O Sultão
36 Discursos
Notas iniciais
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Capítulo 35
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Bella
─ Minha mãe me falava “Você é forte como um leão” e eu só ouvia “Você é perigoso como um leão”.
─ Viva a Sultana Esme! ─ gritaram.
Edward sorriu.
─ Mas não sou cruel. Não machuco inocentes e aceito meus erros como são. ─ voltou ao seu discurso com força e determinação. ─ Quebram a nossa segurança e por pouco não mataram a gente, mas não vou responder o atentado de hoje com violência. Vou lutar com inteligência para que o mundo compreenda que no meu governo invasores e inimigos não têm espaço!
Aplausos.
─ O atentado foi a resposta do Emir da Basnia a queda da verdadeira Jamilah, mas o significado da nossa festa da Liberdade ganha mais força que nunca: somos livres! Nossos inimigos sempre vão cair. Somos família. Nos apoiamos, protegemos, compartilhamos e numa decisão muito pessoal Isabella e eu decidimos adotar a criança que roubou o coração da gente.
As pessoas começaram a falar sem parar entre elas.
Edward levantou a mão pedindo para calarem.
─ Por favor.
Calaram.
─ Sabemos que não é uma escolha incomum na realeza e o filho biológico que tivemos vai continuar sendo o herdeiro do trono, mas vamos amar, e pedimos que vocês sempre respeitem a criança com quem vamos compartilhar nossa vida.
Ele virou para me olhar e olhou para os sumaneses de novo.
─ Acho importante falar que o maior desejo de adotar veio de mim, mas Isabella tem um grande coração, todos o vimos hoje, e ela fez do meu seu desejo. ─ sorriu. ─ Feliz dia da Liberdade! ─ me olhou. ─ Obrigada, amor meu por hoje me devolver meu irmão de novo.
Emocionada apertei meus lábios.
Aplaudiram e movendo a mão ele pediu para eu caminhar na sua frente.
Caminhei, mas parei virando para o abraçar.
─ Te amo.
─ Minha vida. ─ respondeu colocando o braço nas minhas costas.
Me afastei.
Não estamos sozinhos e mostras públicas de carinho entre um casal continuam sendo incomum na nossa cultura.
─ Sultana, Majestade. ─ o assistente dele se curvou para a gente. ─ O café da manhã tardio com os assistentes e conselheiros do sultanato vai ser daqui cinco minutos.
Movi a cabeça.
─ Meu irmão? ─ Edward perguntou.
─ Vai estar no jantar com os sheiks, mas não no café da manhã com assistentes e conselheiros do sultanato.
─ E o que temos no almoço? ─ perguntei.
─ Vamos estar com a sua família. Eles precisam poder ver você sem pressa para poder estar mais calmos. ─ meu marido respondeu.
Sorri.
Ele achou tempo para organizar o que nem eu conseguir pensar.
Caminhamos pelo corredor.
─ E o encontro com ministérios do sultanato e os representantes das empresas privadas foram transferidos para amanhã. ─ o assistente acompanhou a gente e no café da manhã falamos muito do governo, mas só um pequeno lado meu ouvia, o outro estava procurando a melhor maneira de acalmar meu povo.
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─ Vamos descansar. ─ Edward beijou minha testa.
Estávamos no nosso quarto e tínhamos uma hora livre.
Reajustei meu corpo no seu dormindo fácil com ele, mas não perdemos a hora marcada para falar com os representantes das ONGs nacionais e no almoço minha mãe me abraçou forte, mas não apertou meu braço baleado.
─ Meu amor. ─ ela beijou meu rosto. ─ Tive muito medo de te perder. ─ colocou seu queixo no meu ombro.
─ Eu estou bem, mãe. Foi só um susto.
Se afastou segurando meus ombros.
─ Que parou meu coração quando vi as imagens do atentado ao vivo pela tevê. ─ me abraçou de novo.
Beijei a lateral da sua testa e ela olhou para Edward.
Caminhou para ele.
─ Meu filho, você está bem? ─ perguntou colocando as mãos nos cotovelos dele.
Meu marido sorriu suave.
─ Estou mãe, Renée.
Minha mãe o abraçou.
Sorri.
Na nossa cultura é comum genros e noras chamarem seus sogros e sogras de pai e mãe.
É uma mostra de respeito.
Meu pai me olhou.
─ Pai. ─ o abracei.
Ele beijou meu cabelo.
─ Minha joia preciosa. Seu pobre pai está velho para sustos como esse.
Não era para rir, mas ri, porque não consigo ver um homem de cinquenta anos como velho.
─ Ver você machucada trouxe de volta todos os medos que tive quando estávamos em guerra.
─ Estou bem. ─ murmurei.
─ Mas podia não estar e não vai ser fácil acalmar nosso povo. ─ aspirou e me olhou. ─ Todos estão nervosos e acham que se seu marido não pode te proteger você não tem que continuar aqui.
Senti o ar pesado.
Edward caminhou para a gente.
Segurei a mão dele.
─ Acho que Edward já pagou demais pelos erros da família real da Basnia, não vou deixar ele continuar pagando.
Mamãe caminhou para o meu pai.
─ Também achamos e seu irmão continuou em Rajar para acalmar a todos. Ele acha que pela história que elas sabem da Princesa Jamilah as pessoas não estão com raiva de verdade do Edward, só assustadas com o atentado e revoltadas com o pai dela.
─ Não vou guerrear contra a Basnia, mas o que espera o Emir vai servir de exemplo para todos e enquanto eu viver nunca mais vão machucar minha esposa.
Meu pai o olhou colocando a mão no ombro dele.
─ Confio em você meu filho, mas não vai derrubar da Basnia sozinho. Todos vão saber que como não podem machucar meu filho, também não podem machucar minha filha.
Edward moveu a cabeça.
─ Amamos Bella, mas pela proximidade rara entre os dois as pessoas confiam mais no nosso filho para falar dela e pedíamos que no discurso que ele vai fazer daqui a pouco use a vantagem que tem para acalmar. ─ mamãe falou.
─ Ele também a conhece muito para colocar nas suas palavras o que ela ia desejar falar para o nosso povo e prometeu suavizar o impacto do atentado. Só não sabemos como. ─ papai falou e acho que sei o que meu irmão vai fazer, mas não posso deixar que ele se prejudique pela gente.
Traguei a saliva.
Edward me olhou.
─ Minha flor você não pode perder o horário do seu medicamento.
Levei um segundo para chegar à mesma página que a dele, porque não tenho nenhum medicamento com o horário atrasado ou perto, mas percebi que ele só estava me dando à oportunidade de falar com Emmett logo, sem que meus pais compreendam a verdade.
Escolhi acompanhar sua mentira e aspirei para melhor convencer meus pais dela.
─ Odeio medicamentos, mas Edward é o enfermeiro mais responsável do mundo.
Mamãe sorriu.
Os deixei no salão caminhando ligeiro para o meu quarto.
Soraya me encontrou na metade do caminho.
─ Sultana.
─ Meu celular.
─ A senhora o deixou comigo.
Eu nem lembrava disso, mas ela sempre o encontrava mais ligeiro que eu.
─ Preciso dele.
Ela o pegou do bolso da sua bata.
─ Problemas? ─ perguntou.
Levantei a mão pedindo para Soraya esperar.
Emmett não atendeu.
Tentei o celular do assistente dele.
─ Alteza.
─ Meu irmão está perto de você? ─ perguntei quando ele atendeu minha chamada telefônica.
─ Ele está a caminho da sacada principal do palácio para discursar.
─ Alcance ele para mim.
─ Sim, senhora.
O ouvi caminhar ligeiro.
─ Príncipe, por favor. ─ o ouvi falar, mas não ouvi meu irmão responder. ─ É a Princesa Isabella.
Dois ou três segundos.
─ Bella. ─ meu irmão falou comigo.
Aspirei aliviada.
─ Oi.
─ Você está bem? ─ perguntou agitado.
Ouvi uma porta sendo fechada no palácio da nossa família.
─ Foi superficial. Ninguém mais vai me machucar.
Aspirou forte.
─ Ver você caindo no chão machucada roubou a minha alma. Prometa que nunca mais vai arriscar sua vida para salvar outra pessoa.
Mordi os lábios.
─ Não posso prometer o que não sei se vou cumprir. ─ respondi.
Aspirou forte de novo.
─ E eu não posso te criticar depois de me jogar na frente da Rosalie quando o pai de Zara mandou atacar minha esposa. Bella...
─ Eu sei. Não me senti diferente de você quando te machucaram. ─ lembrando do dia que ele foi baleado também senti minha garganta fechar.
O ouvi chorar.
─ Se...
─ Estou viva. Você também e o culpado por me machucar vai pagar como a Princesa Zara e o Sultão de Rahman pagaram. ─ o acalmei.
─ Te amo.
─ Você é a melhor parte de mim, lembra? ─ respondi.
─ E você a minha.
Aspirei.
─ Não fale do seu casamento civil com Rosalie no seu discurso.
─ É a maneira mais ligeira de suavizar o impacto do atentado.
─ Só que não é a melhor. Edward mentiu para proteger você e Jasper. Não o contradiga. ─ lembrei.
Emmett expeliu o ar.
─ Vou continuar com o segredo e pelo meu discurso todos vão saber que se maltratarem Edward de novo todos vão machucar você também.
─ Te amo. ─ respondi acabando a ligação.
Abri a porta do meu quarto e encontrei minha mãe parada na frente dela.
─ Seu pai não percebeu, mas vi quando você tragou a saliva.
Olhei para baixo.
─ Eu não podia estar parada com Emmett se sacrificando pela gente.
─ Não ia ser você se estivesse. ─ me abraçou.
Beijei seu rosto e juntas caminhamos para o salão que Edward e meu pai estavam.
Almoçamos todos juntos e a noite tive pesadelos:
Edward estava discursando. Eu estava na lateral, um pouco mais atrás dele com Jasper do meu lado.
Não vi o atirador.
Meu cunhado caiu, Edward também e nada aconteceu comigo, mas me desesperei os vendo mortos.
─ Minha flor, acorda. Isabella. Foi só um pesadelo, amor meu. ─ ouvi a voz do meu marido e assustada abri os olhos.
Acho que o acordei me movendo muito do seu lado.
Sentei na cama.
Ele também.
─ Vi tudo de novo, mas não vi o atirador. Jasper e você... ─ parei com meu coração agitado.
─ Estamos bem meu amor e vamos continuar. ─ beijou minha testa.
Minha respiração estava pesada.
Aspirei forte reajustando meu corpo no seu para me acalmar.
Ele me abraçou.
Coloquei a cabeça no seu peito e com os olhos fechados senti meu coração se acalmar.
Acho que Edward não dormiu mais, mas eu adormeci sentindo o calor do seu corpo e no segundo dia da festa da Liberdade Jasper também discursou para o povo sumanes:
─ Quando Jamilah morreu eu sabia que meu irmão ia ter que se casar de novo para manter a dinastia da nossa família e estive feliz quando ele se apaixonou por Isabella, porque vi nos sentimentos dele a esperança de vê-lo recomeçar, mas não achei que com a chegada dela eu ia ganhar uma nova irmãzinha para amar e por estar reforçando a segurança do nosso país ontem não conseguir agradecer a ela por arriscar sua vida para salvar a minha. ─ virou para mim. ─ Muito obrigado. Devo mais a você do que falo ou do que as pessoas veem. ─ olhou para os sumaneses de novo. ─ Muito obrigado, por ser o novo raio de sol da nossa família.
Sorri.
As pessoas aplaudiram.
Raio de sol era como o Sultão Carlisle chamava a Sultana Esme.
─ A conhecendo também conheci a mulher que amo e com a permissão do meu irmão, Alice e eu decidimos nos casar pelo civil amanhã para que nossa festa da Liberdade nunca seja lembrada pelo ódio dos nossos inimigos, mas pela alegria do nosso povo!
Mais aplausos.
Ele falou mais.
Todos o ouviram com respeito.
Seu discurso acabou e no interior do palácio vi pela primeira vez meu conversador cunhado quebrar o protocolo quando me abraçou na frente de outras pessoas.
─ Muito obrigado, irmãzinha. ─ falou baixo.
Se afastou um pouco.
Me coloquei na ponta dos pés.
─ Só reagi como meu coração pediu. ─ beijei seu rosto.
Edward sorriu olhando a gente.
Jasper também sorriu saindo calado.
Meu marido caminhou para mim.
As outras pessoas que viram Jasper quebrar o protocolo nos deixaram sozinhos.
─ Irmãzinha? ─ perguntei.
Edward sorriu de novo.
─ Jasper mal falava uma ou duas palavras com Jamilah. Ele gosta de você.
Sorri.
─ Soraya?
─ Ajudando Alice para o casamento amanhã. Achei que não ia se chatear por emprestar sua assistente para sua melhor amiga.
Ri.
Soraya nunca fala não para as ordens dele.
─ Você sabia da mudança de planos?
─ Não, mas meu irmão tem mais liberdade do que a maioria das pessoas sabe e tem permissão para usar meu nome quando precisa.
Sorri.
Meus pais estavam esperando a gente no outro corredor.
Papai me abraçou.
Ele olhou para o meu kaftan rosê com capa suave.
─ Outro desenho do seu marido? ─ perguntou.
Sorri novamente.
─ Eu os adoro. ─ respondi.
Juntos todos estávamos vendo apresentações de dança e músicas típicas da cultura sumanesa.
─ É lindo. ─ falou.
Como o meu...
─ Azul royal. ─ falei muito baixo, mas papai ouviu.
─ É. Seu vestido de noiva também é lindo. ─ sorriu.
Meu rosto perdeu a cor.
─ Não estou falando dele. ─ murmurei.
Vi Edward caminhando para a ala dos escritórios.
─ Filha...
Não respondi, acompanhando meu marido.
Azul royal em Suma é uma cor que só o Sultão pode usar.
Como não me lembrei? O que Edward está planejando?
Me preocupei.
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