O Retorno De Um Estranho
5 Amigos De Longa Data
Notas iniciais
Capítulo anterior: – Meu amor...marquei nosso casamento para daqui a três meses.
– O quê?
– Não gostou da surpresa? — encarando Maria, que estava pálida.
Iria se casar, claro. Porém não tão cedo quanto esperava e sem amor. Sim, por mais que tentasse criar raízes sólidas, conseguir abrir espaço em seu coração para amá-lo, apenas nutria um grande carinho por Geraldo.
Seu amor um dia, teve dono, mas ele havia falecido, assim como sua irmã.
Sentia-se mal-caráter por haver se envolvido sentimentalmente com o noivo de sua irmã. Frederico Rivero! Esse era o seu nome.
Ele nunca prestara atenção em Maria, que naquele tempo acabava de completar vinte anos e partira para Londres, onde havia ganhado uma bolsa de estudos para cursar moda.
Infelizmente, um ano depois de sua estadia na capital inglesa, recebeu a fatídica notícia de que sua irmã e cunhado haviam falecido.
Morreram carbonizados, pois o veículo em que estavam, além de ter capotado após tentarem o desvio de uma carreta, explodiu com o impacto da batida do carro em algumas rochas ao lado da pista.
Uma perícia realizada pela polícia constatou que os fios do freio do automóvel haviam sido cortados. A morte de ambas as vítimas foi criminal.
Como a justiça, infelizmente era feita para ricos, o caso foi arquivado.
Maria não pôde regressar para o enterro de Patrícia e Frederico, pois além de não ter forças para ver as duas pessoas que mais amava sem vida, eram o único motivo que a mantinha presa àquele lugar.
Com o coração destroçado pela dor da perda, decide-se por resolver o caso com suas próprias mãos. Era uma fanática pelos livros do genioso Arthur Conan Doyle*, e isso a motivou a aprofundar-se em investigações criminais, requeriu aos ensinamentos de especialistas e, já sentindo-se preparada para iniciar outra fase de sua vida, alistou-se no exército mexicano, abrindo mão de um futuro promissor como estilista para vingar a perda da irmã amada.
As perguntas que sempre se fazia era: Quem os havia matado? Teriam algum motivo?
Muito em breve, estaria em busca de respostas...
Conheceu Geraldo quando estava à espera de seu vôo para ( ), pois no tempo em que estivera na Inglaterra, dividiu um apartamento com uma ucraniana chamada Vivian, que também cursaria a faculdade, mas por pressão dos pais do que por vontade própria. Tornaram-se grandes amigas, e Maria como estava de férias, partiu para a capital inglesa para rever a Vivian.
Esbarrou-se no aeroporto com Geraldo, este vinha distraído, lendo um artigo jornalístico sobre a queda da bolsa de valores e ela, que acompanhava pela Internet um desfile de lingeries, ficou vermelha ao perceber que estavam no chão do aeroporto e Geraldo a pressionva contra o chão, devido a queda.
– Desculpas, moça — levanta-se rápido e estende a mão para ajudar Maria a se erguer.
– Eu que peço desculpas. Estava tão distraída...
Algumas pessoas que os olhavam retomam sua espera para o embarque e os esquecem.
– Desculpa, qual seu nome senhorita?
– É...
"Vôo número 4212 com destino à Cambrigde, favor apresentarem-se ao portão de embarque para à viagem" — anunciaoum funcionário do aeroporto, interrompendo e apressando Maria.
– Bom, tenho que ir, é meu vôo. Mais uma vez desculpa-me.
– Boa viagem.
– Obrigado.
E Maria sai, já esquecida pelo ocorrido, mas inocentemente cativada por um homem que, a partir desse dia, nunca mais conseguiu esquecê-la.
Cinco meses depois, eis que se reencontram.
Maria, que há muito jáhaviqa retornado de viagem, teve um problema em uma das rodas de seu carro, o que a fez parar no meio-fio. Ficou ao lado do automóvel, com as mãos na cintura, olhando para ver se solucionava o impasse.
Foi então, que um carro seguiu o mesmo percurso que o seu. Era Geraldo, que de longe, notou a face preocupada da mulher e foi ajudá-la. Percebeu, para sua enorme surpresa, que se tratava da desconhecida do aeroporto, e seu coração se encheu de esperança.
Ofereceu carona a Maria e esta aceitou, pois o reboque ainda não havia chegado e ela nem sabia que horas viria.
Conversaram por um bom tempo e a pedido de Geraldo, trocaram o número do telefone.
Maria nem se deu conta de quando se tornaram namorados.
Pouco meses depois, ele propõe casamento.
Aceitou, não porque o amava, mas porque dentro de si, seu lado mulher falava mais alto. Queria construir uma família, era seu maior sonho, e o levava consigo como um segredo.
Dedicaria sua vida a ser mãe, dona de casa, mas não antes de descobrir o assassino de Patrícia. Fosse quem fosse, pagaria amargamente!
– Maria, me ouve? — indagou Geraldo.
– Sim, sim. Apenas lembrava de algo.
– E o que diz da surpresa?
– Olha Geraldo...creio que seja muito cedo para nossa união. Nos conhecemos à tão pouco tempo!
– Eu te amo desde a primeira vez que te vi! Três meses ainda é muito tempo pra mim.
– E a que se deve esta pressa?
– Porque te amo, já lhe disse inúmeras vezes.
– Só por isso? Tem certeza?
– Aonde quer chegar?
– Está apresando o matrimônio pra que eu me entregue, não?
– Sim, mas... — começou, sem jeito, mas logo interrompido por Maria.
– Eu sabia disso. Isso não era motivo para marcar em tão pouco tempo. Sabe do caso que tenho que desvendar. Preciso fazê-lo antes de firmar nosso compromisso.
– Pense bem, Maria. Estando casada comigo, terá mais credibilidade e quem sabe, resolverá esse caso mais cedo do que imagina. E quem sabe se o infeliz ainda está vivo? E se era um criminoso e se envolveu em alguma discussão com algum traficante e foi morto?
– Não está morto. Tenho certeza disso.
– Não quero discutir, amor — alisando seu rosto — olha...eu não vou desmarcar. — Maria o olha com desaprovação, no entanto, ele continua — Mas quando a data estiver próxima e você ainda não estiver decidida, adiamos. Até lá, espero que já tenha mudado de opinião sobre isso. Sei que não me ama como eu te amo, mas verá que eu vou conseguir seu amor.
Maria não falou mais nada. Melhor seria o silêncio, porque senão este assunto renderia pelo resto da tarde e já era hora de regressar à delegacia.
Estevão estava inquieto. Havia algo na história de Maria que começava a intrigá-lo. Tinha muitas peças na mente, mas todas estavam embaralhadas.
Revisou alguns documentos e os entregou a Alma.
Sentou-se na poltrona de sua sala, na presidência e pôs-se a pensar.
Depois de concluído seu quebra-cabeça, engoliu seco.
Conhecia mais a Maria do que ela, e até mesmo ele, poderiam imaginar...
Já era noite quando Estevao saiu da delegacia. Tinha dispensado Arnaldo, o motorista, e ele mesmo conduzia o carro, sendo acompanhado por Carlos e Luciano.
Deixou o advogado em sua casa e seguiu para a mansão.
– Lamento pelo ocorrido, Estevão.
– Não é a mim que deve desculpas, se não a sua mãe, que ficou decepcionada por sua irresponsabilidade.
– Ela está bem?
– Passou mal um pouco depois que fui à sua procura na delegacia, mas Rebeca ofereceu-lhe medicamentos, e ela ficou melhor.
– Minhas intenções não eram preocupar a minha mãe. Não sabia que isto viria a ocorrer.
– Peço que a partir de hoje, porte-se como um homem, não como um adolescente mimado. Já é maior de idade e além de tudo, tens um nome a zelar.
– Vou fazer o que me mandar, Estevão. Não quero que nada de ruim suceda com minha mãe.
– Assim espero. Tia Alba sofre de problemas cardíacos, como você sabe. Em outra dessas, temo por sua vida.
Depois desta dura realidade, Carlos se entristece. Duas lágrimas tristes escorriam pelo seu rosto.
Estevão sentiu pena do rapaz. Era um garoto bom, ainda que cometesse asneiras. Não conheceu o pai na infância e isso lhe causou danos irreversíveis.
– Anda, vamos. Pare de chorar. — Estevão sentiu o amargo da possibilidade de perder sua tia. De sua mãe, apenas lembrava-se de um quadro que o pai colocou na sala, dizendo que a figura pintada na tela era ela. Sua tia a amava como uma mãe, sentia isso pelo carinho empenhado por ela, mas no seu íntimo guardava a dor de ter perdido a mãe em um acidente de carro, como o pai havia dito uma vez.
– Estevão pode me dar um emprego nas empresas San Romãn?
– Sério que quer começar a trabalhar?
– Sim, por mamãe. Acredite, Estêvão, eu a amo muito.
– Eu também primo, eu também.
– E então, vai me dar o emprego? — enxugando as lágrimas.
– As Empresas San Romãn também são sua. Não precisa me pedir. Amanhã mesmo falarei com o pessoal do RH para encontrarem um emprego para você na empresa, de acordo com suas qualificações. E eu também quero que você volte a estudar.
– Mas ainda terá os trâmites do julgamento.
– Hum... Não falemos disso, por agora.
Estevão estacionou o carro na garagem.
– Vai ver sua mãe. Ela te espera.
E Carlos sai, mas o que não percebe, é que Estevão estava a todo caminho, preocupado.
Saindo de um banho que demorou quase uma hora, Estevão enxugava os cabelos enquanto andava de um lado a outro no quarto, com uma toalha em volta de sua masculinidade. A água fria não foi suficiente para esquecer Maria...
*Arthur Conan Doyle: Nome do autor de "Sherlock Holmes"
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