O Retorno de Tim Drake

6 Talvez a Srta. Helen Não Seja Tão Má


Na biblioteca, Karoline Helen mexia em seu celular enquanto apontava o lápis, Tim chega e se senta ao lado dela.

— Atrasado, Drake.

— Meu relógio é quem está, srta. Helen. Hoje começamos com química. – Tim recebe uma mensagem em seu telefone – Perdoe-me, só um segundo – Ele conduz a mão até o bolso e puxa o celular. Um número desconhecido o mandou um SMS. “Timothy, hoje, ás 00h, no Terraço da Torre Wayne, esteja de uniforme.”

— Algum problema¿ Sua namorada¿

— Não... Não tenho mais namorada. Ela se mudou pra... Longe. Então tivemos que terminar.

— Oh, sinto muito, eu não sabi—

— Não esquenta. Vamos começar.

Depois de duas horas na biblioteca, Karoline esfrega os olhos de sono, e avista algumas pessoas rondando pela biblioteca. Tim percebe que ela está cansada, mas analisa cuidadosamente as pessoas, apenas observa e parece pensativa.

— Tim¿

— Diga. – Eles sussurram.

— Pode fazer aquilo de novo¿

— Aquilo o quê¿ — Ele fecha o livro.

— Aquela análise, que você deduz tudo sobre uma pessoa. Aquele cara ali. – Ela aponta para um rapaz. – Qual a dele¿ — Tim olha calmamente e começa a falar.

— Acho que é John, origem mestiça com judaica e nórdica, traços maternos são noruegueses e os paternos são de alguma região da Itália dominada pela Alemanha na Segunda Guerra. Ele é alto, mas não é atlético, se apoia sempre na perna esquerda, ele é destro e teve uma contusão no último jogo de futebol. Não se barbeia ha aproximadamente 2 dias, pelos óculos de lente baixa e olheiras grossas, ele gosta de ler sobre ficção científica, assunto maçante mas divertido. E usa gorro por que o tempo frio não ajuda o penteado.

— WOW, impressionante. E ela ali¿

— Não sei o nome, mas o salto alto em pleno dia letivo na biblioteca indica insegurança, uma menina sem amor próprio que abre mão do conforto de um simples sapa-tênis por um calçado que a machuque e ao mesmo tempo chame a atenção. Espreme demais os olhos, está desacostumada com as lentes de contato, mas quer mudar o visual pelo mesmo motivo de antes, ela apenas olha os livros, como roupas de grife numa loja, ela não veio aqui com um objetivo de leitura, está apenas dando uma passeada.

— Eu conheço, ela. Se chama Anna. E você está 100% certo.

— Ela é bonita, não deveria se esforçar tanto. Enquanto ela não desencanar, nunca vai achar ninguém.

— E quanto a mim¿

— Como assim¿

— Me descreva. – Tim olha para os olhos de Karoline por alguns segundos.

— Sagitariana.

— Nossa, essa foi boa.

— Você não é de Gotham, nasceu no sul, o sotaque é bem disfarçado mas ainda sim está presente. Eu diria Mississipi, tem mercado lá que condiz com as demandas de emprego de transferências de multinacionais de Gotham, seu pai começou a vida como fazendeiro e logo se tornou um possuidor de ações, dinheiro suado e limpo. Pela origem você gosta de carne, uísque e adora botas de cowboy, mas esconde essas coisas graças à sua nova imagem de menina popular e rica, às vezes infeliz por namorar caras que sejam o completo oposto do que você se interessaria, tudo para manter a imagem. Não há nada de errado nisso, mas creio que não seja o melhor pra você.

— E qual o tipo de cara que me interessa¿

— Honesto, trabalhador, alguém que goste de sujar as botas com lama, que dirija uma picape velha ao invés de uma lamborguini. Alto, barba por fazer e extremamente dedicado ao estilo de vida próprio dos Rednecks.

— Não é o único tipo de cara que me atrai.

— E qual seria o outro¿

— Também gosto de nerds musculosos que saibam muito sobre tudo. – Tim entendeu a indireta. – Você é incrível, Tim. As vezes me esqueço disso, e detesto nunca ter percebido isso antes. Preciso ir, se cuida. – Ela o abraça e o dá um beijo no rosto.

—T-T-tchau... – Aquilo foi algo que Tim não previra. Ele se viu paralisado, quando o telefone tocou. Uma mensagem do comissário. “Drake, aqui na delegacia, agora.”