O Sultão

45 A guerra começa...


Notas iniciais
Oi flores e queridos. Por muitos motivos não deu para atualizar logo e não sei quantos capítulos faltam para o final, mas estou fechando ponta por ponta. Muto obrigada pelos comentários de vocês e que todos (as) os (as) leitores(as) novos (as) sejam bem-vindos (as).

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Capítulo 44

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Bella

O Emir da Basnia caiu, a família materna de Edward está no trono e a guerra começou muito violenta. Os rebeldes reagiram à entrada das tropas sumanesas na Maniza como animais que não pensam, só atacam para sobreviver. Mas, o novo governo da Basnia mandou soldados para ajudar Suma e, apesar da chateação do meu pai soldados reservas de Rajar também chegaram à fronteira de Suma para ajudar os sumaneses a protegerem o país dos rebeldes mandados para invadir a capital.

─ Edward é louco. ─ Alice se assustou com as imagens de explosões e tiros que estavam mostrando na tevê ligada em modo “mute” para não chamar a atenção de Husam ── Ele estavam brincando no chão com dois ou três blocos de legos.

─ Ele está onde tem que estar. ─ respondi.

─ Papai. ─ Husam o chamou de novo. Ele o chama muito e sei vai continuar chamando por mais dias, porque sente saudade dele.

Ela se abaixou na frente do meu filho.

─ Você ia gostar de ter irmãos? ─ perguntou para ele.

Virei para ouvir a resposta.

─ Não! ─ Husam moveu a cabeça com força. ─ Mamãe só minha, papai só meu. ─ se agitou compreendendo errado o motivo da pergunta.

Alice sorriu.

─ Nem um irmão grande como Jasper? ─ persistiu.

Ele virou a cabeça de lado e depois a reajustou a olhando.

─ “Gande” eu ia gostar.

─ E como Edward? ─ continuou persistindo ── A gente estava na sala de estar da ala dela.

─ Papai é papai. “Quer bincar!” ─ Husam se afastou da minha melhor amiga e se abaixou no chão pegando seus brinquedos, novamente.

Olhei para a janela.

Quando a imprensa internacional colocou correspondentes de guerra para mostrarem de perto o confronto todos se surpreenderam. Ninguém achava que meu marido ia estar literalmente na frente das suas tropas, como falou ── A maioria dos governantes nunca está ── O papel deles é dar ordens, mas ele não é o primeiro a estar. Meu pai também esteve na frente do de Rajar na guerra contra Alzan e o medo que senti por ele não é menor do que tenho hoje por Edward.

Levantei Husam nos meus braços. Ele me abraçou beijando meu rosto e colocou sua cabeça no meu ombro. Mas, no corredor Nur o levou para o quarto dele e caminhei para a ala dos escritórios ── Com a falta de Edward minha carga de trabalho está dobrada e como ele exonerou muitos assessores pela retirada de dinheiro não permitida tenho que escolher ligeiro novas pessoas para trabalharem na Secretária de Cultura.

─ Publique todas as exonerações no edital da tarde. Também mande uma nota para a imprensa falando delas e não marque mais entrevistas. Não tenho tempo para elas, não tenho tempo nem para mim. ─ murmurei a última frase.

Soraya moveu a cabeça. Pelo menos ela não está trabalhando dobrado ── O assessor do Edward a está ajudando.

Fechei a pasta com documentos assinados e numa transmissão ao vivo pela internet falei com os sumaneses e rajaneses para tentar acalmar a raiva entre eles:

─ Nasci em Rajar e amo minha terra natal. Também estive fisicamente longe dela por treze anos, mas sempre vivi e trabalhei para e pelos rajaneses. ─ juntei minhas mãos em cima da mesa. ─ Só que a guerra contra Alzan trouxe novos caminhos para todos. Minha família e eu tivemos que fazer novas escolhas: para ter o acordo de paz me casei com o Sultão de Suma e não esperávamos o amor entre a gente. ─ foquei meus olhos noutra câmera. ─ Mas, não sou mais só a Princesa de Rajar, também sou a Sultana de Suma e não tenho mais só um povo. ─ virei para a primeira câmera de novo. ─ Os sumaneses também são meu povo. ─ ouvi resfôlegos baixos dos que estavam no meu escritório ── Não me surpreendi, nem eu achei que um dia ia vê-los como meu povo.

─ Eu adoraria falar que a guerra contra Maniza foi minha última escolha difícil como governante, mas a gente nunca conhece o futuro e gostem ou não, Suma e Rajar são aliados. Estamos do mesmo lado e brigarem não vai ajudar.

Ser muito franca é um defeito que acho que nunca vou superar, mas tudo tem seu ponto de virada e meu chegou. Eu não ia conseguir mais estar calada e vou ser muito criticada pelo meu discurso, só que não me importo. Não dá mais para continuar sendo suave para não ofender ninguém.

─ Todos criticam Edward por escolhido a guerra, mas um governante sem honra não é respeitado pelas pessoas e ele não ia ter honra nenhuma se não defendesse seu Príncipe Herdeiro. ─ apertei minhas mãos. ─ Vocês iam ser os primeiros a falar que Edward não merece estar no trono. ─ olhei para a segunda câmera. ─ O mundo todo também criticou o Sultão Charlie por não apoiar Suma no começo, mas foi só ele mandar seus soldados para as fronteiras sumanesas para falarem que o líder do rajaneses não se lembra do sofrimento do seu povo na guerra contra Alzan. ─ meu rosto estava mais pesado. ─ Ele se lembra de tudo. A gente lembra se de tudo, só que a maioria esqueceu que Suma foi a maior força aliada para Rajar hoje estar fora daquela guerra. ─ meu rosto esteve mais leve de novo. ─ A paz é importante, mas a lealdade também é e se os povos que criticam nossos países tivessem ajudado a proteger os cidadãos manizenses da ditadura que está sobre eles essa nova guerra não ia estar acontecendo. ─ mais resfôlegos dos que estavam no meu escritório. ─ Boa tarde. ─ a transmissão acabou e os técnicos que ajudaram nela me aplaudiram, mas não mostrei nada e arrodeei minha mesa. Esse é só o primeiro dos muitos discursos que vou ter que fazer até o final da guerra para tentar manter o equilíbrio das nossas alianças e governo.

Caminhei para a sala de reuniões ── Os outros problemas do governo não param porque o país entrou numa guerra ──, mas percebi que esqueci documentos importantes no meu quarto e caminhei para ele, encontrando meu irmão na área do dormitório.

─ Emmett. ─ o chamei ── Ele estava de pé olhando para a janela.

─ Numa guerra nunca é seguro estar viajando para uma terra em conflito, mas a maioria das pessoas não sabe que vim e não achei suficiente falar com você por telefone ou vídeo chamada. ─ respondeu continuando de costas.

─ Só que você nem está conseguindo me olhar. ─ murmurei.

─ Não é você. ─ virou para mim. ─ O que não estou conseguindo é aceitar que para me proteger milhares de pessoas tiveram que sofrer por décadas. Até você.

Me surpreendi.

─ Eu por quê? ─ perguntei.

─ E por que não você? A guerra começou para me proteger e se não fosse ela você não ia estar casada aos dezenove anos, apesar de ter sonhado se casar só depois dos vinte cinco, nem ia estar sendo cobrada por mais responsabilidades do que sua idade permite.

Cruzei meus braços.

─ Está esquecendo que Edward me deu a chance de acabar nosso noivado quando assinamos o acordo de paz, mas não aceitei porque me apaixonei e as cobranças que sofro não são nada comparadas com todo o amor e respeito que ele me dar.

Emmett caminhou para mim.

─ E só pelo amor de vocês acho que um dia vou conseguir olhar para tudo com mais calma, mas não vai ser logo.

Olhei para baixo e ele colocou suas mãos nas minhas.

─ A moça que entregou Husam para Kalila era uma manizense com parentes no nosso país fugindo do começo da ditadura. Ela não sabe o nome dela, mas acha que a moça sabia da cardiopatia congênita que ele tem e que o levou para Rajar tentando salvar a vida dele.

Desconfiei. Está tudo muito facial e as pontas estão muito presas para ser verdade.

─ Essa é a versão dela. ─ o olhei. ─ E a sua?

─ Kalila está mentindo. ─ respondeu.

─ E por que acha que ela está mentindo? ─ sentei na cama.

─ Porque é o que a gente faria para proteger nossos parceiros. ─ ele se abaixou na minha frente. ─ Descobri que ela está casada com um manizense e para conseguir todos os documentos que permitem a permanência de um estrangeiro no nosso país ele teve viajar a Maniza para organizá-los. ─ olhou para baixo. ─ Mas não conseguiu voltar antes do começo da ditadura ─ me olhou novamente. ─ E quando entrou em Rajar de novo estava levando Husam de maneira ilegal.

Vinquei a testa.

─ E por que os dois não o adotaram?

Levantou.

─ O tratamento dele é caro e na guerra contra Alzan a maioria das pessoas do nosso povo não tinha a melhor condição financeira para cuidar de uma criança doente.

─ Acha que ele sabia da doença quando levou Husam? ─ perguntei.

─ Sabia e também sabia que se o levasse para o orfanato o médico responsável pelas crianças de lá ia fazer tudo para salvar a vida do pequeno Príncipe.

Não gostei de ouvir Emmett o chamar de “pequeno Príncipe”, porque lembrar que Husam tem um titulo real por nascimento só me mostra mais que posso perdê-lo.

Me abracei.

─ O segredo da origem dele está ameaçado.

Ele colocou suas mãos nos meus ombros ── Elas me acalmaram um pouco.

─ Não. Kalila acha que minhas perguntas foram só pela adoção que você e Edward fizeram. Tenho certeza que os dois nem sonham que a criança que pegaram é irmã de um Sultão.

Virei para ele.

─ Ou de um Príncipe.

Piscou confuso.

─ Se meus sogros estiverem vivos legalmente eles continuam sendo os governantes de Suma e Edward volta para a posição de herdeiro do trono.

─ Não se o pai escolher abdicar por ele.

─ Você ia escolher?

Emmett não respondeu, porque Soraya bateu na porta do quarto e entrou agitada no dormitório. Ela se curvou para a gente e me olhou da mesma maneira para falar:

─ O Príncipe Jasper acordou. Ele está chamando pelo Sultão.

Levantei ligeiro, caminhando para a ala dele sem nem olhar para nada. Meu irmão me acompanhou, mas continuou calado ── Vai ser difícil falar para Jasper da guerra com a Maniza e que Edward está a frente das tropas ── Entrei no seu quarto e no primeiro olhar percebi que ele continua fraco.

─ Jasper.

Ele me olhou.

─ Meu irmão...? ─ perguntou.

Apertei meus lábios e como se tivesse que me proteger de algo Emmett caminhou para mim.

─ Na guerra contra a Maniza.

Olhei para Alice. Ela é suave como um camelo e retribuiu meu olhar me desafiando a reclamar, mas sei que não falou por mal. Só não tem muito tato quando está nervosa.

─ Não... ─ Jasper se esforçou para tentar levantar e Alice se moveu para ele, mas não foi ligeira o suficiente.

─ Ai! ─ ele gritou com dor pela pressão do esforço físico nos seus machucados profundos e caiu no colchão.

Sentei do seu lado, colocando minhas mãos nos seus antebraços para tentar obrigá-lo a estar deitado.

─ Edward se colocou a frente das tropas sumanesas na Maniza confiando na minha capacidade para manter a estabilidade do governo enquanto ele estiver guerreando, mas não sou a Super Girl para estar me preocupando mais com sua saúde enquanto tento equilibrar os problemas e a raiva de dois povos assustados com uma guerra muito violenta.

Jasper se esforçou de novo.

─ Não posso estar parado. Edward...

─ É um bom líder e um grande militar. ─ continuei no seu caminho para evitar que levantasse. ─ Ele estar fazendo o que é melhor para todos. Os rebeldes manizenses te machucaram muito e se seu irmão não respondesse as ofensas do ditador contra você os problemas políticos para Suma iam ser muito maiores do que são.

Ele colocou a mão em cima do curativo do seu principal machucado.

─ Eu sei. Me chamam de anjo da morte, mas ele é muito melhor do que eu num campo de batalha, só que...

Meu irmão se aproximou dele.

─ Só que...?

─ Edward não conhece o que eu conheço.

─ E o que você conhece? ─ perguntei suave.

Alice estava tremendo o olhando.

─ Nossos pais estão vivos. ─ eu sabia que tinha uma grande chance de estarem, mas senti meu corpo pesar ouvindo a confirmação.

A respiração do meu cunhado também pesou, só que pela dor que está sentindo.

─ Onde eles estão? ─ Emmett perguntou calmo.

─ No campo de refugiados que levei ajuda humanitária. ─ respondeu baixo.

Meu coração se agitou. Não acho que os rebeldes sabem quem eles são ou o ditador da Maniza ia ter tentado tirar vantagens de Suma há muito tempo, mas só três quilômetros separam o acampamento rebelde deles.

Alice se abaixou do lado do meu irmão.

─ Os dois estão bem?

Jasper moveu a cabeça negando.

─ Minha mãe está acordada, mas acho que está com uma espécie de amnesia. Ela nem me reconheceu quando a vi e meu pai também está numa espécie de coma.

Traguei a saliva.

─ Vou falar com nosso pai para mandar uma equipe de rastreamento e resgate a eles. ─ Emmett levantou do chão perto da cama, mas segurei sua mão para pará-lo.

─ Tenho que falar com Edward primeiro. O Sultão Carlisle está vivo, mas para todos é meu marido que está governando e vou tentar deixar o peso da verdade mais leve quando ele souber dos pais ou o desequilíbrio no emocional dele vai levar muitas vidas inocentes na guerra. ─ olhei para Jasper de novo. ─ Seu irmão está só há oito quilômetros do campo de refugiados. Você é o Ministro da Defesa. É seu trabalho o proteger, mas por todos os sumaneses vai ter que estar se recuperando para cuidar de Suma. Não para estar na guerra, porque com os novos problemas que vão chegar não vou poder estar segurando o emocional da sua esposa preocupada com você no campo de batalha enquanto tento cuidar do meu marido e das minhas próprias dores.

Alice colocou sua mão na dele.

─ A guerra é só um pedaço dos problemas que chegaram e está sendo muito doído para Bella e Edward aceitarem eles. ─ ela mordeu o lábio inferior não sabendo muito como continuar.

Aspirei.

Emmett colocou a mão no ombro dela e olhou para Jasper.

─ Politicamente vai ser muito difícil para todos, mas é uma grande benção que seus pais estejam vivos e a maioria vai estar feliz com a noticia, só que com a volta dos dois Bella e Edward também vão estar perdendo o filho.

Meu cunhado piscou confuso e gemeu.

─Ai. Não compreendo.

Mordi o lábio inferior e respondi:

─ Husam também é filho dos seus pais.

Ele paralisou.

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