O Sultão

14 Conflitos


Notas iniciais
Olha eu de novo! Tem muita gente desconfiada do Jasper, mas calma que ele ainda é mistério para vocês. Obrigada pelos comentários e bom fim de semana.

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Capítulo 13

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Bella

Abri a porta do meu escritório para o príncipe Jasper e ele participou comigo da vídeo conferência com os estilistas sumaneses:

─ Os voos comerciais para Rajar estão suspensos pela guerra, mas no fim do dia meu avião particular vai pegá-los na nossa capital e discrição é a palavra de ordem. ─ avisou.

Os três concordaram.

No país deles trair a confiança de um membro da família real sumanesa também gera pena de morte e eles não gostaram de dividirem a responsabilidade da confecção dos vestidos com estilistas rajaneses, mas tragaram a insatisfação e assentiram.

Fechei a vídeo conferência.

─ Meu irmão sabe da nossa conversa? ─ perguntou.

─ Achei que queria segredo. ─ respondi.

Ele concordou.

Soraya e o assistente dele estavam sentados em pontas opostas no sofá do escritório.

Olhei para o assistente.

O Príncipe estalou seu dedo polegar e apontou o indicador para a porta o mandando sair.

Soraya continuou sentada.

Virei minha cabeça para a janela.

─ Com quem tenho que ter cuidado em Suma? ─ questionei.

─ Muita gente, mas o seu principal problema se chama Tanya Denali. ─ respondeu calmo.

Levantei detrás da minha mesa caminhando para perto da sacada.

─ Quem é ela? ─ virei para olhá-lo.

─ Filha do nosso Primeiro-Ministro. Ela era a principal candidata para se casar com Edward antes do noivado de vocês ou ser a segunda esposa dele.

─ Seu irmão...

─ As respeita e a mãe dela não vai estar nada feliz quando souber que ele abriu mão de outras esposas. ─ meditou.

Soltei o ar.

Maravilhoso! Duas mulheres ressentidas contra mim. É tudo o que eu desejava. Zombei do meu azar.

Ele levantou.

─ Lembre Alteza: Tanya vai ser seu principal problema, mas não o único. ─ disse.

Concordei.

Soraya me olhou preocupada.

Balancei a mão dispensando a preocupação dela quando o Príncipe saiu do escritório movendo a cabeça para mim.

─ A senhora está bem? ─ perguntou.

─ Melhor impossível. ─ respondi por cima do folego.

Ela estava atrás de mim quando sai para procurar meu pai:

─ O Sultão sabe que você quer conhecer o campo minado para não explodir as minas? ─ ele indagou quando falei da minha vontade de viajar para Suma.

─ Elas vão explodir de qualquer maneira. ─ resmunguei.

─ Do que...?

─ Tanya Denali. ─ murmurei.

─ Quê? Como você...?

─ Fiz uma pergunta reta para o Príncipe Jasper e ele me respondeu com honestidade.

─ Não era para você saber nada. ─ resmungou.

─ Por escolha de quem? ─ o enfrentei.

─ Tanya não é sua rival, nunca toquei nela. ─ Edward me surpreendeu falando atrás de mim.

Virei para ele.

─ Me desculpe Charlie. A Sultana disse que eu podia entrar. ─ esclareceu desconfortável.

Pisquei meus olhos para organizar minha cabeça.

─ Minha escolha. ─ papai respondeu.

Olhei para ele de novo.

─ Achei que não tinha porque preocupar você. ─ menosprezou.

Voltei a olhar para Edward.

─ Sorte a minha que o Príncipe acha diferente. ─ grunhi.

─ Edward também achava que você tinha que saber. ─ meu pai interviu a favor dele. ─ Não tem porque ciúme.

Soltei o ar pelo nariz.

─ Mas não me disse. ─ respondi chateada. ─ E quem falou que estou com ciúme?! Uma mulher ressentida é mais perigosa que uma serpente venenosa. E que mulher não se recente da rejeição de um Sultão?! ─ resmunguei.

─ Isabella...

─ Você diz que o nosso noivado ultrapassa a camada politica, mas ia me deixar desprotegida quando mais vou ter que me defender. ─ interrompi Edward apontando meu dedo indicador para ele.

─ Bella. ─ papai me chamou.

Muito tarde.

Bati a porta atrás de mim.

─ Alteza! ─ Soraya teve que correr atrás de mim. ─ Alteza.

─ Não. ─ levantei minha mão de costas para ela entrando no primeiro lavado do corredor.

Coloquei minhas mãos na pia.

Minha respiração estava pesada. A irritação estava dificultando a entrada de ar para os meus pulmões.

Calma Bella.

Abaixei minha cabeça.

Resfoleguei várias vezes, fechei meus olhos e puxei fundo o ar.

Minha reação tempestuosa não tem natureza romântica.

─ Ah!!! ─ quebrei um vidro de sabonete liquido.

Os dois estavam arriscando a minha vida.

─ Bella! ─ papai bateu forte na porta. ─ Filha, você não está em perigo. ─ reagiu preocupado comigo.

─ Nosso histórico familiar diz diferente. ─ resmunguei de novo.

─ Bella...

Resfoleguei mais forte.

─ Não foi sua quase-noiva que tentou matar minha mãe quando vocês se casaram?! ─ zombei.

Silêncio.

─ Charlie. ─ ouvi a voz de Edward no corredor e o som de uma porta batendo do outro lado me disse que ele não sabia.

─ Você foi longe demais Isabella. ─ meu pai me repreendeu.

─ Brincar com a minha vida é ir longe demais, falar a verdade não tem nada de errado. ─ rebati.

─ Protegi você de uma guerra.

─ E não vai poder proteger para sempre. ─ respondi baixo.

Ouvi papai se afastando da porta.

Aos olhos de fora posso ter exagerado, mas sei que não. No deserto só os mais fortes sobrevivem e na realeza não é diferente. Só que força não é suficiente, usar a inteligência para estar um passo a frente dos adversários é a diferença entre vida e morte e se Tanya Denali chegou perto de integrar a realeza sumanesa para a família dela vou ser o próprio mal que tem que ser eliminado.

Puxei o ar de novo, lavei meu rosto, o sequei com a toalha e abri a porta.

Soraya não estava à vista.

No meu quarto refiz a maquiagem, mas não troquei de roupa e com minha bolsa na mão meu cérebro mal estava registrando minhas atividades motoras ou por onde eu caminhava.

─ Para o orfanato. ─ murmurei entrando no meu carro oficial.

─ Vossa Alteza não vai esperar o Sultão Cullen? ─ o chefe da minha equipe de segurança perguntou.

Ele simpatiza com Edward desde a promessa dele de acabar com a guerra antes do nosso casamento.

─ Hoje não somos boa companhia para o outro. ─ resmunguei me arrependendo de não ter dado uma resposta diplomática quando vi Edward na entrada principal do palácio.

O que estou fazendo?

Sai do carro.

─ Alteza. ─ o chefe da segurança me chamou.

Não olhei para trás.

Edward entrou de novo no palácio.

Caminhei ligeira atrás dele.

─ Majestade. ─ chamei.

Ele não olhou.

─ Majestade. ─ persisti.

Nada.

Ah!

─ Edward. ─ joguei toda a etiqueta real fora.

Ele parou, mas não virou.

Seus assessores viram chocados pelo meu comportamento.

─ Não sou boa companhia para Vossa Alteza. ─ murmurou de costas e caminhou de novo.

O acompanhei.

─ Eu não falei por você, Edward, eu estava falando de mim.

─ E eu não sabia da sua mãe, só respeitei o desejo do seu pai.

É, eu sei.

Somos do Oriente aqui se respeita a figura paterna, se respeita os mais velhos.

─ Eu sei. O alvo da minha chateação não é você, sou eu.

Edward se virou para mim.

Ele estalou os dedos e sua equipe sumiu.

A minha continua fora do palácio.

─ Odeio perder o controle das minhas emoções e não foi você que brincou com a minha vida. Foi o meu pai, mas também sei que ele só queria me proteger e mesmo assim... Puff! ─ imitei o som de uma explosão.

─ Isabella...

Coloquei minhas mãos abertas na frente do meu peito pedindo para ele esperar eu acabar de falar.

─ Não estou me reconhecendo.

─ Porque você mudou desde que soube do nosso noivado. ─ Edward não estava perguntando.

Concordei.

Ele se aproximou de mim.

─ Você não é a única. ─ falou baixo e colocou sua mão no meu rosto.

─ Eu...

─ Lady Denali nunca vai te machucar. ─ prometeu. ─ Não vou deixar. ─ ele deu mais um passo para perto de mim.

─ Nem eu. ─ o Príncipe Jasper apareceu atrás de mim.

Seu irmão reagiu tenso.

─ Vá para o orfanato, meu irmão e eu temos que conversar. ─ Edward falou para mim.

─ Majestade. ─ ele moveu a sobrancelha. ─ Edward. ─ corrigi. ─ Ele só respondeu minha pergunta. ─ intervi.

─ Ninguém me disse para entrar mudo em Rajar e sair calado. ─ o príncipe disse.

─ Jasper. ─ por trás do tom de voz do meu noivo teve um aviso para o seu irmão se calar.

Me afastei de Edward.

─ Por favor. ─ abri a porta de um dos salões do palácio para os dois.

O Príncipe soltou o ar, seu irmão o acompanhou para dentro do salão e eu entrei fechando a porta atrás de mim.

─ Não falei nenhum segredo de estado. Todos sabem do papel dos Denali no nosso país.

Olhei para ele.

─ Quase todos. ─ corrigiu e percebi que é hora de começar a procurar mais informações primordiais do meu futuro lar.

Edward cruzou os braços.

─ Nem falei nos Denali. ─ murmurou.

─ Ouvi o final da conversa de vocês e ela só perguntou com quem tem que ter cuidado em Suma.

Príncipe ligeiro.

─ Isabella...

─ Vou estar em Suma antes do nosso casamento e você não estava perto quando perguntei. ─ ajudei para não vê-los brigar.

O Sultão também ajudou meu pai, mas odeio dois pesos e duas medidas para estar fazendo o mesmo com ele.

─ E quando perguntou?

─ Você estava se exercitando na piscina. ─ seu irmão respondeu por mim.

Edward disse mesmo que ia para a piscina quando sai da biblioteca.

Ele olhou desconfiado para o Príncipe.

─ A noite também estive na ala particular dela para conhecer melhor a mulher com quem você vai se casar.

Olhei para o meu futuro cunhado.

Ele não queria segredo?

Vinquei minha testa.

─ Jasper... ─ seu irmão reagiu chateado.

─ Quando Jamilah morreu você me acusou de mentir para você, mas não minto e eu queria ter certeza que a Princesa Isabella também não vai escolher o caminho mais fácil.

─ Paz aos mortos. ─ Edward sentou como se estivesse se sentindo fraco.

O olhei preocupada.

Sua cabeça estava abaixada.

Peguei um copo com água para ele.

A mão dele estava tremendo quando pegou o copo.

Ignorei seu irmão e o abracei.

O Príncipe se dividiu entre a aprovação e a reprovação pelo meu comportamento.

─ A Princesa compreendia seu amor por ela, ela só não sabia como mostrar. ─ sussurrei.

Edward colocou a mão nas minhas costas.

Seu irmão se abaixou na frente dele.

─ Desculpe. ─ o Príncipe colocou a mão na do meu noivo e abaixou a cabeça. ─ Perder Jamilah matou uma parte sua que odiei ver morrer, mas... Isabella está revivendo essa parte e não posso evitar o medo de perder você para sempre se também a machucarem. ─ ele disse baixo.

Se também a... A Princesa...? Senti medo.

Edward o olhou.

─ Perdão.

Seu irmão se surpreendeu com o pedido dele.

─ Você só disse a verdade quando Jamilah morreu, mas não acreditei e eu não tinha o direito de te magoar. ─ ele colocou a mão no ombro do Príncipe. ─ Obrigado por nunca desistir de mim. ─ disse olhando nos olhos dele.

Me afastei.

Os olhos do seu irmão brilharam e ele abraçou Edward.

Em silêncio abri a porta para sair e a fechei atrás de mim.

No corredor olhei para a ala dos escritórios pensando no meu pai e consultei meu relógio.

Estou quase atrasada.

Aspirei.

Uma princesa nunca se atrasa. Qualquer conversa, ou não, vai ter que ser mais tarde.

─ Alteza. ─ Kalila, a diretora do orfanato, se curvou para mim na entrada dele.

Movi minha mão para que ela levantasse.

─ Seja bem-vinda.

Sorri.

─ Obrigada. ─ respondi e dentro do orfanato as crianças me rodearam.

─ Oi. ─ me abaixei na altura delas e várias olharam interessadas para as roupas ocidentais que vesti: uma calça jeans azul-claro com uma camiseta cinza sem decote e um blusão xadrez vermelho por cima dela.

─ Onde está A Fera? ─ uma delas perguntou para mim.

─ Quem? ─ me confundi.

─ Ele está falando do Sultão Cullen. ─ Kalila interviu.

Vinquei minha testa com um joelho e meu tênis branco apoiados no chão.

─ É que A Fera é mal humorada, mas ele é o príncipe da Bela e é muitooo bonito. ─ uma menina explicou dando ênfase no “muito”.

Sorri para ela.

─ Ele também parece mal, mas é bonzinho e o apelido de Isabella é Bella. ─ o menino completou.

Os olhei interessada e resfoleguei.

Os olhos dele são iguais aos de Edward.

─ Você é lindo. ─ eu disse.

O menino sorriu feliz pelo elogio que recebeu.

Kalila também sorriu.

─ Eles viram a reportagem do abrigo antiguerra. ─ ela disse e os abracei. Também avaliei todas as necessidades do orfanato e passei a tarde brincando com todas as crianças abrigadas nele.

─ Vossa Alteza vai ser uma mãe maravilhosa. Husam não se empolga com ninguém, mas ele a adorou. ─ Kalila estava falando do menino que conversou comigo no começo da visita.

─ Ele é muito doce. Edward vai estar comigo numa outra oportunidade. ─ me despedi dela.

─ Alteza. ─ na porta do orfanato o principal conselheiro do sultanato abriu a porta do carro do meu pai para mim.

Aspirei.

Papai me esperava dentro dele, mas não sei se estou pronta para conversar com ele.

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Notas finais
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