O Retorno da Overwatch
10 Revelações: Parte 1
Notas iniciais
— As coisas vão piorar, pessoal. — disse Winston, com um rosto pesaroso.
Tínhamos acabado de chegar ao Observatório Gibraltar, estávamos no salão principal com a Overwatch, então ninguém além de mim, Jack, Lúcio e agora Winston sabia o que havia ocorrido na Rússia.
— Parece que temos uma nova inimiga: Sombra. — uma imagem dela apareceu em um dos monitores holográficos. — Ela não tem histórico nenhum. Não sabemos sobre sua infância, sua nacionalidade, praticamente nada.
— A única coisa que consigo deduzir pelo nosso encontro — interrompeu Jack. — é que seja mexicana, considerando seu sotaque e movimentação muito parecida com a dos integrantes do Los Muertos, que ficam no México.
— E as habilidades dela? — perguntou Torbjörn. — Seus “poderes”?
— Ela consegue ficar invisível — respondeu Lúcio. — e tem um aparelho que eu acho ser um teletransportador, porque, tipo, ela joga esse troço longe e desaparece. Deve aparecer onde o negocinho cai.
— Katya Volskaya — continuou Jack. — confirmou sua presença na Talon, pois sofreu um atentado fracassado dela, da Widowmaker e do Reaper há pouco mais de uma semana. Desde então, porém, tem ficado sobre controle da Sombra.
— Mas a Sombra disse algo estranho. — complementei. —Ela disse que não deixou os outros dois chegarem na Katya. Disse que soou o alarme. Se o objetivo do atentado era matar Katya, porque Sombra não a matou?
— Ela queria Katya viva, — falou Genji. — para conseguir favores e controle. A mulher mais poderosa da Rússia pode conseguir qualquer coisa. Se a tiver sob suas ordens, você é, automaticamente, mais poderoso do que ela, e isso é certamente interessante.
— Até aí eu entendi, — disse Reinhardt. — mas porrque os Corrporrações Vishkar comprraram a indústrria? Digo, se Sombrra querria favorres, enton o atentado non tinha esse objetivo. Porrém, o comprra da indústrria sugerre justamente uma contrrole da Talon sobrre Katya.
— Tem razão, Reinhardt. — continuou Winston. — Se o ataque foi realizado há mais de uma semana, então a compra da indústria foi realizada depois. Não faz sentido as Corporações quererem controle sobre Katya se a Talon queria ela morta. Além do mais, Sombra teria impedido a compra também, não dividiria sua posição. Isso não faz sentido...
Todos se entreolharam. Realmente aquilo não fazia sentido. Porém, enquanto as pessoas se preocupavam em tentar resolver a situação, eu só conseguia ver o time trabalhando em conjunto. Ah... como eu sentia falta daquilo... Meu coração já batia mais forte.
Concentra, Lena! Porcaria, viu? Pelo menos não tomei café.
Winston quebrou o silêncio:
— A não ser que...
Ele foi até seu “escritório” no andar de cima e trouxe o cilindro de vidro da Widowmaker que eu pegara. Ao descer, perguntou:
— Hana, as Corporações Vishkar é especialista em luz sólida, certo?
A pequena coreana afirmou com a cabeça.
— Então este objeto não deveria mais ser fabricado por eles, é de vidro. Suponho, então, que seja relativamente antigo.
— Onde quer chegar, Winston? — questionou Jack.
— Estou começando a achar que as Corporações Vishkar não estão ligadas à Talon do modo que achamos. Veja só: Lúcio, conte-nos novamente como conseguiu seu amplificador sônico?
Lúcio levou um pequeno susto com a pergunta repentina. Engoliu em seco antes de responder:
— Ah... Bom, quando as Corporações Vishkar invadiram minha comunidade, eu vi que a gente não tinha tecnologia o suficiente para bater de frente com esses caras. A única forma de combatê-los era conseguir a tecnologia também, saca? Eu convenci um dos caras da Vishkar a me descolar alguma coisa, e ele conseguiu uma arma velha. Eu dei uma tunada nela e a uso desde aquele tempo.
Enquanto falava, balançava as mãos e levantava o amplificador sônico. Parecia um tanto nervoso. Também, toda aquela situação era como reviver um antigo pesadelo monstruoso. Tadinho...
— Exato! — Winston parecia animado. — Você convenceu alguém de dentro da Vishkar a te dar algo, e tudo que ele conseguiu foi um aparelho antigo, sem mais utilidade para as Corporações. E se não foi justamente isso o que aconteceu com a Talon?
Alguns ainda pareciam um tanto confusos, mas Genji continuou:
— Você diz que a Talon teve ajuda de uma pessoa da Vishkar, mas não das Corporações como um todo?
— Precisamente!
— Faz sentido... — refletiu Reinhardt.
— Precisamos ter acesso à lista de funcionários da Vishkar, conseguir um nome. Teremos que quebrar o firewall do site de acesso dos superiores e localizar a pasta com...
O gorila virou-se para nós e percebeu nossos semblantes de ligeira dúvida.
— Bom, err... — ajeitou o óculos. — apenas fiquem de olho nos monitores, temos que descobrir quem está trabalhando pra Talon.
Ele, todo desajeitado, foi até o andar superior, teclando velozmente. O resto de nós conversava entre si: Jack e eu contávamos a Torbjörn, Reinhardt e Genji sobre a missão, enquanto Hana parecia reconfortar Lúcio.
Dali a pouco, Winston gritou da janela:
— Olhem para os monitores. Eu consegui a lista total de funcionários das Corporações Vishkar.
Todos prestaram atenção. As telas holográficas do salão mostraram uma lista de mais de 500 mil empregados. É, ferrou...
— Obviamente — continuou Winston, ainda no andar de cima. — não podemos trabalhar com um número tão grande assim. Não podemos nem arriscar dois nomes, pois o que não for culpado pode acabar nos denunciando. Ou seja, qualquer pista pode filtrar vários candidatos. Alguma ideia de onde começar?
Todos se esforçavam para poder lembrar de algo que pudesse ajudar em nossa busca. Pelamor de Deus, isso é mais difícil do que achar presente na madrugada de véspera de Natal.
— Bom... — Torbjörn começou. — ela deve ter acesso aos equipamentos antigos da Vishkar, para conseguir o cilindro.
— Ótimo. Vou filtrar aqui...
A lista diminuiu cerca de 100 mil nomes. Faltavam 400 mil...
— Não pode trabalhar a noite. — chutei. — Bom, eu acho. Porque, tipo, a Talon não iria passear à luz do sol para pegar os equipamentos, então o contato ia ter que estar livre a noite, já que devem fazer tudo no escuro, na moita...
Dei uma piscadinha para Jack quando disse “na moita”. Aposto que ele entendeu e sorriu.
— Boa ideia, Lena! — Winston mexeu nos teclados de novo e mais 70 mil funcionários sumiram.
— Essa lista comtempla funcionários de todo o globo? — perguntou Genji.
— Creio que sim. — respondeu Winston.
— Então podemos eliminar todos os nomes de continentes aonde a Talon nunca agiu ou esteve, como Oceania, América Central...
— Filtrando agora.
— Psiu, — Torbjörn chamou Genji com o cotovelo. —América Central não é um continente, espertalhão.
Genji abaixou a cabeça. Não podia ver seu rosto por causa da máscara, mas sabia que expressava impaciência. O baixinho, entretanto, ria gostosamente.
— Contanto todos os continentes e países que não apresentam atividade da Talon, — continuou Winston. — temos essa nova lista.
Eram apenas 100 mil nomes. Meu Deus, isso nunca acaba?
— Non deve estarr felis con os Corrporrações. — concluiu Reinhardt. — Eu considerrarria o atitude da funcionárrio como traiçon.
— Trazendo lista dos que demonstram insatisfação com a Vishkar...
Eram 5 mil. Chegando perto...
— Se o cilindro foi roubado, — raciocinava Torbjörn. — não está sendo produzido em larga escala. Ou seja, há poucos. E, sinceramente, se eu fosse um agente da Talon, eu não guardaria ele pra usar do outro lado do mundo, porque eu gastaria o gás tóxico e pronto, acabou. Se eu o uso perto de onde peguei, posso rapidamente repor meu estoque.
Impressionante...
— Lena, — começou Winston. — onde conseguiu o cilindro?
Hesitei.
— Ah... — respondia, lembrando daquela noite. — eu... eu achei em Londres.
— Perfeito.
Winston continuou digitando. Eu parecia encolher em angústia e remorso.
— Bom, de acordo com os resultados...
A tela do salão piscou.
— ... temos apenas um candidato...
Só havia um nome na lista.
— ... ou melhor, candidata.
Cerrei os olhos para ler o perfil.
— Satya Vaswani, 28 anos, indiana, apelidada de “Symmetra”. Trabalha para as Corporações Vishkar, mas está de férias, na Inglaterra, há um mês.
— Mas como ela conseguiu os equipamentos se estava de férias? — perguntou Lúcio.
— Bom, deixe-me ver... — Winston teclou mais um pouco. — Ah, sim. Há uma matriz na Inglaterra. Funciona ainda, mas é extremamente pequena, e nenhum de seus funcionários se encaixa em nossas limitações. Ela pode facilmente ter adentrado o local e roubado os equipamentos.
— Acho que temos nosso alvo. — concluiu Jack.
— Calma, soldado. — disse Winston. — Apenas queremos informações, por enquanto. Primeiro, temos que chegar até ela e...
Ouvi algo bater no portão de entrada, do lado de fora. Forte. Ninguém mais ouviu, aparentemente, continuavam escutando Winston. Um pouco assustada, teleportei para perto da grande porta, e pude escutar uma respiração ofegante do outro lado. Agora mais preocupada do que com medo, abri o portão.
— Ah... Lena? — questionou Winston, agora no andar de baixo.
Antes que pudesse responder, no entanto, vi uma figura humana, de vestes longas rasgadas (mostrando vários ferimentos de balas e cortes), de cor preta e roxa, um rifle pendurado no ombro e uma máscara preta com um quase triângulo azul, sem as pontas, do outro lado do portão. Todos se sobressaltaram. A figura parecia zonza, e começava a tombar pra frente. Antes que caísse no chão, porém, segurei e deitei-a suavemente, de barriga pra cima.
Todos vieram correndo para perto, prestar socorro. Lúcio pediu:
— Tirem a máscara dele, preciso colocar meus fones em suas orelhas.
Jack agarrou a máscara e puxou-a. Quando seu rosto foi revelado, entretanto, deixou o pedaço de metal cair, embasbacado. Eu conhecia aquele rosto, era familiar, mas não me recordava muito bem. Jack, então, sussurrou:
— Ana...?
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