O Sultão

4 Proposta arriscada...


Notas iniciais
Oi flores. Como eu avisei aqui no meu perfil semana passada eu não pude aparecer para atualizar O Sultão, mas para compensar essa semana eu irei postar dois capítulos. E respondendo algumas perguntas que vocês me fizeram: Sim, a Bella é virgem e ela tem 19 anos de idade. Sim, o Edward foi casado e esse casamento dele anda doendo mais em vocês que na Bella kkkkkkk Era para a noite de núpcias deles no quinto capítulo, mas pelos meus cálculos isso vai demorar um pouquinho mais para acontecer. Só um pouquinho mais. Muito obrigada a quem comentou nos capítulos anteriores. Volto com outro capítulo ainda essa semana. Beijos açucarados a todos e a todas vocês. PS: Só agora eu percebi que quando avisei que não poderia atualizar a fanfic semana passada eu coloquei a data de "14/02/2015", ao invés de "14/02/2019" kkkkkk

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Capítulo 3

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Bella

Apesar da tensão inicial o jantar marcado para acontecer na minha casa transcorreu com tranquilidade e a formalidade verbal pré-estabelecida foi propositalmente esquecida por todos nós enquanto conversávamos sobre amenidades do dia a dia.

Fora isso, diferente dos temores de Emmett, Edward aparentemente não se incomodou com a presença de Rosalie e muito menos com a informação dela ser namorada do meu irmão.

Ele sequer fez algum comentário a respeito, claramente preferindo manter a discrição sobre esse assunto alheio e Rosalie não se sentiu desconfortável por meu noivo estar usando as tradicionais roupas árabes, já que Emmett também costuma usar com frequência esse tipo de trajes aqui no ocidente.

─ Tem alguma coisa em mim que incomoda você? ─ Edward me perguntou quando após o jantar eu o levei até a área da piscina.

─ Não. ─ respondi.

─ Então por que você está tão calada agora se lá dentro estava conversando normalmente com todos? ─ questionou.

─ Porque minha melhor amiga me fez pensar em detalhes importantes do meu relacionamento com você nos quais eu não deveria estar pensando. ─ murmurei.

─ Como, por exemplo? ─ ele me perguntou realmente interessado em obter uma resposta mais explicita sobre o assunto que estávamos conversando.

─ Desculpe, mas essas são questões que eu prefiro guardar para mim. ─ respondi e o sultão assentiu ao me ver corar.

Depois deu alguns passos para longe de mim e olhando fixamente para a água da piscina ele permaneceu de costas para mim, calado e com seus braços cruzados na parte detrás das suas costas por um longo tempo.

E no fundo eu acho que meu noivo só estava precisando de um pouco de espaço para meditar sobre as respostas que dei a ele ou talvez ele apenas ainda não soubesse o que dizer sobre o que ouviu dos meus lábios.

─ Talvez eu tenha chegado à conclusão errada, mas acho que a sua melhor amiga te fez pensar sobre os aspectos físicos do nosso relacionamento e penso que nesse ponto talvez as suas dúvidas sejam as mesmas que as minhas. ─ Edward finalmente manifestou seus pensamentos quando eu estava a ponto de pressioná-lo por algum tipo de reação mais expressiva da parte dele e seu raciocínio certeiro não me surpreendeu, porque mesmo não o conhecendo bem desde que nos vimos pela primeira vez ele vem me demonstrando ser um homem incrivelmente inteligente e bastante aberto a novas possibilidades.

No entanto, apesar de ter ficado curiosas sobre suas dúvidas nesse momento eu achei melhor não pedir ao sultão para me esclarecer sobre elas.

─ Eu acertei ou acabei enveredando por um caminho que você não cogitou? ─ meu noivo indagou quando eu escolhi me manter em silêncio perante suas palavras assertivas.

─ Edward esse não é um assunto adequado para conversamos. ─ respondi evasiva e ele riu.

─ Você tem toda razão, mas veja a ironia da nossa situação: eu é que fui criado no oriente, porém é você quem mais age de modo puritano durante os nossos diálogos. ─ ressaltou e eu não me senti ofendida pela observação dele, mas com certeza me senti constrangida pelo meu próprio preconceito quando antes de vê-lo pessoalmente eu o subestimei acreditando que por ser o sultão de Suma ele seria um homem altamente conservador, como a grande maioria das pessoas do seu país.

Perceber esse absurdo me fez rir sem humor, porque veja a contradição disso tudo: eu, a princesa que vem de um país historicamente mais liberal que Suma e que foi criada no ocidente, onde supostamente quase tudo é moralmente permitido, é quem tem sido a conservadora da nossa relação e precisamente nesse momento a vida deve estar rindo de mim por eu estar agindo tão contraditoriamente quando mais deveria ser coerente naquilo que realmente acredito.

─ Você está certo e eu me sinto uma idiota por não ter percebido isso antes. No entanto, mesmo tendo sido criada no ocidente eu sempre estive rodeada por cidadãos rajaneses. Pessoas por quem eu me esforço para manter um comportamento mais adequado a cultura árabe, mas por quem nem sempre eu consigo fazer isso porque estando em uma terra estrangeira eu tenho a obrigação de tentar me adaptar aos costumes locais e não o contrário. ─ expliquei e Edward concordou comigo.

─ De acordo, porém com quais costumes você se identifica mais: os ocidentais ou os árabes? ─ perguntou e eu tive que ponderar um pouco sobre essa questão.

─ Depende da situação. Muitas vezes eu prefiro os costumes árabes, mas em outros momentos eu me identifico mais com os ocidentais. ─ esclareci.

─ Acho que eu entendo você habibti.* Mas dentro de todos os parâmetros da relação que temos com qual deles você se identifica agora? ─ questionou e ao ouvi-lo me chamar de querida em árabe eu tentei continuar agindo o mais natural possível, ao invés de demonstrar surpresa pelo aparente uso despreocupado desse terno tão carinhoso.

─ Com os costumes ocidentais porque é difícil para mim agir como uma noiva árabe e não poder expressar abertamente os meus pensamentos ou expor as minhas verdadeiras dúvidas. ─ revelei e meu noivo assentiu.

Ele suspirou.

─ Se é assim acho que só existe uma solução para nós. ─ murmurou e seu tom de voz foi muito suave.

─ Qual? ─ indaguei ansiosa por uma solução viável para toda essa nossa confusão em que nos colocaram.

─ Achar uma maneira de nos encontramos a sós para nos entendemos de verdade sem estamos sendo vigiados como agora. ─ ele disse se referindo ao detalhe de que mesmo estando seguros na minha casa nesse momento existem muitos olhos nos vigiando a distância aqui para garantir que nenhum de nós fará algo inadequado ou prejudicial a nossa reputação. ─ E quando digo a sós eu quero dizer: sem os seus seguranças e principalmente sem os meus seguranças. ─ concluiu e eu quase me entalei com a sua ousadia.

─ Eu... ─ comecei a dizer, porém acabei não concluindo aquela frase e me calei de vez.

─O que me diz Bella? Você confia em mim para mantê-la segura sem um batalhão de guarda-costas atrás de nós? ─ Edward perguntou e eu recuei um passo para trás quando ele se aproximou um pouco mais de mim.

Mas, agir assim foi um péssimo erro que cometi e para evitar que um dos meus seguranças viesse até nós eu sinalizei discretamente com a cabeça para que eles se mantivessem no lugar deles.

─ Confio. Antes de você chegar para o jantar meu irmão me disse que além de ser um grande líder você também é um excelente comandante de tropas militares, mas o meu país está em guerra e dezenas de inimigos do meu povo esperam que eu cometa um deslize como esse para poderem me capturar e me usarem como um objeto de barganha na luta contra a minha nação. Além disso, por toda a sua influência e poder ao redor do mundo você mesmo é um homem que coleciona inimigos como quem coleciona álbuns de figurinha. ─ argumentei para o meu noivo.

─ Ai! Essa doeu! ─ ele exclamou em um tom de voz descontraído, porém logo voltou a ficar sério e sua postura ereta ao falar de novo estava impecável. ─ Bella, eu sei de tudo isso e muito mais, mas eu não me tornei um bom comandante de tropas militares à toa e mesmo quando eu estou rodeado dos meus seguranças eu sempre fico atento ao que se passa ao meu redor. Portanto, sejam inimigos do seu pai ou meus, estando comigo ninguém jamais conseguirá tocar em você e mesmo que tentem me matar para alcançar esse objetivo eles sempre fracassarão nessa missão insensata deles.

“Insensata.” Ouvir essa palavra dos lábios de Edward trouxe um questionamento muito sério a minha mente:

Será que não sou eu quem está sendo insensata ao recusa essa proposta do meu noivo?

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─ Você está bem? ─ Emmett me perguntou no outro dia quando ele percebeu que eu não estava comendo quase nada durante o nosso café da manhã.

─ Eu tomei uma decisão. ─ declarei, ao invés de responder diretamente a pergunta que ele me fez.

─ Que decisão? ─ questionou demonstrando interesse em ouvir o que eu tenho a dizer.

─ Eu vou aceitar a proposta do sultão e vou me encontrar com ele sem a presença dos nossos seguranças. ─ respondi e meu irmão arregalou seus olhos.

─ Você ficou maluca? Eu sei que ele estar demonstrando ter uma mente bem liberal para alguém que vem de Suma, mas é arriscado demais para a sua reputação fazer algo assim. ─ meu irmão alegou e ontem eu contei a ele tudo sobre a minha conversa com Edward.

─ Eu sei, mas dessa vez eu realmente preciso me arriscar. ─ retruquei.

─ Cuidado Bella. Tem regras escritas ou não, que podem ser quebras, porém existem outras que pelo bem de todos devem ser mantidas precisamente como são. ─ me avisou.

─ Você não precisa ficar me lembrando desses detalhes, eu os recordo muito bem. ─ grunhi.

─ Será mesmo? Porque no meio disso tudo eu tenho medo que você decida quebrar a única regra que pode te custar à vida. ─ ele disse e para não gritar com meu irmão eu apertei o guardanapo que estava sobre minha perna.

─ Não se preocupe, eu sei perfeitamente quais são os meus limites e se algum dia eu decidir ultrapassá-los isso será um problema meu e não seu. ─ resmunguei irritada pelo seu mau juízo sobre mim e Emmett definitivamente se exaltou.

─ Meu também, porque você é minha irmã e eu não quero vê-la morta por um ato de inconsequência seu! ─ gritou ao ficar de pé e eu franzi o cenho para ele.

─ Ah não, eu me recuso a ver você usando dois pesos e duas medidas contra mim, já que você tem sido tão ou mais inconsequente que eu ao se envolver seriamente com uma atriz ocidental! ─ eu também me exaltei, no entanto não cheguei a gritar como ele e sem paciência para continuar discutindo eu abandonei a mesa do café da manhã.

─ Eu sabia. Eu sabia que até mesmo você era contra o meu relacionamento com Emmett. ─ Rosalie me disse ao se encontrar comigo no meio do caminho para a sala de estar.

─ Não, Rosalie. Eu não sou contra o relacionamento de vocês, mas não vou mentir dizendo que Emmett não escolheu o caminho mais difícil para si ao eleger você como companheira dele, porque ele escolheu. ─ afirmei e talvez eu não devesse ter sido tão honesta com ela, porém usar de meias-verdades para esconder minhas verdadeiras opiniões nunca foi uma grande especialidade minha.

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Habibti. ─ Edward disse quando liguei para seu número pessoal de celular.

─ Olá. Tudo bem com você? ─ perguntei.

Sim. E você? ─ perguntou de volta.

─ Eu estou bem. ─ murmurei.

Bom, mas eu preciso confessar que estou curioso para saber a razão por trás dessa sua ligação. ─ ele disse e eu respirei profundamente.

─ Eu só quero saber se aquela sua última proposta ainda está de pé. ─ revelei.

Sim, no entanto eu pensei que eu tivesse ofendido você ao fazê-la de uma maneira tão impulsiva.

─ Você não me ofendeu. E impulsiva ou não, eu só tive medo do que poderia acontecer com a minha reputação se eu a aceitasse. ─ expliquei.

E de repente você perdeu esse medo? ─ questionou desconfiado.

─ Não, mas o medo faz parte da vida e mesmo sendo perigoso para mim eu decidi me arriscar. ─ esclareci para ele.

Entendo. E mesmo que você ainda sinta medo pelo que pode te acontecer se alguém nos descobrir eu prometo que nada de mal atingirá você porque eu sempre irei protegê-la de tudo e de todos. ─ ele me prometeu e eu não faço ideia do que tenha sido, porém algo no seu tom de voz me fez acreditar nele.

─ Está bem. Eu estou esperando você. ─ falei e sem esperar por uma resposta dele eu terminei nossa chamada.

─ Você é a mulher mais corajosa que eu conheço. ─ Alice, que tinha ouvido toda essa conversa telefônica, disse e eu sorri para ela, mas logo esse sorriso se desfez e toda a tensão que estou sentindo apareceu no meu rosto.

─ Não sou não, porém graças aos genes que eu herdei da minha mãe existe uma pequena parte em mim que adora se jogar num abismo. ─ declarei e ela riu.

─ E eu adoro essa sua parte. Mas, o que você pretende fazer? E que regra é essa que pode custar a sua vida? ─ indagou.

─ Será que ela é assim tão difícil de adivinhar? ─ questionei minha amiga, ao invés de dar uma resposta direta para ela.

─ Para mim sim. É que por mais que eu me esforce às vezes eu não consigo entender a sua cultura, ou melhor, a cultura árabe em geral às vezes é muito complexa para essa minha mente lenta. ─ respondeu e eu sorri tolerante com Alice por sua falta de compreensão rápida sobre os aspectos da minha cultura de origem.

─ Alice na lei rajanesa não existe nada que impeça uma mulher de beijar um homem antes do casamento, mas na lei sumanesa existe e tem uma lei em especial da qual ambos os países compartilham e que dificilmente será mudada em algum deles. ─ expliquei e um brilho de compreensão no seu olhar iluminou o rosto dela como se Alice finalmente tivesse chegado à conclusão certa daquilo que estou tentando dizer a ela.

─ Acho que já sei aonde você quer chegar com esse papo: é que tanto as mulheres rajanesas como as sumanesas por lei não podem fazer sexo antes do casamento, não é? ─ minha melhor amiga leu corretamente as entrelinhas dessa nossa conversa.

─ Sim. ─ confirmei e ela bufou.

─ Se é assim eu não sei por que seu irmão está tão preocupado com você. Eu te conheço e sei que às vezes você é certinha de mais para o seu próprio bem. ─ resmungou.

─ Alice. ─ comecei a protestar.

─ Alice nada! Nós duas sabemos que por amor ao seu povo você nunca iria tão longe nessa sua ousadia a ponto de quebrar uma regra tão importante quanto essa para eles. ─ alegou e não é como se eu pudesse dizer que ela está errada sobre mim, porque nós duas sabemos que eu sou louca, mas uma louca ajuizada, se é que isso faz algum sentido para alguém.

─ O que foi? ─ Alice me perguntou quando viu que eu estava começando a rir dessa minha própria conclusão idiota.

─ Nada. Eu apenas estou aqui pensando comigo mesma. ─ respondi ao tentar conter minha risada, mas no fim fracassei e depois simplesmente desisti de tentar contê-la.

─ Você é estranha às vezes, sabia? Tem horas que você muda de humor como quem muda de roupa! ─ ela me acusou e como não posso negar a verdade eu apenas continuei rindo de mim mesma.

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Notas finais
*Habibti: Significa querida.