O Retorno de Milena
7 Nosferatu
Milena caminha pela rua escura. Fareja o cheiro que procura. Seria bastante arriscado, mas tinha que tentar. Depois das ameaças de Lázarus, precisava se unir a alguém. Mas uma coisa martelava em seus pensamentos: A anciã Tremere. Nenhum de seu clã era bom o suficiente para tomar o lugar que pertencia à sua Senhora. Afinal, sua geração era a mais antiga. Milena foi abraçada diretamente por Lady Anthonya, uma Anciã da sexta geração. Praticamente todos os Tremére que conhece por aqui são descendentes dela. Todos de geração bastante avançada. Quanto mais pensava, menos tinha idéia de quem seria este Ancião.
Milena olha para um bueiro no chão, se abaixa e retira a tampa de ferro, se jogando dentro da galeria.
Caminha devagar, a água pluvial escoando no chão. O local sem iluminação. Milena sente no ar um cheiro diferente do cheiro de esgoto. Capta uma presença e seus olhos brilhantes podem ver, ao se virar, uma fera se aproximar com bastante animalismo. Os caninos de Milena crescem e de sua garganta escapa um rugido feroz. Os pelos da fera se retraem para dentro do corpo, mostrando uma pele normal, seus olhos tornam-se negros, seus caninos retraem e seu corpo volta ao corpo de homem.
— Milena?
O Nosferatu a reconhece. Os olhos de Milena voltam ao normal, seus caninos também. Respira fundo.
— Clóvis.
— Senti cheiro de vampiro. — Clóvis deu de ombros.
— Preciso de sua ajuda.
Clóvis riu. — Aconteceu alguma coisa?
— Lázarus. Deve conhecê-lo, se tornou influente de uns tempos prá cá.
— O Malkaviano idiota que pensa que é alguma coisa.
— Está me ameaçando. Quer que eu me case com ele, com laços de sangue e tudo. Na verdade, ele quer unir o clã Tremére com o Malkavian, só pode ser isso. Ele me odeia!
— Você pode sozinha contra o lunático. Só sua força física, que nem é um atributo de seu clã, faria o trabalho.
— Ele tá me ameaçando denunciar à Camarilla. Ele tem uma prova contra mim. Posso ser exterminada por quebrar a Tradição da Máscara.
— E você fez isso?
Milena reluta.
— Sim. Contei tudo para meu pai biológico numa carta que Lázarus interceptou. Está com ele agora.
— Então, você tem apenas uma saída: exterminar seu pai biológico.
— Não posso fazer isso. Na verdade, nem preciso. Ele é um Malkavian. Lázarus o abraçou. Mas ninguém pode provar. Ele o mantém escondido e seu clã não o trai.
— Como quer que eu a ajude?
— Você é um Ancião Nosferatu.
Rugido em resposta.
— O Príncipe quer me ver, estarei na Primigênie de sexta, preciso de alguém por mim.
— E o que eu ganho com isso?
— Você deve ter ouvido rumores sobre um novo ancião, recém despertado. Uma anciã, na verdade. Estará lá. Tremére. Algo de muito ruim vai acontecer. Ela já destruiu, em alguns poucos dias, quase trinta neófitos, além de quase dizimar uma parte de uma favela. Ela é impossível de ser contida, mas parou. Você sabe como os anciões agem quando são despertados. Eu não sei quem é ela, mas é perigosa. Não se sabe sua idade e sua origem, nem mesmo sua geração. Mas tenho medo da Jyhad. Não sei se sou valiosa, mas sou da sétima geração, apesar de ter apenas cinquenta anos como vampira. Sou a vampira mais poderosa entre os Tremere, mas com a chegada dessa nova anciã, obviamente estou sem chances. Ela poderá me matar, rapido. Sem luta, em dois segundos. Preciso de unir-me a outro clã.
— Ouvi falar dela. Mas ela parou de matar. Está quieta. Tem algo em mente. Ela é letal, mas tem algum plano. Não quero estar do lado perdedor, mas não vou perder meu território para um Ancião Tremere. Terei o maior prazer em te ajudar, por enquanto.
— Bem, vou indo.
— Até sexta-feira.
Milena alça vôo, saindo pelo bueiro aberto.
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