O Retorno de Milena

14 A Guerra - Parte II


De longe, ainda se aproximando, Rudolph vê toda aquela balbúrdia, que passa despercebida a alguns humanos inocentes, que ainda insistem em passear pela orla àquela hora da noite. Observa Sheyla. Ela lutava com paixão, e se tinha algo que um Toreador admirava era a paixão pelas coisas. Claro, a paixão de um brujah enjoa depois de certo tempo. Mas ela estava perfeita em sua rapidez.

De certa forma, eles combinavam. Assim como os Toreador, os Brujah também eram auspícios e rápidos. E ele tinha o desejo de lutar ao lado daquela pequena.

Buscou por Marie, mas não a encontrou. Na certa, estaria escondida em algum lugar, não tão longe dali, avistando a luta. Aguçou seus sentidos de visão, e realmente ela estava ali. Só podia vislumbrar uma leve silhueta. Ela usava dois malkavianos para ofuscá-la.

"Hum... está esperando a melhor hora." Rudolph sabia que um ancião jamais perde uma luta. E sabe que ela pode resolver tudo isso em pouquíssimos minutos. Ela era poderosíssima. E, se era ainda mais velha que Lady Anthonya, como dissera, bem, isso era ainda aterrador. Ela poderia ser uma Matusalém... "Isto é uma lenda. Não existem mais matusaléns..." Mas Rudolph, agora, não tinha tanta certeza. Era poder demais para uma única vampira. Seria demais para eles. Eles seriam mortos em questão de minutos, ou menos. Então, por que assistir a uma luta como esta? Por que não terminar tudo de uma vez?

Rudolph e seus Toreador desceram à praia. A Presença, mais uma disciplina deles, irradiou pela praia, captando a atenção e fascinando os auspícios presentes, incluindo os Tremere e os Malkavianos. Isso deu vantagens a Sheyla, que começou a vencer sua luta contra os tremere subordinados a Marie, e os malkavianos subordinados a Lázarus. Eles precisaram de muita força de vontade, acima do normal, para se livrarem da fascinação e do frenesi.

Perto dali, Lázarus se fascinou. Tão concentrado estava na luta contra Milena que sua mente caleidoscópica foi pega de surpresa diante da Presença de Rudolph e seus vampiros. Foi a chance minima que Milena precisava.

Algumas palavras em Holf Toschia, e um grande facão, usado pelos vendedores de água de coco para cortar os cocos, voou de seu quiosque, direto para a mão de Milena. Um giro e ela encerrou a vida (ou morte) do Malkaviano, arrancando-lhe fora a cabeça.

Os malkavianos sentiram a morte do líder e caíram no chão. Todos eram de décima terceira geração, e não tinham um ancião por eles. O ancião malkaviano que conheciam estava em sono profundo, em algum lugar de Fernando de Noronha. Tinham apenas Lázarus, e agora ele se fora. Era cada um por si.

Desbaratados, foi fácil acabar com eles. Rudolph e os Toreador, Sheyla e os Brujah e Clóvis e os Nosferatu se uniram, momentaneamente, e destruíram os poucos malkavianos que ainda ficaram para o fim da luta. Muitos fugiram, ofuscando-se de todos.

Neste momento, uma risada se ouviu, e breves palmas de uma única pessoa.

Marie descera ao centro da batalha, e todos paralizaram, diante dela. Ninguém era páreo para a anciã Tremere. Ninguém se atreveria a lutar contra ela.