O Sultão
21 Inesperado
Notas iniciais
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Capítulo 20
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Bella
─ ...O envenenaram. ─ as palavras do Príncipe Jasper não me surpreenderam. Na história do mundo muitos sultões foram vitimas da mesma prática ruim. Mas, meu sentimento de preocupação que veio com elas me perturbou.
─ Você não vai.
Olhei para o meu pai.
─ Conhecendo os sentimentos do Sultão acha justo eu estar longe dele? ─ perguntei quando estávamos falando da minha viagem emergencial para Suma.
Papai olhou para a foto da minha mãe na sua mesa do escritório. Ele sabe do que estou falando.
Me olhou de novo.
─ Você não o ama.
─ Mas quero amar. ─ respondi e no aeroporto sumanes não parei para falar com ninguém.
─ Alteza. ─ na pista de pouso o chefe de segurança do Príncipe abriu a porta do carro para mim.
Alice entrou nele comigo e Rosalie no que estava atrás dele.
As duas viajaram comigo por motivos diferentes, mas é importante estarem do meu lado.
Olhei pela janela.
Minha segurança foi reforçada e no palácio o Príncipe estava interrogando pessoalmente as pessoas que entraram e saíram do palácio no dia do envenenamento para encontrar pistas do culpado.
─ Como seu irmão está?
Ele levantou para me receber quando entrei no seu escritório sem avisar.
Surpresa a equipe de funcionários que estava com ele também levantou se curvando para mim.
Poucos sabiam da minha volta para Suma, mas nenhuma pessoa esperava que eu chegasse ao palácio no começo da madrugada.
O Príncipe estalou seus dedos e todos saíram.
─ Visão ruim, equilíbrio instável, calafrios com a sensação que o corpo dele está queimando e grande fraqueza com enjoos e vômitos. ─ enumerou.
Tremi.
─ Noticiais do envenenador?
─ Não, mas ele não vai viver por muito tempo.
Alice resfolegou atrás de mim e na ala particular de Edward me assustei com a palidez da pele dele.
Seu irmão me olhou preocupado.
Me abaixe do lado da cama do um noivo colocando minha mão no seu rosto.
─ Ele está muito quente. ─ percebi.
O Príncipe aspirou.
─ Para limpar os resíduos do veneno o médico do palácio fez uma lavagem estomacal nele, mas a febre está resistindo aos antitérmicos e o ciclo do antidoto se completar lento. ─ murmurou e uma funcionária trouxe toalhas limpas e água fresca para ajudar a aliviar a febre.
Não foi suficiente e pelos próximos três dias virmos Edward tremer e delirar com sua pele arrepiada e seus lábios ressecados pela febre, porque nem o sorou estava sendo suficiente para hidratá-lo e ciclo do antidoto continuava lento para se completar.
─ Isabella? ─ o ouvi me chamar, mas achei que ele estava delirando até perceber que pela primeira vez desde voltei para Suma seu olhar não está desfocado.
─ Oi. ─ falei passando a mão no seu cabelo.
─ O que...
Sorri.
─ Achei que ia gostar de me ver.
─ Mas... ─ Edward não estava compreendendo nada.
─ Você foi envenenado, mas a pessoa que cometeu o crime morreu essa manhã. ─ respondi suave.
Seus olhos se abriram mais que o normal.
─ Quem?
─ Firyal. ─ seu irmão respondeu de pé atrás de mim.
Eu estava sentada numa cadeira do lado da cama dele.
─ A ex-babá do nosso pai? ─ vincou sua testa.
─ É. Ela precisava de dinheiro para pagar as dividas do marido e o Sultão de Alzan pagou bem pela traição dela. Mas, Firyal também se envenenou antes de confessar e não vamos poder provar que ele é o mandante do crime.
─ Ela... ela... ─ Edward não teve palavras.
─ Pedi dinheiro a um de nós? ─ o Príncipe tentou. ─ Podia, mas escolheu manter orgulho sendo desleal com a gente. ─ meditou sensato, mas triste.
Sempre é difícil sermos traídos, mas é pior quando a traição vem da pessoa que nunca esperamos.
Edward baixou o olhar e coloquei minha mão na sua sentindo os olhos do seu irmão em nós, mas não me importei. Alice o abraçou para consolá-lo e ele retribuiu o abraço dela na minha frente.
─ A família? ─ meu noivo questionou.
─ Renegou o nome dela e o marido vai vender o que tem para pagar as dividas e se mudar para o Ocidente. ─ o Príncipe respondeu.
Edward fechou sua mão na minha.
Seu irmão limpou o suo do rosto dele e o ajudou a sentar.
─ Alteza. ─ o cozinheiro do palácio falou comigo quando levantei para pegar um copo com água e ele entrou com uma bandeja de comida para Edward. Acho que pedida pelo Príncipe.
Movi a cabeça suave.
Vi um copo com sopa pastosa de legumes na bandeja e ajudei Edward a se alimentar com ela usando um canudinho para ele poder tragá-la melhor.
O Sultão comeu tudo e ainda fraco deitou de novo para descansar.
Rosalie e Alice estavam na ala dos hóspedes.
Levantei para falar com Rosalie e o Príncipe continuou no dormitório do irmão o ajudando com a higiene pessoal quando ele acordou novamente.
─ Falei com Emmett. O povo de vocês está começando a me aceitar melhor pela nossa viajem. Eles acham que se estamos juntas você não me odeia. ─ ela me disse na ala de hóspedes.
─ Se odiasse não estaria ajudando vocês. ─ respondi.
─ Mas não gosta de mim.
─ Só não gosto do sofrimento que ele vai enfrentar por vocês. ─ a contradisse.
Emmett é um Príncipe maravilhoso, mas pelo seu casamento com ela muitas pessoas vão duvidar da capacidade dele como líder futuro de Rajar.
─ E sua mãe?
Sorri.
─ Continue sendo fazendo meu irmão feliz e ela não vai deixar você louca. ─ murmurei e uma semana após o envenenamento os sumaneses comemoraram a recuperação de Edward.
─ Eles amam você. ─ falei olhando para a festa popular na frente do palácio.
Estávamos na sacada principal dele.
─ E por você cuidar de mim estão mais abertos a você. ─ ele respondeu com um sorriso lateral nos lábios.
─Não me arrisquei para ter a aceitação deles. O seu bem estar é importante para mim.
Viramos para entrar.
Edward parou olhando para mim.
Eu também parei.
─ Eu sei. ─ ele colocou a mão no meu rosto. ─ E você é o melhor que eu podia ter visto quando acordei, mas não se arrisque mais por mim. ─ abaixou sua mão. ─ Eu estava vulnerável, alguém podia ter machucado você.
Olhei para minhas mãos e fixei meu olhar de novo nele.
─ Quando seu irmão falou que tinham envenenado você a preocupação que senti me surpreendeu e pela primeira vez a minha segurança ou a paz do meu povo me importaram. Eu desejei vir por você e se eu puder vou estar do seu lado sempre que precisar de mim.
Edward me abraçou.
Soraya estava lendo um livro num sofá do outro lado da sala e no seu discurso de agradecimento ele colocou o nome do Príncipe e o meu como partes fundamentais da sua recuperação.
Os sumaneses o aplaudiram e numa janela vários metros a minha frente vi seu irmão muito triste.
─ Acho que seu irmão está se culpando pelo seu envenenamento. ─ falei com Edward depois do seu discurso.
─ Mas não é. Ele é o melhor Ministro da Defesa que Suma já teve e Firyal se aproveitou da confiança pessoal que ele e eu tínhamos nela para ser desleal.
─ Não tem que o defender de mim. Só estou falando porque acho que é bom você saber. Eu ia desejar saber se fosse Emmett no lugar dele.
Sorriu.
─ Você gosta dele. ─ percebeu.
Me senti desconfortável, porém respondi:
─ Não gostava, mas olhando ele cuidar de você vi nele o mesmo amor que vejo no meu irmão.
Edward sorriu novamente.
─ Mas, não ver na sua cunhada. As suas gentilezas com ela são vazias. ─ murmurou.
Aspirei.
─ Eu gosto dela, mas quando a olho só vejo tudo o que meu irmão vai sofrer quando o casamento civil deles não for mais segredo para as pessoas.
─ E por que não tenta olhar para as alegrias que ela dá ou vai dar para ele?
─ É como você olharia para Alice? ─ perguntei.
Ele virou sua cabeça de lado e a noite meu avião estava sendo organizado para minha volta a Rajar.
─ Vou sentir sua falta. ─ Edward disse na pista de pouso.
Alice e Rosalie estavam no avião.
Sorri.
─ Cuidado, não me assuste de novo. ─ murmurei.
─ Não vou. Te amo. ─ ele respondeu.
Mordi meu lábio inferior e subi a escadaria do avião dando uma última olhada para o meu noivo.
Alice estava olhando o irmão dele pela janela.
O Príncipe estava parado numa das grandes janelas inferiores do aeroporto.
Aspirei sentando na poltrona na frente da sua.
─ Alice. ─ ela me olhou.
─ Eu sei. Ele não é o melhor para mim. ─ respondeu triste.
Aspirei novamente.
─ Acho que vou me arrepender no segundo que fechar minha boca, mas você é minha melhor amiga e sempre vou desejar sua felicidade.
─ Bella...
Levantei a mão pedindo para ela esperar.
─ É adulta. Olhe para suas opções e escolha a que menos vai fazer você sofrer com o tempo.
Alice levantou.
─ É loucura, eu só o conheço há dias, mas...
─ Você se apaixonou por ele. ─ compreendi. ─ Vai. ─ olhei para a porta.
Alice me abraçou animada.
─ Eu te amo. Volto para Rajar amanhã ou não. ─ ela disse por cima do ombro caminhando para a porta de saída.
Rosalie se surpreendeu.
─ Ela e o seu futuro cunhado...
─ É.
─ A compreendo. No começo eu também não queria aceitar meus sentimentos pelo seu irmão por ele ser árabe, mas...
─ O amor não tem preconceitos. ─ respondi vendo o Príncipe correr da janela para a pista de pouso.
Edward entrou no aeroporto.
─ É. ─ concordou.
─ Emmett é gentil, ele nunca machucaria você e a nossa lei proíbe violência contra a mulher. Mas, em Suma é diferente e a paixão está fazendo Alice esquecer que nesse país é normal e aceitável o homem “corrigir” a mulher para a “colocar” no caminho “certo” ou a forçar a ter relações sexuais quando ela não deseja estar com ele. ─ murmurei.
Com a mão nos seus lábios Rosalie abafou um resfolegar e na pista Alice e o Príncipe não se tocaram, mas a vontade de se beijarem está na linguagem corporal deles.
O avião decolou e em Rajar encontrei um grande uso de pelúcia na minha cama.
“Toda vez que o abraçar pense em mim e vai sentir como se o pelo dele fossem os meus abraços em você.” Li o cartão que estava no uso branco de laço xadrez marrom e ele estava assinado com as iniciais do nome de Edward.
─ Fiu-fiu. ─ Emmett assobiou entrando no meu dormitório. ─ Acho que o seu parceiro de cama é muito grande para você.
─ Qualquer um com mais de 1,62 de altura é maior que eu. ─ respondi abraçando o uso e quando o soltei meu irmão me abraçou.
Ele beijou meu cabelo.
─ Eu não sei o que você fez, mas a minha mulher voltou muito feliz. Obrigado.
Sorri.
Com sua ternura Edward me convenceu a ser mais suave com ela.
─ Só a convidei para uma noite feminina.
Me olhou interessado.
─ Noite de meninas?
─ Muita pipoca, filmes e tratamentos de beleza. ─ respondi.
─ Praticando a cultura americana?
─ Ela é americana, lembra? ─ zombei.
Emmett sorriu.
─ Nossa mãe?
─ Está responsável pela organização de tudo. ─ sentei na minha cama encostada no uso.
─ O peludo ai tem significado?
─ Segredo. ─ coloquei meu dedo indicador nos lábios.
Meu irmão beijou meu rosto.
─ Descanse. ─ ele saiu da minha ala e pela manhã vi no telejornal uma noticia surpreendente:
Edward fez testes de misseis no seu país e relembrou da existência de um forte arsenal de armas nucleares sumanesas para que todos saibam que, apesar do envenenamento ele está mais forte que nunca.
─ Suma também vai entrar em guerra? ─ Rosalie estava comigo na sala de estar da minha ala.
─ Não, mas o Sultão Cullen está tirando Rajar dela. Ele é nosso aliado e o Sultão alzanes sabe que enfureceu meu noivo mandando envenená-lo. ─ respondi.
─ Você sabia das armas nucleares?
─ Suma é um dos doze países com armamento nuclear declarado. Rajar também está entre eles, mas usá-las para nos defender dos nossos inimigos na guerra mataria mais pessoas do que já morreram nela.
Me levantei do sofá e ela me acompanhou para a última prova dos meus vestidos de noiva.
─ Estão perfeitos e o desenho deles é único. ─ passou a mão neles.
─ Olha. ─ mostrei o nome na barra deles.
─ Foram desenhados por...Ah! ─ Rosalie a boca abriu num Ó vendo o nome de Edward nelas.
Coloquei o dedo indicador nos meus lábios.
─ Seu irmão é adorável, mas o Sultão Cullen é único.
Sorri e no meio da tarde meu pai entrou no meu escritório para falar comigo.
Me levantei.
Ele me deu sua mão e arrodeei minha mesa para me aproximar dele.
─ A guerra acabou. ─ papai disse, mas o seu rosto e sua voz estavam pesados demais.
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