O Sol

13 Seção 2 - Capítulo 2


Como já tinha juntado um bom dinheiro no meu árduo trabalho, decidi (loucamente admito) deixar e me mudar para Lighthalzen. Era uma decisão dura afinal, já tinha muitos amigos em Prontera, muito mais do que eu tinha feito em Geffen. Mas eu era movida por uma curiosidade insaciável. Ou talvez a curiosidade fosse só uma desculpa esfarrapada pra acreditarem, porque eu sentia, sabia que tinha algo me esperando lá. E Prontera me enjoava com aquele ar agitado.

Me despedi dolorosamente de todos em Prontera, chorei muito especialmente quando me despedi do Jimmy. Nossa amizade havia fortalecido naquele tempo juntos, e se separar era como perder um irmão. Ele me deu a correntinha que usava no pescoço e disse que se eu encontrasse algum bardo mais talentoso e modesto que ele, ela pertenceria a esse músico. Era muito bonita, com um pingente em formato de clave-de-sol com um fragmento de Sangue Escarlate, um de Cristal Azul, um de Vida Verdejante e um de Frescor do Vento no meio, formando um minúsculo trevo de quatro folhas. Coloquei a correntinha no meu pescoço e dei o laço que estava no meu cabelo pra ele, que por sinal era meu favorito. Ele amarrou a fita na ponta do inseparável violão dele e a gente chorou.

Deixei avisado para me escreverem e rumei para Izlude. Você pode estar pensando que estou fazendo drama, que eu poderia voltar facilmente pra Prontera. Mas naquela época a corporação Kafra ainda não tinha a tecnologia necessária para teletransportar, ou seja, os únicos métodos de locomoção eram através de portais, um método complicado e custoso, e a pé. Se ir de Prontera a Geffen já era trabalhoso, imagine ir até a República de Schwarzwald . Para ir até lá só existiam os aeroplanos lentos e inseguros, que demorava eras pra fazer uma simples rota. Para uma menina simples que nem eu, isso era muito tecnológico até.