O Sangue

6 Quando simplesmente acontece


Notas iniciais
Bom, capitulo curto, pois não tenho tempo para postar...1º ano é o bicho! E ainda possui doze cabeças e cada uma de uma matéria!... elas estão me prendendo... mas olha eu aqui! No próximo capítulo que estou me atrevendo a fazer... porq tipo se eu não terminar os trabalhos o professor me estrangula.. Vai ter duas surpresas!

Não muito longe de Lorena, o ronco suave de um motor gasto e velho pôs-se a surgir, subindo a rua, a música agitada e adolescente começou se espalhar pelo corpo de Lorena, fazendo a esquecer imediatamente de quase tudo a sua volta, quando a voz de Cassie soou mais alto do que a canção Centuries, ela riu ainda mais alto, quando parou o carro a alguns centímetros de sua amiga.

– Fim de mundo é pouco, isso aqui está mais para um lugar abandonado, e esquecido pela civilização, cadê as bancas de revistas e os salões de beleza? – disse Cassie abaixando o volume do rádio, Lorena abriu a porta do passageiro empoeirada do gol acinzentado e sentou-se ao lado da amiga sorridente.

– Eu acho que última banca aqui perto fica a quase seis quilômetros, muito antes da BR. – Lorena pegou um pacote de balas de goma no bando traseiro e começou a mordiscar. – Trouxe o biquíni? – sorriu enquanto olhava para fora da janela e a poeira avermelhada subia logo atrás do carro, era estranho visualizar a casa sendo deixada para trás com tanta rapidez. Teve a impressão de ter visto algo a mais se mexer nas entranhas escuras da ruína, mas deixou de lado este pensamento, quando a amiga estacionou o carro em frente a sua casa. Por um instante, desejou estar presa em um lugar com bastante iluminação, quatro cantos brancos com luzes e cruzes em cada um deles, mas precisava ficar ali, esquecer o tinha acontecido e simplesmente deixar a mente vagar pelo perfume de flores selvagens e eucalipto.

– Claro, não perderia uma oportunidade de mostrar como minhas pernas são lindas. – Cassie tirou Lorena de seus devaneios e sorriram uma para a outra, ela fechou o pacote de bala de goma e enfiou-o de volta na sacola. Instantes depois estavam em frente ao portão de madeira, coberto de verniz com uma aparência envelhecida. Andando em passos largos Lorena abriu o portão e esperou que a amiga entrasse com o carro. Um friozinho se acumulou na barriga de Lorena, enquanto ela fechava o portão, retirou as chaves de casa do bolso e abriu a porta. O irmão comia um sanduíche em cima do sofá, enquanto sua mãe dizia que era feio os farelos de pão nas almofadas.

– Oi meu povo! – exclamou Cassie quase derrubando Lorena no chão, enquanto entrava com sacolas e sua mochila surrada. A mãe do Lorena riu, até Junior caçoou da irmã, mas fazer o que não é? Amigas servem para isso, certo?

– Desculpa, amor da minha vida. – disse ela sem graça, enquanto Lorena começava a rir. Ela observou a casa enquanto se recuperava de sua gargalhada, meio parecida com uma foca engasgada e caminhou até a mesa, de lá tendo o vislumbre do inicio do corredor, procurava pelo pai.

– Ele não está, saiu com Marconi, esperaram por você, mas sabe como seu pai é apressado, quando enfia algo na cabeça, não há quem tire. – a mãe de Lorena começava a cozinhar, preparando as coisas para o almoço, Lorena olhou as horas no celular que estava sob a mesa, e o viu apitar 10:40, havia passado quanto tempo desde que saíra? Demorara tanto assim?

Caminhou em direção ao corredor, com o celular em mãos, decidida a ver o tal presente, foi em direção a porta dos fundos, e olhou para seus pés, sobre eles a portinhola pequena, agachou-se e segurou o metal encurvado, que servia como maçaneta e o puxou para cima, usando a força de seus braços finos, estava curiosa para ver quem estava escondido na escuridão, do porão velho e mofado.

A noite caía sobre os montes de Minas Gerais, há alguns dias atrás, Ronald andava pelos becos e ruelas do centro de Belo Horizonte, se aproximava da Praça da Estação, bêbados e drogados caminhavam cambaleando, fantasiando outra realidade, enquanto descia as escadas, para pegar o metrô e encontrar sua namorada no Minas Shopping, tropeçou em um dos degraus e tropicou até estar firme no chão.

– Deveria ter mais cuidado. – escutou uma voz familiar e doce, Lorena aguardava-o, sentada no corrimão logo ao seu lado, ele nem percebera a sua presença, virou-se de súbito e a pegou nos braços rodopiando-a, olhando de longe, como um bom observador, tudo parecia ser como um daqueles filmes românticos de Hollywood, onde a garota é erguida pelo amado. Mas vamos deixar estes detalhes para outra hora. Eles riram juntos, e foram para a plataforma, subindo as escadas, cruzaram os dedos.

Isso deveria ser um passeio normal, e uma simples caminhada pela rua de asfalto negro. Ronald já estava sozinho, quando tudo aconteceu.