O Sapo Branco
1 O Sapo Branco
O sapo branco vivia num pântano escuro. Os seus amigos, os outros sapos, verdes, esbeltos, costumavam gozar com a sua falta de cor, ele ouvia e mostrava sempre um sorriso forçado em resposta. Cada dia que passava era tortuoso para o sapo branco, que voltava para o seu canto no pântano e chorava.
Certo dia apareceu um lindo passarinho, branco, brilhante, perfeito, a voar no céu. O passarinho aterrou junto ao sapo branco. O sapo, pasmado ao ver um ser tão magnífico, decide falar com ele, mas com medo da possível rejeição do passarinho. O passarinho não se importou com a cor do sapo e os dois tornaram-se inseparáveis, passando todos os dias juntos, amando-se. O sapo branco entendia o passarinho, o passarinho branco entendia o sapo.
A felicidade do sapo branco não durou muito tempo, pois os outros sapos, os sapos malvados, descobriram a existência dessa relação e começaram a atormentar ainda mais o coitado do sapo branco. O sapo branco nunca tinha conhecido amor e, mesmo assim, desde que conheceu o passarinho tinha estado a vivê-lo, mas, apesar de tudo, o sapo branco só conhecia duas linguagens, a do ódio e a da tristeza.
O sapo branco começou a libertar a sua frustração no pobre passarinho branco, gritava com ele e assustava-o. O passarinho começou a ter medo do sapo, começou a falar com ele de cima de uma árvore, longe do chão onde estava o sapo, mas ainda estava lá para ele. O sapo branco, engolido pelas chamas da raiva, do ódio que o mundo libertava nele, cortou a árvore do passarinho, queria o passarinho só para si e não sabia expressar os seus sentimentos de outra maneira. O passarinho conseguiu escapar à fúria do sapo branco, fugiu para muito longe, o sapo tinha perdido a sua cara-metade.
Passaram-se semanas, o sapo branco estava sozinho outra vez, a chorar, tinha-se apercebido do seu erro, afastou-se dos outros sapos mas não se conseguia afastar do seu sentimento de culpa, ele ainda amava aquele passarinho que fugiu com o seu coração. O sapo queria pedir desculpa ao passarinho mas não sabia onde o encontrar então decidiu partir em busca do pequeno animal. O sapo branco decidiu partir em busca dele.
O tempo voava, foram-se meses e o sapo ainda continuava a sua jornada, noites frias, dias quentes, não importava! O sapo iria se reencontrar e desculpar-se ao seu companheiro, custasse o que custasse... mas o sapo branco procurou pelo mundo inteiro e não encontrou nada. Derrotado, sentou-se numa colina com uma vista esplêndida... mas começou a chorar. Foi aí que avistou o passarinho branco, o sapo estava tão feliz... mas olhou uma segunda vez e viu que o passarinho branco não estava sozinho, quem o acompanhava era outro pássaro, maior, pintado de mil e uma cores, eles beijavam-se e estavam felizes juntos. O sapo levantou-se precipitadamente mas pensou um bocado e voltou a sentar-se.
O sapo branco perdeu tudo, pela primeira vez em muito tempo não sabia o que fazer, só sabia que estava verdadeiramente sozinho.
O sapo olhava para os pássaros, pelos seus olhos chorava, pelos seus lábios estava a sorrir.
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