O Retorno De Um Estranho

15 O Sentimento Finalmente Venceu!


Notas iniciais
Desejo-lhes uma boa leitura...

Capítulo anterior: "Não!" pensou, enquanto se levantava e se despia do manto. Ela não se manteria dependente de Estevão. Andou de um lado para o outro. Lembrou-se da cena de horas antes e, decidida a deixar Estevão de lado e mudando a decisão tomada antes, sentenciou:

– Pode começar os preparativos, Geraldo... Porque dentro de dois meses, eu me caso com você!

– Está falando sério? — perguntou Geraldo, perplexo.
– Claro que sim. Amanhã eu ligo para sua mãe e concluo a lista de convidados.

– Não sabe o quanto estou feliz por isso, meu amor. — aproveitando para estreitá-la nos braços.

– Estou cansada. — falou enquanto se separava dele. — Preciso dormir.

– Ah sim, claro. — com um sorriso enorme no rosto.

– Até amanhã, então.
– Até amanhã.
Maria o seguiu até a porta. Ele a beijou de leve e murmurou, antes de deixá-la sozinha:
– Te amo, futura Senhora Salgado!
Isolada em seu pequeno mundo particular, Maria não suporta a pressão e começa a chorar. Não compreendia o porque chorava tanto, mas não podia evitar.
Imaginar Estevão ao lado de outra lhe doía. Sua dor se intensificava ao se lembrar dos beijos, das carícias, da proposta de casamento. Tudo não passava de uma mera ilusão.

Poderia ter sido precipitação aceitar o casamento, mas não teria como fugir. Não queria desiludir ao homem que realmente a amava e que fazia tudo por ela.
Em pensar que naquela noite diria a Estevão que ela seria dele...

–---------

– Explique pra mim o que foi aquilo, Estevão. — exigiu Alba.

–Não há nada para explicar, nunca vi aquela garota.

– Com certeza foi mais uma dentre seus casinhos.

– Jamais me relacionei com uma garota tão
nova como aquela.
– Nem mesmo sob o efeito do álcool?
– Pelo amor de Deus, tia... Essa mulher chegou aqui dizendo que eu tinha proposto casamento. Nos mais de vinte anos depois daquele incidente eu jamais faria isso, sobre nenhuma hipótese, mesmo estando bêbado.

– E então o que foi aquilo? — Quis saber Carlos.
– Eu nãos sei Carlos... Não sei. Mas pela minha experiência de vida algo me diz que foi uma armação.

– Armação? — espantou-se. — Porque ela faria isso e a troco de que?

– Não sei. Mas juro que ainda descubro!

*****

– Tenho que te dar os parabéns, Elisa. Finalmente foi útil em algo.

– Minha cabeça tá explodindo!
– Vou pegar um remédio pra você e te fazer um café preto bem forte.

– Ai, nossa. Obrigada, quanta gentileza de sua parte! — sendo irônica.

– E então, o que aconteceu enquanto saí? — perguntou Elisa enquanto tomava a bebida.

– A tal da Maria deu no pé. Espero que vá pra bem longe de Estevão agora.

– E se não ficar longe?
– Não estou disposta a sujar minhas mãos de novo...

~> 2 anos atrás...

– Saia daqui, sua puta! — gritou Francisco, um velho de setenta e um anos numa cadeira de rodas. Saiu para comprar uma joia para Fabiola, queria fazer-lhe uma surpresa. Mas ao chegar na casa, ele foi o surpreendido. Fabíola estava nua, com seu amante, tendo relação sexual encima do sofá. O velho com ódio, perguntou indignado o que era que estava sucedendo ali, como se não estivesse na cara.

O marmanjo, ao ser pego no flagra, catou rapidamente suas roupas e saiu da casa, correndo e deixando Fabiola sozinha.
– Não é nada disso que você está pensando, amor. — tentando converter a situação.
– Pegue esse seu amor e enfia goela abaixo! A partir de hoje quero você longe da minha casa. Vou tirar seu nome do testamento e te deixar morrer a míngua, cadela imunda!
– Não me ofenda! — retrucou com raiva enquanto procurava pela roupa.
– Eu falo com você do modo como eu quiser!

– Você é um velho asqueroso. — enfureceu-se. — Nunca me satisfez na cama, por isso fui buscar na rua o que não encontrei em casa.
– Vagabunda maldita! — bradou ele enquanto avançava para ela, mas nada pôde fazer contra a infeliz, já que estava impotente, numa cadeira.
Fabíola começou a rir.
– Olha pra mim, seu ridículo. Sou uma mulher linda, gostosa e você, um velho aleijado, caindo aos pedaços.

– Você é uma vadiazinha ordinária! Vou ligar para meu advogado... — virou a cadeira de rodas em direção ao telefone, mas Fabíola o impede.
– Você não vai ligar para ninguém! — disse ela em tom ameaçador. — vai agir como se nada tivesse acontecido.
– Não fale comigo nesse tom. — então puxou um revolver escondido debaixo da camisa.
– Meu amor, por favor não atire em mim. — temerosa.

– Então saia dessa casa hoje mesmo, sua puta.
– Sim, sim. — Quase ajoelhando aos pés do velho. — pelo menos... Me deixa levar minhas roupas.

– Pode deixar que eu mesmo embrulho seus panos de bunda. Não deveria levar nada, mas não quero nada te lembre. Mas advirto desde já que não levará nenhuma de suas joias! Virando as costas para ela, Francisco tomou um pequeno elevador e subiu até o quarto.

– Velho coxo, me paga! — enxugando as poucas lágrimas, correu até a cozinha e se apossou de um sonifero.

Vasculhou em uma gaveta uma franela e despejou abundantemente o líquido no pano. Subiu as escadas sorrateiramente e encontrou a porta encostada. Era a hora! Entrou no aposento sem fazer ruído. Francisco estava colocando as roupas íntimas dela na mala. Tão absorto estava, não pôde ver um vulto que se aproximava e, de súbito, pressionou a franela encharcada de sonifero em seu rosto.

Foram questão de segundos para que ele apagasse.
Manuseando a cadeira, Fabíola a direciona para o começo da escada.
Receou por um momento. Mas ao lembrar das palavras frias de Francisco e da extrema miséria a qual ela seria submetida, aproximou-se do ouvido do velho e murmurou:
– Que você possa ter seu repouso eterno no inferno!
E empurrou violentamente a cadeira de rodas em direção ao primeiro andar...

*Tempo atual

– Mas você não empunhou uma arma de fogo.
– Obvio que não. Poderia ter pego a dele para matá-lo, mas eu seria a primeira suspeita, obviamente.
– E quanto a essa mulher? — referindo-se a Maria. — Vai matá-la também?
– Não creio que seja necessário. — respondeu calmamente. — Ela saiu da aba de Estevão. A vi indo embora com o rabo entre as pernas. Agora, mais que nunca, preciso pensar em como vou seduzir Estevão...

....Dia seguinte

Eram seis da manhã...

Maria já estava levantada, se é que havia se deitado durante a noite. Ligou para Vivian, a essa hora, deveriam ser uma da tarde lá na Inglaterra. Chamou a amiga para ser madrinha me casamento, e ela prontamente aceitou. Combinaram de se encontrar, dali a um mês no aeroporto internacional do México.
Ingeriu um café bem forte e sem açúcar. Mais tarde, teria uma longa conversa com Carmen sobre os preparativos do enlace matrimonial.

Novamente, seus pensamentos a levaram a Estevão. Irritava-se ao lembrar da mulher dizendo ser sua amante, e isso quase a fez cuspir a bebida. Mas ao mesmo tempo, recordava-se de quando Estevão quase a fez sua, de seu toque hábil, do calor de sua pele invadindo-a, do hálito fresco e do gosto de menta da boca de Estevão sendo pressionada contra a sua.
De novo, sentiu-se molhada. Não era possível que até em pensamentos ele a perturbava.

Colocou a xícara na pia, procurou pelas chaves do seu voyage branco e rumou para a delegacia, mas ao abrir a porta, alguém estava parado, olhando-a fixamente na soleira da porta...
****

Alba havia despertado. Como era de costume, sempre ia de encontro aos garotos (na visão dela) no quarto de cada um.
Abriu a porta do quarto de Carlos e o viu dormindo. Sorriu satisfatoriamente.
Andou alguns passos em direção ao cômodo mais próximo. Ao verificar o local notou a cama bagunçada, mas Estevão não estava deitado. Procurou-o no banheiro da suíte, mas tampouco dava sinal de vida.

Não precisava adivinhar. Sabia muito bem que havia ido atrás de Maria...

******

– Tenho que ir trabalhar... — disse, arrogante. — Melhor ir emb...
Mas ela não pôde concluir a frase. Estevão a envolveu nos braços e fechou a porta atrás de si, pressionando-a na parede. A pulsação de Maria estava descontrolada, assim como a língua de Estevão, que domava a sua e dançavam no ritmo desesperado da paixão. Ela bem que tentou afastar-se, mas ele mantinha o corpo envolta do seu.

Sem breve aviso, Estevão desviou uma de suas mãos para um dos seios de Maria, que naquele ponto já estavam pesados de tanto desejo reprimido. Ele precisava tocá-la, necessitava disso.
– Eu te desejo, Maria. — sussurrou de maneira sensual, enquanto mordia o lobulo da orelha dela, deixando-a sem reação. A mão dele pressionou um dos mamilos rígidos e Maria gemeu involuntariamente. Enquanto Estevão tirava o paletó, os olhos de Maria se abriram e, despertando, de súbito, empurrou-o para longe.

– Não toque em mim, idiota! — gritou enquanto limpava a boca.
– Maria, sobre aquela mulher, eu posso explicar...
– Não me deve satisfações, Estevão.
– Eu não conheço aquela mulher. Nunca a vi na minha vida!
– Mentiroso! — acusou-o ressentida. — Pelo que pude perceber ela te conhecia muito bem.

– Me escuta, meu amor... Eu juro que jamais a vi, muito menos propus casamento. A única que me interessa é você!

"Ele me chamou de meu amor?" apesar de tocada, não deu o braço a torcer.

– Acabe com essa hipocrisia, homem. Eu não quero saber de você nunca mais. Saia com quem você quiser, a vida é sua. Eu também vou seguir com a minha.

– Maria...
– A propósito... A partir de hoje não me procure mais. Irei me casar dentro de dois meses e não quero mais viver sendo importunada por você.
– Você vai se casar? — indagou, perplexo. — Mas você não pode fazer isso!
– Tanto posso quanto vou fazer. Dois meses passam voando, é preciso organizar tudo a partir de agora, e seria muito mais fácil, não fosse alguém estar me incomodando.
– Esse alguém seria eu, verdade?
– Sim, Estevão. Você.
– Quer que eu vá embora, não é mesmo? — com uma voz quebrada.

– Se puder me prestar esse favor... — tentou parecer o mais dura possível, mas por dentro controlava-se para não pedir para ele ficar.
– Certo... Vou embora e te deixarei em paz! Felicidades no casamento. — e saiu afoito. Maria iria abrir a boca para dizer algo, mas ele já não estava ali.
Andou até uma das janelas e observou a figura de Estevão, já fora do prédio. Ele automaticamente virou e levantou a cabeça. Depois de uma curta troca de olhares, Estevão entrou no carro e ligou o motor, fugindo dali com o coração partido. Quem estivesse próximo a ele poderia notar os olhos vermelhos, tristes e sem vida do pobre homem...

Sabia que um dia pagaria por seu erro, mas não imaginava que o preço seria tão grande...

~> ~> ~> Um mês depois...

– Nossa, pra que tanta mala assim? — indagou Maria enquanto arrastava uma das tralhas de Vivian até seu apartamento.

– Tanta coisa? Só tem um terço de todas as minhas roupas aqui.
– Nove malas?- perguntou Maria.
– Não vim pra ficar aqui até seu casamento... Resolvi vir de mala e cuia.

– Tá explicado, então... — sorrindo.

– É impressão minha ou você está diferente? — Indagou Vivian ao perceber certa distância por parte de Maria.
– Impressão sua... Estou muito bem. — mentiu mais para si do que para Vivian. Mas a amiga a conhecia muito bem para saber que ela estava blefando.
– Mari, olha pra mim. — Maria a encara. — Sei que não está bem... É o casamento, não é? — Maria não respondeu, o que fez Vivian acreditar que era isso o motivo do problema.

– A maioria das noivas falam do casamento com tanta agitação, e no entanto você é sempre fechada, como se estivesse cumprindo uma obrigação.
E talvez estivesse mesmo sendo obrigada pelo orgulho próprio, mas não teria como regressar agora, tão perto do matrimônio.

– Depois falamos sobre isso. — Tentando desviar do assunto. Ela não queria falar dele, pelo menos por enquanto.

Depois de tomarem um banho e almoçarem, era a hora de colocar os assuntos em dia. Era tanto para se falar que não sabiam por onde começar.
Então optaram pela moda, tema de grande interesse para as duas. Sem notarem já estavam mudando de tema.
– Cadê seu noivo, Maria?
– Trabalhando a esta hora.
– Tem alguma foto dele?
– Numa revista... — Maria se levantou e procurou em meio a uma pilha de magazines arrumadas num organizador.

– Aqui está! — estendendo-lhe a revista.
Na verdade, a edição da revista era do mês passado, e havia toda a cobertura da festa de Estevão. Obvio que os fotógrafos e jornalistas presentes na comemoração foram bem pagos para não publicarem o escândalo.

Mas Estevão estava ali, com aquele típico sorriso de lado, esbanjando dentes ultra brancos, a boca carnuda que um dia havia provado e... "Não, Maria. Esqueça-o!" advertiu-se mentalmente.
– Quem é Geraldo aqui?
– Deixa-me ver... — virando as páginas. — Este aqui. — apontando.
– Muito bonito, não nego, mas esse homem aqui... — voltando a página para Estevão e mordendo o lábio.

Era evidente o interesse da amiga em Estevão, podia ver como Vivian o comia com os olhos. Não lhe gostou absolutamente nada esse gesto por parte dela.
– Sabia que ele é gay? — falou Maria com muita naturalidade.
– Mentira! — disse a outra, assustada. — Pois não acredito.
– Ele é o melhor amigo de Geraldo. Contou para ele o segredo e Geraldo revelou pra mim. — dissimulou. — Estava interessada, era?

– Depois do que me disse, não mais! Estamos perdendo os homens, Maria.

– E Heitor? Não está mais com ele?

– Sei lá... Não gosto de relacionamento sério e ele é do tipo que quer que fiquemos dependente do celular.

– Não estamos em idade para escolher, senão para aceitar o que a vida nos oferece.

– Deixa a vida me dar mais opções, Maria! — e se distanciou, cantarolando.

"Ai ai, essa Vivian..." pensou, divertindo-se.

– Onde é o banheiro? — gritou a outra, entrando num quarto.

– Terceira porta à direita.

Ao ouvir o som da porta se fechando, uma sombra de dúvida pairou sobre a mente de Maria: Acreditaria em Estevão e se entregaria a ele ou aceitaria a Geraldo, como seu marido, pelo resto da vida?

Não. Ela já havia escolhido a Geraldo...Mas porque Estevão não apareceu mais? Porque não a procurou na delegacia? Será que tão rápido a tinha esquecido? E se ele se jogou nos braços da 'fulaninha' procurando consolo? Havia dito para que ele nunca mais a procurasse, mas sinceramente esperava que ele oferecesse resistência.

Diversas perguntas se formavam na cabeça dela. Porque sentia falta de Estevão, de vê-lo, senti-lo, beijá-lo?

Ligou o celular e verificou a data, dali a um mês seria a senhora Salgado, e não teria mais como voltar atrás, a não ser que...

********

– Estevão, você precisa comer direito. Faz muito tempo que você não se alimente bem, está perdendo peso.

– Estou bem, tia.

– Bem? Olha só pra você... Não faz a barba há uma semana, não aparece na empresa...

– Carlos está no meu lugar.

– E desde quando Carlos tem experiência no assunto? Ele está começando agora. Você não, já tem o jeito pra coisa.

Mas Estevão parecia que não a ouvia. Com um copo cheio de uísque, seus olhos não desfocavam da mulher estampada no papel de parede de seu computador.

"Maria está me dando problemas..." pensou Alba. Teria que dar um jeito em tudo, antes que fosse tarde demais.

********

Fabíola andava mais ousada que nunca. Começou a abusar das saias curtas, das blusas com um decote ainda maior, alegando para Elisa que queria estar bonita para quando Estevão a visse de novo.

– E quando isso vai acontecer?

– Muito em breve. Marcaram um jantar de namoro e é claro que Estevão estará lá, presente.

– Mas você não havia me dito que a tal da Alba não foi muito com a sua cara?

– Não me interessa o que aquela velha pensa. Eu quero o sobrinho, só ele!

– E já descobriu o misterioso segredo do San Romãn? — gesticulando com as mãos.

– Não, não... mas tudo é uma questão de tempo. Ah, adivinha pra onde vou, mês que vem?

– Sei lá, diz aí!

– Para o casamento da tal Maria... — sorrindo, presunçosa. — Quero me certificar de que ela deixará meu Estevão em paz, de uma vez por todas.

– Posso saber como vai chegar lá?

– Alô, Elisa... — estralando os dedos. — Esqueceu que namoro Carlos?

– Ah sim, é mesmo.

– Pois bem... — retirando uma blusa e colocando outra para experimentar. — esse dai eu não perco por nada! Agora se levante e me ajude a acertar a roupa aqui.

**************

Convites enviados, provas de comida e de roupas, viagens para a lua-de-mel. Tudo foi esquematizado para o casamento de Maria e Geraldo. Mas Maria não estava feliz. O que diabos havia com ela?

Era véspera de seu matrimônio. Não quis uma despedida de solteira, simplesmente estava sozinha em casa, tomando vinho e ouvindo música. Era incrivel como o silêncio a fazia pensar melhor.

Já se passavam das uma da manhã. Vivian, festeira que só ela, estava numa boate, provavelmente com um garoto dez anos mais jovem que ela.

"Amanhã será o dia..." pensou Maria enquanto soltava um longo suspiro.

Resolveu ir ao ateliê. Procurando numa gaveta, encontrou o livro "Romeu e Julieta", presente muito estimado e querido. Esfolheou o livro, como que coletando alguma recordação.

– Que falta você me faz! — murmurou, enquanto sentia as lágrimas percorrendo o rosto...

–------

Amanhece no México. Dia de extrema alegria para uns, dia de longiqua saudade para outros. Geraldo ligou tão eufórico, que Alba, ao atender o telefone, imaginou-o pulando do outro lado da linha.

– Estevão não está. — olhando para a figura na sua frente. — certo... felicidades, querido... Até mais tarde.

– Já estou indo, tia. — diz Estevão, com uma mala na mão.

– Quanto tempo ficará lá?

– Alguns dias, não sei ao certo.

– Quer que eu te acompanhe?

– Não, tia. Vou sozinho, para pensar...

– Maria se casa hoje. — retrucou Alba, lembrando a Estevão o motivo de sua dor. — Geraldo queria falar com você...

– Não estou com ânimo para falar com ninguém. Não me procure na cabana, eu estarei bem. Se algo acontecer eu ligo.

– Protega-se, meu pequeno! — murmurou enquanto via seu filho se distanciar.

Passou a mão na cabeça, preocupada. Seu filho não poderia fraquejar diante de uma mulher de novo. Ela não permitiria.

Queria estar na primeira fileira de bancos na Igreja, vendo Maria se casar e deixar seu filho sozinho de uma vez! Rumou para a cozinha e ditou o que queria que fosse preparado para o almoço...

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– Está esperando alguém? — perguntou Vivian a Maria, ao ouvir o som da campainha.

– Não. Mas deixa que eu abro.

Maria, vestida num hobbi, correu para abrir a porta.

Um homem estranho carregava um lindo e enorme buquê de tulipas vermelhas, suas preferidas.

– Obrigado, moço.

– De nada, dona.

Fechou a porta, cheirando e admirando as flores.

– Esse seu noivo realmente te ama muito... — observou Vivian.

– Estranho... — murmurou Maria. — Quase todas as flores que me dá são peonias brancas.

– Olha, Maria. Há um carta.

– Ah, não tinha visto. — legou o papel dobrado encima das flores e começou a ler...

–-------

18:30 da noite, Igreja...

Geraldo já estava impaciente. Maria estava atrasada uma hora.

– Que demora, mãe. — reclamou a Carmen, que estava ao seu lado, no altar.

– Não seja egoísta, meu filho. É o dia mais esperado na vida de uma mulher. Isso é normal.

– Sim, sim, tem razão. É que eu estou muito ansioso. — Hoje, finalmente depois de mais de um ano, teria Maria em seus braços. A imagem dela gemendo sobre suas futuras carícias o estava excitando, e ele teve que por a mão na frente da calça, vergonhoso.

– Calma que já, já ela vem aí. — aproveitando para arrumar o terno do filho.

Nesse instante, alguém chega correndo na Igreja.

– Rufino, o que faz aqui? Cadê Maria?

E agora, como falaria?

– Responda logo! — falou Geraldo, a voz.

– Fui buscá-la como o combinado, senhor. Esperei um bom tempo na portaria. Como eu não podia buzinar, tive que andar as pressas até o apartamento dela, para ir buscá-la.

– E porque ela não entrou? — levantando a cabeça para ver se Maria estava por perto.

– Quando subia por um elevador, ela entrava e descia por outro, ainda vestida com o traje de noiva. Como os elevadores estavam demorando a abrir, corri pelas escadas. Gritei "senhorita, eu estou aqui para levá-la!", mas ela nem sequer olhou para trás. Ao longe, pude ver que ela dava ré no carro e partia em alta velocidade. Imaginei que viria diretamente para aqui, por isso vim pra cá o mais rápido possível. Mas ao chegar, percebi que o carro em que ela estava não estava estacionado pelos arredores da igreja. Sinto muito em ser o portador de tão trágica notícia, mas a noiva... a noiva fugiu!

Notas finais
Comentem, favoritem, recomendem. Bjos e até o próximo! Desculpem se tiver algum erro, é que postei de madrugada, tô acabada kkkkk