O Sultão
39 Conflitos de Interesse
Notas iniciais
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Capítulo 38
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Bella
─ Nosso pequeno príncipe! ─ Edward o pegou dos braços do meu irmão.
─ Papai!
Chorei com a resposta do nosso bebê.
Ele beijou o rosto de Husam.
─ Oi fofinho.
Husam sorriu.
─ Minha mamãe, Bella.
Sorri.
Edward beijou a cabeça dele.
─ Obrigada. ─ abracei Emmett.
Ele beijou minha testa.
─ Obrigado. ─ Edward beijou o rosto do meu pai dos dois lados.
Ele virou para mim e com sua mão nas minhas costas caminhamos para frente com Husam nos seus braços.
─ Nosso filho, Príncipe Husam Al Swan Bin Cullen. ─ o apresentou para todos.
Aplaudiram.
─ Não o esperávamos hoje, só daqui uma semana, mas acho que ser filha do Sultão rajanes tem suas vantagens e meu pai adora me surpreender. ─ falei.
Sorriram.
Husam olhou com cuidado e interesse para todos.
─ Fale “oi” para as pessoas. ─ Edward falou perto da orelha dele.
─ Oi. ─ Husam moveu sua mãozinha para elas e deitou sua cabeça no peito do pai.
Pai. Não é difícil ver meu marido como um.
─ Oi, Alteza. ─ responderam.
Edward beijou a lateral do rosto dele.
─ A lei não permite que ele seja nosso herdeiro, mas nunca esqueçam que sempre vai ser um Príncipe rajanes e sumanes, nem que merece o mesmo respeito e lealdade que um dia vão dar a nossos filhos biológicos. ─ meu marido mostrou que para defender nosso filho não vai aliviar nada.
─ Vamos educá-lo para cuidar de vocês como a gente cuida. ─ falei.
Aplaudiram.
─ Viva o Príncipe Husam! Viva a nossa família real! ─ gritaram.
Edward e eu descemos a escadaria com Husam nos braços dele e Jasper e Alice atrás da gente.
Meu pai e Emmett saíram depois por não estarem oficialmente na cerimônia.
No corredor os guardas fecharam a porta e eu segurei Husam nos meus braços.
─ Meu amor! ─ falei beijando sua testa.
Edward olhou para o meu pai.
─ Charlie.
─ Não fiz nada ilegal. Meu neto ia vir para vocês daqui uma semana. Só os convenci a ser mais cedo. ─ ergueu e baixou os ombros. ─ E vocês têm documentos para assinar.
─ A recepção real. ─ Soraya lembrou entre a gente.
Abracei Husam mais forte.
Jasper caminhou para mim.
─ Eu cuido dele. ─ abriu seus braços.
Olhei para o meu marido.
Ele moveu a cabeça.
Entreguei Husam para o meu cunhado e Edward e eu caminhamos para o salão da recepção real.
Os guardas abriram a porta dele, o mestre de abertura avisou a todos da nossa entrada e acompanhando a etiqueta real príncipes e princesas, primeiros ministros, duques e duquesas, vice-presidentes e chanceles se curvaram para a gente. Mas, sultões e sultanas, emis e emiras ou sheiks e sheikas governantes não costumam se curvar para outro governante ── Eles só juntaram as duas mãos na altura do peito e falaram o famoso “Salaam” da nossa cultura para nos desejando paz.
Edward e eu também juntamos as nossas e movemos a cabeça, mas presidentes e primeiras-damas, reis e rainhas e o grão-duque com sua grã-duquesa se comportaram diferente com a maioria dos homens apertando a mão dele e beijando a minha.
Não mostrei nada, mas na cultura árabe-muçulmana a maioria dos homens não apertar a mão das mulheres e nós mulheres só sorrimos para os homens da nossa família e se não estiver proibido para os amigos mais próximos também ── só que a etiqueta real pede que eu também sorria para o meu povo e os sumaneses.
As mulheres apertaram a mão de Edward e beijaram meu rosto.
Meus pais caminharam para a gente.
Os abraçamos.
Rosalie e Emmett iam se curvar.
Não deixamos e os abraçamos também.
Os dois se afastaram e Jasper e Alice entraram na recepção com Husam.
Eles pararam na nossa frente e também iam se curvar, mas Edward moveu sua cabeça e os abraçou.
Quebramos a etiqueta real, mas a gente não se importou.
Husam estava dormindo nos braços do meu cunhado.
Beijei o cabelo dele e Edward o segurou nos seus braços.
Caminhamos para área principal do salão e as pessoas olhavam para o nosso filho.
Edward o apresentou para todos.
Aplaudiram e a maioria não mostrou nada, mas vi reprovação nos olhos dos governantes árabes-mulçumanos mais conservadores.
Jasper levaram a todos para o coquetel no salão do lado e Edward e eu caminhamos para nossa ala com Husam.
Edward o colocou na nossa cama e deixamos a porta do quarto semiaberta para ouvimos quando ele acordar.
Beijei sua mãozinha.
Edward parou na entrada do nosso dormitório.
O beijei.
─ Te amo. ─ falei.
Sorriu e caminhamos para nossa sala de visitas.
Emmett estava esperando a gente nela.
─ Gostaram da surpresa? ─ perguntou.
Sorri.
─ Você fez papai falar com os responsáveis pela adoção.
Ele também sorriu.
─ E deixei ele achar que a ideia foi dele.
Sorri mais.
─ Obrigada. ─ o abracei.
Retribuiu.
─ Você é minha irmãzinha, sempre vou me mover para te ver feliz. ─ olhou para o meu marido. ─ A você também Edward. ─ meu irmão deu uma mão para ele e Edward a apertou.
Continuei entre os dois sendo abraçada por eles.
Emmett beijou minha testa e a noite coloquei uma vestido de modelagem mais ocidental para o baile que fecha minha cerimônia de coroação.
─ Você não é muito de usar hijab. ─ Edward falou quando coloquei um caindo como um lenço mais simples na minha cabeça.
─ Não, mas as pessoas precisam perceber que sou uma Sultana para todos e não só para os mais modernos.
Ele caminhou para mim colocando suas mãos no meu rosto.
─ Você é meu grande orgulho! ─ beijou minha testa.
O abracei.
Bateram na porta.
Edward a abriu.
─ Mãe, Renée. ─ sorriu.
─ Acho que vocês vão estar mais calmos no baile se confiarem na pessoa com quem Husam vai estar aqui e como a babá que vocês contrataram só vai chegar daqui uma semana trouxe comigo uma pessoa que Bella vai adorar rever.
A olhei interessada e com ela entrou minha ex-babá.
─ Nur! ─ me alegrei.
─ Majestades. ─ ela se curvou.
A abracei.
─ Nur foi uma das três babás que Bella teve. ─ minha mãe falou para Edward.
─ Bem-vinda Nur.
Me afastei.
─ É um prazer senhora. ─ ele falou sem a tocar.
Ela moveu a cabeça.
Olhei para minha mãe.
─ Obrigada. ─ a abracei.
Mamãe retribuiu tolerante.
─ Minha flor, o baile.
Movi a cabeça e as levei para o quarto de Husam conjunto com o nosso.
Pintamos no quarto dele um céu estrelado com beduínos montados em camelos nas dunas do deserto.
Husam adorou.
─ Boa noite, habibi. ─ Edward se curvou no berço e beijou o rosto do nosso bebê.
Ele estava dormindo.
Meu marido olhou para Nur.
─ Você vai encontrar tudo o que precisa para alimentar ele no armário principal da cozinha da nossa ala.
─ Sim, senhor.
─ E se tiver que colocar outra roupa nele tudo o que você precisa está na gaveta do lado do berço.
Ela moveu a cabeça para mim.
─ Cuide da nossa joia preciosa, Nur. ─ beijei seu rosto.
─ Nosso chefe de segurança vai estar na sala de estar se a senhora precisar chamar a gente. ─ Edward falou.
Caminhamos para fora do quarto.
Minha mãe acompanhou a gente e no baile ele e eu falamos com muitas pessoas, mas senti sua falta quando desapareceu por muito tempo do salão.
─ Jasper, seu irmão? ─ perguntei.
─ No salão do lado.
Sai do baile parando no corredor.
O baile está entre dois salões menores.
Escolhi o da direita.
A porta estava semiaberta.
Entrei.
─ Edward.
Tinha uma mulher com ele e ela estava muito perto dele.
─ Majestade. ─ ela se curvou para mim se abaixando nos pés.
Movi a mão.
Ela reajustou a postura.
É uma mulher muito bonita com olhos azuis.
─ Estão procurando você no baile. Com licença. ─ falei para Edward e virei de costas caminhando para a porta.
─ Isabella.
Parei, mas não virei para ele.
─ Ela é Lady Hana, filha de um dos doze príncipes da Maniza.
Virei.
─ Muito prazer Excelência, com licença.
Edward expeliu o ar.
Virei para a porta de novo.
─ Majestade, eu sou médica. Meu pai é o menor Príncipe dos doze irmãos dele. Ninguém se importa como ou onde trabalho, mas eu me importo com as pessoas que cuido e sem ajuda humanitária elas vão morrer.
Virei.
─ O ditador que tirou seu avô do trono não aceita ajuda.
─ Jasper mandou ajuda clandestina antes. ─ Edward falou baixo.
O olhei.
─ Maniza apoiou Alzan na guerra contra o meu país. Rajar assinou um acordo de paz e se descobrirem a ajuda clandestina não sei se os outros países vão continuar respeitando o que assinaram.
Ele aspirou.
─ Suma é membro fundador da ONU e membro permanente do conselho dela. Não podemos virar as costas para um pedido de ajuda humanitário.
Sei que ele não está errado, mas também não estou.
─ E podemos abrir de novo as portas para a guerra em Rajar?
Edward reagiu como se eu tivesse batido nele.
Vontade não falta.
Bati a porta saindo do salão, mas ouvi a porta abrindo.
─ Isabella. ─ ele caminhou atrás de mim.
Não parei.
─ Isabella. ─ segurou meu braço.
Parei sem escolha e o olhei.
─ Você não está errado. Suma não pode virar as costas para um pedido de ajuda humanitária e sempre vou respeitar suas escolhas, mas você jurou nunca tirar nada de mim e é meu direito não te apoiar nele.
Me soltou.
Caminhei para o baile.
─ Vossa Majestade é adorável. ─ a Chanceler de um país leste-europeu falou comigo.
Sorri, mas meu sorriso estava vazio.
─ Aceita uma taça de vinho?
─ Na companhia de uma moça bonita como você? Sempre. ─ respondeu.
Sorri de novo.
Não gosto de bebidas alcoólicas, mas escolhi uma sem álcool para a acompanhar.
A Chanceler me falou dos seus filhos, do seu desejo de ver seu país crescer mais e eu a ouvi, mas minha cabeça estava longe.
Edward encontrou no baile.
Não mostramos nada para os nossos convidados.
Ele falou com mais três, quatro pessoas e olhou para Jasper.
Seu irmão caminhou para ele. Os dois conversaram num área mais particular e saíram do baile.
Ouvi mais a Chanceler.
Edward voltou primeiro para o baile.
Me olhou.
Pedi licença a Chanceler e caminhei para ele.
Bailamos juntos uma música árabe tradicional e outra ocidental. Sorrimos, mas não teve nada de verdadeiro nos nossos sorrisos.
O baile acabou.
Entrei no quarto de Husam e beijando seu rosto abandonei toda minha dor, mas foi só olhar para o pai dele no nosso quarto para ela me machucar de novo.
─ Eu te amo, mas não estou conseguindo equilibrar Rajar e você na balança da minha cabeça. ─ murmurei me abraçando.
─ Conheço os riscos de ajudar Maniza, mas meu pai me educou para ouvir meu coração. ─ colocou a mão no meu rosto. ─ Vou pedi permissão oficial para ajudar e se o ditador não aceitar Jasper vai levar a ajuda humanitária pessoalmente.
Resfoleguei.
Jasper pode morrer sendo perseguindo pelos rebeldes do ditador e se conheço meu marido um pouco não foi sua escolha mandar o irmão.
─ Também sei que não está chateada só pela minha escolha e acho que você nem reconheceu o sentimento, mas se te ajuda não se segure. Me bata.
Resfoleguei chocada.
─ Edward...
─ Vi o desejo no seu olhar. ─ ouvi o sofrimento na sua voz e abri a boca para falar, mas não encontrei palavras.
Me olhou esperando minha nova reação.
Olhei para o chão ── muito chocada para continuar olhando para ele ou para saber o que falar.
No Oriente ou no Ocidente bater num homem sempre vai machucar o orgulho e a dignidade dele, mas na nossa cultura também machuca o que temos de mais importante: a honra.
─ Tenho que estar sozinha.
Olhei para a porta do quarto.
─ Eu vou. ─ murmurou saindo.
Olhei para a porta fechada desejando ir atrás dele.
Não.
Entrei no banheiro e nunca passei o sabonete mais devagar no meu corpo.
Abri o chuveiro, fechando os olhos como se a água pudesse levar meus problemas.
Não pode.
O fechei, secando meu corpo com a toalha e colocando uma camisola marfim entrei no dormitório.
Olhando para a cama vazia nunca me senti mais só.
Deitei nela, mas não dormi. Levantei e com meu robe por cima da camisola abrir a porta do quarto encontrando Edward descalço na sacada do seu escritório privado com as mãos no bolso do seu smoking preto.
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