O Segredo da Ruiva
10 Tiffany e a Sincronia do Número Três
~Pov Linly Bittencourt~
Eu estava sonhando que corria por um longo campo de lírios. Era um pôr do sol lindo e eu ria como se a tristeza não existisse. Eu usava o meu vestido branco preferido, e sentia o cheiro das flores de lírio me relaxando e me dando uma felicidade imensa. Quando anoiteceu no meu sonho, eu deitei por entre as flores e olhei para o infinito das estrelas, elas pareciam estar mais lindas naquele noite e brilhavam como eu nunca tinha visto. A brisa da noite se fazia presente naquele sonho me envolvendo em seus ventos cortantes,e quando eu já estava quase dormindo, ouvi um barulho esquisito, que me tirou de toda aquela calmaria e me trouxe novamente a realidade.
Abri um olho cautelosamente e vi Tiff terminando de colocar um par de sapato, e se levantando para terminar de abotoar o seu casaco. Mesmo ainda estando escuro, fiquei com medo de estar atrasada para o meu primeiro dia de aulas, e olhei disfarçadamente para o meu relógio de pulso que ganhei de aniversário de 17 anos da minha mãe. Marcava exatamente 3 horas da manhã. Eu fiquei com medo do que Tiffany ia fazer e quis impedi-la , mas algo dentro de mim disse que eu não devia fazer isso, e que parecia ser um momento muito íntimo dela. Mas a minha curiosidade e vontade de protege-la não fez com que eu a deixasse ir sozinha.
Ela estava tão concentrada em enfiar coisas dentro de uma bolsa grande, que nem percebeu quando eu me levantei também, e calcei silenciosamente o primeiro sapato que achei e coloquei um casaco por cima do pijama. Tiff apontou a varinha para si mesma e cochichou um feitiço da desilusão,e eu a ouvi saindo do quarto, passando pelo lado da cama de Lily que dormia profundamente. Eu fiz o mesmo que Tiffany, e fiquei espantada por estar no mesmo quarto que Lily, quando ela chegou eu já devia estar dormindo, o diretor Dumbledore realmente pensa em tudo.
Eu ouvia os passos apressados de Tiff, e ia correndo para tentar alcança-la, sempre com a varinha em punho caso algo acontecesse. E assim fomos nos afastando de onde realmente deveríamos estar, nosso quarto feminino da grifinória, quartos femininos da grifinória, salão comunal da grifinória , torre da grifinória, sétimo andar, sexto andar, quinto andar,quarto andar, terceiro andar, segundo andar, térreo. Tiffany abriu a grande porta de carvalho sem ruído algum e passou rapidamente, eu tentei acompanhá-la sem fazer barulho mas acabei tropeçando no meu casaco e segurei na porta para me estabilizar o que fez um barulho baixinho. Tenho certeza que ela olhou para o lugar onde eu devia estar agora pois eu não a vi fechando a porta e nem escutei mais barulho algum. Depois de um minuto de incerteza se ela tinha me descoberto ou não, eu vi a porta se fechar e pude respirar mais tranquilamente. Eu fui acompanhando-a pelos terrenos de Hogwarts, e ao longe pude ouvir as gargalhadas de James Potter e seus amigos, eu sei que não posso falar de responsabilidade saindo às três horas da manhã, acompanhando às escondidas uma amiga que acabei de conhecer, mas esses meninos parecem que não ligam para a vida e que ainda não conhecem o significado da palavra maturidade.
Depois de andar por uns dez minutos, eu não ouvi mais os passos de Tiff. Ela desfez o feitiço da desilusão, e a sua expressão estava transtornada. Aquela animação que eu tinha conhecido a horas atrás tinha acabado, os olhos não tinham mais brilho algum e os lábios tremiam. Ela escorregou vagarosamente por uma árvore, e chorou como se a pior das tragédias tivesse acontecido, estava inconsolável, e mesmo assim eu não fui acalmá-la, não sei o que aconteceu comigo mas eu não tive coragem, era como se meus pés não conseguissem mais se mover. E foi naquele momento que eu olhei realmente para o lugar onde nós estávamos. Estávamos no meio de três árvores que se inclinavam ao meio, como se a natureza quisesse que elas se encontrassem,e ao longe via-se o castelo de Hogwarts.
Os choros e soluços de Tiffany estavam se intensificando e ela sussurava coisas como, "Drew porque você fez isso comigo?...Eu te amava tanto...Voçê é um monstro...Ninguém suporta olhar mais na minha cara por sua culpa...Eu fui contra todas as minhas convicções por você...Porque Drew? Porque?...", e voltava a chorar de uma maneira que dava dó e nem assim eu tive coragem para ir acalmá-la. Sinceramente não sei porque eu entrei na grifinória.
Eu vi Tiff tomar em menos de dois minutos uma garrafa inteira de whisky de fogo(que continha três litros), e tirar um hipogrifo de pelúcia da bolsa, e ficar abraçando o bichinho como se aquilo a lembrasse esse tal de Drew. Depois de um tempo, ela pegou um frasquinho de alguma poção e bebeu. Devia ser para tirar o cheiro de bebida.Guardou os dois frascos e o hipogrifo de pelúcia na bolsa e fez novamente o feitiço da desilusão. Para quem tinha acabado de tomar uma garrafa inteira de álcool, ela subiu até rápido de volta ao castelo.
Quando chegou no quarto, Tiffany apenas se deitou com tudo na própria cama e dormiu calmamente, como se o monstro de tristeza que estava com ela não existisse, como se ela fosse um anjo e o mundo inteiro fosse o paraíso.
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