Notas iniciais
A porcaria do Enem tá me roubando tempo, por isso o capítulo está curto mas outro já está pronto e postarem logo, logo! Boa leitura....

Capitulo anterior: Tereza, a empregada da casa, bateu de leve na porta.

– Senhora, desculpa incomodar, mas há alguém no telefone querendo falar com o senhor Estêvão, disse que é urgente mas não se identifica. O que lhe digo?

– Deve ser algo da empresa. Pode deixar que atendo o telefone daqui. Descanse agora, está dispensada do serviço.

– Obrigada, senhora. — e se retirou.

Alba atendeu o telefone.

– Alô?

– Alba? — indagou a voz do outro lado da linha.

– Me conhece?

– Ah, meu doce. Mais do que imagina!

– Não acredito! — retrucou pasma ao reconhecer a voz. -Você??

********

– Você o quê? — perguntou Fabiola, não crendo no que acabava de ouvir.
– Isso mesmo. Acabei brigando com Estêvão. — disse Geraldo, de bom-humor. — mas essa não foi a melhor parte, disse para Maria que ela não sabia com quem estava lhe dando.
– E o que ela disse?
– A princípio, nada. Mas eu sei que a fiz duvidar de Estêvão.
– Mas não faça nada para prejudicá-lo. Não se esqueça que fizemos um acordo: ajudo a voltar com Maria e você me ajuda a recuperar o que é meu, ou seja, Estêvão.
– Não esqueço disso. Mas primeiro vêm meus interesses. Descobriu alguma coisa?
– Só o que sei é que Maria viajará daqui a um tempo. Vai para a Venezuela. O motivo, não sei.

– Eu sei por que, mas isso não vem ao caso. Você pretende ir atrás, não é mesmo?
– Com Carlos atrás de mim com o rabo abanando? Não, não posso ir.
– Também não posso. Estêvão provavelmente ficará de olho em mim, precisamos de alguém confiável.
Fabíola sorriu, já tendo em mente a pessoa perfeita.
– Minha amiga Elisa irá no meu lugar. É a única em quem confio.
– Excelente! Enquanto isso tente ser amiga de Alba. Talvez consiga arrancar algumas informações.
– E quanto a você?
– Estou cuidando do futuro, minha cara...acredito que ainda virá muita coisa pela frente. — concluiu, enigmático.

*******

Estêvão aparecia em casa. Alba estava descendo às escadas quando ele entrou na mansão.
– Saindo à essa hora, tia?
Alba estava arrumada e com uma bolsa no ombro.
– Sim...sim, querido. — trémula.
– Te passa algo? Está muito nervosa! — preocupou-se.
– Não é nada, meu pequeno...vou... Vou no salão fazer o cabelo. — mentiu.
– Mas a sua cabeleireira não vem sempre aqui?
– Sim, mas...olha, vai trocar de roupa. Está imundo! Onde se sujou assim? — tentando desviá-lo do assunto.
– Digamos que...eu voltei a nascer. — com um sorriso que ia de orelha a orelha. — Mas vá para seu compromisso. Não te atrasarei.
– Tchau, querido. — aproximou-se de Estêvão e tocou suavemente sua face. — Desculpa, meu pequeno... — disse ela com tristeza no olhar.
– Desculpa por quê?
– Por eu não ter sido boa o suficiente pra você!

>>>>Como o combinado, Alba chegara a uma pequena lanchonete.
Olhou o lugar com repulsa, já que as mesas estavam sujas e o chão há dias aparentava que não via uma vassoura.
Correu os olhos por cada rosto que a encarava com interesse. Pela roupa que usava, podia perceber que era uma mulher de posses.
Não encontrou quem procurava, então sentou-se numa mesa distante dos clientes do local, isolando-se.
Meia hora depois, um sujeito mal-encarado entrava pela porta.
A passos largos, encaminhou- se a mesa onde Alba estava e puxou uma cadeira.
Ela o olhava, nostálgica. Na sua frente, estava o homem por quem havia largado tudo e, que por quase nada, a abandonou.
Ele ainda era o mesmo: olhos frios, testa larga, um bigode bem-aparado, com exceção das linhas de expressão no rosto, com a chegada da idade.
– Há quanto tempo não nos víamos! — esbravejou, com um sorriso desdenhoso nos lábios.
– Vá direto ao assunto: Porque me chamou aqui?
O sujeito pigarreou. Com um aceno de mão, chama uma garçonete de cabelo tingido e lhe pede um suco.
– Acredito que vai lhe interessar muito. — disse ele, enquanto tomava um gole do refresco servido.
– Então diga logo. — respondeu, apressada. Aquele lugar era detestável!
– Ora, ora. Vejo que a pobreza agora te incomoda, antes não era assim.
Parecia que ele estava querendo irritá-la, o que conseguiu, pois ela se levantou abruptamente da mesa.
– Se eu fosse você eu não iria embora sem ouvir o que tenho a lhe dizer.
– Não me interessa! Eu te conheci no passado e é lá que você deverá permanecer!
– Tem razão... Nos conhecemos no passado. Você era louca por mim.
– Vou embora daqui! — já se distanciava da mesa quando uma voz familiar lhe chamou a atenção.
– Tão louca que largou a seu marido e filho. Frederico era seu nome, não?
Alba virou- se furiosa e se aproximou do infeliz.
– O que você quer, Renato? Já não foi suficiente ter arruinado minha vida?
– Quem arruinou foi você! Tinha o livre-arbítrio para escolher o que fazer de sua vida e escolheu a mim. O que poderia fazer?
– Quanto você quer pra me deixar em paz?
– ah sim. Agora estamos falando minha língua! — molhando os lábios. — Sente-se querida, isso é um assunto para ser discutido a dois.
Alba acomodou-se na cadeira de ferro enferrujada e voltou a atenção para o que o velho Renato falava.
– Quero que me dê um milhão de reais.
– Isso é um absurdo! — protestou. — Não vou lhe dar uma quantia tão alta, você não vale tanto. — as palavras eram entoadas com desprezo, rancor.
– Eu posso até não valer nada... Mas seu filho vale muito.
– O que meu filho tem a ver com isso?
– Seu filho é meu pote de ouro, Alba.
– Se você se aproximar dele, eu juro: você não aparecerá vivo no dia seguinte! — ameaçou.
–calma, calma! Você sabe onde ele está, não?
– Não sei dele desde que o deixei.
O sujeito gargalhou, chamando a atenção de todos.
– Ah, claro. Mais verdadeiro quanto moeda de trinta centavos... — De repente, os traços de humor desapareceram e ele se tornou sério, frio. — Eu sei que Frederico e Estêvão são a mesma pessoa. Não nasci ontem, Alba.
– Como descobriu? — perguntou, assustada.
– Esqueceu-se que Ernesto e eu somos amigos?
"Maldito seja!" pensou, segurando-se para não xingar a pobre mãe do falsificador.
– Mas voltando ao assunto do dinheiro...se não me oferecer a quantia que lhe peço, além de contar a Frederico, Estêvão...o que seja... que você é a mãe dele, divulgo na mídia que Estêvão San Roman é um farsante! Será a decadência de sua família.
– Não se atreveria!
– Ah, não? Arrisque-se e verá do que sou capaz!
– Eu não sei como fui capaz de me apaixonar por você... — Com o olhar triste.
– É, meu doce...nem sempre as pessoas são o que parece, inclusive você. Talvez não perceba, mas eu fiz o mesmo que você fez ao seu filho: Te abandonei!
Um calafrio percorreu o corpo de Alba que, sem ação, apenas disse a Renato que lhe traria o cheque com a quantia no dia seguinte e se ergueu da cadeira, derramando as lágrimas de remorso até a igreja, onde foi se confessar com o Padre Lopes.

**********
Fabíola não deu a mínima para a atenção de Carlos com Elisa.
À noite, eles haviam regressado ao apartamento, onde Fabiola fingia que dormia, só para evitar que Carlos a importunasse.
Pela manhã, apareceu nas empresas San Roman, com o pretexto de saudar ao namorado, quando seu real objetivo era ver a Estêvão.

O encontrou assim que chegou na recepção, ele conversava animadamente com um homem igualmente vestido em um terno cinza, mas seu sorriso, a medida em que o outro sujeito falava, se esvaecia.
– Está acabado! — Disse ele alterando o tom de voz. — Não quero que minha empresa esteja sócia da dele. O contrato entre as empresas San Roman e a Empreendimentos Salgado terminam aqui!
Saiu em cólera e entrou no elevador, sendo seguido por Fabíola, que para alcancá-lo correu pelas escadas.
– Estêvão! — balbuciou quando o mesmo abria a porta da presidência.
– Bom dia, Fabiola. — respondeu, sem nenhuma vontade.
– Hmm... Hoje é o jantar de compromisso entre mim e seu primo. Mas você já sabe, não é? — foi tudo o que ocorreu em sua mente para puxar assunto.
– Não sabia. Mas estarei lá na hora da ceia.
– Excelente! Digo...- tentando não parecer tão feliz. — Seu primo ficará muito contente.
– Também terei uma notícia para dar no jantar.
– Uma notícia? — curiosa.
– Olá, meu amor! — saudou Carlos com uma pasta de documentos à mão.
– Vou deixá-los sozinhos. Há muito o que fazer hoje.
Depois que ele saiu, Carlos a levou até a lanchonete da empresa.
– Uma das vantagens de ser um dos donos da empresa é que eu posso flexionar meu horário de trabalho. — com um sorriso no rosto.
– Ah, claro. — com uma voz entediada. Mal via a hora de deixá-lo de lado.

*******

Depois que Fabíola foi embora, Daniela entrou na sala de Geraldo.

– Já é a quarta vez que sua mãe liga para a empresa querendo falar com você. Seu pai a cada dia está mais doente.

– E?- despreocupado.

– Em tantos anos nunca vi você tão indiferente com o seu pai.

– Tenho meus motivos.

– Era porque ele dizia que sua relação com Maria não daria certo?

– Não quero falar sobre isso! — dando as costas.

– Pois foi justamente essa razão. Tenta entender que Maria não te quer. Eu te amo, não é o suficiente?

– Como você quer que eu a esqueça se só sabe falar o nome dela?

– Porque eu sei que ainda a ama.

Ele ficou quieto. Respirou fundo para procurar as palavras certas e não acabar com os planos que arquitetava.

– Eu preciso que me dê espaço. — disse ele. — Gosto de você, mas não é com suas crises de ciúmes que vai me conquistar.

– E o que tenho que fazer? Diga! Diga que eu faço tudo para que reconheça o quanto eu te amo!

Ainda de costas, olhava para os prédios vizinhos através da janela. Estreitou os olhos, vitorioso.

– Tudo mesmo?

********
Eram sete horas quando Estêvão apareceu no apartamento de Maria.
Falou do jantar e propôs a ela que revelassem o noivado para a família.
– Será que vão gostar de mim?
– Claro que vão! Carlos te acha super simpática.
– E sua tia? Ela disse algo sobre mim.
– Que você é bonita.
– Algo mais?
– Sabe, minha tia tem ciúmes de mim e do meu primo. Se ela gostar de você, demonstrará. Mas quanto ao sujeito que tentou te...você sabe. — Ele não ousava dizer a palavra.
– Não achamos quem tentou me matar. E como poderíamos se não havíamos pistas ou provas?
– Mas suspeitou de alguém?
– Sim. Mas não posso dizer quem é meu suspeito. É um caso de polícia! — sorrindo.
– Entendo...e quanto às investigações para descobrir o... assassino de sua sua irmã ?
Queria descobrir quanto tempo teria para se preparar para a revelação.
– Falei com o delegado do destrito policial de Aruba. Ele está buscando todos os arquivos com os casos relacionados à morte de meu cunhado e irmã. Há também uma testemunha.
– Testemunha? — Estêvão empalideceu.
– Sim. Mas o delegado disse que só poderia me informar de tudo pessoalmente.
– Espero que...consiga achar o desgraçado. — suando frio.
– Estêvão, você está bem?
– Sim...tive um dia corrido na empresa e para completar, terminei com os negócios que tínhamos com a empresa da família de Geraldo. Melhor desfazermos todos os vínculos com ele.
– Compreendo.
– Mas vai se aprontar. Teremos que sair daqui a uma hora.

********
Já na Mansão San Roman, Estêvão aparecia de mãos dadas com Maria. Ao vê-los juntos e sorridentes, Fabiola cerrou os punhos, com raiva. Como queria matar àquela mulher!
Carlos apareceu para recepcioná-los, puxando a namorada pela mão.
– Boa noite, Estêvão. Olá Maria, como vai?
– Bem, Carlos. Obrigada!
– Bom, esta aqui é minha namorada. — Apontando para Fabiola. — Fabiola, esta aqui é Maria.
– Muito...prazer — disse estendendo a mão, de mau grado.
Alba demorou a sair do quarto. Ainda não havia se recuperado do choque ao rever o homem que amou profundamente e que, aparentemente nunca retribuiu o seu amor.
Olhou para os dois casais na sala e se desesperou ao pensar que os filhos a deixariam só.
– Boa noite.
– Boa noite! — responderam em uníssono.
– Me parece que o jantar está servido. Por favor, queiram passar para a sala de jantar.
Em silêncio, cada um chegou na mesa.
Sentaram-se e começaram a se servir. No meio da ceia, Carlos se levantou e fez um discurso, gerando alguns aplausos e um brinde comemorando sua relação com Fabíola.
– Bom, também temos algo a contar! — olhando docemente para Maria e se levantando com uma taça de champanhe à mão.
– Diga, meu pequeno. — Falou Alba, um pouco distante.
– Primo, tia e cunhada...- Olhando para Fabíola que se derretia por dentro.
– Eu e Maria estamos noivos e pretendemos nos casar muito em breve!
Com o choque, Fabiola derrubou a taça de vinho no chão, chamando a atenção de todos.
– Não pode ser! — exclamou, para a admiração de todos.
– E porque não, Fabíola? — indagou Carlos, intrigado.

Continua...

Notas finais
Até o próximo capítulo!