O Sultão
33 A Verdadeira Jamilah
Notas iniciais
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Capítulo 32
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Bella
Edward estava escrevendo em cima da mesa e sentada na penteadeira do nosso quarto eu movia minhas pernas para frente e para trás.
. Ele levantou a cabeça e olhou para mim sorrindo.
─ Tem cinco minutos que você está olhando para essa caixa.
Parando de mover minhas pernas coloquei a caixa com anticoncepcional na penteadeira virando a cabeça para olhar melhor seu rosto.
Minha consulta com a ginecologista foi há cinco dias.
─ Não vou usar. ─ decidi.
─ Tudo bem. Se você acha melhor vamos continuar com os preservativos. ─ respondeu suave.
─ Também não. Não acho justo você sempre afastar seus sonhos por outras pessoas e a adoção também muda a vida do casal.
Levantou caminhando para mim e colocando as mãos no meu rosto.
─ Muda, mas não estou afastando nada, só estou... ─ parou me olhando. ─ sendo egoísta.
Sorri.
É difícil acreditar que existe egoísmo nele.
─ Também não desejo te ver sobrecarregada pelos sintomas da gravidez enquanto você ainda está se acostumado às suas novas obrigações e pela primeira vez não estou escolhendo o melhor para o sultanato, mas o que desejo. ─ coloquei meus braços nos seus ombros. ─ Desde o começo do meu casamento com ela Jamilah esteve obcecada por engravidar e eu só... ─ calou.
─ Não deseja que tudo se repita. ─ murmurei suave.
Baixou a cabeça.
─ Desculpe, é horrível estar comparando, mas...
Coloquei a mão debaixo do seu queixo para levantar sua cabeça.
─ Shhh... Prometemos não esconder nada e Husam é o filho perdido que a gente não sabia que tinha.
Sorriu.
─ Amor meu... ─ falou suave.
Ele me beijou me levantando da penteadeira com minhas pernas na lateral do seu corpo.
Retribui o beijo com meus braços no seu pescoço.
Edward me colocou na cama com seu corpo cobrindo o meu, mas não senti seu peso e pela manhã chocou a todos me levando para o maior centro de treinamento militar sumanes sem nenhum véu cobrindo meu cabelo.
─ Suas Majestades Reais o Sultão Edward e a Sultana Isabella. ─ o Comandante-Geral gritou e todos os soldados se enfileiraram batendo continência quando caminhamos na frente deles, mas não me olharam nos olhos.
Não podem.
Sou a esposa do Sultão. Me olharem é desrespeito punido pela lei.
Não procurei por mulheres nas fileiras, em Suma elas não entram nas forças armadas.
─ Descansem. ─ Edward falou baixo caminhando para avaliar todas as novas instalações.
O acompanhei sempre caminhado dois passos atrás dele e da sacada principal do centro ele surpreendeu a milhares de pessoas com seu discurso:
─ Nossas forças armadas estão entre as melhores do mundo e meu irmão Ministro da Defesa salvando minha vida e muitas vezes protegendo meus sentimentos quando os inimigos estavam na nossa casa e eu não sabia.
Prendi o ar.
─ Metade de vocês acha que tenho que apoiar a Basnia na disputa pelos royalties de gás natural, a outra a Rajar e a comunidade econômica internacional está me cobrando para apoiar um deles, mas as pessoas não respeitam um governante sem honra e Suma não pode continuar tendo alianças com o país da mulher que tentou matar nosso Príncipe Herdeiro! ─ sua voz expelia raiva.
Muitos resfolegaram.
Ele não parou.
─ Entrei com um pedido de investigação contra Lady Anwar Al Sharif no Tribunal Real Superior da Liga Árabe exigindo a condenação dela por sua tentativa de assassinato contra o meu irmão.
Resfolegaram de novo.
─ Vocês olham para com pena para a Sultana Isabella pelo seu casamento comigo ou não a aceitam porque é muito ousada para a nossa cultura, mas ela me respeita como nunca me respeitaram e me tirou das cinzas quando uma morta infiel me jogou no fogo!
Mais resfôlegos.
Minha respiração pesou.
Nunca vi Edward discursar com tanta raiva e acho que os sumaneses também não.
Levantou o diário.
─ Esse é o diário da Princesa Jamilah, mas só o li há poucos dias e nele descobri muitas confissões sujas dela. ─ o colocou no púlpito novamente. ─ Casei com ela por amor e não me arrependo dos meus sentimentos, porque não posso me arrepender de ser honesto, mas acabou. ─ vi muita dignidade no seu olhar quando parou olhando para os sumaneses. ─ Escolho apoiar Rajar.
Fechei meus olhos sentido alivio e medo pelo futuro.
Com seu apoio Rajar vai sair mais fácil dos estragos da guerra, mas estar mostrando a verdadeira Jamilah é um escândalo muito grande.
Abri os olhos de novo.
─ Meu pai me ensinou a proteger as mulheres.
─ Viva o Sultão Carlisle! ─ as pessoas gritaram o interrompendo, mas Edward não se chateou por amar ver o respeito que elas têm pelo seu pai.
─ Para não envergonhar Jamilah coloquei minha honra no chão e nunca desmenti os boatos mentirosos que minha própria familiar espalhou. ─ fechei minhas mãos. ─ Vocês têm medo de mim, mas os erros dela tiraram de mim a obrigação do silêncio.
Dei um passo para ele, mas não o toquei.
─ É tempo de me devolver a dignidade que abandonei por ela. ─ aspirou. ─ Nunca a agredi, a poça de sangue que a encontrei não foi minha culpa. ─ ele olhou para o povo e seus olhos brilharam emocionados, mas não derramou lágrimas.
As pessoas resfolegaram e é como estar vendo algemas caírem das mãos dele.
Acho que os sumaneses sempre esperaram pelo dia que Edward ia desmentir tudo, mas não acho que estavam preparados para o tamanho desse escândalo.
─ Demorei muito para descobrir, mas Jamilah tinha endometriose e para os que não reconhecem esse nome a endometriose é a doença responsável por cinquenta por cento da infertilidade feminina. Ela trás grandes dores e hemorragias no período menstrual e também deixar as relações sexuais para as mulheres muito dolorosas. ─ uma lágrima caiu no seu rosto. ─ Me envergonha admitir que pelo fingimento dela não descobri nada até a encontrar na poça de sangue e a pressionar para saber a verdade, mas me envergonhar mais ter amado uma pessoa sem caráter que para esconder sua infidelidade matou uma sumanesa leal.
─ Prostituta basniense! Prostituta! ─ o povo gritou indignado.
Meu marido apertou seus lábios.
Abandonei todas as regras e costumes colocando uma mão nas suas costas, mas a abaixei dando dois passos para trás.
Ele me olhou e virou olhando para os sumaneses de novo.
─ Jamilah não era infértil, mas só a fertilização in vitro a ajudaria a engravidar e por vergonhar não era uma possibilidade que ela aceitava achando que eu ia a rejeitar. ─ aspirou. ─ Nem me deu a chance de me defender e pela lama que encontrei no seu diário não reconheço mais nada do que vivemos juntos.
Tremi odiando ver seu sofrimento e pelos próximos dias as tempestades de areia do deserto não foram nada perto dos problemas que chegaram para a Basnia:
Sem os royalties de gás natural sua economia não conseguiu melhorar e com as acusações criminosas aceitas pelo Tribunal Real Superior da Liga Árabe ou sem a aliança com Suma tudo estava mais difícil para o seu povo.
─ O Príncipe Jasper sabia da tentativa de assassinato?
Não respondi a pergunta do grupo de repórteres na porta da onde os representantes do Tribunal Real Superior estavam reunidos.
─ Sultana como foi descobrir a inocência do Sultão Cullen?
Parei de caminhar.
Meus seguranças também pararam me protegendo do grupo.
Desci do primeiro para o terceiro degrau da escadaria e olhei para as câmeras.
─ Não descobrir nada. Só vi o que estava na frente de todos. Edward é uma pessoa muito altruísta, um cavalheiro que nunca ia se defender se não tivesse que trazer justiça pelos crimes cometidos em Suma e a bondade dele sempre falou por ele. Ou acham que um governante violento ia aceitar calado todas as vezes que o caluniaram?
Não esperei que respondessem e com o exame grafotécnico do diário feito por um perito do Tribunal Real Superior o advogado que estava defendendo a Basnia nele não conseguiu inocentar a Princesa ou Lady Anwar.
Aspirei.
Com a morte de Jamilah a Basnia vai ter que pagar uma indenização milionária para a família da leal funcionária sumanesa assassinada e Lady Anwar vai ser punida com cem chibatadas por quebrar a lei basniense de não ter relações sexuais sem se casar.
Tremi.
Poucos países com maioria árabe-muçulmana não proíbem na sua constituição o sexo antes do casamento ── O juiz do Tribunal Real Superior também a condenou à morte por fuzilamento pela tentativa de assassinato contra Jasper com os agravantes da saúde frágil dele na época e que como Príncipe ele está acima dela na hierarquia real.
Caminhei para fora da sala de julgamento e no palácio ouvi por vídeo chamada o reconhecido infectologista inglês, Austin Sallow.
─ O calendário de vacinação sumanes é um dos melhores do mundo, o plano de aplicação na teoria também é muito bom e se estão tendo casos de sarampo acho que precisam investigar onde está o erro nesse sistema.
Corrupção. A palavra veio na minha cabeça muito fácil.
─ Também acho que precisam criar uma campanha emergencial de vacinação contra o sarampo começando a aplicação onde estão os primeiros casos.
Movi a cabeça e com mais uma ou duas perguntas respondidas fechei a vídeo chamada deixando a investigação nas mãos do meu cunhado.
─ A taxa de corrupção em Suma é só de zero...
─ Virgula seis. Eu sei, mas sem encontramos onde está o erro uma nova campanha de vacinação não vai ser muito útil. ─ respondi.
Concordou.
Estávamos no meu escritório.
─ Devolva o meu noivo. ─ Alice entrou atrás dele.
Sorri.
Sentado na frente da minha mesa ele virou sorrindo também.
─ Não precisa. Eu me devolvo. ─ respondeu levantando da cadeira que estava.
Ela o abraçou olhando para os lábios dele e Jasper retribuiu o abraço, mas não a beijou.
Sorri de novo.
Ele continua sendo mais conservador que o irmão e se o ama Alice vai ter que se acostumar com o comportamento dele.
Levantei da minha cadeira arrodeando a mesa para procurar Edward no seu escritório.
─ Nosso avião está pronto no aeroporto. ─ ele me encontrou no corredor.
Sorri.
No final da tarde vamos viajar para Rajar falar com papai da adoção que desejamos fazer, porque como nosso filho legal Husam nunca vai poder ser o Príncipe Herdeiro de Suma, mas vai entrar para duas famílias da realeza e como Princesa de Rajar não posso adotar uma criança sem a autorização do meu pai.
─ A equipe do museu encontrou uma nova pessoa para a curadoria?
─ Uma senhora de cinquenta anos que nunca vai colocar os olhos em mim. ─ respondeu leve.
Sorri novamente.
─ Ela tem filhas?
Riu.
─ Só filhos e todas as sobrinhas estão casadas. ─ beijou minha mão. ─ E a organização de eventos do palácio?
─ O novo funcionário é bom, mas ele vai ter sorte se sobreviver ao seu irmão e Alice organizando o casamento deles.
Riu de novo e me levou para o interior de uma das salas no outro corredor.
─ Quê?
Sua resposta foi beijar meus lábios.
Retribui seu beijo e sorri.
Edward se afastou me dando uma folha de papel dobrada.
Era uma cópia.
Li só o começo dela.
─ Um projeto de lei? ─ perguntei.
─ Olhe mais abaixo. ─ colocou seu dedo indicador numa linha marcada de amarelo.
Abri minha boca num Ó.
Não é um projeto de lei. É uma nova lei aprovada.
─ Edward...
─ Sei que você não dirige muito, mas achei que é o melhor caminho para não colocarem o peso da mudança em cima de você e outras leis que dão mais liberdade para as mulheres vão vir.
O abracei me colocando na ponta dos pés para beijar seu rosto.
─ Obrigada.
Sorriu.
Em Suma a lei atual não deixa mulheres dirigirem, mas com a nova lei vai ser diferente.
─ Te amo.
Sorri.
─ Os seus conselheiros...
─ Não tiveram problemas com ela. ─ parou. ─ Acho que todos se sentem culpados pela maneira que fui julgado.
O abracei de novo.
Faz mais de uma semana que Edward mostrou a verdadeira Jamilah para as pessoas e os meios de telecomunicação não param de falar do que ouviram, mas não temos tido muitos compromissos oficiais fora do palácio para saber como está o comportamento delas.
─ Quando essa nova lei vai ser publicada? ─ perguntei olhando seu rosto.
─ Amanhã começando a valer na semana que vem.
Sorri.
Sei que muita gente não vai gostar da mudança e que a maioria delas vai me acusar de estar manipulando Edward, mas é muito bom ver Suma sair um pouquinho do grande conservadorismo de muitas leis suas.
Coloquei a cabeça no seu ombro e na nossa viajem para Rajar ele tirou o relatório que eu estava lendo das minhas mãos.
O fechou.
─ Nosso horário de trabalho acabou há mais de uma hora e estou me sentindo cansado só de ver você lendo.
Ri.
─ É importante.
─ São os problemas que te falaram no dia da reunião dos sheiks? ─ perguntou.
─ Só os que são responsabilidade do sultanato. Não vou estar colocando a colher no noivado das pessoas.
Riu.
─ Minha mãe às vezes não concordava com alguns noivados.
O olhei.
─ Ela era muito romântica e para deixá-la feliz meu pai fingia não ver nada.
Sorri.
Edward segurou minha mão e sentei nas suas pernas.
─ Te amo. ─ murmurei.
Ele me beijou e em Rajar meu pai se surpreendeu com nosso plano:
─ Adotar? Por que não um filho biológico? ─ me perguntou.
Aspirei.
Se como Sultão ele não me der sua autorização para adotar Husam com Edward, a gente não desistir da adoção a lei de Rajar me obriga abandonar minha posição na realeza daqui.
Senti frio.
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