O Sultão
5 O pedido
Notas iniciais
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Capítulo 4
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Bella
─ Eu gosto da calma desse lugar, da tranquilidade que ele passa para as pessoas. Ele me lembra da calma do deserto. ─ Edward meditou quando nós estávamos num parque particular de Nova Iorque onde só as pessoas associadas a ele e convidados podem entrar.
─ É só que no deserto essa calma pode virar uma tempestade de areia. ─ respondi.
─ Do mesmo modo que a calma daqui a qualquer momento pode se transformar num tornado. ─ retrucou.
─ É verdade, mas não com a mesma frequência com que acontecem as tempestades de areia no deserto. ─ contrapus.
─ Sim, mas nós sabemos bem como lidar com essas tempestades de areia, não sabemos? ─ ele perguntou e eu assenti.
Ambos nascemos em terras desérticas e nesse tipo de região as tempestades de areia são bem comuns.
─ Sim. Nós sabemos. ─ confirmei.
─ E o nosso noivado é uma das grandes, não é? ─ Edward surpreendentemente me questionou sobre isso e mesmo não sabendo aonde o sultão de Suma quer chegar com esse questionamento eu concordei com ele.
─ É. ─ murmurei.
─ E o que você sugere que façamos para acalmá-la? ─ meu noivo me perguntou suavemente.
─ Eu não sei. Diga-me você. ─ respondi sem graça.
─ Sim, eu vou dizer. ─ respondeu e muito sutilmente aproximou seu rosto do meu para me beijar nos lábios e depois grudou sua boca na minha.
No começo esse gesto foi apenas um selinho suave, porém logo a pressão dos seus lábios sobre os meus aumentaram e pouco a pouco sua língua macia pediu passagem entre eles até estamos nos beijando como um casal com boa química deve se beijar.
E esse beijo estava sendo bom, apesar do nosso embaraço inicial por ser o nosso primeiro beijo juntos.
Mais saboroso do que imaginei que seria, mas que poderia ser melhor ainda se nós nos amassemos e não estivéssemos nos beijando pela simples obrigação de tentamos nos dá bem como um futuro casal que está prestes a fazer votos sagrados de união. Mas, quem sabe o sabor adocicado desse nosso beijo seja o prenuncio de um lindo sentimento verdadeiro que ainda nascerá entre nós?
─ Acho que sem querer você acaba de solucionar uma das minhas dúvidas. ─ eu disse após Edward finalizar o nosso beijo com pequenos selinhos carinhosos e ele sorriu ao entender o que eu quis dizer.
─ Eu também me perguntei sobre como a química física agiria entre nós quando nos beijássemos pela primeira vez e é muito bom constatar que ela funcionou bem. Mais do que bem, porém eu também me questiono se a nossa química sexual será igual quando estivemos a um nível mais profundo do nosso relacionamento físico. ─ revelou e mesmo sendo arriscado eu tomei coragem para propor a ele algo bastante atrevido.
─ Ontem você me acusou de está sendo puritana demais durante os nossos diálogos e provavelmente você está certo. Além disso, eu fui bastante preconceituosa ao pensar que de nós dois você é quem mais agiria assim. Portanto, eu decidi tentar mudar de comportamento por você e se você quiser hoje eu estou disposta a deixar que você me conheça mais intimamente da maneira que quiser, mas sem realmente atravessamos a última linha. ─ propus e meu noivo me olhou espantando, enquanto eu corava absurdamente.
─ Obrigado, Bella. Eu sempre soube que você é mulher ousada e eu a admiro por isso, mas não imaginei que você pudesse chegar a tanto e eu não posso aceitar essa sua oferta generosa porque não seria justo eu me aproveitar da sua benevolência comigo para satisfazer minhas dúvidas sobre como será o nosso relacionamento físico ao todo. Além disso, só de olhar para você eu sei que me fazer essa proposta está te custando muito e eu não quero que as coisas sejam assim entre a gente. Na realidade, eu quero que tudo aconteça do jeito mais natural possível. ─ ele me explicou ao gentilmente dispensar minha proposta e eu não sei se me sinto aliviada por essa sua atitude ou completamente frustrada por Edward ter escolhido recuar quando ele mais poderia ter ido em frente comigo, porque eu sei que antes do nosso casamento eu jamais terei coragem de repetir essa oferta a ele.
─ Eu não vejo como você poderia estar se aproveitando de algo se fui eu quem fez essa proposta a você. ─ murmurei confusa com o comportamento dele, já que noventa por cento dos homens que conheço teria agarrado esse tipo de oferta de uma mulher com unhas e dentes.
─ Iã albi* existem muitos modos de um homem experiente como eu se aproveitar de uma mulher inexperiente como você e mesmo a desejando eu não quero agir como um canalha com você. ─ esclareceu e seu tom de voz ao me chamar de meu coração em árabe foi tão doce que eu quase desejei que ele realmente fosse um canalha agora.
─ Está bem, no entanto se você realmente presa por mim não me chame de termos carinhosos que na nossa situação soam tão levianos. ─ pedi com sinceridade ao me sentir incomodada com esse comportamento dele.
O sultão respirou fundo.
─ Para mim não são levianos e um dia você entenderá por quê. ─ ele me contradisse com firmeza, mas também suavidade e suas palavras misteriosas me confundiram ainda mais, no entanto eu achei melhor não fazer perguntas sobre o assunto ao meu noivo e a honestidade que brilhou no seu olhar me fez confiar nessa afirmação dele.
─ Está bem. Desculpe-me. Eu não quis ofendê-lo. ─ falei e ele concordou.
─ Você não me ofendeu, apenas fez uma suposição errada e suposições erradas às vezes podem machucar. ─ respondeu e a dor mal disfarçada em sua voz me surpreendeu.
─ Perdão. ─ eu me desculpei mais uma vez, envergonhada pela minha atitude inconsequente.
─ Tudo bem. Você não pode adivinhar as coisas e eu não estou pedindo que isso aconteça. ─ declarou.
Depois nós dois caminhamos um pouco mais pelo parque privado e Edward aproveitou esse período de atividade para me contar um pouco mais sobre ele.
─ Jasper e eu vivíamos nos metendo em confusão, mas papai sempre nos defendia da fúria da nossa mãe e isso sempre amolecia o coração dela, mesmo que às vezes ela ficasse irritada com ele também, mas logo passava e nós sempre fomos uma verdadeira família feliz. ─ ele estava relatando para mim algumas passagens da sua infância feliz.
─ E na sua adolescência? Como foi? ─ perguntei curiosa.
─ Essa foi a época em que me rebelei pelas restrições que sempre fui obrigado a passar por ser um príncipe e principalmente o príncipe da coroa. No entanto, com um pouco de paciência e muito amor minha família conseguiu me trazer de volta à razão e graças a isso eu não me tornei a ovelha negra da realeza de Suma. ─ constatou.
─ Acho que todos nós temos ou tivemos uma fase assim. ─ ponderei.
─ Você também teve uma? ─ questionou com um interesse indisfarçável.
─ Sim. Foi quando eu tinha quinze anos e eu pensei seriamente em renunciar ao meu titulo da realeza de Rajar. ─ relembrei, deixando meus pensamentos irem longe.
─ E o que te fez mudar de ideia? ─ indagou.
─ A lembrança de que seria muito egoísta da minha parte virar as costas para o meu povo no meio de uma guerra obscura. ─ respondi.
─ E como foi sua infância? ─ perguntou e agora quem estava curiosa era o sultão.
─ Ah, essa foi uma fase de grande descobertas porque foi nessa época que vim para cá e mesmo amando essa nação que tanto me acolheu de braços abertos eu sempre desejei poder voltar para o meu verdadeiro lar no deserto. ─ admiti. ─ Ainda desejo. ─ conclui.
─ E hoje? ─ questionou cada vez mais curioso e ansioso para saber mais de mim.
─ Não sei. Diga-me você. É a sua vez de falar. ─ retruquei, não querendo mais continuar falando de mim.
─ Hoje eu sou um homem que cresceu rodeado por boas lembranças da infância, mas que na vida adulta ainda não conseguiu ser feliz. ─ Edward afirmou conformado com sua dura realidade.
─ É triste te ouvir falar assim. Você parece uma boa pessoa e boas pessoas merecem ser felizes. ─ refleti.
─ Mas nem sempre é o que acontece, porque nós seres humanos às vezes confiamos nas pessoas erradas e cometer esse erro destruiu meu casamento. ─ declarou e impulsivamente para tentar consolá-lo eu o abracei.
Um abraço o qual ele aceitou sem resistência e retribuiu com muito carinho como se desse abraço dependesse sua felicidade e talvez dependa em partes.
Quanto às perguntas sobre o seu primeiro casamento eu prefiro deixá-las para depois quando a sua fragilidade emocional não estiver no comando dos pensamentos dele.
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─ Então é assim que você se define hoje: “uma mulher com anseios como qualquer outra, mas que antes de tudo tem um dever a cumprir com o seu povo”? ─ Edward resumiu bem o que falei a ele.
─ Sim. ─ confirmei.
─ E qual o preço desse dever? ─ indagou, sem deixar transparecer no seu rosto qualquer sentimento que me desse algum indicio do rumo que os seus pensamentos estão tomando.
─ A minha liberdade. ─ respondi com honestidade, apesar de saber que essa minha resposta poderia ofendê-lo ou mesmo magoá-lo.
─ Então é isso o que o nosso casamento representa para você? Uma gaiola de ouro? ─ sugeriu, ainda ocultando os seus verdadeiros sentimentos de mim e todo esse mistério dele as vezes me deixa receosa sobre quem esse homem realmente é, pensa e acredita.
─ Não. Não foi isso o que eu quis dizer. Mas, ao me casar com você automaticamente eu serei obrigada a abrir mão de uma série de coisas que fazem parte do meu conceito de liberdade, como o meu direito de ir e vir sem precisar da autorização de alguém. ─ expliquei mais claramente para que o sultão não forme mais ideias erradas na sua mente.
─ Esse é um direito que você nunca vai perder e eu vou me certificar que essa minha promessa seja algo que fique legalmente garantida para você. ─ afirmou e sem que eu esperasse por isso ele me beijou.
Um beijo mais voraz que o primeiro que trocamos, porém igualmente bom ou até melhor que antes, e Edward com certeza não é o primeiro que me beija, mas absolutamente é o primeiro que com o sabor do seu beijo consegue me estremecer por dentro e por fora.
─ Vem. Eu quero te mostrar algo muito bonito que fica aqui dentro do parque. ─ ele disse e muito seguro de si tomou minha mão na sua.
Essa é a primeira vez que nós andamos de mãos dadas e isso só é possível porque hoje nenhum de nós dois estar com seguranças por perto e se eles não estão aqui não há ninguém que possa nos reprovar por esse comportamento tão “ocidental”.
Além disso, desta vez Edward está usando roupas ocidentais, que com sua aparência europeia ajudar a gente a nos misturamos com os cidadãos americanos que estão por aqui a essa hora da manhã.
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─ Uau! ─ eu exclamei ao ver o belo lago que tem nesse parque.
─ Vejo que eu não estava errado ao achar que você gostaria de ver essa paisagem daqui. ─ meu noivo comentou observador ao perceber que fiquei encantada com tanta beleza natural diante de nós.
─ Não. Esse lugar é realmente incrível e apesar dos muitos anos que moro aqui em Nova Iorque eu não sabia da existência dele. ─ confessei.
─ Eu não sei se é mito ou verdade, mas dizem que a água desse lago trás sorte aos casais apaixonados. ─ comentou casualmente.
─ Só para os casais apaixonados? ─ conferi e Edward confirmou. ─ Que pena. ─ lamentei. ─ Seria bom que ela pudesse dar sorte a todos os que existem, como nós. ─ meditei e o olhar dele sobre mim ganhou um brilho estranho no qual eu não consegui decifrar o que ele realmente pode estar sentindo.
─ Quem sabe de alguma maneira o seu desejo se realize? ─ Edward falou e eu sorri para ele pela sua tentativa de me animar.
─ É. Quem sabe. ─ respondi pensativa e desta vez quem o beijou fui eu.
E não com tanta desenvoltura quanto a sua ao me beijar pela segunda vez, no entanto com o máximo de entusiasmo que consegui reunir em mim e esse foi um beijo muito honesto, porque eu realmente quero encontrar um caminho pelo qual eu verdadeiramente me apaixone por Edward.
─ Será que alguém já te disse o quanto você é bonito? ─ perguntei carinhosa ao observar melhor os lindos traços do rosto dele e manter minhas mãos na sua cintura após o nosso terceiro beijo.
─ E será que alguém já te disse que você é impressionante? ─ ele me devolveu a pergunta antes de me beijar de novo e eu não tive tempo para dar alguma resposta ao meu noivo. ─ Eu quero que você se apaixone por mim Isabella. ─ ele declarou depois do beijo e de alguma maneira eu senti que Edward não disse tudo o que ele realmente quer me dizer.
Ter esse tipo de sensação não é agradável e me faz imaginar mil coisas que podem estar passando por seus pensamentos.
─ Eu também quero me apaixonar por você Edward. ─ sussurrei decidida a ignorar os meus receios sobre o sultão, porém ele me ouviu muito bem e se curvou para beijar meu cabelo.
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─ Já é quase hora do almoço. O que você acha de irmos almoçar no restaurante aqui do parque? ─ Edward indagou perto do meio dia.
─ É uma boa ideia. ─ falei, porque eu realmente já estou começando a sentir um pouco de fome.
─ Vamos então. ─ ele me chamou e de mãos dadas nós atravessamos o parque.
É bom poder estar tendo esse tipo de experiência com meu noivo. Isso faz com que eu me sinta uma pessoa como outra qualquer e não como uma princesa que desde muito jovem é cheia de grandes responsabilidades.
─ O que você está fazendo? ─ eu sussurrei ao perceber que antes de entramos no restaurante Edward olhou para todos os lados, mesmo que discretamente, como se estivesse à procura de algum inimigo.
─ Garantindo que ambos estejamos seguros aqui para que possamos ter uma refeição em paz. ─ ele me respondeu e eu assenti ao entramos no restaurante.
Lá dentro maître e um dos garçons vieram nos atender e no meio de uma rápida conversa nossa com esses funcionários nós dois começamos a comer depois de temos sido muito bem serviços por eles.
─ Você está gostando daqui? ─ meu noivo me questionou quando nós dois ficamos a sós.
─ Sim, é um lugar muito agradável. ─ respondi e a partir daí nossa conversa se estendeu por vários outros temas, seja a nível pessoal, ou não.
─ Obrigada por me contar mais um pouco sobre quem você é de verdade e por me deixar conhecer mais detalhes dessa sua intrigante personalidade. ─ eu disse quando após duas horas de almoço nós finalmente terminamos de comer e essa demora toda não foi por temos comido muito e sim porque comemos devagar para podemos conversar melhor ao revelamos um pouco mais de nós mesmos.
─ Obrigada você por me estender a mesma cortesia e eu sei que ainda falta muito para conhecemos um do outro, mas acho que chegou o momento de darmos um novo passo nessa nossa relação que apenas está no começo, no entanto já nos promete tantas coisas. ─ ele discursou.
─ Que passo? ─ perguntei cautelosa e para a minha completa incredibilidade Edward se levantou da sua cadeira no restaurante e se colocou de joelhos no estilo “cavaleiro” na minha frente. ─ Isabella Marie Higginbotham Swan há pouco tempo eu disse a você que estava me candidatando ao posto de pretendente a seu futuro namorado, mas apesar do pouco tempo que já estivemos na companhia um do outro hoje eu me atrevo a ir mais além e perguntar se você me daria a honra de ser minha namorada. ─ o sultão de Suma disse e piscou para mim, pois ambos sabemos que oficialmente eu já sou bem mais isso para ele. ─ E então Isabella, você me aceita? ─ Edward me pressionou quando fiquei muda ao ouvir o pedido dele.
─ Sim. ─ sussurrei quase sem reação naquela situação inusitada, porém foi o suficiente para que ele sorrisse para mim e pressionasse seus lábios nos meus de modo bem mais discreto do que foi sua posição física ao me fazer esse pedido e por sorte nós estamos numa área mais reservada onde quase ninguém além de nós estar presente.
─ Obrigado, minha flor. ─ ele disse e se levantou para voltar a se sentar na sua cadeira.
─ De nada. ─ eu quase gaguejei desconcertada ao notar que sem que eu percebesse em algum momento daquele pedido inesperado de “namoro” Edward deslizou um lindo e discreto anel de compromisso no meu dedo anelar direito e ele sorriu outra vez ao ver minha reação a joia que escolheu para mim.
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