Notas iniciais
Olá, minha gente! Estou aqui com mais um capítulo para vocês, que eu dedico a firefly (essa diva) que me deixou uma recomendação *-* Agora temos CIN-CO! *joga mais purpurina que há em uma parada gay*. Agora, os agradecimentos: Firefly (acabou de conhecer a fic, e já recomendou!) Néphélibate (adoro review graaandeee!) Kevyn Valdez (leitor fiel) Byakuya Manêro (leitor antigo e novo ao mesmo tempo haha) Riven (que incentivou-me)

—Menino tolo! —Barragan xingou seu filho mais uma fez, o acertando um tapa forte na cabeça.

Grimmjow estava abaixado, segurando uma pá e cavando um buraco bem fundo para colocar a mulher morta.

—Mas, pai! —Grimmjow protestou, recebendo outro tapa que o fez recuar dois passos para o lado. —Por que não mandamos outro cavar essa merda desse buraco? Eu podia mandar Balthazar...

—Você fez e você irá limpar a sujeira! —o homem rugiu. —Tudo porque você não podia manter o seu pinto dentro da calça por míseros dois dias! —e, como que lembrando da idiotice do ato do filho, foi acertando-lhe tapas e socos na cabeça, fazendo o menino se curvar, tentando proteger-se.

Ele ficou lá ajoelhado um tempinho, olhando para a terra úmida sob seus pés. Barragan empurrou o rosto de Grimmjow até o chão, fazendo com que comesse terra.

—Qual é o seu problema?! Volte á trabalhar, moleque mimado!

Grimmjow pegou a pá e voltou a trabalhar, ardendo de raiva por dentro.

—Qual será a desculpa que iremos dar para os caçadores? Certamente eles irão desconfiar...

—A megera não queria estar aqui. —rosnou Barragan. —Vamos dizer que ela fugiu, com vergonha de obedecer alguém que se alie com seres do Submundo. Mandarei um feiticeiro escrever uma carta com a letra da mulher. Byakuya ficará envolto demais na vergonha para desconfiar de algo.

–

As pessoas se aglomeravam em volta da praça, com rostos chocados. Os guardas tentavam conter a multidão, para que retirassem o corpo da moça da forca. Ela estava totalmente mutilada, com aquele escrito entalhado em sua barriga: As almas deles. O clero reunia-se em uma multidão á parte, rezando pela moça. Logo todos pensaram que quem havia feito isso era um seguidor do Diabo.

Uma mulher foi empurrando as pessoas de forma brusca. As lágrimas, que estavam sendo seguradas até agora, finalmente caíram. Sua filha foi morta e ainda de forma tão dolorosa quanto aquela. Ela correu para abraçar sua filha, a tirando do colo do homem encarregado por um breve momento, o suficiente para ficar suja de sangue.

—Nãão! —a mãe berrou, se negando a acreditar, enquanto o homem a tirava de seu colo, com um pedido de desculpas no olhar.

Um jovem monge a tocou pelo ombro, incentivando-a a se afastar.

—Por favor, senhora. Eu sei que é muito duro, mas assim que sua filha estiver mais... hum... Ver uma filha assim é muito doloroso para a senhora. Para qualquer um, na verdade. —a voz do monge era macia, suave. Tinha um formato de rosto bondoso, e os olhos preocupados. Parecia jovem demais para usar aquela túnica marrom, que consistia o uniforme dos monges franciscanos. —Sua filha vai ser bem-cuidada, minha senhora. Dedicarei minhas orações para ela, e então ela viverá em paz, no reino de Deus.

A mulher irrompeu em lágrimas, apoiou-se no monge e se ajoelhou, fazendo com que o jovem se ajoelhasse junto.

—Minha Cassandra não merece isso! Não merece!

—É claro que não merece. —concordou o monge, apaziguador. Ele enroscou seu braço no da mãe, a oferecendo conforto.

Provavelmente o monge iria falar-lhe mais alguma palavra de conforto, quando uma moça, muito alta para os dois sentados, surgiu, olhando a forca com um olhar dolorido. Ela tinha uns cabelos longos e verde-água, indescritíveis, que balançaram quando ela se ajoelhou ao lado do monge.

—A senhorita conhecia Cassandra? —o monge perguntou, olhando para os enormes e sofridos olhos de Neliel.

—Não. —a mãe antecipou a resposta de Nell, entre soluços.

—De fato, eu só a conhecia de vista, Irmão. Mas ela parecia ser uma moça gentil e doce, e realmente me arrependo de não tê-la conhecido antes. —Neliel soou melancólica, e o jovem notou isso.

O jovem monge pegou a mão das duas mulheres.

—Vamos orar para a Virgem Maria. Ela também perdeu seu filho, assim como a senhora perdeu a Cassandra. —ele dirigiu um olhar empático á mãe da moça morta. —Poderia me ajudar, senhorita? —ele perguntou para Neliel, a cabeça tão próxima da dela que dava para sentir sua respiração quando ele falava. —Acredito que a Nossa Senhora ouça mais as mulheres. Afinal, —ele olhou para á mãe de Cassandra. —nada se equipara á perder uma parte do seu ser.

A mulher fungou, enquanto Neliel concordava com a cabeça. O monge logo puxou a reza, fraca no começo, porém ganhando força á medida que a voz de Neliel e da mulher iam se juntando. E, no final, ela foi melhor do que qualquer consolo. Tanto para a mãe, quanto para Neliel.

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Quando o irmão da mulher veio buscá-la, Neliel e o jovem monge se levantaram do chão, sacudindo suas vestes. Ela ficou observando a pele alva do monge se contraindo no rosto, tentando formar uma expressão inabalada para ela, mas não conseguindo por causa dos seus olhos tristes.

—Isso foi horrível. —Nell comentou, mais para si mesma. —Ninguém deveria perder uma filha, ainda mais desse jeito.

O monge concordou, contraindo os lábios.

—Não são preparados no monastério para isso, não é, Irmão?

Ele riu nervosamente.

—Com certeza, não. Mas mesmo que preparassem, duvido que esteja pronto para isso. Acho que ninguém é preparado para a morte.

—Como ninguém é preparado para a vida. —Neliel sorriu, e o monge a acompanhou. Tinha um sorriso gentil, e covinhas em suas bochechas.

—Neliel. —ela se apresentou, gentilmente.

O sorriso do jovem monge formava uma palavra incompleta quando os outros franciscanos vieram chamá-lo.

—Irmão Davi, é hora de voltar ao mosteiro. —só então o monge percebeu a presença da moça de cabelos coloridos na sua frente. Uma ruga se formou entre suas sobrancelhas. —A senhorita é parente?

Neliel formou um “não” com a cabeça.

—A srta. Neliel ama o próximo. Ajudou-me a consolar a mãe da moça, rezou para a Nossa Senhora conosco.

O monge mais velho assentiu e segurou Davi pelo ombro, levando-o embora consigo.

–

Rukia não sabia para onde olhar, enquanto estava na carruagem. As cortinas escondiam a paisagem, e ela não ousava tira-las de lá. Já tentara olhar para Halibel (Rangiku, sua dama de companhia, havia sumido e Halibel a substituíra de última hora), mas acabou desviando o olhar, pois, sinceramente, Halibel a dava um pouco de medo. Nas poucas vezes que captara Grimmjow com sua visão periférica, ele estava sorrindo de um jeito assustador. Por isso, ela manteu os olhos em seu colo.

No entanto, seus pensamentos voavam longe. E ela não podia impedi-los. Essa era a pior sina da humanidade: você pode controlar o que faz e o que diz, mas nunca pode controlar no que pensa. Aquilo era uma tortura para Rukia.

Ela pensava em Kurosaki Ichigo, e na noite anterior. Em como fora depravada e inadequada, e como encararia Ichigo mais tarde. Não desistiria de lhe dar uma educação digna. Nunca. Ela não era o tipo de mulher que desistia. Mas a situação havia se tornado bastante desconfortável. Ela estava muito assustada na época, e não conseguiu medir as consequências dos seus atos. Fora indelicada e insensível —as piores coisas que uma princesa podia ser.

Seus olhos estavam vermelhos da noite anterior, pois chorara muito, e sua visão nublada —não tanto quanto sua mente, mas mesmo assim muito nublada.

Ela saiu da carruagem de maneira automática, sendo auxiliada pelo cocheiro. Subitamente, lembrou de Keigo, e de como ele era diferente daquele homem falsamente bem-educado, com muitos músculos e um olhar selvagem.

O restaurante em que eles foram era bonitinho, mas não tinha lá a beleza que seria necessária para impressionar um habitante do Reino Kuchiki. Não era gracioso. Tinha formato de círculo —o que era novidade—e paredes altas e grossas, pintadas de um verde claro e charmoso. O interior, ela teve que admitir, era mais aconchegante. Pintado todo em tons pastéis, ostentava um lustre e uma pista de dança muito bonita.

Incomodou-a que Grimmjow enganchou seu braço no dela, mesmo sendo um gesto comum para noivos e acompanhantes em um almoço. Ela tentou não transparecer, mas com certeza seu corpo ficou completamente rijo.

Rukia apenas lambiscou a entrada, e mexeu a comida sem comer nada. Barragan e Byakuya discutiam política, por isso Rukia permitiu sua mente viajar para um outro tópico.

Matsumoto Rangiku.

Ela estava preocupada com o repentino sumiço da mulher, que fora sua preceptora na infância. Ela sempre gostara muito de Rangiku, e sempre a admirara como mulher. Apesar de Byakuya ter dito que Rangiku saíra dali por vontade própria, Rukia não acreditava muito naquilo. Observara Grimmjow, Barragan e os empregados várias vezes, mas eles demonstraram não saber de nada.

—Eu estou vendo que você não está comendo nada. —sussurrou Grimmjow, com um sorriso torto no rosto. —Você pode enganar os outros, mas não me engana, Princesa.

Halibel estava distraída com a conversa entre Barragan e Byakuya, e não ouviu nada.

Rukia já abria a boca para responder, mas depois a fechou. Não sabia o que falar, mas estava desconfortável com essa situação.

—A Princesa Rukia e Grimmjow deveriam dançar. —sugeriu Barragan, mas parecia mais uma ordem do que qualquer coisa.

Grimmjow olhou com raiva para o pai e fez um barulho estridente quando saiu da cadeira, a arrastando. Parecia um adolescente emburrado. Byakuya foi acompanhando os movimentos de Grimmjow, de forma cautelosa. Quando chegou até Rukia, abriu um sorriso para ela, como se a princesa não tivesse percebido a clara “vontade” dele em dançar com ela. Ele afastou a cadeira de Rukia da mesa, com educação, e lhe deu a mão para que se levantasse. Se alguém olhasse apenas aquela cena, pareceria que Grimmjow era um perfeito cavalheiro.

—Permite-me essa dança, Vossa Majestade?

Não, Rukia pensou em responder, e, como estava apenas pensando, acrescentou: vá dançar com o Diabo.

—Claro. —Rukia respondeu em vez disso, e levantou, aceitando a mão de Grimmjow como ajuda.

Eles caminharam até o centro da pista de dança, onde dançaram, com expressões indiferentes no olhar. Grimmjow era exímio dançarino, por isso quase que Rukia não pôde acompanhar seus vários giros pelo salão. Ela o encarava, tentando encontrar algo suspeito em seu olhar. Grimmjow sorria de forma indiferente e divertida, e nada deixou transparecer por seus olhos —podiam ser brilhantes, mas agora estavam estranhamente sem nenhuma emoção.

–

Hinamori abaixou as mangas do seu vestido, assim que terminara de limpar a sujeira no chão de ontem á noite. Duas mulheres. A licantrope e a caçadora, mortas pelos lobos. Como vampira, poderia sentir certo desejo pelo sangue espalhado pelo chão —no entanto, não sentira nada. Talvez um tiquinho de nojo ou de pena, não sabia dizer. Mas aquilo era uma cena tão cotidiana que ela já havia se acostumado.

Caminhava pelos corredores do castelo como se fossem um labirinto ou uma prisão, e de lá nenhum raio de sol passava —o que era bom, pois Hinamori não podia pegar sol, sem queimar, queimar e queimar, como se estivesse no Inferno. Ouviu antecipadamente passos, e concluiu que eram os passos de Hitsugaya Toushiro, o príncipe do reino Kuchiki.

—Srta. Hinamori! —ele exclamou. —Eu estava lhe procurando; foi muita sorte mesmo em tê-la encontrado aqui, nesses corredores infinitos desse castelo infinito.

Ela sorriu um pouquinho, pois Toushiro a alegrava.

—Pois não, Príncipe Hitsugaya?

—Pensei que, se você tivesse um tempo disponível, poderia me acompanhar até o jardim?

Hinamori pensou primeiro no sol quente, na sensação de sua pele se derretendo e queimando; depois, pensou nas intenções de Hitsugaya e no quanto aquilo era inadequado. Toushiro pareceu prever a resposta de Momo, por isso logo disse:

—Por favor! —Toushiro implorou, com seus belos olhos turquesa, como se fossem alguma bela jóia. —Não fará mal você se ausentar apenas por algum tempo, apenas para me mostrar o jardim, não é?

Hinamori ponderou. Havia um canto do jardim, uma espécie de varanda, onde ela podia se abrigar na sombra enquanto Hitsugaya se divertia no sol.

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Ela observava o menino com olhos atentos, enquanto ele conversava com ela de forma animada. Parecia jovem demais e inocente demais. Muito diferente dos homens de lá. Também era exoticamente bonito, com os cabelos brancos e despenteados, e os olhos de uma cor viva.

—De onde você é, Momo? —ele já a chamava pelo primeiro nome, não que ela se importasse.

Toushiro estava lá em pé, o sol o banhando. Hinamori desejou estar lá com ele, sentindo o sol a esquentando, mas não queimando. Hitsugaya veio até ela, provavelmente interpretando a longa pausa em responder como hesitação.

—Você deve saber —ele começou —que eu não sou um Kuchiki autêntico. Meu pai, ele se chamava Juushiro, morreu quando eu era bem pequenino. Ou foi morto, melhor dizendo. Não me lembro muito dele, sabe. Isso me assusta. Lembro de minha casa muito vagamente, como um lugar enorme, e o meu pai é apenas flashs e as poucas coisas que Byakuya me diz. —ele olhou para o jardim de modo distante, como se estivesse imaginando onde e como estaria seu pai. Logo, voltou o olhar para ela. —Aconteceu algo assim com você?

Hinamori balançou a cabeça, surpresa com a espontaneidade do garoto.

—Creio que não. —sua franja balançou, ocultando por breves momentos sua visão. —Quando criança, costumava viajar bastante com meus pais. Acabei...hum... fugindo em busca de liberdade para cá. —Os pais de Momo a haviam expulsado de casa quando descobriram que ela era uma aberração, e Hinamori acabou sendo atraída para cá, onde havia grande concentração de seres do submundo. No entanto, ela achou melhor não mencionar isso. Uma meia-verdade já era suficiente. Meias-verdades nunca eram suficientes, mas disfarçavam muito bem.

—Hum. —fez Hitsuaya, se levantou e foi até o jardim novamente. Momo via apenas a sua silhueta por causa do sol. —Momo, o que acontece com as mulheres daqui? Parecem sempre amedrontadas.

Hitsugaya virou-se para ela, e os dois ficaram se encarando por alguns segundos. Sabendo que ela não iria responder-lhe com uma verdade inteira, Hitsugaya sussurrou:

—Você é feliz, Momo?

Hinamori, segurando as lágrimas, balançou a cabeça, e soltou um “não” bem baixinho.

Toushiro se aproximou dela, o rosto perigosamente próximo. Ela sentia a respiração do menino, e os batimentos cardíacos e o pulsar das veias, cheias de sangue quente, vermelho-escuro e suculento.

—Eu vou te tirar daqui, Momo. —ela falou, com uma voz séria. —Eu juro que te tirarei daqui.

Notas finais
Hitsuhina pra Néphé! hahaha Beleza, gente. Esse capítulo ficou mais brando, em relação ao outro, tanto em tamanho quanto em conteúdo. É bom descansar um pouco, eu acho. Espero que tenham gostado, e espero que comentem também! Bye!