Notas iniciais
Desculpem a demora de novo. O próximo capítulo não demora em sair!
Capítulo anterior:Estêvão achou estranho. Como alguém lhe enviaria uma carta, se não conhecia ninguém na cidade?Ofereceu a gorjeta a senhora e fechou a porta. A carta tão pouco tinha remetente. Maria não era, já que o recado dela lhe foi entregue.Não iria abrir, mas pensando se tratar de algo importante, o fez. Dentro do envelope, uma supresa. Escrito com letras recortadas de jornal, uma ameaça que lhe fez paralisar: "Vilões nunca tem um final feliz."E ao lado da folha uma foto de Geraldo dançando com Maria, onde Estêvão aparecia distante, vendo os dois, com o rosto marcado em um X.********Na delegacia:- Mas foi, e sinto muito. Os depoimentos foram bastante claros. Eles se abraçavam e se beijavam sem nenhum pudor, na rua. Deve ter sido por uma fofoca ou o próprio Frederico pode tê-los flagrado e descoberto tudo.- Então isso tornaria Frederico suspeito, mas ele acabou morrendo também. — Maria sabia que algo não fazia sentido ali.- Não permitiram que fizéssemos autópsias nos corpos, mas um policial me contou que tinha uma marca de bala no peito de Frederico, que me leva a acreditar que foi Artur quem o matou.- Mas isso não explicaria a morte de Patrícia. — Eu sei, mas no momento, é só o que me ocorreu. Pode ser que ele tenha dado o tiro e antes disso, cortado os freios do carro, para o caso de Frederico tentar escapar com vida. Patrícia pode ter se arrependido e tentado explicar a situação pra ele.- Não, não. Tenho certeza de que não foi assim que aconteceu... Onde está essa Socorro? ********Finalmente Elisa chegava ao seu destino. Depois de ter conseguido o endereço de quem lhe procurava, desceu do táxi e espiou em volta do local. As casinhas eram simples, situadas numa área que parecia abandonada pelos órgãos públicos, onde o mato tomava conta das estradas e o esgoto residia a céu aberto.Tomada de medo, começou a rezar para que nada de mal lhe acontecesse e, decidida, entrou na área da casa, através de uma cancela de madeira torta. Não havia vida no lugar. As poucas flores que ali haviam estavam secas, o solo com a grama ressecada. Na frente da residência, uma cadeira de balanço antiga fazia companhia às paredes desbotadas, onde já reluziram um bonito azul celeste que fora outrora. Elisa chegou até a porta e a bateu de leve. Não demorou muito para que alguém a abrisse.- Entre, Elisa. — Disse a voz. Era uma voz de mulher, e pelo tom tranquilo, ela dabia que Elisa iria aparecer.Elisa entrou. Quem quer que tenha sido, não a procuraria por dois anos a troco de nada. Precisava saber o que havia por trás daquela história. Uma senhora estava de costas para ela, com um vestido preto, apoiada numa bengala. Mas a fachada da casa era uma encenação. Dentro dela, a senhora vivia confortavelmente, sem resquícios da miséria que aparentava gozar.- Há muito eu esperava por você. — Quem é a senhora? A mulher virou. Elisa percebeu que um dos olhos da senhora era coberto por um tapa-olho.- Eu me chamo Morgana. Fui a governanta de seu pai.Elisa empalideceu. Seu pai? Mas ele não havia lhe abandonado?- O que a senhora sabe sobre isso? — indagou a garota, assustada. — Eu sei de tudo. E foi por isso que eu te procurei ao longo de dois anos...para que você soubesse da verdade.- E que verdade é essa?- Sente-se. — Falou a velha, como se fosse uma ordem. — Há muito a ser contado...********Estêvão entrava na sala do delegado sem ser anunciado. Sua afobação fez com que Maria se , afoita.- O que aconteceu, meu amor? Você está tão pálido! — disse ela, dirigindo- se a ele e repousando sua pequena mão em seu rosto.- Só...só queria ver se você estava bem. — A carta que recebeu o deixara com medo. Seria Geraldo capaz de algo para machucar a Maria? Ficaria mais esperto quanto a isso, mas no momento, aliviava-se por saber que Maria estava bem.- Não há com o que se preocupar, meu amor. Estou ótima! A recepcionista da delegacia entrou no ambiente, avisando à Enrique que não conseguira deter o "intruso".- Tudo bem, Esther. O Sr. Estêvão pode ficar. Enrique ficou desconfortável com a presença de Estêvão. Sentia-se tão bem a sós com Maria, e agora teria que dividir sua atenção com seu noivo.- Enrique, gostaria que Estêvão ficasse a par de nossa conversa. Apesar de ser confidencial, confio inteiramente nele, e sei que nada saíra daqui.- Como queira. — respondeu, de má vontade. Estêvão tomou assento ao lado de Maria e ouviu, com ela, o que Enrique lhe dizia: — Bom...como eu dizi a sua noiv... a Maria, D. Socorro só apareceu por aqui até cinco anos a trás, quando o caso de desaparecimento mudou de delegacia.- Quem é Socorro? — quis saber Estêvão. — Mais tarde te explico. O que temos que fazer é ir atrás dela para ouvir o que ela nos tem a dizer.- Sim, claro. No entanto, como eu lhe dizia, este caso já foi arquivado, e pelo que me disse, ainda não conseguiu uma ordem judicial para buscar ao assassino com a ajuda da polícia. O mandato poderá demorar muito, então sugiro que o peça desde já.- Mas não tenho tempo a perder. — Maria se levantou. — Vou procurá-la mesmo assim.- Ouso dizer que nossos códigos policiais são diferentes dos do seu país. Se quiser, posso te acompanhar até lá e...- Sinto muito, Dom Enrique. — interrompeu Estêvão, levantando-se também. — Mas posso acompanhar Maria aonde ela quiser ir. É para isso que vim.- Claro, Estêvão...- respondeu, sem graça, enquanto anotava o endereço de Socorro e o entregava para Maria.Esta verificou o endereço e estendeu a mão à Enrique.- Nos vemos mais tarde, Enrique. Estêvão e eu vamos nesse endereço. — Boa sorte! — desejou o delegado, despedindo-se. Já no táxi , Estêvão perguntou novamente a Maria, quem seria Socorro a quem iriam procurar.- Socorro é a mãe de Artur.Estêvão estremeceu. O que a mãe daquele imbecil tinha a ver com tudo isso?- Ela registrou o sumiço do filho. — falou ela, como que lendo seus pensamentos. — E acabei de descobrir algo que me deixou mal.- O quê? — Artur e minha irmã eram...amantes!Estêvão não ficou surpreso. Ao contrário! A raiva se aflorava dentro de si, ao lembrar de vê-los aos beijos naquela mata. Maria notou essa pequena mudança no comportamento de Estêvão, mas nada disse.- Hm...sinto muito. — Foi a única coisa que ele soube dizer.- Pelo visto, minha irmã não era como eu pensava...- com um longo suspiro.- Não sabe da missa a metade. — resmungou Estêvão. — O que disse?- Não. ..nada. Então porque vai prosseguir com a busca? E se ela mesma não tentou o suicídio? — Esse fato não muda meu amor por ela, só minha concepção pela integridade moral. Mas tenho uma dívida eterna com ela. E tenho certeza que ela não cometeu suicídio. Conhecia minha irmã o suficiente para saber que ela não acabaria com a própria vida por nada e por ninguém. — E que dívida é essa? Maria moveu-se desconfortada no banco. Olhou para o taxista, mas este não parecia estar atento à conversa. — Quando descermos do carro eu te falo.O silêncio reinou dentro do automóvel até a hora em que chegaram ao local.Desceram e ficaram olhando ao redor. Maria evitava o olhar interrogativo de Estêvão e este achou melhor que conversassem sobre isso quando retornassem ao hotel. — É por aqui. — Disse ela com o pedaço de papel na mão. Seguiram por uma rua estreita até chegarem a uma casa amarela. Bateram palmas. Demorou um pouco até que um homem de meia-idade aparecesse.- Pois não? — Boa tarde, senhor. Estamos à procura de Socorro, ela se encontra? — disse Maria. — Sou o marido dela...é algo grave? — perguntou por causa das roupas que vestiam. Estavam formais demais para falar de um assunto corriqueiro. — Como o senhor se chama?- Leonardo, mas sou conhecido como Da Vinci. — Muito prazer, Sr. Da Vinci. — respondeu Maria estendendo a mão. Achara o apelido muito criativo. — E então, que ventos os trazem aqui?- Serei direta...É sobre seu filho, Artur.Da Vinci deu dois passos para trás. Trémulo, teve que se segurar no pequeno portão de ferro.- O encontraram? Ele está vivo? — A esperança ainda se mantinha viva mesmo depois de vinte anos.Maria e Estêvão se entreolharam. E agora, como dizer a este homem que seu filho fora assassinado?Continua...
Notas finais
Gente, estou postando pelo celular. Já editei duas vezes e quando registro o capítulo, os sinais de pontuação e os diálogos ficam fora de lugar. Espero que consigam ler do jeito que está. Até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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