maravilhada e quando tivemos fome compramos ataif para comer ── ele é uma espécie de pastelzinho com uma massa parecida a da panqueca e um creme delicioso ──, mas meu tempo livre acabou, Edward e eu temos uma entrevista daqui a pouco, e no jardim do palácio ela entrou numa brincadeira com Husam e Edward.
Sorri.
São três crianças juntas.
Caminhei para o banheiro do quarto principal para me banhar e colocar outra roupa.
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─ Calça jeans ocidental, bata árabe, sapato de vermelho de salto e lenço a moda turbante. Você é das poucas pessoas que se equilibra a perfeição entre as duas culturas e está sempre... ─ Edward encontrou no nosso quarto.
Ele mordeu os lábios.
Seus olhos brilharam e não foi difícil perceber o que está na sua cabeça: sexy, gostosa ou por ai.
Sorri girando para ele me ver melhor.
─ Gostou?
Caminhou para mim colocando as mãos na minha cintura e os lábios no meu pescoço.
─ Não tem nada de você que não gosto. Te adoro todinha. ─ me arrepiei com a sensualidade da sua voz baixinha e suave no meu ouvido.
Ele mordeu a ponta inferior da minha orelha.
Gemi.
Meu marido riu, dando um tapinha na minha bunda.
─ Temos dois minutos para estamos no salão da entrevista com o jornalista estrangeiro.
Fiz biquinho.
Riu de novo, se afastando.
Passei meu batom nude preferido o jogando na penteadeira.
Edward manteve a porta do quarto aberta para mim.
Me coloquei na ponta dos pés e o beijei.
Ele retribuiu o beijou e sorriu.
Também sorri e na entrevista falamos da importância politica da festa de casamento do seu irmão, dos planos do governo para os próximos meses, da nossa escolha de adotar Husam ser do coração e não da cabeça e dos nossos filhos biológicos.
─ Ele é uma grande alegria para a gente, é muito fácil o amar e vamos ter nossos filhos biológicos. Só, que vivemos um dia por vez e não temos planejado daqui quantos meses vai ser. ─ Edward respondeu.
Também falamos da sua escolha de compartilhar o governo e da dúvida que os sumaneses têm da minha lealdade.
─ Desde o governo do meu pai Suma vem começando a caminhar para a modernidade, mas a maioria tem medo das mudanças e compartilhando meu governo com Isabella estou tentando mostrar como as que planejamos podem funcionar sem machucar as pessoas ou o que elas acreditam. Como podem melhorar ou deixar a vida de todos mais leve.
O jornalista moveu a cabeça.
─ A Sultana também é Princesa de Rajar, Suma é muito amigo do país dela e só como sua esposa ela estava sempre livre para escolher entre os dois países, mas o que vai acontecer quando os povos de vocês disputarem o mesmo desejo?
Edward me olhou.
─ Sou a Princesa de Rajar, nunca vou deixar de ser, mas como Sultana na maioria das vezes vai ser minha obrigação apoiar Suma. Amo meu povo e sempre que puder vou evitar estar contra meu país, mas não sou a governante da minha terra natal e os rajaneses me conhecem, eles sabem que nunca abandono minhas obrigações e que sempre vou tentar estar do lado mais justo.
O jornalista mostrou aprovação no olhar pela minha resposta e a entrevista continuou com Edward falando dos conflitos na Península Arábica.
─ Suma não conhece a guerra há mais de mil anos e as fronteiras que temos com outros países não são as mais calmas do mundo, mas nossos vizinhos reconhecem que somos fortes e que não vamos estar parados se a gente tiver que atacar ou se defender.
Senti frio.
Para a maioria das pessoas das pessoas que verem essa entrevista ele vai estar só respondendo a pergunta do jornalista, mas sei que também é a sua maneira de falar com ditador da Maniza para estar longe de problemas com a gente.
A entrevista acabou. O jornalista agradeceu pelo tempo que dermos a ele e na ala dos escritórios o assessor do meu marido deu para ele o laudo exame de DNA.
Edward não o abriu.
Sorri para ele entrando despreocupada no meu escritório.
Não é como se eu não conhecesse o resultado dele, mas acho que os problemas procuram a gente como as pessoas precisam de água para sobreviver.
─ Edward. ─ levantei assustada.
Ele entrou no meu escritório no final da manhã. Seu rosto não tinha cor.
─ Husam, Husam...
Tinha uma folha de papel na sua mão.
─ Husam...? ─ perguntei.
Meu marido sentou na cadeira da frente da minha mesa como se estivesse difícil para ele respirar.
Me preocupei mais, arrodeando a mesa.
Me abaixei na sua frente, colocando as mãos na sua.
─ Habibi, fala comigo. ─ pedi suave.
Ele estava tremendo.
─ Habibi. ─ persisti.
Aspirou forte.
─ Estamos mergulhados num pesadelo. ─ respondeu baixo.
Sua voz também estava quebrada, tremendo.
Vinquei a testa.
Edward me deu a folha que estava sua mão. Vinquei a testa de novo, mas li o que estava escrito nela.
Minhas mãos tremeram.
Não consigo acreditar no que li.
A reli com meu coração batendo forte no peito e as lágrimas ganhando a luta contra mim.
Minhas pernas falharam. Coloquei meus joelhos no chão.
─ Tem que ter um erro. ─ o som da minha voz saiu muito fraca.
─ Não tem. O doutor Al Sharif é o melhor geneticista do país. Ele refez muitas vezes a avaliação das mostras de DNA antes de me mostrar o resultado delas. Meu povo só está começando a aceitar nossas escolhas, mas com as leis de Suma, Al Sharif não ia se arriscar falsificando nada para prejudicar a gente.
Alá!
Meu coração apertou.
Não são só os olhos do Husam que lembram Edward, o rosto também e o que é diferente lembra Jasper e outros Cullen, mas nunca achei que o físico dele era herança biológica. Muitas pessoas lembram outras e não são parentes.
Levantei.
Meu marido também. Ele me abraçou, mas do interior do meu choque olhei para sua dor e beijei seu rosto.
─ Vamos virar a terra para descobrir o que aconteceu com seus pais. Eu juro. ─ respondi.
Edward me abraçou mais forte.
Retribui colando mais meu rosto no seu peito.
O DNA mostrou que Husam é seu irmão bilateral*, mas para ele ser filho dos meus sogros tem que ser mais novo que achávamos e a Sultana Esme não pode ter queimado no acidente de avião que sofreu com o Sultão Carlisle.
Me afastei, levantado a cabeça para olhar seu rosto.
É como estar olhando para uma pessoa que está vendo a morte.
─ Como a gente vai se comportar quando Husam chamar você de pai ou eu de mãe? ─ perguntei, sentindo meu coração doer e minha garganta apertar.
─ Não sei. Quando li o exame compreendi pela primeira vez porque ele entrou ligeiro no meu coração, mas também senti metade do meu coração sendo roubada.
O abracei de novo.
─ Husam é um Cullen dos pés a cabeça. Quando mostramos a verdade todos vão o aceitar mais ligeiro, mas nunca mais vão vê-lo como nosso filho. É como se meus pais tivessem roubado ele da gente.
Me afastei, olhando seu rosto de novo.
─ Acha que os dois estão vivos?
─ Não sei. ─ respondeu. ─ E se estiverem por que deixaram meu irmão e eu sofremos com a morte deles?
Não respondi. Não sei a resposta.
Coloquei a mão no seu rosto.
Edward sentou de novo. É como se suas pernas não pudessem mais aguentar mais seu peso.
Sentei nas suas pernas, coloquei o braço no seu pescoço beijando sua testa.
Ele colocou as mãos na minha cintura colocando a cabeça no meu ombro.
Acarinhei seu cabelo.
Meu marido aspirou e senti seu corpo tremer.
Ele estava chorando.
Desejei chorar junto, mas percebi que tenho que ser forte para aguentar o mundo pela gente, agora.
Meu coração apertou mais.
─ Vai está tudo bem, amor meu. ─ falei baixo.
Me abraçou forte.
─ Eu nem sei o que senti. ─ sua voz quebrou. ─ Um lado meu deseja acreditar que pelo menos minha mãe está viva, mas o outro tem medo de ter esperança e se decepcionar, e no meio deles está o medo deles terem escolhido abandonar meu irmão e eu.
O abracei mais forte também.
─ Não pelo que você falar dos dois. Seus pais amavam vocês, como Charlie e Renée amam meu irmão e a mim, e falo sem medo meus pais nunca iam desistir da gente. Os seus também não iam desistir de vocês e logo vamos encontrar uma explicação para tudo.
Edward cheirou meu cangote e beijou a lateral do meu rosto procurando em mim o conforto que precisa.
─ Obrigado por me segurar de pé.
Tentei sorrir, mas o peso no meu coração não deixou.
─ Se você estiver bem também vou estar. ─ respondi.
Ele beijou minha testa. Limpei suas lágrimas, controlando as minhas.
Não falamos mais nada e não sei o que mais está na sua cabeça. Nem na minha estou conseguindo colocar tudo ainda, mas machuca muito saber que Edward não está errado: quando mostramos a verdade para todos Husam nunca mais vai ser nosso filho para as pessoas. Mas, a carga maior do nosso pesadelo está com ele, não comigo. Não são os meus pais que a gente não sabe se estão vivos ou mortos. Também sou eu que vou ter que organizar minha cabeça confusa para explicar tudo para os sumaneses e para o meu coração machucado. É meu marido.
O olhei.
Nem sou eu que descobri um irmão que não sabia tinha ou que está com um irmão correndo riscos numa ditadura.
Jasper.
Minha respiração pesou. Baixei a cabeça.
Como governante Edward teve menos tempo para chorar pelos meus sogros ou para estar lembrando deles, mas com Jasper foi diferente e meu cunhado teve mais dificuldade para aceitar a morte dos dois.
O nó na minha garganta esteve mais difícil de controlar.
─ Minha flor.
Olhei para Edward.
─ Não compreendo porque Husam estava no seu país. Rajar é muito longe da área que o avião dos meus pais caiu.
Parei de respirar.
Com muitas perguntas sem resposta não estive pensando na maioria delas, mas temos que ter todas as respostas.
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