O Senhor de Gondor

12 Capítulo 12 - Eithor, O Senhor das Sombras


Depois de muito caminhar escondendo-se entre becos e casas, o grupo finalmente chegou à parte superior de Minas Tirith, algo que por si só já parecia um milagre, considerando que ainda estavam vivos.

Subiram ao telhado de uma casa próxima e passaram a observar a única entrada que dava acesso ao castelo. O portão era vigiado por três orcs e dois homens vestidos de preto.

Wallor tentava pensar em alguma solução, algo que afastasse os guardas dali. Nesse momento, uma das telhas sob o pé de Barad cedeu com um estalo seco.

— O que foi isso? — disse um dos homens que guardava o portão.

— Vamos lá ver — respondeu um orc.

Quando começaram a se aproximar, Barad teve uma ideia súbita.

— Tenho uma ideia. Vou distraí-los, e quando todos vierem atrás de mim, vocês entram — disse ele.

— Isso é loucura! — protestou Hildwyn.

— Mas é a única ideia que tive — respondeu Barad.

— E é por isso que vou com você — disse ela. — Você nunca vai conseguir se virar sem mim.

Barad concordou. Os dois desceram do telhado e chamaram a atenção dos guardas, que imediatamente deixaram o portão e passaram a persegui-los.

Wallor e Aratus tentaram abrir o portão, mas estava trancado. Aratus ajudou Wallor a escalar, e, do alto, Wallor estendeu a mão para puxá-lo. Os dois saltaram para o outro lado.

Ali encontraram um jardim belo e bem cuidado, verde, com pequenos caminhos brancos como neve que se estendiam até o palácio. Correram em direção a ele.

Ao passar próximo à entrada, Wallor notou uma escadaria e, no alto dela, um túmulo. Algo o fez parar. Memórias começaram a emergir.

Aproximou-se. Era um túmulo de pedra, sobre o qual repousava a estátua de um homem deitado, segurando uma espada, com uma coroa sobre a cabeça.

Aratus aproximou-se e curvou-se diante dele. Wallor percebeu uma inscrição na língua de Gondor:

“Aragorn, filho de Arathorn, Rei de Gondor.”

Wallor ficou maravilhado. Histórias que ouvira na infância, contadas por seu pai, voltaram com força à sua mente.

Atrás daquele túmulo havia outro jardim, que na verdade era um cemitério. Túmulos dos grandes de Gondor repousavam ali. Dois, porém, chamaram sua atenção. Eram menores.

Wallor limpou a poeira das lápides com a mão. Nelas estava escrito:

“Peregrin Took, Thain do Condado.”

“Meriadoc Brandebuque, O Magnífico, do Condado.”

Aquele era o Rath Dínen, onde os grandes de Gondor descansavam.

Diante do túmulo de Aragorn, Wallor jurou mais uma vez salvar o reino. Em seguida, entraram no salão principal.

A porta foi aberta com cuidado. O salão estava vazio. Era vasto, com o piso brilhando como um espelho e pilares brancos adornando os cantos, junto a quadros dos grandes reis de Gondor. Ao fundo, pilares levavam a outro jardim, onde se erguia a Árvore Branca de Gondor, intacta.

— Eu não entendo — disse Aratus. — Se Eithor odiava tanto Gondor, por que preservou essa árvore?

Uma porta bateu atrás deles. Os dois se esconderam a tempo de ver um homem alto, de cabelos longos e negros, belo como um elfo, atravessar o salão. Vestia um manto negro de seda. Era Eithor.

Ele estava acompanhado por três meio-orcs, seus tenentes, e seguia em direção aos aposentos, dando ordens. Wallor ouviu algo sobre atacar Rohan antes de Eithor dispensá-los.

Eles o seguiram até uma torre. Subiram as escadas e chegaram a um grande quarto repleto de livros, joias, uma cama enorme e uma mesa com frutas.

Eithor entrou atrás de uma cortina dentro do aposento.

— É a nossa chance — sussurrou Aratus, puxando a espada lentamente da bainha.

— Você realmente acha que vai conseguir me matar com isso? — disse uma voz.

Eithor surgiu, afastando a cortina. Sua voz era bela, grave e poderosa, como uma tempestade distante.

Aratus atacou com fúria, mas Eithor ergueu a mão. Aratus ficou imóvel no ar, como se forças invisíveis o estrangulassem. As veias de seu pescoço saltaram, o rosto ficou roxo.

— Pare! — gritou Wallor.

Eithor baixou a mão, e Aratus caiu ao chão, tossindo.

— Veja só — disse Eithor. — O menino que conseguiu fugir. Devo agradecê-lo, Aratus. Você o trouxe até mim.

Aratus tentou se levantar, mas foi lançado ao chão novamente.

— Você era a peça que faltava, menino — disse Eithor. — Com você, posso realizar meu verdadeiro objetivo.

Wallor tentou atacá-lo, mas sua espada foi arrancada de suas mãos. Eithor repetiu o gesto, e Wallor sentiu a garganta se fechar.

— Sabe que dia é hoje, Wallor? — perguntou Eithor.

Sem ar, Wallor não respondeu.

— Hoje é seu aniversário.

A visão de Wallor escureceu. Palavras ecoaram sem sentido, e ele desmaiou.

Quando acordou, estava em um salão escuro, sem camisa, preso por correntes. Orcs o cercavam. Kazurk estava entre eles.

Eithor surgiu, agora vestindo uma armadura negra com um brilho azul no centro. Empunhava um cajado negro com a mesma luz na ponta.

— Soltem-no.

Wallor caiu de joelhos ao ser libertado.

— Onde está Aratus? — perguntou, sem resposta.

Eithor aproximou-se. Dois orcs o seguraram enquanto ele fazia um corte em seu braço, recolhendo o sangue em um frasco.

— Sangue númenoriano — disse Eithor. — Era o que faltava.

— O que pretende fazer? — perguntou Wallor.

— Trazer Sauron de volta e cobrir a Terra-Média em sombras.

Eithor mostrou um altar, onde repousava outra armadura negra. Orcs bateram lanças e pés no chão, entoando gritos. Um elmo negro foi trazido e colocado sobre sua cabeça.

— Eu sou Eithor, o Senhor das Sombras.

Os orcs arrastaram Wallor para fora. A última visão que teve foi Eithor caminhando em direção ao altar, enquanto portas negras se fechavam atrás dele.