O Sultão

24 O Casamento - Parte II


Notas iniciais
Oi flores e queridos. Eu não sabia se ia atualizar hoje, mas ai está. Muito obrigada pelos comentários de vocês. Semana que vem apareço.

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Capítulo 23

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Bella

No quarto dia do casamento o avião de Edward e do Príncipe Jasper aterrissou primeiro no aeroporto sumanes com o dos meus pais atrás deles e o meu por último comigo acompanhada por Emmett, Rosalie, Alice e Soraya.

─ Como estou? ─ perguntei depois de colocar meu novo vestido de noiva.

─ Maravilhosa! ─ Emmett respondeu sorrindo.

Ele me deu seu braço para segurar.

Minha respiração pesou com o nervosismo que não senti antes aparecendo para me atacar.

─ Não me deixe cair. ─ pedi baixo me apoiando nele.

─ Nunca. ─ ele disse colocando sua mão em cima da minha.

Rosalie e Alice desceram atrás de nós.

Minhas pernas tremeram, mas mantive minha postura com a coluna reta e a cabeça no alto. Porém, poucas pessoas estavam no aeroporto, porque a maioria estava na praça principal da cidade esperando pelo recomeço das transmissões do casamento nos telões dela e com o movimento comercial paralisado as ruas estavam quase desertas pela ausência dos seus vendedores desejando ver a transmissão.

No palácio todos entramos pelos portões laterais com carros oficiais não caracterizados para evitar que na aglomeração para nos verem as pessoas saíssem machucadas e no interior dele um grupo de músicos e dançarinos recebeu a gente.

─ Lililililili. ─ as mulheres reproduziram o famoso som comemorativo do Zaghareet.

Edward e eu dançamos de novo e quando senti sede aproveitei para estar sozinha no jardim privado.

─ Quando imaginei esses vestidos os desenhei pensando em você, mas nunca achei que ia ver você os vestindo. ─ Edward disse entrando no jardim.

Sorrindo virei para ele.

─ Eles são lindos. ─ olhei para o meu quarto vestido. ─ Mas azul-royal e vermelho bordô...

─ São as cores que desde a Antiguidade em Suma só o Sultão pode usar. ─ me abraçou pelas costas.

Aspirei me recostando no seu peito.

─ É e o seu povo vai me odiar por quebrar a tradição máxima deles. ─ murmurei com minhas mãos em cima das suas.

Edward beijou meu cabelo.

─ Não, pelo comunicado oficial que a sua família mandou para a imprensa mundial todos sabem que seus vestidos são responsabilidade minha e pense no número de noivas sumanesas que vão estar felizes usando essas cores no casamento delas porque você as está usando no nosso. ─ respondeu.

Virei minha cabeça para olhar seus olhos.

─ Mas...

─ Shiii... ─ colocou seu dedo indicador nos meus lábios. ─ Te amo minha flor. ─ ele disse suave.

─ Também te amo. ─ minha resposta veio fácil e com suavidade também.

Edward me abraçou mais forte beijando meus lábios e no quinto dia do nosso casamento coloquei um vestido branco ── cor obrigatória no último dia dos casamentos muçulmanos ──, mas a modelagem dele lembra muito a dos vestidos ocidentais, respeitando só a falta de transparência no tecido seu e colocando a gola alta no lugar do famoso decote feminino.

─ Vossa Alteza aceita casar com Sua Majestade, o Sultão Edward Cullen, de acordo com os preceitos de Ala e de seu mensageiro? ─ as testemunhas do nosso casamento religioso vieram com o imane* para ouvir minha resposta a ele.

─ Sim. ─ respondi e as mulheres reproduziram o famoso som comemorativo do Zaghareet

─ Lililililili.

A mesma pergunta foi feita para o meu noivo ── num outro salão do palácio longe de mim ── e usando o lindo colocar que ele me deu como um dos meus presentes de casamento entrei na cerimônia religiosa numa liteira*.

─ Lililililili. ─ as mulheres reproduziram o Zaghareet novamente e homens com tambores e espadas entraram na frente dos que me carregavam tocando e dançando.

Outros instrumentos também foram tocados e quando a liteira foi colocada no chão sai dela me posicionando do lado de Edward.

Sorrimos um para o outro quando ele levantou o véu do meu rosto e com o imane abrindo a cerimônia sentamos lado a lado.

O primeiro capítulo do Alcorão* foi lido pelo imane e ele fez uma pequena meditação sobre o amor:

─ Sábio é o marido que ama e cuida da sua esposa para que na ausência dele ela sempre pense nele e o receba com alegria quando ele voltar. Mas, também feliz é a esposa que trata seu marido com ternura e o ouve com sabedoria quando ele precisa. Feliz e sábio é o casal que se respeita porque agrada a Ala.

Meu noivo e eu sorrimos novamente. Também trocamos as alianças de novo, mas nossas mãos tremiam como da primeira vez que as trocamos.

Nossos convidados aplaudiram e algumas vezes usei um lenço de seda para limpar minhas lágrimas. Edward não chorou, mas vi seus olhos brilharem com lágrimas não derramadas.

Meu peito estava pesado pela emoção. Acho que o dele também e acompanhando os preceitos da religião repetimos três vezes nossos votos matrimoniais baseados em três preceitos: amar, cuidar e respeitar. Mas, como outra parte das tradições da cerimônia nossas famílias trocaram presentes com o Príncipe Jasper dando eles a mim e minha mãe e meu pai a duas parentas de Edward.

Os convidados aplaudiram novamente.

Edward entregou meu dote exigido no contrato de casamento há alguns dias, mas suas surpresas não acabaram e mais que valor material o novo presente que ele me deu tem grande valor sentimental para mim por ser uma escola de dança que me dá a oportunidade de dar aulas para crianças financeiramente carentes ou sem familiares presentes nas suas vidas.

Mais aplausos e ele e eu assinamos o registro casamento acompanhados por nossas duas testemunhas.

O imane abençoou nosso casamento.

Edward e eu sorrimos e como no casamento civil ele beijou minha testa no fim da cerimônia. Ouvindo o som comemorativo do Zaghareet viramos para as pessoas e levado para as mulheres da minha família meu marido deu dinheiro e presentes para minha mãe e minha cunhada ── normalmente são as irmãs da noiva quem os recebem e não as cunhadas, mas sou filha única ── Ele também recebeu a bênção das mais velhas entre elas e as cumprimentou. Mas, no final da cerimônia acompanhado as recomendações da Organização Mundial da Saúde pela pandemia atual do coronavírus dispensamos os cumprimentos formais ou acalorados por atitudes ou palavras mais distantes dos nossos convidados.

─ Lililililili. ─ todos nos receberam animados na entrada do salão de festas jogando açúcar na gente e moedas para mim como mais das nossas tradições para nos trazer prosperidade e fertilidade e um grupo artístico composto por dançarinas do ventre com véus nas mãos e homens tocando tambores ou com espadas nas mãos entraram nele Edward e eu dançando atrás deles.

Eles formaram um circulo a nossa volta no centro do salão e continuamos dançando até o fim da música.

─ Sua aliança é linda, pena que vai estar guardada. Emmett me disse que os muçulmanos não costumam usar alianças. ─ Rosalie olhou para minha mão direita.

─ Não porque é um costume dos não-muçulmanos e achar que usá-las ou não, tem efeito na relação do casal vai contra as crenças do islã, mas elas são de platina com diamantes e Edward e eu as vemos só como uma representação bonita do infinito. ─ respondi.

─ Teria problema se fossem de outro material precioso? E por que você não a usa na mão esquerda?

Sorri.

─ Homens muçulmanos não podem usar ouro para nãos serem “confundidos” com as mulheres e para os não-muçulmanos o lado esquerdo está ligado ao coração, mas para os muçulmanos tudo o que é feito com a mão esquerda é impuro e o casamento é sagrado.

─ Respeito à religião de vocês, mas a primeira visão é um pouquinho machista. Não acha?

Ri.

Concordo com ela, mas para a maioria dos muçulmanos é só parte da nossa religião e cultura.

─ A mesma regra vale para seda e pela minha ligação com o Ocidente não estou falando que discordo de você, mas para o seu bem não fale nada parecido perto de outros muçulmanos.

─ Calei minha boca. ─ minha cunhada simulou passar um zipe nos seus lábios.

Sorri saindo à francesa da festa para retocar minha maquiagem na ala de hóspedes.

─ Pare de importunar Isabella, porque se ela se machucar vou considerar você culpada. ─ ouvi meu cunhado grunhi numa curva do corredor.

─ Não sei do que Vossa Alteza está falando. ─ Lady Tanya respondeu nervosa.

Me escondi atrás de uma pilastra para não ser vista por eles.

─ Nem tente me enganar. Não sou o Ministro da Defesa só pelos meus lindos olhos. ─ zombou. ─ Também sou muito bom no que faço e tenho vigiado você há semanas.

─ Vossa... Vossa Alteza... ─ ela gaguejou.

─ Shiii!! ─ o ouvi calá-la. ─ Vi quando você entrou no quarto de Isabella com aquela naja venenosa, mas protejo minha família e a Sultana é parte dela.

Perdi o ar.

É a primeira vez ouço usarem meu novo titulo real para falarem de mim e não esperava ouvi-lo preso a uma tentativa de assassinato.

─ Sou filha do Primeiro-Ministro, Vossa Alteza não pode me ameaçar.

O Príncipe riu com zombaria e preciso aplaudir a coragem dela. Ele é um dos homens mais intimidadores que conheço. Mas, não é coragem, é imprudência. Me corrigi.

─ E enquanto Edward não tiver filhos sou o Príncipe Herdeiro, mas não me importa de quem é filha. Esteja longe da minha cunhada ou pessoalmente vou escolher o castigo para puni-la e tirei a naja de lá, mas se tiver uma próxima vez vou deixar que Edward descubra com os próprios olhos e mate você pessoalmente.

Virei numa outra curva do corredor e bati a porta do meu quarto quando entrei nele pelo outro lado da ala.

Uma naja venenosa no dia do meu casamento?! Lady Tanya é desiquilibrada, mas se ela não parar com as ameaças do Príncipe vou pará-la a minha maneira e ela não vai gostar nada.

Aspirei para me acalmar, parei na frente do espelho para passar mais batom e parei a caminho do salão de festas para falar com Alice.

─ Quê?

─ Você sabe o que significa ter chegado junto com Jasper na festa do meu casamento? ─ perguntei.

─ Jasper?

Expeli o ar.

─ Agora ele é da minha família, posso chamá-lo pelo nome sem problema, mas foco. Sabe o que significa ou não? ─ persisti.

─ Que o mundo vai saber que estamos nos conhecendo melhor?

─ É um pouco mais. ─ respondi calma. ─ Você sabe que entre os muçulmanos não existe namoro, mas quando se relacionam com uma Ocidental os homens da minha cultura são parecidos com os americanos: eles acham que para estarem namorando uma moça não precisam pedir. Só estar juntos é suficiente para se considerarem namorados delas. ─ sentei numa cadeira. ─ E aparecendo publicamente com você meu cunhado está falando para todos que tem a intenção casar com você num futuro próximo.

Alice abriu e fechou a boca, mas não falou nada.

Ela aspirou forte e também sentou.

─ Bella, eu ainda nem sei o que desejo. ─ minha melhor amiga disse nervosa.

─ Calma. Na nossa cultura ser prometida não é o mesmo que está noiva, mas achei que ia gostar de saber que ele está te levando a sério. ─ levantei e devagar ela começou a sorrir.

─ Gostei. Eu gosto muito! ─ respondeu animada.

Sorri.

Alice pode falar que não sabe o que deseja, mas a conheço o suficiente para começar a planejar tudo o que vou ter que ensinar para ela ser uma boa Princesa para Suma.

Achei melhor não falar nada e voltando para a festa vi vários convidados estrangeiros e nativos dançando.

Sorri.

As festas de casamento da minha cultura são muito animadas. Poucas pessoas conseguem está paradas nelas e Edward estava muito feliz dançando com as mulheres da minha família.

Sorri novamente e no começo da noite um grande jantar foi servido para todos juntos, mas em vários outros países árabes com segregação sexual mulheres e homens festejam de maneira diferente em lugares separados.

Edward sorriu para mim e depois do prato principal do jantar ser servido e ele e eu passamos por mais uma das nossas tradições tendo nossas cabeças cobertas por um grande lenço enquanto o imane e nós fazíamos algumas orações com o Alcorão entre a gente.

Sorrimos.

Nós não somos grandes praticantes do islamismo, mas não o desprezamos e no fim do jantar vários doces e frutos secos foram servidos para os nossos convidados. Porém, a grande surpresa da noite foi a apresentação especial de um cantor sumanes com uma violinista rajanesa para evitamos polêmicas futuras sobre o peso que Suma e Rajar vão ter nosso casamento.

Juntos todos se divertiram com o show deles, mas tendo sempre grandes responsabilidades Edward e eu tivemos que falar com algumas pessoas de temas políticos que preferíamos deixar para outro dia, mas não pudemos e quando voltamos a ser só dois seres humanos comemorando seu casamento aproveitamos para dançar juntos novamente.

Ele se ajoelhou batendo palmas para mim e sorrindo girei a volta dele dançando.

O grupo artístico que contratamos voltou para animar a festa com os homens tocando tambores formando um circulo a nossa volta enquanto as dançarinas do ventre chamavam outras pessoas para dançarem junto.

Tudo estava muito bonito e vários convidados se reuniram a nossa volta dançando também, apesar de muitos nem saberem como, mas eles tentaram e todas as mulheres exibiram com prazer suas roupas e joias requintadas.

Edward e eu nos juntamos ao circulo e o grupo artístico levou a todos numa coreografia improvisada muito animada. Mas, ele sentiu sede e juntos sairmos do circulo para bebemos uma bebida não alcoólica gelada.

─ Você é linda, mas corada pelos movimentos da está adorável. ─ meu marido disse colocando uma mexa de cabelo atrás da minha orelha.

Marido. Pensar nele nesse contesto fez meu coração bater mais forte. Só conheço Edward há um mês e vinte e cinco dias, apesar dele ser apaixonado por mim desde os meus dezessete anos e os noivados árabes duram até três meses. Porém, tudo entre nós é diferente.

Sorri o ouvindo falar.

─ Você também. ─ respondi.

Ele sorriu e no final da festa quando sairmos do salão vi muitas mulheres me olharem com pena ou medo.

Edward também percebeu.

Expeli o ar tolerante com elas e apertei a mão dele para mostrar que, apesar de todos os boatos confio nele.

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Notas finais
*Liteira: cadeira portátil us. como meio de transporte, coberta e fechada, sustentada por duas varas compridas que são levadas por dois homens. *Primeiro livro do Alcorão: é chamado de Al-fátiha – Abertura e nele está escrito: Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. Louvado seja Deus, Senhor do Universo, Clemente, o Misericordioso, Soberano do Dia do Juízo. Só a Ti adoramos e só de Ti imploramos ajuda! Guia-nos à senda recta, À senda dos que agraciaste, não à dos abominados, nem à dos extraviados. Amém.