O Sol Negro E A Lua Branca
24 Marionetes Macabras
Notas iniciais

Tudo estava muito melhor desde que Karin enfrentara o seu demônio, que se chamava Danna Beauregard. Era uma garota que brincava com fogo, irritando ela e Yuzu. Quando Karin a enfrentara, chamara atenção de Viktoria Ives, que viria a ser sua melhor amiga.
Viktoria era filha da Rainha de Querubim, e puxara todos as características da mãe. Era alta e tinha ombros largos, além de cabelos quase brancos —características da origem da Rainha, o povo nórdico. Sua voz era imponente e sempre que falava era direta. Tinha gostos e características semelhantes à Karin, o que fez com que elas fossem perfeitamente compatíveis para serem melhores amigas.
Reclamavam sobre a professora quando Yuzu veio quase correndo até Karin. Estava ansiosa e arfava por causa da corrida. Portava um brilho nos olhos e uma carta na mão.
—Uma carta do mano.
Com um aceno de cabeça para Viktoria, as duas caminharam de modo acelerado para o dormitório. Falavam sobre possibilidades do que Ichigo escrevera, animadas.
—Será que Onii-chan arrumou uma namorada? —sugeriu Yuzu.
—Não. —ela descartou a possibilidade com certo desprezo. —Será que algo de horripilante aconteceu no seu emprego? Quem sabe ele teve que lutar para defender a Princesa!
—Cruz credo, Karin!
Quando enfim as meninas deixaram de incomodá-la, Yuzu arranjou duas melhoras amigas: Suzanne e Isabela. Eram duas meninas doces e mornas, tímidas e adoráveis, muito parecidas com Yuzu.
Enfim chegaram ao dormitório, um quarto com duas camas, cada qual com um baú, e cochas perfeitamente arrumadas. Havia um grande guarda-roupa, um criado-mudo e uma penteadeira. Era o melhor quarto que elas já tiveram na vida toda.
Sentaram na cama de Karin para abrir a carta com o canivete. Dentro do envelope branco havia um pequeno bilhete, com letras atropeladas e familiares.
Yuzu e Karin,
Papai e eu recebemos todas as suas cartas. Estamos muito orgulhosos de vocês. Essa é a primeira carta que escrevo sozinho. Rukia é uma boa professora, eu é que sou burro. Estou ainda mais orgulhoso de vocês por terem aprendido a ler e escrever tão rápido. As duas são muito inteligentes.
Papai e eu estamos bem. Ele está com uma saudade danada de vocês duas, mas distrai-se um pouco com a ferraria. É a nossa melhor época; lucramos muito.
Espero profundamente que nada de ruim tenha acontecido com vocês. Também espero que me abracem apertado quando voltarem de férias.
Ichigo.
–
—Por que não posso levar Neliel? —indagou Rukia. —Tenho que me casar com um nojento que não amo, e ainda sim não posso levar a minha melhor amiga para presenciar o casamento?
Byakuya olhou com absoluta calma para Rukia, que arfava em raiva. Havia se levantado no calor da discussão, que só era encalorada para um lado —para Byakuya, apenas era desconfortável.
—O casamento é apenas formalidade, Rukia. —ele retrucou. —Não é nenhum sonho feminino, ou algo que Neliel choraria de felicidade para ver.
Rukia ficou vermelha de raiva.
—É a última vez que verei a Neliel e o senhor ainda brinca com isso?! —o grito rasgou a sua garganta.
Byakuya levantou-se, cansado do falatório de Rukia. Bateu na mesa para dar ênfase no que dizia.
—E você quer fazer o quê, em, Rukia?! Levar a Neliel para a porcaria da toca dos lobisomens?! Quer que ela seja estraçalhada, uma carne fresca, por mero capricho seu?!
Um bom momento em silêncio. Tensão. O som da respiração de Byakuya, suas narinas aumentando e diminuindo.
—Com licença.
Rukia saiu correndo. Assim que ela fechou a porta, as lágrimas que prendia verteram sem dó. Elas foram umedecendo seu rosto, suas bochechas. Rukia soluçou, limpou o rosto e ergueu a cabeça. Não tinha tempo para chorar.
Foi descendo as escadas devagarzinho, receando chamar a atenção de alguém. Não queria que olhassem para seus olhos vermelhos, não queria que vissem que chorava agora pouco —na verdade, seria demasiado difícil um dia que os olhos de Rukia não estivessem inchados. Chorava muito ultimamente, tanto que o seu nariz se congestionara de vez.
—Princesa Rukia! —chamou Hiyori, esperando no último degrau da escada.
Os pés de Rukia tremeram e ela pensou seriamente em virar-se e subir todos os degraus novamente correndo. No entanto, ela nem teve a chance de arrepender-se disso depois —Hiyori já vinha subindo, a alcançando com seus passos pequenos porém rápidos.
—Princesa Rukia,, —ela arfou; o rosto redondo de criança combinando com sua boca, formando quase um “o” perfeito. —eu irei ser a sua dama de companhia enquanto ainda é noiva.
Hiyori franziu a testa, as sobrancelhas erguidas naturalmente. Os olhos eram cor-de-mel; Rukia ficou prestando atenção nas sardas que ela tinha nas maçãs do rosto.
—Está chorando? —Hiyori indagou, com uma preocupação genuína.
Rukia desviou o rosto, prestando atenção nas pernas que agora continuavam a descer a escada. Perguntou algo, para logo mudar de assunto.
—Você é uma caçadora, não é mesmo?
Rukia sentiu os fios loiros de Hiyori balançando enquanto ela a acompanhava.
—Isso mesmo.
—Ulquiorra é o único ser do Submundo por aqui?
—Também há Halibel. Ela é licantrope.
Talvez seja por isso que Rukia sempre teve certo medo dela. Halibel era uma mulher muito bem-educada, mas os seus olhos emanavam perigo. A mulher parecia poder passear pelos conceitos de selvageria e bem educação a seu bel-prazer.
—Deveria ter imaginado. —Rukia comentou, enquanto Hiyori ria.
Orihime chegou pela porta no exato momento que elas tocaram o último degrau.
—Condessa Yoruichi chegou.
–
Rukia esgueirou-se para dentro do quarto, não almejando chamar atenção. Já havia dado as boas-vindas para a Condessa, mas não permanecera lá por muito tempo —Yoruichi queria conversar com ela sobre o casamento e isso só fazia com que ela percebesse mais e mais que sua situação era real. No entanto, já havia alguém no quarto de Rukia, ajeitando as malas da princesa. Era Neliel, o cabelo colorido preso em uma trança. Ela sussurrava consigo mesma, concentrada, como se estivesse falando com alguém.
Rukia resistiu à tentação de simplesmente ir embora quietinha, já que Nell —tamanha a concentração em sua conversa com as vozes de sua cabeça—não havia reparado na presença de Rukia. No entanto, a moça forçou-se a conversar com Neliel —poderia ser a sua última conversa a sós com a melhor amiga.
—Nell, com quem está falando?
Neliel levantou a cabeça vagarosamente, em choque. E murmurou, como que revelando o segredo da sua vida:
—Comigo mesma. —alguns poucos fios rebeldes de Nell estavam soltos da trança e tampavam parte de seus olhos, que estavam arregalados. —Rukia, acho que estou ficando maluca.
Rukia colocou a mão na cintura e sorriu sem humor.
—E eu já estou, minha cara amiga.
Neliel balançou a cabeça, sem piscar uma só vez.
—Rukia, creio que você não está entendendo...
—Pois eu entendo perfeitamente.
Neliel deu um passo à frente, as mãos juntas no peito.
—Entende?
—Sim. —os olhos de Rukia ardiam de tanto segurar as lágrimas. —Vou sentir saudades, Nell.
Rukia acabou com todo o espaço que havia entre elas em uma só investida. Abraçou Neliel, enlaçando seus braços no pescoço da amiga. Enterrou o rosto no ombro dela, encaixando a cabeça na curva do maxilar da moça. E então chorou como nunca havia feito antes —em um ombro amigo.
Neliel apertou as costas de Rukia e logo a voz suave de Nell pôde ser ouvida, abafada pelo cabelo escuro da princesa.
—Não se preocupe, minha querida. Prometo que iremos nos ver de novo.
No entanto, Rukia conseguia perceber que nem mesmo Neliel acreditava no que dizia —ela tentava prender os soluços na garganta, porém sem êxito. Eles eram perfeitamente audíveis para alguém tão perto quanto Rukia.
No entanto, pela primeira vez em meses, Rukia permitiu se iludir por belas palavras.
Aspirou o aroma de Neliel: lírios e produtos de limpeza. Permitiu que ela a acompanhasse até a cama e colocasse a cabeça de Rukia em seu colo. Nell ficou durante horas acariciando os cabelos cor de tinta da princesa, enquanto ela era irrigada várias vezes por lágrimas que pareciam cristais.
–
Toushiro, Halibel, Yoruichi e Urahara embarcaram na primeira carruagem dos Kuchikis, rumo ao Hueco Mundo. Byakuya, Ichigo, Rukia e Hiyori foram na segunda carruagem, um tão desconfortável quanto o outro.
As duas carruagens pareciam iguais por fora, no entanto o clima dentro delas não podia ser mais diferente. Na primeira carruagem, a conversa rolava solta —Yoruichi e Urahara praticamente escolhendo os assuntos, contando vários fatos cômicos e interessantes de sua vida. Já na segunda carruagem o clima era tenso. Ninguém falava nada, e as poucas tentativas de começar uma conversa eram fortemente vedadas pelo silêncio.
Rukia olhava pela janela, os lábios torcidos para baixo em uma clara expressão de infelicidade. Byakuya também olhava para a janela, muito embora volte e meia observasse Rukia. Os braços de Hiyori e Ichigo roçavam um no outro, enquanto eles trocavam olhares e sussurros, desconfortáveis com o que ocorria entre Byakuya e Rukia.
Ouviram um barulho quando a carruagem balançou. Parecia que as rodas haviam passado por algo grande, pelo menos do tamanho de uma pessoa.
Ichigo quase vomitou quando percebeu, finalmente, do que se tratava. As lembranças do cachorro sendo atropelado, em sua infância, invadiram sua mente. Mas dessa vez era pior.
Eles haviam atropelado uma pessoa.
—Ulquiorra! Ulquiorra, pare esta carruagem! —o berro de Ichigo irrompeu, repleto de desespero. Foi a primeira vez que Rukia olhou para ele, ou mesmo para qualquer coisa exceto a paisagem da janela, desde que tocou os pés naquela carruagem.
—Você acha que... —Hiyori começou, mas foi interrompida pela voz imponente de Byakuya.
—Ulquiorra, eu sei que você ouviu. Pare essa carruagem agora.
A carruagem imediatamente parou, e Ulquiorra desceu da carruagem e abriu as portas para Byakuya e Rukia, muito embora Ichigo e Hiyori já tivessem saído há muito tempo.
—Como você pôde, sua aberração?! —gritou Hiyori, empurrando o peito de Ulquiorra com a palma da mão. —Não consegue enxergar um palmo a sua frente, não? É claro que consegue; você é um maldito vampiro!
Ulquiorra permaneceu frio e indiferente, aceitando a bronca de Hiyori sem mexer um dedo. Dirigiu o olhar para Byakuya, como que implorando:
—Eu juro que o corpo não estava ali, meu Rei.
—E de que um juramento de um amaldiçoado vale? —Hiyori se revezava em olhar para Ulquiorra e Byakuya. —Nada, porque você perdeu a alma!
Nesse momento, a carruagem de Urahara parou. O cocheiro deu uma corridinha e abriu a porta para Yoruichi sair. E ela veio até eles. Seu andar era decidido, seu vestido de veludo era dourado, sua expressão indecifrável. Ninguém falou nada até ela se aproximar o bastante para perguntar:
—O que diabos está acontecendo aqui?!
A voz de Hiyori se destacou.
—Ulquiorra atropelou uma pessoa!
A sobrancelha de Yoruichi se ergueu.
—Atropelou? —indagou— E onde está essa pessoa?
Os três fizeram um silêncio de aproximadamente três segundos, o suficiente para ouvir um ruído de trás da carruagem.
—Onde estão Rukia e o Kurosaki? —indagou Byakuya, falando pela primeira vez desde que saíra da carruagem.
A pergunta só fez com que os quatro se desesperassem mais, o coração batendo acelerado enquanto corriam até atrás da carruagem. Rukia e Ichigo estavam lá, e um corpo estirado no chão também.
Rukia estava curvada, as mãos apoiadas nas coxas, enquanto vomitava. Ichigo a fornecia ajuda, segurando o seu cabelo que, embora não fosse tão grande quanto o de Yoruichi ou Neliel, ainda podia ser sujo. O rosto de Ichigo estava colorido com uma mistura agonizante de verde e roxo, e ele tentava ao máximo não olhar para o corpo estirado no chão em ângulos impossíveis.
Yoruichi aproximou-se do corpo do pobre homem para poder avaliar os danos mais precisamente.
Ele tinha em torno de 40 anos, cabelos castanhos e aparentava pertencer à classe média; o que era ruim, porque provavelmente o homem era um pai de família. O pescoço estava quebrado, torcido, em um ângulo que tornava possível ver seu osso. Apenas com isso, era possível perceber que o homem estava morto, muito embora vários outros membros do homem estivessem quebrados, assim como o corpo quase esmagado, o sangue espiralando dos seus ouvidos.
—Anup¹, tende piedade dessa alma. —murmurou Yoruichi — E das nossas, por favor.
E então, como se fosse uma marionete, o corpo se ergueu. Primeiro as pernas se endireitaram, fazendo crack!’s. Depois foi a vez do tronco e por fim a cabeça, que deu um giro perfeito sobre-humano, terminando de quebrar todo o pescoço. No entanto, o giro aparentemente anulou o que havia ocorrido, pois a cabeça estava erguida como se o pescoço estivesse perfeito.
Todos pararam o que estavam fazendo —até mesmo Rukia, que limpou a boca com as costas das mãos, os olhos fixos na cena —para observar o homem ser animado de forma macabra.
—Condessa, como ousa desrespeitar uma pessoa assim? —repreendeu Ichigo. —Mortos precisam de respeito!
Yoruichi recuou quatro passos, os olhos fixos no morto-vivo.
—Não fui eu.
A criatura sorriu. Ichigo surpreendeu-se quando sentiu o medo na voz de Yoruichi, junto com surpresa. Apercebeu-se que a mulher nunca demonstrara medo, mas agora estava horrorizada, paralisada por ele.
—Claro que não foi. —Cinco pessoas falavam pela boca do zumbi. Pessoas? Não, essa não era a palavra certa. Eram cinco demônios que falavam, sincronizados e maléficos. —Fomos nós.
Uma faca zuniu no ar, arremessada com destreza. Ela atingiu o meio da testa do corpo possuído e se alojou lá. Ichigo olhou para o lado, dando de cara com uma Rukia ainda na posição do lançamento, arfando.
—Me deixe em paz.
O corpo caiu para trás, tamanha a força que a princesa utilizou.
Rukia irrompeu em lágrimas, soluçando e abraçando a barriga. Ichigo colocou a mão no ombro de Rukia e depois a abraçou por um tempo, como se pudesse tomar todo o sofrimento dela e tornar-se seu. Sentiu sua camisa sendo encharcada e também o cheiro das lágrimas, mas decidiu se focar na princesa: o cabelo embaraçado e escuro, assim como as presilhas prateadas que o decoravam, como as estrelas do céu. O corpo pequeno e fragilizado, as batidas do coração de vidro, já um pouco quebrado. A pele alva da nuca dela, a forma como os ombros se erguiam...
Por um momento, eram apenas ela e Ichigo. Sem nenhuma preocupação, a não ser fazê-la parar de chorar.
Apenas por um momento, um pequeno momento, os dois não eram o filho do anjo e a filha do homem. Por um pequeno instante, eles não faziam parte da profecia, não precisavam derrotar demônios.
Realmente por um pequeníssimo momento.
—Droga. —Hiyori praguejou.
Ichigo desfez o abraço para poder olhar o corpo se erguendo novamente. As pernas, o tronco, a cabeça —como da primeira vez. Os demônios riram pela simples boca do receptáculo e arrancaram a faca, totalmente imunes a qualquer dor.
—Acharam mesmo que podem nos deter com uma simples faca?
Os demônios brincaram com a faca e a arremessaram, sorrindo. Não demorou uma fração de segundo para ouvir-se o berro agonizante e o corpo tombar.
Yoruichi correu até Hiyori, gritando e aparentemente liberta do choque. Ela ajoelhou-se perto do corpo ainda com vida da menina, que urrava de dor, e com cuidado retirou a faca da sua barriga. Começou arduamente a curá-la.
Ichigo sentiu seu corpo inteiro arder de raiva quando o homem riu. Ele observou Yoruichi coberta do sangue de Hiyori e correu para ajudar a conter o sangramento. Ajoelhou-se perto do corpo dela e pressionou o ferimento, sendo arrasado pela visão do sangue inundando suas mãos.
Byakuya engoliu em seco, mas não se permitiu ir lá ajudar.
—Rukia, corra. Ulquiorra e eu cuidaremos disso.
—Mas...
Byakuya virou-se para trás, para observar Rukia.
—Corra! —ele gritou, alterado. —Por favor, Rukia, corra. Fuja.
Houve algo em sua voz, carregada de emoção, de desespero e de medo, que fez com que Rukia obedecesse. Ela virou-se e começou a correr, porém um demônio apareceu, possuindo um corpo repleto de marcas entalhadas à faca. Ela viu algo nas marcas, tão antigas elas eram, tão sombrias e mágicas, que fez com que Rukia tivesse certeza que o demônio havia feito isso com ele próprio.
Rukia recuou e olhou para o primeiro demônio, que agora estava com olhos completamente negros. Ele sorriu e invocou:
—Venham agora, caídos. Revelem-se, meus irmãos!
Uma multidão de aproximadamente quinze demônios, todos possuindo corpos de humanos, surgiu da floresta, como se estivessem esperando o chamado do líder.
—Saciem sua fome; matem, machuquem. —ordenou o líder. —Capturem o nephilim e a humana da profecia, os machuquem! Mas não os matem, se não tudo será em vão.
Os demônios começaram a marchar, porém Urahara surgiu na multidão e bateu seu cetro na terra e invocou um feitiço. Todos os demônios voaram para longe, caindo e arrastando seus corpos na terra. Ele correu para onde estava sua esposa, sabendo que os demônios não ficariam no chão por muito tempo.
—Yoruichi, Yoruichi! —ele arfou. —Você precisa ir.
—Tenho que curar Hiyori!
—Por isso mesmo; vá e a leve! Eu fico aqui e ajudo a combater os demônios.
Yoruichi se levantou, esquecendo por um momento Hiyori. Colocou a mão no rosto de seu marido, sujando sua bochecha de sangue. O beijou, um leve toque de lábios.
—Ichigo e Rukia são mais importantes, meu amor. Os leve.
Urahara virou sua cabeça para todos os lados, vendo o caos que ocorria. Os demônios já estavam todos levantados, atacando as pessoas. Ulquiorra e Byakuya lutavam bravamente por entre os corpos, com garras e espadas. Havia um amontoado de sangue, um amontoado de corpos pulsantes. Nada de Ichigo ou Rukia na multidão.
Kisuke tomou uma decisão no calor do momento, uma que estava tomada pelo sentimento de proteger sua esposa.
—Vá, Yoruichi. Cure Hiyori, proteja o Príncipe Hitsugaya, busque ajuda do Hueco Mundo. Eu protegerei Ichigo e Rukia, segurarei os demônios.
O lindo rosto de Yoruichi, imortal, se contorceu em uma careta de preocupação.
—Você ficará bem, meu amor?
Ele beijou o nariz dela.
—Claro que sim.
Yoruichi levitou Hiyori, que já estava inconsciente naquele momento, e a levou consigo até a carruagem. Os dois se olharam por um segundo antes de a mulher entrar. Quando Yoruichi finalmente entrou e a carruagem deu partida, Urahara virou-se para a batalha —agora que isto estava começando.
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