O Sultão
9 Amor de Pai
Notas iniciais
───────
Capítulo 8
───────
Bella
─ Deixem a gente a sós. ─ eu disse a Soraya e o motorista que nos levou ao orfanato de hoje, mas não os olhei, porque meus olhos não deixaram o rosto de Edward, apesar do seu olhar estar distante de mim e eu não preciso ouvir pensamentos para saber que eles estão no meu pai. ─ Eu não esperava ver você aqui, mas estou feliz por você está aqui. ─ falei quando os dois obedeceram a minha ordem e Edward e eu ficamos sozinhos.
─ E eu gostaria de abraçar você, mas como membros da realeza é nosso dever não escandalizar as pessoas e como soberano de Suma é meu dever saber quando as pessoas estão tentando me enganar, mas o seu pai me fez de bobo quando disse que você estava ansiosa para me ver, eu nem percebi que estava sendo enganado. ─ respondeu muito sério.
─ O meu pai não enganou você. Eu não sabia que você chegaria hoje e não daqui a quinze dias, mas eu queria muito ver você e ele sabia disso. ─ respondi honestamente, porém como Princesa de Rajar eu sei que uma palavra minha fora do lugar pode colocar meu povo em risco.
─ E por que você queria tanto me ver? ─ ele perguntou e não escondeu a sua desconfiança.
─ Porque quando cheguei aqui meu pai me contou que foi você quem o convenceu a me trazer logo para cá e eu precisava te agradecer pessoalmente pelo que você fez por mim. ─ respondi.
─ Não precisa. ─ meu noivo/namorado falou sem graça.
─ Precisa sim. ─ afirmei e ignorando tudo o que ele tinha me dito sobre não chocar as pessoas eu fiquei na ponta dos pés e beijei sua bochecha. ─ Obrigada. ─ o agradeci docemente.
─ De nada. ─ respondeu balançado pelo impacto da minha atitude inesperada na minha terra natal.
─ Por que você não me disse nada quando nos despedimos nos EUA? ─ questionei quando me distanciei dele.
─ Não tinha por quê. Voltar para o seu país era o seu maior sonho e eu só queria que você pudesse ficar um pouco mais aqui antes de ir para Suma. ─ explicou.
─ E há quanto tempo você chegou?
─ Há menos de duas horas. Os seus pais me receberam com muita gentileza e a sua mãe me disse que você estava cumprindo um compromisso oficial no principal orfanato da cidade.
─ Eu estava, mas teria voltado mais cedo se soubesse que você estava aqui. ─ eu disse e sorri para ele.
O olhar de Edward se iluminou e a mesma leveza de antes voltou para o seu rosto.
─ Nós podemos ir até a antecâmara da ala dos dos hospedes? ─ perguntou. ─ Tem algo que eu preciso mostrar a você. ─ ele disse.
─ Vamos. ─ respondi e juntos atravessamos o jardim até a entrada principal do palácio.
─ Seus súditos continuam não gostando de mim. ─ Edward falou quando percebeu os olhares desconfiados dos guardas do palácio ao passamos por eles nos corredores.
─ Me desculpe pelo comportamento deles. Eu tenho incluído você em alguns dos meus discursos para que o meu povo comece a conhecer o verdadeiro você, mas eu não posso apressar um processo que é gradualmente lento. ─ expliquei chateada.
─ Está tudo bem. ─ declarou e com toda sua dignidade educadamente balançava sua cabeça para cumprimentar os guardas que encontramos pelo caminho.
Eu caminhei admirada ao meu lado dele, porque sobre os seus ombros está o manto invisível da soberania e ninguém pode dizer que ele não é digno de ser um Sultão em toda a extensão da palavra quando mostra sua nobreza com essa humildade.
─ O que você quer que eu veja? ─ indaguei quando chegamos à antecâmara da ala dos hospedes.
─ O conteúdo desta pasta. ─ respondeu colocando em minhas mãos um objeto de camurça vermelho.
─ O que tem aqui? ─ perguntei quando nos sentamos de frente para o outro, no entanto uma mesinha de centro nos separava e algumas pessoas da sua equipe nos olhavam a distância.
─ Eu prefiro que você veja com seus próprios olhos. ─ murmurou e com minhas pernas dobradas para a lateral eu coloquei a pasta sobre elas para abri-la, mas essa minha atitude foi mais do que um comportamento aprendido desde a infância, é o cumprimento de uma etiqueta levada no mundo árabe onde sentar com a perna cruzada sobre o joelho ou tornozelo e a ponta dos pés apontado para quem estar a nossa frente é considerado uma grande falta de respeito com quem está presente. ─ Ah. ─ arquejei ao olhar o que está dentro dessa pasta.
São fotos e informações sobre mim desde que eu tinha quinze anos de idade. Detalhes cuidadosos da minha personalidade, rotina, relações pessoais e de trabalho. Cada passo e preferência minha estão anotados aqui como um diário de bordo, mas qualquer eventualidade sórdida foi deixada de fora e eu me pergunto se de uma maneira torta alguém estava tentando respeitar um pouco da minha privacidade.
─ Para quê tudo isso? ─ o questionei quando acabei de ver tudo e tentei não reagir ofendida pelo meu noivo secretamente ter me vigiado por todo esse tempo e me beijado sem contar nada.
─ Para poder conhecer você melhor e quem sabe aprender a gostar da mulher com quem um dia eu teria que me casar. ─ afirmou.
─ Agora eu entendo porque você não se escandalizou quando me viu dançando naquele estádio. Como poderia se você conhece cada passo meu desde que tenho quinze anos. ─ grunhi ficando de pé.
─ Não todos os seus passos. Eu nunca quis saber o que acontecia nos seus encontros românticos, eu não tinha o direito de ir tão longe. ─ Edward baixou seu tom de voz para que ninguém o ouvisse.
─ E foi assim que você me conheceu. ─ meditei.
─ Não. Foi assim que eu me apaixonei por você. ─ ele me contradisse e o meu equilíbrio físico vacilou chamando a atenção dos súditos dele.
─ Os sumaneses continuam gostando de mim tanto como o meu povo gostar de você. Eu quase posso ouvir os pensamentos deles me ofendendo por está aqui sozinha com você. ─ murmurei quando percebi o olhar desconfiado deles para mim.
─ Não se preocupe. Todos têm consciência de que as mulheres rajanesas podem agir com mais liberdade que as nossas e eles nunca a julgariam por se comportar dentro das normas da sua cultura, porque acreditam que você nunca faria algo que pudesse desrespeitar a si mesma. ─ Edward tentou me acalmar.
─ Seus súditos também sabiam disso no Ocidente, mas lá me olhavam como se eu tivesse obrigação de me comportar como uma sumanesa. ─ rebati.
─ Os EUA era um território neutro. Para eles lá a cultura válida era nossa e no pensamento deles como minha noiva você tinha que respeitar as nossas regras. ─ explicou.
─ Dois pesos e duas medidas. ─ meditei.
─ É. Eu sei que é uma mentalidade duvidosa, mas a cultura milenar de Suma às vezes influencia negativamente os pensamentos do meu povo. ─ respondeu chateado com o comportamento deles, mas também familiarizado com os problemas que têm.
─ Uma mentalidade perigosa para mim, porque quando eu estiver em Suma terei de jogar sob as regras de vocês. ─ murmurei.
─ Nunca. Para alguém fazer mal a você terá que me matar primeiro. ─ o Sultão afirmou feroz quando me sentei de novo e ele se aproximou de mim se abaixando na minha frente e colocando suas mãos sobre as minhas. ─ Os meus súditos sabem que somos convidados aqui, que você é a filha do nosso anfitrião e como uma autêntica princesa rajanesa eles não são bobos a ponto de acreditarem que as regras sumanesas um dia serão aplicadas cem por cento a você. ─ grunhiu, não com raiva de mim, porém irritado com a possibilidade de alguém fazer mal a mim e não tem uma única palavra dele que não esteja mexendo comigo desde o minuto que ele disse está apaixonado por mim.
─ O meu pai sabe que você me vigiava? ─ eu fiz a pergunta que estava me incomodando.
─ Ele sabe de tudo. Eu mesmo pedi autorização dele para acompanhar seus passos e nunca escondi que me apaixonei por você quando você completou dezessete anos. ─ disse e se levantou.
Eu aspirei.
Os seus súditos não deixavam de monitorar nossas atitudes, mas falávamos tão baixo que eles nunca poderiam ouvir nossa conversa e, apesar de terem reagido fisicamente tensos quando o seu Sultão quebrou as próprias regras deles e me tocou ninguém disse nada.
─ Emmett sabia? ─ de todas as perguntas que eu tinha essa era a mais importante para mim.
─ Não, mas seu irmão é um bom leitor de pessoas e se não tinha certeza sobre os meus sentimentos por você ele com certeza desconfiava deles. ─ meditou.
─ Te incomoda que as pessoas saibam dos seus sentimentos por mim? ─ indaguei.
─ Nunca habibti. ─ sua resposta foi rápida.
─ Edward, eu ainda não estou apaixonada por você, mas cada gentileza sua comigo me deixa mais perto desse caminho e eu sei que a minha vida vai estar muito difícil quando todos os sumaneses, fora o seu staff de segurança, souberem que fui uma líder de torcida, porém eu não me importo se puder ter o seu apoio. ─ afirmei quando me aproximei dele e também toquei sua mão. Depois soltei e deixei a antecâmara.
─────
─ Isabella. Pensei que você estivesse me evitando. Já tem três dias que eu não a vejo. ─ meu pai falou quando entrei no seu escritório.
Eu respirei com força.
─ Minha agenda oficial não está sendo a mais calma do mundo e quando não temos nada de bom para falar é melhor manter distância da nossa fonte de irritação. ─ respondi ousada.
─ Não seja petulante menina. Qual o seu problema? Até algumas semanas você era a minha doce filha e responsável princesa, mas nos últimos dias tem se comportado como um camelo teimoso. ─ rebateu irritado.
Eu estava sentada no divã do seu escritório.
─ Até algumas semanas eu não tinha um noivo, não precisava me mudar para um país antiquado e o senhor não estava usando a mim para obrigar o meu irmão a fazer o que você quer. ─ enumerei.
Meu pai vincou suas sobrancelhas para mim.
─ Nunca pensei que eu me arrependeria de ter dado tantas liberdades a você. ─ resmungou.
─ Se arrepende mesmo? ─ o desafiei incrédula. ─ Paizinho pare de pressionar Emmett através de mim. Ele ama a namorada e raramente as pessoas encontram o amor duas vezes. Paixões existem muitas, mas os amores são poucos. ─ eu mudei de estratégia, porque ser dura com ele não estava ajudando a colocar juízo na sua cabeça teimosa. ─ Tentar obrigar ele a se casar com a Princesa Zara não vai fazer ninguém feliz e meu irmão não vai desistir da mulher que ama. ─ avisei.
─ Ah não, você também foi contaminada pelos ideais românticos do Ocidente? ─ exclamou.
─ Eu nunca me apaixonei, eu não conheço o amor romântico e não sei se um dia vou conhecer, mas as pessoas inteligentes são capazes de aprender sem repetir as experiências do outro e o Sultão Cullen está me colocando bem perto desse caminho. ─ falei.
─ O quê?! ─ indagou quando o surpreendi com as minhas revelações.
─ Trazer o Sultão de Suma aqui para pressionar o meu irmão através de mim não foi uma boa jogada. Eu reagir tão surpresa quando vi o Sultão que ele compreendeu facilmente que o senhor me usou para atrai-lo até aqui e Sua Majestade não gostou de ter sido feito de bobo.
─ Eu falarei com ele depois. ─ respondeu por cima do fôlego.
─ Não precisa. Eu consegui contornar a situação. ─ rebati ficando de pé. ─ Pai, ele me contou que pediu sua autorização para vigiar os meus passos. Eu vi os relatórios que entregaram e já sei que o Sultão Cullen está apaixonado por mim. ─ o surpreendi de novo. ─ Você também sabia e se aproveitar dos sentimentos dele para conseguir o que quer de Emmett não é justo.
─ Bella.
─ Não, por favor, me ouça. ─ o interrompi. ─ O amor romântico e a paixão são conceitos criados pelos ocidentais e nós nascemos no Oriente Médio. A gente foi ensinado a valorizar a honra, o amor a família, a lealdade, a segurança e a honestidade a frente do amor romântico, mas nada disso quer dizer que não possamos ser atingidos por esses conceitos, que a paixão não exista entre nós ou que não sejamos capazes de amar romanticamente.
─ Filha, eu não quero que o seu irmão se entregue e depois sofra nas mãos de uma ocidental. A nossa cultura é muito diferente da dela e nada garante que ela vai se adaptar aqui. ─ papai baixou sua guarda.
─ Nem que ela não vá se adaptar. Pai o senhor e a 'umi* nos educaram muito bem. Confie nos nossos instintos e deixe que o meu irmão seja feliz com a mulher que ele ama. ─ pedi.
─ Quando eu morrer seu irmão será Sultão, mas casado com uma ocidental tudo será mais difícil para ele entre as pessoas do Oriente. ─ meditou.
─ Eu não estou dizendo que será fácil, mas ele estará ao lado de alguém que ama e peso do dever será divido entre eles. Fora que, você ainda está muito jovem para morrer, mas quando acontecer as pessoas já estarão acostumadas a minha cunhada e o caminho de Emmett não será tão complicado como hoje. ─ usei os melhores argumentos que consegui pensar na hora.
─ Jure para min que seja lá quem for essa mulher não é nenhuma prostituta mercenária. ─ exigiu segurando minhas mãos entre as suas.
─ Eu juro. ─ respondi e o meu coração estava disparado com a expectativa de poder ver Emmett feliz ao lado de Rosalie. ─ E o Sultão Cullen? ─ perguntou e eu pisquei confusa.
─ O que tem ele? ─ retornei sua pergunta.
─ Edward está apaixonado por você, porém você confia nele? ─ questionou sem soltar minhas mãos, como se tivesse medo que eu saísse correndo daqui sem responder sua pergunta.
─ Ele tem minha lealdade. ─ respondi e por ter me criado para colocar esse sentimento a frente de qualquer outro papai sabe que Edward já vale muito para mim.
─ Tia Rania e Farihah continuarão afastadas da gente, porque você é minha filha, sua palavra nessa terra também é lei e se elas ofenderam o homem que conquistou sua lealdade não são dignas de serem bem tratadas por nós. ─ papai afirmou mostrando que ele tem olhos e ouvidos por todo o palácio, porque eu não contei nada a ninguém e Soraya também não, porque quebrar a minha confiança quando eu a mandei ficar calada seria cometer um grave crime que a levaria direto para a prisão.
─ Outra escuta escondida nos salões oficiais? ─ murmurei.
─ Eu não confio nas duas e quando ouvi que elas estavam aqui para ver você usei o que tinha para garantir que minhas parentas venenosas não tirariam o brilho da minha joia mais preciosa. Isabella podem tirar a minha paz, mas ninguém pode mexer com os meus filhos. Eu não sei o que elas fizeram com o seu irmão e a sua lealdade a ele não vai deixar você me dizer, no entanto hoje mesmo Emmett vai ter que me contar e elas vão pagar pelo que fizeram ao meu menino. ─ papai grunhiu e eu aspirei, mas sorri por dentro quando percebi que para ele Emmett e eu nunca deixaremos de sermos crianças.
Próximo =>
Fale com o autor