Notas iniciais
Oiii sumidas Quem sumiu fui eu, mas ok e.e Estou postando esse capítulo que eu já tinha escrito para ver se crio coragem de escrever mais. Perdoem o vacilo, titia ama vocês e obrigada pelos comentários. Responderei todos ♥

Três dias. Três dias haviam se passado desde que Amelia resolvera desaparecer. Após a briga com Grey elas não voltaram a se ver, aliás, ninguém vira Amy desde então. Nem mesmo no hospital. Ela não atendia o celular, não respondia e-mails ou mensagens e no quarto dia após seu sumiço, Meredith foi chamada na sala da Chefe de Cirurgia, Miranda Bailey.

― Aconteceu alguma coisa, Chefe? ― perguntou Grey, entrando na sala e fechando a porta.

― Aconteceu, de fato, aconteceu muita coisa. Sente-se, Doutora Grey. ― Bailey indicou a cadeira em sua frente. ― Há quatro dias eu testemunhei o que pareceu ser uma briga entre você e Shepherd, desde então o departamento de Neuro está uma zona. Minha Chefe desapareceu sem dar satisfações e se eu tiver que transferir mais um caso para o Seattle Pres, cabeças vão rolar. Você deveria estar preocupada, já que seu nome é o primeiro da minha lista, portanto vou deixar tente se explicar.

― Você viu o que aconteceu, nós brigamos, eu disse algumas coisas que provavelmente não deveria ter dito e ela surtou. Quando eu cheguei em casa o quarto dela estava vazio, não sei muito mais do que você ― explicou Meredith. Bailey balançou a cabeça em desapontamento.

― Mas o que você pode ter possivelmente dito que fez ela chutar o balde e desaparecer desse jeito?

Meredith suspirou e respondeu com certa relutância:

― Talvez eu tenha dito algo sobre ela querer tomar o lugar do...

― Não. Não continue, só quero que fique claro que se ela não aparecer até o fim dessa semana, estará despedida. ― Miranda aproximou-se de Grey, então deu um daqueles seus chiliques em que não sabia para onde levar as mãos, se pudesse levaria até a cabeça de Meredith, mas ela já era uma mulher crescida, não era mais uma de suas residentes, por isso se controlou. ― O que há de errado com você, Grey? Como pôde dizer uma coisa dessas? Ela perdeu o irmão, a última coisa que Amelia precisa é perder você e as crianças. É bom você dar um jeito de consertar isso!

As palavras de Bailey acertaram-na feito um soco no estômago. Meredith esteve tentando ao máximo, mesmo que inutilmente, não pensar sobre a besteira que havia feito ― tudo isso por conta de um beijo que havia deixado ela mexida. Ligava para Amy pelo menos umas cinco vezes por dia, deixava mensagens de voz e de texto, tudo sem resposta. Mesmo se ela atendesse, Mer não saberia o que responder.

― Estou tentando, mas ela não me atende, não responde minhas mensagens ― defendeu-se.

― E você esperava diferente disso? Quer que ela te receba de braços abertos? Você pisou na bola feio, agora tem que se virar. ― Miranda revirou os olhos. ― Sai logo da minha sala!

Ela saiu, com a velocidade que suas pernas trêmulas permitiram que alcançasse. Precisava encontrar Amy, mas não tinha a menor ideia de como faria isso.

Já era tarde da noite. Ela, Karev, Jo e Maggie estavam na casa, sentados no sofá e tentando pensar no que fazer.

― Você quer chamar a polícia? ― perguntou Karev.

― Eu não posso chamar a polícia ― respondeu Meredith, levantando-se do sofá e perplexa com a ideia. ― Ela é uma mulher crescida, os policiais vão rir da minha cara quando eu contar o que aconteceu.

― Você pode mentir ― sugeriu Jo.

― Nada de polícia! ― reafirmou, enquanto andava em círculos pela sala. ― Talvez possamos ligar para a família dela, eu ainda não tentei, não tive coragem.

― Arizona ligou, ela não está com a mãe ou com as irmãs ― disse Maggie.

― Droga! Se acontecer alguma coisa... ― Meredith começou.

― Não aconteceu nada! Logo ela aparece, você vai ver. ― Alex estava tentando fazer o possível para reconfortá-la, fazia tempo que não via a amiga tão perturbada assim. ― Podemos sair pela cidade e...

A fala dele foi interrompida pelo som do celular de Meredith tocando, ela correu para alcançar o aparelho e seu coração pulou uma batida quando viu “Amy” no visor.

― É ela! ― exclamou, estava nervosa e surpresa ao mesmo tempo, então atendeu. ― Amy, me desculpe, eu não dev...

― Alô? ― Uma voz masculina veio do outro lado da linha, fazendo Meredith congelar. ― Meredith Grey?

― Sim, sou eu. ― Houve uma pausa, dava para ouvir barulhos altos e desarranjados no fundo. ― Quem é você? Onde está Amelia?

― Meu nome é Theo, estamos numa boate no Fremont e acabamos de nos conhecer, mas ela não parece muito bem, acho que ela tomou alguma coisa pesada, você é da família?

Meredith olhou para todos que estavam presentes antes de responder, havia um nó em sua garganta, que aumentava aos poucos, sufocando-a.

― O que foi? ― perguntou Alex murmurando, ela fez um sinal com a mão para que ele ficasse quieto.

― Theo, você pode me passar o endereço? Estou indo até aí para buscá-la. Me fala onde vocês e estão e não deixa ela sair daí!

Ele passou o endereço e garantiu que não a deixaria sozinha. O coração de Meredith estava a mil, enquanto Alex e Maggie a cercavam para saber o que estava acontecendo, era como se o mundo estivesse prestes a desabar sobre sua cabeça e ela precisasse correr o mais rápido que podia.

― Eu tenho que ir atrás dela em alguma boate no Fremont, vocês ficam aqui, não é longe. ― A voz de Mer estava trêmula.

― Você não vai sozinha, sem protestos, eu dirijo ― informou Alex, pegando as chaves do carro.

Eles estavam a caminho e Meredith tentou explicar o que aquele sujeito havia falado, a voz dela saía sufocada, o desespero tomava conta aos poucos, mas estava definitivamente agradecida por Amy ter sido encontrada por aquele cara e não qualquer outro que fosse tirar algum tipo de proveito da fragilidade dela.

Quando eles chegaram, desceram do carro e a primeira coisa que viram foi Amelia sentada na calçada com uma garrafa de cerveja na mão e um homem alto e loiro de pé atrás dela. Era Theo, ele caminhou até Meredith e Alex, parecia perdido, mas não tanto quanto Grey.

― Meredith? ― A loira assentiu. ― Que bom que você chegou, ela estava me ameaçando com aquela garrafa, mas fiquei com medo de deixar ela sozinha e ela fazer alguma besteira.

Grey olhou-o de cima a baixo, queria abraçar aquele homem pelo tanto que se sentia aliviada.

― Obrigado por ligar, cara ― disse Alex ao sujeito. Seus olhos pousaram em Meredith, ela estava parada feito uma estátua, olhando fixamente para Amy, que olhava de volta. Ele tocou o ombro da amiga. ― Vamos lá, você precisa falar com ela.

Em passos lentos, Meredith se aproximou de Amelia, a morena se levantou com algum esforço, estava visivelmente embriagada, ela desequilibrou e por pouco não caiu em cima de Mer graças a ter se apoiado no ombro dela.

― Meredith ― disse Amelia, com um sorriso cínico. ― O que foi? Eu não posso viver em Seattle também porque é a cidade em que ele vivia?

Mer respirou fundo antes de falar.

― Eu vim te buscar, vamos para casa, Amy ― pediu, olhando nos olhos da neurocirurgiã.

― Amy! Você sabe, só o Derek me chamava assim. E agora ele está morto. Morto! ― Amelia sabia muito bem que machucaria Grey falando daquele jeito, e em algum lugar sentia ser um monstro por isso. ― Quer que eu volte? Não se preocupe com isso, ainda sobraram 3 irmãs que são incrivelmente parecidas com ele, essa aqui não funcionou, vá atrás das outras.

― Para com isso! ― pediu Grey, aos gritos. ― Estou aqui porque você é minha família, porque me importo com você e não teve um só dia desde que você sumiu que eu não me arrependa amargamente do que disse, então será que você pode, por favor, fazer a gentileza de entrar no carro e voltar pra casa comigo?

Amelia levantou os olhos e, por míseros segundos, ela pareceu ter sido abalada pelas palavras de Mer, entretanto aquele olhar se desfez e foi substituído por pânico. Amy estava assustada, começou a tremer, a suar e a e apertar o braço de Meredith como se respirar fosse impossível, seu coração estava desesperadamente acelerado, já havia sentido isso antes, mas dessa vez doía como se estivesse rasgando seu peito. Ela voltou ao chão, suas pupilas estavam dilatadas, Meredith sabia exatamente o que estava acontecendo: ela estava tendo uma overdose.

― Amelia ― chamou-a, tentando manter-se calma para poder ajuda-la. ― Amelia, o que você fez? Você está tendo uma overdose, mas eu estou aqui, okay? Vai ficar tudo bem.

Grey não tinha certeza se confiava nas próprias palavras. Deitou Amy no chão e a colocou de lado, sentiu um forte aperto em sua mão, era a mão de Shepherd.

― Alex! ― gritou pelo amigo, que veio correndo sem ter a menor ideia o que estava acontecendo. ― Ligue para o 911, ela está tendo uma overdose. Anda!

Karev pegou o celular e foi rápido, enquanto Meredith tentava fazer com que a mulher não sufocasse, ela não tirou os olhos de Amy nem por um segundo, tampouco soltou sua mão até os paramédicos chegarem. Quando ela foi levada até a ambulância, Mer sentiu suas pernas vacilarem, não tinha a menor ideia do quão fraca estava e foi ao chão caindo sobre seus joelhos, Karev a abraçou por trás enquanto ela chorava copiosamente.

― Ela vai morrer, Alex, ela vai morrer e a culpa é minha.

― Ninguém vai morrer, Mer.

Ele a tirou do chão e levou-a até o carro, não a deixaria ir sozinha naquela ambulância de forma alguma. O caminho foi silencioso, por sorte o hospital mais próximo era o Grey+Sloan, mas Meredith não pensou que estaria novamente na posição de família do paciente ao invés de ser a médica. Webber e Riggs não deixaram que ela ficasse sequer na galeria, mal lembrava-se do quão desconfortáveis e angustiantes eram aqueles sofás de espera. Geral, Trauma, Cardio e Neuro. Todos eles tentando trazer Amelia de volta, e ela sabia muito bem qual era a taxa de mortalidade para overdoses. Sendo cocaína a principal suspeita, e misturada com álcool, a taxa aumentava significativamente.

Quando ela viu Richard e April virem em sua direção, implorou para que o tempo voltasse e ela tivesse mais uns minutos para viver sem receber aquela notícia. Os olhares de ambos pareciam cansados, resignados.

― Ela teve uma convulsão e uma parada cardíaca ― disse Webber. ― Não precisou de cirurgia...

― Não deu tempo, você quis dizer... ― assumiu Grey, lutando para controlar o choro, mordendo os próprios lábios em puro nervosismo.

― Não, Meredith, não precisou, ela está viva, ainda que inconsciente, não sabemos quando ela vai acordar, mas você pode vê-la se quiser ― disse Webber, com um sorriso que denunciava toda sua exaustão.

April acompanhou Grey até o quarto de Amy. Owen estava lá, sentado na poltrona próxima a cama, parecia inconformado.

― Grey, o que aconteceu? ― Owen questionou, nada paciente.

Ela não respondeu, não queria e tampouco conseguiria contar o que havia acabado de acontecer. Toda aquela agitação, todo o terror e a angústia ainda estavam bem vivos em sua mente, ainda que amortecidos por saber que Amelia estava bem. Então não, ela não falaria sobre o que havia acontecido naquele momento.

― Meredith Grey ― ele aumentou o tom de voz. ― Você precisa me contar o que aconteceu!

― Não, ela não precisa ― April interviu, por ver o quão desconfortável e cansada Meredith estava. ― Ela vai falar quando quiser, e se você insistir eu vou chamar a segurança.

Hunt levantou as mãos em sinal de rendição e deixou o quarto, dando espaço para que Grey pudesse se aproximar e tocar gentilmente o rosto de Amelia enquanto sua outra mão segurava a da neurocirurgiã com firmeza. Sentou-se na poltrona que outrora fora ocupada por Owen, sem largar a mão de Amy.

― Me chame se precisar de alguma coisa, tá bem? ― disse April antes de deixar o quarto.

Ficou alguns minutos olhando para ela, seu rosto estava sem cor, via seu peito descer e subir em lentos intervalos, a máscara de oxigênio ficava embaçada e formava gotículas em seu interior. Tentou eliminar todo e qualquer pensamento que a fizesse sentir ainda mais remorso, mas foi inevitável. O que ela faria se Amy não voltasse? Não suportaria ver outra vez sua família desmoronando.

― Sabe, Amy, sobre o que eu dizia antes... ― começou a murmurar, mesmo sabendo que ela não estava ouvindo. ― Eu estava errada, você não se parece nada com ele. São quase o oposto, na verdade, vocês são as pessoas mais únicas que eu conheci, e se algum dia eu vi algo diferente disso o problema estava em mim, que fui fraca o suficiente para tentar a todo custo acreditar que ele não havia ido embora de vez. Eu vi o que eu queria ver, porque a ideia de você ser algum tipo continuação do que ele deixou era confortável demais, me fazia acreditar que ele estava aqui em algum lugar. Mas ele não está, você está, e não vou perder você de novo.

Quando ela ia se levantar, sentiu um aperto em sua mão, Amelia tinha os olhos abertos e lágrimas escorrendo pelo rosto, mas não disse nada, ela só não queria que Meredith saísse do seu lado.

Notas finais
ta aí, anjos mto obrigada novamente pelo carinho beijosss
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.